Conheci a auditora Maria Lucia Fattorelli em um dos excelentes programas de Beto Almeida, o “Brasil Nação”, na TV Paraná Educativa. Era época de campanha eleitoral, e o debate era sobre a dívida pública. Lembro-me que falei do que, na época, mais conhecia - a invasão do “investimento direto estrangeiro” no Brasil, a partir da segunda metade da década de 90, isto é, a desnacionalização da economia, ainda mais acentuada nos últimos anos. Porém, fiquei impressionado com os números que Maria Lucia expôs, quanto à dívida. Agora, após o crack de 2007-2008 nos EUA e demais países centrais, o problema tornou-se - ou, melhor, revelou-se - mundial. Mas cabe a cada país resolver seus próprios problemas, inclusive aqueles impostos desde fora. Certas questões, que antes pareciam secundárias, como as concessões feitas na questão do Fundo Social do Pré-sal, podem hoje ser examinadas sob uma nova luz. Porém, deixemos ao leitor o juízo, isto é, a consciência sobre os problemas colocados pela autora. No mínimo, poderá obter do texto que hoje publicamos um novo nível de informação - o que não é pouca coisa, pois não há obstáculo maior para uma nação e um povo, e até para as pessoas individualmente, do que a sua própria ignorância. Não por acaso nossos inimigos fazem tanto para mantê-la inalterada
C.L.
MARIA LUCIA FATTORELLI *
Assistimos, nos últimos dias, às crescentes mobilizações sociais que têm levado centenas de milhares de pessoas às ruas, em toda a Europa, protestando contra as drásticas consequências da crise da dívida pública que atinge fortemente a economia europeia e a vida de seus cidadãos.
Muito se comenta sobre a necessidade de pagar a dívida e o remédio empregado pela Comissão Europeia, juntamente com o FMI e o Banco Central Europeu, é um amargo composto de medidas de ajuste fiscal: reforma da previdência visando aumentar a idade para aposentadoria e reduzir benefícios dos trabalhadores; demissão de milhares de servidores públicos; corte de serviços públicos; aumento de tributos; privatizações, dentre outras.
Pouco se comenta que essa crise da dívida decorre principalmente da crise do setor financeiro bancário deflagrada em 2008: os maiores bancos internacionais do planeta corriam risco de quebra, devido ao excesso de derivativos sem lastro e outros produtos financeiros sem respaldo e sem valor algum – chamados de “ativos tóxicos (1)” pela grande mídia. Imensurável quantidade de sucessivas séries e mais séries desses papéis podres criaram uma “bolha” que inundou o mercado financeiro mundial de verdadeiro “lixo”.
A crise atingiu primeiramente os grandes bancos norte-americanos, atolados desses papéis podres. A emissão descontrolada de tais produtos financeiros foi possibilitada porque os controles existentes, determinados pela SEC (2) – órgão criado logo após a crise de 1929 e que desde então exercia o papel de controlar a qualidade e autenticidade dos papéis negociados no mercado financeiro – foram desrespeitados por diversas grandes instituições financeiras (3).
A quantidade de derivativos e papéis tóxicos alcançou níveis tão elevados que o Presidente Barack Obama chegou a mencionar a criação de “bad banks”, instituições que se prestariam a acatar volumes expressivos desses papéis podres, realizando uma “faxina” para aliviar o sistema financeiro americano (4). Outra proposta do presidente do FED norte-americano Ben Bernanke foi a criação de “big bad banks”, ou “aggregator bank”, uma super instituição capaz de absorver quantidades ainda maiores desses papéis podres.
A mesma ideia surgiu também na Europa no início de 2009, conforme notícia divulgada pelo jornal Financial Times (5):
“Os ativos tóxicos de problemáticos bancos alemães serão evacuados para ‘bad banks’ sob um plano governamental, segundo o Finantial Times. Ao invés de instalar um ‘bad bank’ nacional, o governo alemão quer que os bancos organizem veículos individuais para amparar seus ativos líquidos”.
É importante ressaltar que as instituições que emitiram esses ativos tóxicos eram as maiores e mais importantes do mundo financeiro internacional, porque estas eram justamente as que possuíam credibilidade suficiente para ter seus próprios papéis acatados e negociados no Mercado financeiro. Apenas algumas dessas importantes instituições chegaram a quebrar – Lehman Brothers, por exemplo – mas logo os Estados Unidos aprovaram plano de salvamento do sistema financeiro que incluiu a estatização de parte do Citibank e outras transferências bilionárias de recursos públicos para instituições do sistema financeiro privado, a fim de salvá-las e impedir sua falência.
Destino diferente tem sido enfrentado por inúmeros fundos de pensão, que passam por grandes dificuldades (6), deixando trabalhadores completamente desamparados. Esse tema merece atenção total no Brasil, tendo em vista os riscos de transferência de ativos tóxicos para o País, ao mesmo tempo em que a União, estados e municípios impulsionam a criação de fundos de pensão para servidores públicos.
Os bancos ameaçados de falência cobravam ações urgentes dos governos alegando contaminação da crise iniciada nos Estados Unidos (7), sendo que a estimativa, no início de 2009, era de que apenas no sistema bancário alemão haveriam US$ 1,1 trilhão de ativos tóxicos.
Reuniões emergenciais organizadas pela Comissão Europeia levaram à aprovação de plano de salvamento dos bancos, mediante o alívio de papéis podres existentes no sistema bancário. Desde o início desse plano, todos estavam cientes do enorme risco que representava para toda a região, como mostra a notícia seguinte, de fevereiro/2009 (8), segundo a qual “Um salvamento de papéis podres em poder de bancos europeus poderia mergulhar a União Europeia em crise, segundo documento confidencial de Bruxelas”:
Da notícia se depreende que ademais de cientes dos riscos de ruína econômica, todos os países do Norte passaram a destinar significativos volumes de recursos para salvar instituições financeiras em risco de quebra. Não há a devida transparência sobre as bases da decisão tomada – que se baseou em documentos secretos, conforme mencionado na notícia acima – nem acerca da quantidade de recursos efetivamente destinada para esse fim. Estimativas apontam para muitos trilhões, mas nenhum país revelou claramente a quantia destinada para o salvamento de bancos desde 2008.
A parte mais preocupante da história é que os países do Norte não possuíam, em seus respectivos orçamentos públicos, recursos suficientes para as operações de salvamento bancário que decidiram efetuar.
EUA e países europeus criaram dívida pública mediante a emissão de títulos públicos, para entregá-los aos bancos, a fim de reparar o enorme rombo gerado pela “bolha” de papéis podres. Dessa forma, uma parte significativa dos títulos soberanos desses países não representaram verdadeiramente dívida pública, ou emissão de títulos para obter recursos para financiar o Estado, senão a utilização do mecanismo da divida para garantir fundos para instituições financeiras.
Decorridos pouco mais de dois anos, as previsões se concretizam, com tremenda crise da dívida em todos os países, e pior: a conta está sendo repassada para a sociedade como um todo e os bancos estão a salvo, pois transferiram os “ativos tóxicos” para os “bad Banks” ou diretamente para os cofres públicos.
Em reunião do G-20 realizada em abril/2009 foi proposta a regulamentação do mercado financeiro internacional, pois justamente a falta de regulamentação permitiu a emissão desenfreada de derivativos sem lastro que originaram toda essa crise, com alto custo para o povo europeu. Não passou.
No ano seguinte, o G-20 apenas discutiu a necessidade de regulação mais rigorosa para grandes instituições financeiras, consideradas “grandes demais para quebrar”, admitindo (9) que tal regulação seria uma medida para evitar que novas eventuais falências não tivessem que ser resolvidas pelos governos, aprofundando a dívida pública e colocando economias inteiras em risco.
A situação predominante no mercado financeiro internacional é a desregulamentação, a autonomia do setor financeiro bancário, a liberdade de movimentação de capitais, a especulação e, obviamente, os “bad Banks” e toneladas de ativos tóxicos.
Nessa circunstância, seria saudável que o Brasil investisse suas riquezas em “ativos internacionais”?
Creio que a resposta mais prudente seria NÃO, pois além do evidente risco de adquirirmos os ativos “tóxicos”, que são material abundante no mercado financeiro internacional, nosso país – campeão em desigualdades sociais e regionais – tem inúmeras destinações aqui mesmo para a realização de investimentos reais.
Diante disso, não se compreende a razão pela qual a Lei nº 12.351, aprovada na véspera do Natal de 2010, determinou (10) que a aplicação dos recursos do Fundo Social do Pré-sal (FS) será realizada da seguinte forma: “investimentos e aplicações do FS serão destinados preferencialmente a ativos no exterior”.
Tal operação representa efetivo risco de absorção, para o Fundo Social do pré-sal, dos abundantes ativos tóxicos que contaminam as economias da Europa e Estados Unidos, cujo rendimento será nulo!
A Presidente Dilma chegou a afirmar que pretende utilizar os recursos do Pré-Sal para reduzir a pobreza e para outras áreas sociais. Porém, a Lei aprovada pelo Congresso Nacional prevê que os recursos do Pré-Sal serão destinados ao exterior, e somente o rendimento desse fundo será destinado para as áreas sociais. Na realidade, o Fundo Social corre o risco de se tornar o “lixão” que aliviará de vez os trilhões de papéis podres que ainda inundam o sistema financeiro internacional.
Também não se compreende a razão pela qual a Lei nº 11.887/2008, que criou o Fundo Soberano (FSB), determinou que “Os recursos do FSB serão utilizados exclusivamente para investimentos e inversões financeiras (…) sob as seguintes formas: I – aquisição de ativos financeiros externos (…)”.
Para aumentar ainda mais o risco, as alterações introduzidas pela recém aprovada Lei 12.409/2011 permitiram que a União emitisse, a valor de mercado, sob a forma de colocação direta em favor do FSB, títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal.
Evidencia-se, dessa forma, a nítida operação de troca de “ativos internacionais” por títulos da dívida brasileira, passando pelo Fundo Soberano. Este é mais um risco de importação de papéis podres para o país, e mais uma evidência de que o instrumento da dívida pública foi usurpado pelo mercado financeiro, deixando de funcionar como um mecanismo de financiamento do Estado para se tornar um produto financeiro que possibilita grandes negócios.
As experiências de auditoria da dívida na América Latina – auditoria oficial no Equador e auditoria cidadã no Brasil – bem como as investigações da recém CPI da Dívida Pública na Câmara dos Deputados provaram que, desde a década de 70, a dívida externa com a banca privada internacional favoreceu unicamente aos bancos credores, pois nos últimos 40 anos esse tipo de dívida representou transferências líquidas brutais ao exterior, ao mesmo tempo em que a dívida se multiplicava por ela mesma. A atual dívida interna brasileira é também externa, pois grande parte dos títulos encontra-se em poder de bancos, fundos de pensão e fundos de investimento estrangeiros, que obtêm lucros exorbitantes face à incidência de juros altos sobre a variação cambial, isentos de tributos.
A auditoria da dívida também provou que a crise financeira que abalou as economias do Terceiro Mundo no início da década de 80 foi provocada pelos mesmos grandes bancos privados internacionais que controlavam o FED e a Associação de Bancos de Londres (11) – que procederam a elevação unilateral dessas taxas de 6 para mais de 20%. Evidenciou também que a crise provocada pelos bancos abriu a oportunidade para a interferência expressa do FMI em nossas economias, impondo planos de ajuste fiscal idênticos aos que agora são impostos à Europa.
A história se repete. Crises provocadas pelos bancos são transferidas às Nações por meio do endividamento público.
O Equador deu uma lição de soberania ao mundo e soube aproveitar os resultados da auditoria da dívida (12), anulando 70% de sua dívida externa em poder da banca privada internacional, o que está permitindo aumento dos investimentos sociais principalmente em saúde e educação, bem como a construção de rodovias de concreto, dentre outros investimentos reais.
É muito importante que os países europeus também iniciem rapidamente uma auditoria da dívida – seja oficial, cidadã ou parlamentar. Nesse sentido, a Irlanda já iniciou os trabalhos de forma cidadã (13), utilizando nossa experiência brasileira como exemplo. Da mesma forma, o documento final de grande conferência realizada em Atenas em maio/2011 (14) concluiu pela necessidade de organizar uma comissão de auditoria cidadã, também mencionando a experiência brasileira.
O grande mérito da auditoria da dívida é a oportunidade de acessar provas e documentos que revelem a Verdade: a natureza e a origem da dívida; as ilegalidades e ilegitimidades; os beneficiários e os responsáveis, propiciando ações de ordem legal e política, em busca da Justiça.
* Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida desde 2001 (www.divida-auditoriacidada.org.br), membro da Comissão de Auditoria da Dívida Equatoriana (2007-2008), e assessora da CPI da Dívida Pública na Câmara dos Deputados (2009-2010).
Notas:
[1] Em inglês: Toxic assets, termo empregado para papéis completamente podres, que não possuem valor algum. Outra denominação é dada para papéis também problemáticos, mas que ainda teriam algum valor; são os chamados Iliquid assets
[2] Securities and Exchange Commission, Estados Unidos da América
[3] O documentário Inside Job, disponível na internet, ilustra bem esse mecanismo
[4] http://www.ft.com/intl/cms/s/0/51a282ac-e66c-11dd-8e4f-0000779fd2ac.html#axzz1RRmoLKIv
[5] http://www.ft.com/cms/s/0/9a26fabc-eeeb-11dd-bbb5-0000779fd2ac.html#axzz1RRmoLKIv
[6]http://blogdoadvogadoemidio.blogspot.com/2011/05/falencia-dos-fundos-de-pensao-pelo.html
[7] http://www.german-info.com/press_shownews.php?pid=1029
[8]http://www.telegraph.co.uk/finance/financialcrisis/4590512/European-banks-may-need-16.3-trillion-bail-out-EC-dcoument-warns.html
[9]http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/zhdinheiro/19,0,3249795,Bancos-brasileiros-serao-alvo-de-nova-regulamentacao-do-G-20.html
[10] Lei 12.351, de 22/12/2010, Art. 50, parágrafo único
[11] Instituições que ditavam as taxas de juros internacionais que regiam os contratos: Prime e Libor
[12] O Equador realizou auditoria oficial de sua dívida pública criando comissão de auditoria por meio de Decreto presidencial http://www.auditoriadeuda.org.ec/
[13] http://www.debtireland.org/news/2011/05/04/citizens-debt-audit-for-ireland-launched/
[14] http://elegr.gr/details.php?id=134
Sou Bàbá Kytalamy, Afro - Religioso da Nação Vodun Jeje ( Tambor de Mina) Filho do Grandioso João de Guapindaia ( Afro - Religioso, Folclorista) Neto de Manoel Colaço, Filho de Oxóssy com Iansã ( Toy Vondereji com Fina Jóia). Tenho 26 anos de Santo, defensor da Liberdade de Cultos, luta contra intolerância de uma sociedade que não conhece suas raízes afro. Também sou Mestre em Cultura Popular ( Pássaro Junino - Reconhecido pelo Minc)
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Carta do Ator e Presidente da Funarte, Antonio Grassi ao Movimento de Trabalhadores na Cultura
A luta por mais verbas para a cultura é de extrema importância. Deve ser uma luta de todos os artistas, produtores, técnicos, gestores, enfim, de toda a sociedade brasileira. Ao longo da minha vida, seja como artista, seja como homem público, sempre empunhei esta bandeira. Da mesma forma, mantive postura inflexível na defesa da liberdade, da democracia e dos movimentos populares.
É com tal espírito que a manifestação convocada por segmentos artísticos de São Paulo foi encarada por mim e pela Ministra Ana de Hollanda: os portões da Funarte foram mantidos abertos, a força policial não foi convocada e, desde o primeiro momento, nos declaramos dispostos ao diálogo.
Os principais pontos expressos no manifesto, como as PEC’s 150 e 236 e o Prêmio Teatro Brasileiro encontram-se em discussão no Congresso Nacional. É importante que o debate extrapole os limites dos artistas e fazedores de cultura e chegue aos mais amplos setores da sociedade. Protestos legítimos auxiliam neste processo.
Entretanto, quero ressaltar algumas atitudes que não parecem coadunar com o espírito da luta comum dos artistas brasileiros. Cerrar os portões da Funarte – com correntes e cadeados – ofende nossa história de luta pela liberdade. Impedir o acesso de servidores públicos – ou expulsá-los sob ameaça das dependências da Funarte – relembra momentos terríveis de nosso passado não muito distante. Impedir que artistas, escolhidos por processos públicos para ocupar as salas da Funarte, exerçam a sua profissão não é aceitável sob nenhum aspecto. Impedir o andamento de Editais que estão sendo julgados e que favorecerão a própria classe artística é atirar contra o próprio pé. São fatos que, ao invés de atrair simpatizantes para a causa da cultura, dividem e isolam os movimentos.
Reitero a ampla disposição para o diálogo com os movimentos populares, conforme orientação da Presidenta Dilma, da Ministra Ana de Hollanda, e de acordo com a minha própria história de vida. É o único caminho possível para que a Cultura Brasileira seja finalmente colocada no patamar que merece.
Antonio Grassi, ator e presidente da Fundação Nacional das Artes
É com tal espírito que a manifestação convocada por segmentos artísticos de São Paulo foi encarada por mim e pela Ministra Ana de Hollanda: os portões da Funarte foram mantidos abertos, a força policial não foi convocada e, desde o primeiro momento, nos declaramos dispostos ao diálogo.
Os principais pontos expressos no manifesto, como as PEC’s 150 e 236 e o Prêmio Teatro Brasileiro encontram-se em discussão no Congresso Nacional. É importante que o debate extrapole os limites dos artistas e fazedores de cultura e chegue aos mais amplos setores da sociedade. Protestos legítimos auxiliam neste processo.
Entretanto, quero ressaltar algumas atitudes que não parecem coadunar com o espírito da luta comum dos artistas brasileiros. Cerrar os portões da Funarte – com correntes e cadeados – ofende nossa história de luta pela liberdade. Impedir o acesso de servidores públicos – ou expulsá-los sob ameaça das dependências da Funarte – relembra momentos terríveis de nosso passado não muito distante. Impedir que artistas, escolhidos por processos públicos para ocupar as salas da Funarte, exerçam a sua profissão não é aceitável sob nenhum aspecto. Impedir o andamento de Editais que estão sendo julgados e que favorecerão a própria classe artística é atirar contra o próprio pé. São fatos que, ao invés de atrair simpatizantes para a causa da cultura, dividem e isolam os movimentos.
Reitero a ampla disposição para o diálogo com os movimentos populares, conforme orientação da Presidenta Dilma, da Ministra Ana de Hollanda, e de acordo com a minha própria história de vida. É o único caminho possível para que a Cultura Brasileira seja finalmente colocada no patamar que merece.
Antonio Grassi, ator e presidente da Fundação Nacional das Artes
Notícias / Nacional | 08:5401/08/2011 Congresso retoma trabalhos e líderes petistas defendem pauta positiva
O Congresso Nacional retoma os trabalhos legislativos nesta segunda-feira (1º) após o recesso parlamentar.
Na Câmara, o presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), já adiantou que a ideia é tentar um acordo para votar os projetos de Código de Processo Civil, de Aeronáutica e Comercial.
No entanto, os trabalhos reiniciam com a pauta do plenário trancada por medidas provisórias (MPs) com prazo de tramitação vencido e que têm prioridade de votação.
O presidente da Câmara disse que também pretende colocar em votação neste segundo semestre a regulamentação da Emenda 29, que trata dos recursos para a saúde. Marco Maia ressaltou que vai assumir pessoalmente o compromisso de conversar com governadores e secretários de Saúde dos estados para viabilizar a regulamentação prevista na Emenda Constitucional 29.
Para o líder da bancada do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), a expectativa é a de que seja definida uma pauta positiva para votação. "Entre os temas que destacamos estão a reforma política e a regulamentação da emenda 29, além de outras matérias importantes para serem apreciadas", disse.
Os temas de interesse do governo para serem apreciados no segundo semestre legislativo poderão ser definidos na próxima semana. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), deverá ser reunir com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para estabelecer as prioridades.
Vaccarezza prevê a votação de propostas importantes. Entre elas, o projeto sobre o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec), e o que prevê um reajuste em 50% nos limites do Supersimples
Na Câmara, o presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), já adiantou que a ideia é tentar um acordo para votar os projetos de Código de Processo Civil, de Aeronáutica e Comercial.
No entanto, os trabalhos reiniciam com a pauta do plenário trancada por medidas provisórias (MPs) com prazo de tramitação vencido e que têm prioridade de votação.
O presidente da Câmara disse que também pretende colocar em votação neste segundo semestre a regulamentação da Emenda 29, que trata dos recursos para a saúde. Marco Maia ressaltou que vai assumir pessoalmente o compromisso de conversar com governadores e secretários de Saúde dos estados para viabilizar a regulamentação prevista na Emenda Constitucional 29.
Para o líder da bancada do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), a expectativa é a de que seja definida uma pauta positiva para votação. "Entre os temas que destacamos estão a reforma política e a regulamentação da emenda 29, além de outras matérias importantes para serem apreciadas", disse.
Os temas de interesse do governo para serem apreciados no segundo semestre legislativo poderão ser definidos na próxima semana. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), deverá ser reunir com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para estabelecer as prioridades.
Vaccarezza prevê a votação de propostas importantes. Entre elas, o projeto sobre o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec), e o que prevê um reajuste em 50% nos limites do Supersimples
O tempo dos líbios e o terrorismo dos EUA: um povo determinado a vencer
Obama despreza os valores democráticos. Os líbios, maciçamente unidos atrás de Kadafi, lançam sua mensagem a outras vítimas imperiais: não desistir
STEPHEN LENDMAN*
A 14 de julho, a matéria principal da DEBKAfile, agência de notícias ligada ao Mossad, era “Termina a guerra da Líbia. Obama faz de Moscou o mediador da paz”, e dizia:
“… a guerra na Líbia terminou virtualmente na quinta, 14 de julho, pela manhã, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, ligou para o presidente russo, Dmitry Medvedev, para entregar a Moscou o papel de liderança nas negociações com Muammar Kadafi para terminar o conflito – com a condição única de que o governante líbio se demita em favor de um governo de transição”.
Mais, sobre a exigência de Obama, abaixo. Por enquanto, o bombardeio terrorista dos EUA à Líbia continua inabalável, apesar do comunicado do Gabinete do Secretário de Imprensa da Casa Branca, a 13 de julho, dizendo que Obama agradeceu “os esforços da Rússia para mediar uma solução política na Líbia, enfatizando que (Washington) está preparada para apoiar negociações que levem a uma transição democrática... tão logo (Kadafi) seja excluído”.
Na verdade, Obama despreza os valores democráticos tanto no exterior quanto em casa, noções intoleráveis que ele não aceita, nem a paz, travando, sem parar, múltiplas guerras imperiais. Na Líbia, além disso, a questão não é Kadafi. A questão é colonizar outro país, controlar seus recursos, saquear suas riquezas e explorar seu povo - o objetivo de sempre dos EUA.
A 15 de julho, Washington e cerca de 30 países europeus e do Oriente Médio reconheceram ilegalmente os líderes revoltosos como governo legítimo da Líbia – o assim chamado Conselho Nacional de Transição (CNT). Reunidos em Istambul (sem a China e a Rússia), o Grupo de Contato da Líbia emitiu uma declaração, dizendo:
“De agora em diante, e até que uma autoridade interina seja constituída, os participantes concordaram em tratar o CNT como a autoridade governamental legítima na Líbia”.
Foi acrescentado que Kadafi não tem mais legitimidade e deve deixar a Líbia com sua família.
Explicando o que é claramente ilegítimo, a secretária de Estado Clinton disse:
“Nós ainda temos de trabalhar vários aspectos legais (em outras palavras, evitá-los totalmente), mas esperamos que este passo no reconhecimento capacitará o CNT a ter acesso a fontes adicionais de financiamento”, incluindo US$ 30 bilhões dos acima de US$ 150 bilhões roubados da riqueza da Líbia, e, além disso, seus abundantes recursos em petróleo, gás e água, que têm um valor multiplicado por muito mais.
Ao mesmo tempo, a frustração cresce após quatro meses de impasse nas operações terrestres e aéreas. Como resultado, apesar de dizer que Kadafi deve sair, alguns parceiros da OTAN parecem dispostos a deixá-lo ficar, embora não com seu poder atual.
Kadafi, na verdade, promete nunca deixar a Líbia ou render-se aos insurgentes ou a OTAN. Em comunicado ouvido pelo rádio em 16 de julho, ele disse aos que o apoiam:
“Eles estão me pedindo para deixar o país. Isto é uma risada. Eu nunca vou deixar a terra dos meus ancestrais ou as pessoas que se sacrificaram por mim. Depois de termos dado nossos filhos como mártires, não podemos recuar ou nos render ou desistir ou nos mover um centímetro”.
Os líbios o apoiam esmagadoramente, mobilização registrada em imagens (e relatórios) que a grande mídia suprime, mas pode ser acessada através do seguinte link: http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=25630.
ttp://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=25630.
Ninguém os chamou. Ninguém exigiu apoio a Kadafi. Eles vieram por si próprios, o que geralmente acontece quando as nações são atacadas ilegalmente. As pessoas reúnem-se esmagadoramente atrás dos líderes contra os agressores estrangeiros. Os líbios conhecem Washington e a OTAN, não é Kadafi o seu inimigo.
Além disso, eles estão armados, prontos para defender seu país contra os invasores porque Kadafi forneceu dois milhões de armas a civis, mais do que suficiente para derrubá-lo, se quisessem. Mas eles não o fazem!
DEBKA também disse que:
“A partir de 9 de julho, fontes militares relataram que a OTAN interrompeu seus ataques aéreos contra alvos pró-governo em Trípoli e em outros lugares. A suspensão, embora não anunciada, foi, apesar disso, uma admissão de que 15 mil missões de vôo (na verdade 15.308 até 15 de julho) e 6.000 (na verdade 5.767 até 15 de julho) bombardeios de alvos de Kadafi fracassaram em atingir seu objetivo”.
De fato, o site da OTAN (http://www.aco.nato.int/page424201235. Aspx) afirma o seguinte:
9 de julho: 112 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 48 missões de ataque;
10 de julho: 139 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 54 missões de ataque;
11 de julho: 132 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 49 missões de ataque;
12 de julho: 127 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 35 missões de ataque;
13 de julho: Nenhum dado publicado. O padrão acima provavelmente continuou.
14 de julho: 132 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 48 missões de ataque.
15 de Julho: 115 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 46 missões de ataque.
Informando de Trípoli em 17 de julho, Mahdi Nazemroaya, analista de Oriente Médio/Ásia Central, escreveu por e-mail que “a primeira noite foi muito ruim aqui. Eles bombardearam como loucos e tudo estava tremendo”.
Ele elaborou um artigo no Global Research, que pode ser acessado através do seguinte link: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=25658.
Classificando-a como uma noite de “blitzkrieg”, ele mencionou “grandes explosões... ouvidas à distância. Múltiplas áreas urbanas foram bombardeadas simultaneamente esta manhã”.
De acordo com testemunhas, cerca de 60 a 75 bombas acertaram Tajura (14 km a leste de Tripoli), área da cidade de Seraj. Continuando um padrão regular, alvos civis foram atingidos, incluindo áreas residenciais. A 16 de julho, a televisão estatal Líbia informou que a maioria das vítimas foram civis, sem citar números específicos.
Até agora, de fato, para cada combatente morto, 10 civis foram mortos como resultado de bombardeios sobre localidades não-militares, incluindo comunidades residenciais.
Durante a noite, perto das áreas bombardeadas, “foi como um terremoto. Grandes edifícios tão distantes como na rua Al-Fatah... estavam tremendo”.
A 16 de julho, no entanto, os ataques foram diferentes dos anteriores. O cheiro de queimado e “uma estranha fumaça tomou conta do ar” - e não foi embora. “Ele (o cheiro) ainda permaneceu na pele depois dos bombardeios... Os sons (e colunas de fumaça) eram diferentes”.
Depois dos bombardeios anteriores, a fumaça subia verticalmente “como um fogo, mas nesta noite ela era branca e horizontal.... e ficou sobre Trípoli”.
Uma explosão causou “uma enorme nuvem em forma de cogumelo, apontando para o possível uso de bombas (nucleares) contra bunkers”. Num raio de 15 km em torno dos alvos, “as pessoas experimentaram ardência nos olhos, dores lombares, dores de cabeça” inexplicados sintomas, não sentidos anteriormente.
Na semana passada, de fato, o procurador-geral da Líbia, Mohammed al-Zikri Mahjoubi, acusou o secretário geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, de crimes de guerra, dizendo que ele será criminalmente acusado de:
“Agressão deliberada contra civis inocentes, assassinato de crianças, bem como tentar derrubar o governo líbio... responsável por atacar pessoas desarmadas, matando 1.108 pessoas e ferindo outras 4.537 no bombardeio de Trípoli, outras cidades e aldeias”.
Ele também o acusou de tentar assassinar Kadafi.
A 14 de julho, Rasmussen tentou dois caminhos ao mesmo tempo, “encorajando todos os aliados que têm aeronaves à sua disposição a tomar parte na operação”, enquanto apelava para uma solução política pró-ocidental, que os líbios não aceitarão, nem devem aceitar.
Um comentário final.
Garantir o controle imperial é a questão, um objetivo que coloca os EUA em conflito com milhões de líbios, decididos a resistir e a vencer.
De fato, a estratégia de Washington pode ter saído pela culatra. A maioria dos líbios uniu-se atrás de Kadafi, junto com aliados regionais e outros, incluindo a China e a Rússia (devido a seus próprios interesses estratégicos), contra a exploradora “libertação” pelo Ocidente.
Embora nenhum fim para o conflito seja iminente, talvez desta vez o poder do povo possa triunfar. Se assim for, a mensagem para outras vítimas imperiais é não desistir. Lutando tempo suficiente para vencer, por vezes, conseguem. Talvez seja este o tempo para os líbios.
* Nascido em Boston, com graduação e MBA nas universidades de Harvard e Wharton, analista de pesquisas de marketing, empresário hoje aposentado, Stephen Lendman, desde 2005, aos 71 anos de idade, tem sido um dos mais penetrantes críticos da política e da economia dos EUA. Reside atualmente em Chicago.
STEPHEN LENDMAN*
A 14 de julho, a matéria principal da DEBKAfile, agência de notícias ligada ao Mossad, era “Termina a guerra da Líbia. Obama faz de Moscou o mediador da paz”, e dizia:
“… a guerra na Líbia terminou virtualmente na quinta, 14 de julho, pela manhã, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, ligou para o presidente russo, Dmitry Medvedev, para entregar a Moscou o papel de liderança nas negociações com Muammar Kadafi para terminar o conflito – com a condição única de que o governante líbio se demita em favor de um governo de transição”.
Mais, sobre a exigência de Obama, abaixo. Por enquanto, o bombardeio terrorista dos EUA à Líbia continua inabalável, apesar do comunicado do Gabinete do Secretário de Imprensa da Casa Branca, a 13 de julho, dizendo que Obama agradeceu “os esforços da Rússia para mediar uma solução política na Líbia, enfatizando que (Washington) está preparada para apoiar negociações que levem a uma transição democrática... tão logo (Kadafi) seja excluído”.
Na verdade, Obama despreza os valores democráticos tanto no exterior quanto em casa, noções intoleráveis que ele não aceita, nem a paz, travando, sem parar, múltiplas guerras imperiais. Na Líbia, além disso, a questão não é Kadafi. A questão é colonizar outro país, controlar seus recursos, saquear suas riquezas e explorar seu povo - o objetivo de sempre dos EUA.
A 15 de julho, Washington e cerca de 30 países europeus e do Oriente Médio reconheceram ilegalmente os líderes revoltosos como governo legítimo da Líbia – o assim chamado Conselho Nacional de Transição (CNT). Reunidos em Istambul (sem a China e a Rússia), o Grupo de Contato da Líbia emitiu uma declaração, dizendo:
“De agora em diante, e até que uma autoridade interina seja constituída, os participantes concordaram em tratar o CNT como a autoridade governamental legítima na Líbia”.
Foi acrescentado que Kadafi não tem mais legitimidade e deve deixar a Líbia com sua família.
Explicando o que é claramente ilegítimo, a secretária de Estado Clinton disse:
“Nós ainda temos de trabalhar vários aspectos legais (em outras palavras, evitá-los totalmente), mas esperamos que este passo no reconhecimento capacitará o CNT a ter acesso a fontes adicionais de financiamento”, incluindo US$ 30 bilhões dos acima de US$ 150 bilhões roubados da riqueza da Líbia, e, além disso, seus abundantes recursos em petróleo, gás e água, que têm um valor multiplicado por muito mais.
Ao mesmo tempo, a frustração cresce após quatro meses de impasse nas operações terrestres e aéreas. Como resultado, apesar de dizer que Kadafi deve sair, alguns parceiros da OTAN parecem dispostos a deixá-lo ficar, embora não com seu poder atual.
Kadafi, na verdade, promete nunca deixar a Líbia ou render-se aos insurgentes ou a OTAN. Em comunicado ouvido pelo rádio em 16 de julho, ele disse aos que o apoiam:
“Eles estão me pedindo para deixar o país. Isto é uma risada. Eu nunca vou deixar a terra dos meus ancestrais ou as pessoas que se sacrificaram por mim. Depois de termos dado nossos filhos como mártires, não podemos recuar ou nos render ou desistir ou nos mover um centímetro”.
Os líbios o apoiam esmagadoramente, mobilização registrada em imagens (e relatórios) que a grande mídia suprime, mas pode ser acessada através do seguinte link: http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=25630.
ttp://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=25630.
Ninguém os chamou. Ninguém exigiu apoio a Kadafi. Eles vieram por si próprios, o que geralmente acontece quando as nações são atacadas ilegalmente. As pessoas reúnem-se esmagadoramente atrás dos líderes contra os agressores estrangeiros. Os líbios conhecem Washington e a OTAN, não é Kadafi o seu inimigo.
Além disso, eles estão armados, prontos para defender seu país contra os invasores porque Kadafi forneceu dois milhões de armas a civis, mais do que suficiente para derrubá-lo, se quisessem. Mas eles não o fazem!
DEBKA também disse que:
“A partir de 9 de julho, fontes militares relataram que a OTAN interrompeu seus ataques aéreos contra alvos pró-governo em Trípoli e em outros lugares. A suspensão, embora não anunciada, foi, apesar disso, uma admissão de que 15 mil missões de vôo (na verdade 15.308 até 15 de julho) e 6.000 (na verdade 5.767 até 15 de julho) bombardeios de alvos de Kadafi fracassaram em atingir seu objetivo”.
De fato, o site da OTAN (http://www.aco.nato.int/page424201235. Aspx) afirma o seguinte:
9 de julho: 112 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 48 missões de ataque;
10 de julho: 139 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 54 missões de ataque;
11 de julho: 132 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 49 missões de ataque;
12 de julho: 127 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 35 missões de ataque;
13 de julho: Nenhum dado publicado. O padrão acima provavelmente continuou.
14 de julho: 132 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 48 missões de ataque.
15 de Julho: 115 voos de reconhecimento efetuados, incluindo 46 missões de ataque.
Informando de Trípoli em 17 de julho, Mahdi Nazemroaya, analista de Oriente Médio/Ásia Central, escreveu por e-mail que “a primeira noite foi muito ruim aqui. Eles bombardearam como loucos e tudo estava tremendo”.
Ele elaborou um artigo no Global Research, que pode ser acessado através do seguinte link: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=25658.
Classificando-a como uma noite de “blitzkrieg”, ele mencionou “grandes explosões... ouvidas à distância. Múltiplas áreas urbanas foram bombardeadas simultaneamente esta manhã”.
De acordo com testemunhas, cerca de 60 a 75 bombas acertaram Tajura (14 km a leste de Tripoli), área da cidade de Seraj. Continuando um padrão regular, alvos civis foram atingidos, incluindo áreas residenciais. A 16 de julho, a televisão estatal Líbia informou que a maioria das vítimas foram civis, sem citar números específicos.
Até agora, de fato, para cada combatente morto, 10 civis foram mortos como resultado de bombardeios sobre localidades não-militares, incluindo comunidades residenciais.
Durante a noite, perto das áreas bombardeadas, “foi como um terremoto. Grandes edifícios tão distantes como na rua Al-Fatah... estavam tremendo”.
A 16 de julho, no entanto, os ataques foram diferentes dos anteriores. O cheiro de queimado e “uma estranha fumaça tomou conta do ar” - e não foi embora. “Ele (o cheiro) ainda permaneceu na pele depois dos bombardeios... Os sons (e colunas de fumaça) eram diferentes”.
Depois dos bombardeios anteriores, a fumaça subia verticalmente “como um fogo, mas nesta noite ela era branca e horizontal.... e ficou sobre Trípoli”.
Uma explosão causou “uma enorme nuvem em forma de cogumelo, apontando para o possível uso de bombas (nucleares) contra bunkers”. Num raio de 15 km em torno dos alvos, “as pessoas experimentaram ardência nos olhos, dores lombares, dores de cabeça” inexplicados sintomas, não sentidos anteriormente.
Na semana passada, de fato, o procurador-geral da Líbia, Mohammed al-Zikri Mahjoubi, acusou o secretário geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, de crimes de guerra, dizendo que ele será criminalmente acusado de:
“Agressão deliberada contra civis inocentes, assassinato de crianças, bem como tentar derrubar o governo líbio... responsável por atacar pessoas desarmadas, matando 1.108 pessoas e ferindo outras 4.537 no bombardeio de Trípoli, outras cidades e aldeias”.
Ele também o acusou de tentar assassinar Kadafi.
A 14 de julho, Rasmussen tentou dois caminhos ao mesmo tempo, “encorajando todos os aliados que têm aeronaves à sua disposição a tomar parte na operação”, enquanto apelava para uma solução política pró-ocidental, que os líbios não aceitarão, nem devem aceitar.
Um comentário final.
Garantir o controle imperial é a questão, um objetivo que coloca os EUA em conflito com milhões de líbios, decididos a resistir e a vencer.
De fato, a estratégia de Washington pode ter saído pela culatra. A maioria dos líbios uniu-se atrás de Kadafi, junto com aliados regionais e outros, incluindo a China e a Rússia (devido a seus próprios interesses estratégicos), contra a exploradora “libertação” pelo Ocidente.
Embora nenhum fim para o conflito seja iminente, talvez desta vez o poder do povo possa triunfar. Se assim for, a mensagem para outras vítimas imperiais é não desistir. Lutando tempo suficiente para vencer, por vezes, conseguem. Talvez seja este o tempo para os líbios.
* Nascido em Boston, com graduação e MBA nas universidades de Harvard e Wharton, analista de pesquisas de marketing, empresário hoje aposentado, Stephen Lendman, desde 2005, aos 71 anos de idade, tem sido um dos mais penetrantes críticos da política e da economia dos EUA. Reside atualmente em Chicago.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
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