O texto desta página foi originalmente divulgado pela Agência Carta Maior. O motivo que nos faz publicá-lo não é somente a sua importância do ponto de vista mais geral – o aprofundamento da crise nos EUA e Europa. Há também um motivo imediato.
Na conferência do último dia 26 no “Managing Capital Flows in Emerging Markets”, seminário promovido com o FMI, a primeira solução que o ministro Mantega apresentou para a atual invasão de dólares provinda das superemissões dos EUA – invasão que hipervaloriza artificialmente o real, subsidiando brutalmente as importações e encarecendo a produção interna, com a depredação da nossa indústria – foi a “recuperação dos países desenvolvidos” (“recovery of advanced countries”). Segundo se depreende da prancha 10 de sua apresentação, ele atribuiu tal solução a um consenso no G-20. No entanto, ele vem repetindo isso há bastante tempo – desde que a crise atual eclodiu nos EUA, em 2008.
Se essa é a principal solução, a consequência política é clara: temos de fazer todo o possível para que a economia dos EUA e de outros países se recupere, porque, senão, o Brasil jamais conseguirá resolver o problema mais agudo que, no momento, afeta sua economia. Portanto, temos de deixar as portas abertas para a invasão de dólares, até estimulá-la com juros cada vez mais altos, aguentar déficits comerciais crescentes com os EUA, açular o capital forâneo para que compre nossas empresas, etc., etc., etc.
Não é uma coincidência que seja exatamente isso que está acontecendo, já há algum tempo. Embora não estejamos atribuindo ao ministro um plano deliberado e premeditado neste sentido, sua premissa leva, inevitavelmente, a esse resultado. O Brasil, portanto, seria um país cujo limite de crescimento é determinado, inelutavelmente, pelo crescimento dos países centrais e nossa “vantagem comparativa” seriam os baixos salários para que as exportações fossem vantajosas, com um mercado interno restrito pela concentração e achatamento da renda – logo, nossa economia seria geneticamente desprovida, por algum motivo místico, de moto próprio, de dinâmica interna para crescer. Daí, a única política que nos resta seria esperar que os países centrais se “recuperem”.
Essa concepção não é nova: apesar das diferenças de época e de complexidade econômica, quanto à essência política e ideológica ela é idêntica àquela que Washington Luiz impôs ao país após o início da crise em 1929, e que levou esse presidente à desgraça. Em suma, essa política é, quanto ao conteúdo ideológico, uma exumação, em seu pior momento - o último - da República Velha.
Tudo, evidentemente, era ilusório naquela época. Era tão ilusória a política de Washington Luiz, que ela hoje nos parece delirante – e, o seu executor, um alucinado. O que espanta mais é o nível de submissão, naquela época sobretudo aos bancos ingleses.
O texto abaixo, de Amir Khair, mostra que, também hoje, essa política – mais exatamente, essa ideologia – é uma ilusão que faz fronteira com a loucura. Com a crise dos países centrais aproximando-se, mais lentamente ou mais rapidamente, de uma hecatombe, não há solução para o Brasil que não seja apoiar-se em suas próprias forças – que existem e são imensas -, em seu próprio mercado interno.
Por isso, é algo igualmente delirante travar o crescimento neste momento. Depois de desenhar, com dados irretorquíveis, o quadro externo, Khair conclui: “Face a esse quadro, o melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. Assim, é bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos que poderão vir de fora”.
Realmente, não é possível, por mais muito tempo, que a política econômica seja uma constatação da impotência – problema ideológico, e não real – como aquela que faz o ministro da Fazenda declarar que pretende desonerar a folha de pagamento das empresas e reduzir o ICMS interestadual porque “como não se pode administrar o câmbio como gostaríamos, temos que administrar os custos tributários, financeiros e de infraestrutura”.
Até aqui pensávamos que o ministro era um adepto do “câmbio flutuante” porque na sua opinião esse regime era melhor do que os outros – tanto assim que, no evento do FMI, propôs que este fosse o regime cambial único do mundo. Agora, sabemos que o problema é que “não se pode administrar o câmbio como gostaríamos”. Por que não se pode? O câmbio é um preço geral da economia, a ser regido de acordo com os interesses gerais do país. É assim que fazem os EUA por exemplo, com a superemissão de dólares, e a China, que atrelou a cotação do yuan ao dólar para impedir o que acontece no Brasil: que a hipervalorização da moeda seja uma forma de agressão à economia.
A submissão extrema aos interesses do dólar só pode levar o país a um péssimo porto – ou, mais exatamente, a nenhum porto em meio à borrasca. O artigo de Khair expõe, claramente, que a tempestade está à vista.
C.L.
AMIR KHAIR
Ainda não se passaram três anos e já se delineiam duas sérias ameaças em nível global, que podem indicar um primeiro desdobramento da crise financeira originada nos Estados Unidos em 2008. É a situação crítica da questão fiscal dos Estados Unidos e Grécia. Os holofotes agora estão na Grécia, mas não levará tempo para se dirigirem aos EUA.
Vale recordar. Na primeira tentativa de sair do buraco, a Grécia acertou com o FMI que sua economia deveria encolher 4% em 2010, 2,6% em 2011 e o desemprego, de 9,4% em 2009, subiria para 14,8% em 2012. Esse o custo da redução do déficit fiscal de 13,6% do PIB em 2009, para 8,1% em 2010 e 6,5% em 2012. Mesmo assim, sua dívida se estabilizaria em 150% do PIB! Mas em 2010 em vez de conseguir a meta de déficit de 8,1%, obteve 10,5%, o que acendeu a luz vermelha.
Os holofotes agora estão na questão fiscal da Grécia, que precisará de um novo empréstimo em 2012. Com um crescimento mais baixo que o esperado, a tendência é o agravamento fiscal e a necessidade de mais empréstimos que, se vierem, trarão sérias dificuldades de satisfazer as condições impostas pelo FMI, com impacto social crescente e sério risco político ao governo.
A aposta dos “salvadores” (Banco Central Europeu - BCE, países da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional - FMI) ao concederem o primeiro socorro era de que uma profunda restrição fiscal, com rebaixamento de salários, demissões no setor público e freada no crescimento econômico, seria capaz de gerar os excedentes para honrar as parcelas dos empréstimos, que tiveram prazos mais alongados.
Esse aperto fiscal deveria ser imposto à população e as reações foram imediatas com paralisações e manifestações de massa, que na ocasião poderia inviabilizar as negociações em curso. Mas o governo grego conseguiu vencer o primeiro round e aprovou as duras exigências dos financiadores, mas com importante condição: a dívida teria que ser integralmente paga, sem nenhum prejuízo aos credores.
Esse socorro financeiro implica em dois problemas fiscais, de solução quase impossível, pois crescem as despesas com o serviço da dívida pelo forte aumento do endividamento e cai a arrecadação pela redução da atividade econômica e pelo aumento da inadimplência dos contribuintes, ou seja, forma-se um “sanduíche” fiscal.
Os credores, no entanto, partiram da premissa de que a redução das despesas públicas seria suficiente para superar esses dois problemas. Não foi o que aconteceu e nem acontecerá. Assim, seria necessário reduzir o valor a ser pago no serviço da dívida, ou seja, seu deságio, com perda para os credores.
Mas, o deságio não bastaria para solucionar o problema, pois os desequilíbrios macroeconômicos já existentes tornam necessários outros esforços para viabilizar o equilíbrio de suas contas internas e externas. Atualmente ocorre déficit na balança comercial de 4% do PIB, maior déficit comercial entre os países da região do euro. Se esse déficit persistir, terá de captar o volume total em instituições de crédito estrangeiras, mesmo se os déficits orçamentários pós-inadimplência puderem ser financiados com captações domésticas.
A simples ameaça do deságio na Grécia precipitou a elevação dos riscos das dívidas de Portugal e Espanha. Portugal foi o primeiro a pedir socorro e já está seguindo o mesmo caminho grego. Tomou em maio recursos do FMI e da União Europeia de US$ 110 bilhões, que representa 47% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O último pacote de auxílio do FMI ao Brasil, em 1998 foi de US$ 40 bilhões ou 4,7% do PIB. Assim, esse socorro a Portugal foi, em termos de tamanho de sua economia, 10 vezes maior do que o nosso.
Para situar a gravidade do problema que ronda a Europa, o pacote da Grécia de US$ 156 bilhões foi também de 47% do PIB e o da Irlanda de US$ 120 bilhões, 52,9% do PIB, segundo matéria publicada no jornal Estado de São Paulo (22/maio).
Esses socorros foram também sem deságio nas dívidas e será apenas questão de tempo para evidenciar a falta de visão dos “salvadores” e o agravamento da inevitável deterioração fiscal nesses países.
Não tem como escapar do deságio das dívidas. Esse deságio, por sua vez, poderá trazer novos desdobramentos na rede financeira europeia já fragilizada pela crise iniciada nos Estados Unidos com as hipotecas de alto risco (subprime) e por a nu os títulos podres em posse do BCE ao socorrer o sistema bancário da Irlanda, Grécia, Espanha entre outros países.
A nova tentativa de socorro à Grécia continuará tentando preservar os credores, alongando mais a dívida, sem reestruturá-la, com nova injeção de empréstimos, e o calote será inevitável e maior mais a frente. É uma exigência do BCE para tentar empurrar com a barriga os títulos podres em seu poder cujo montante é desconhecido.
O mesmo poderá ocorrer com Portugal, mais à frente à Espanha e, em seguida a Itália, países de maior expressão econômica na zona do euro. Poderá ser essa a sequência dos PIIGS. É claro que isso atingirá o sistema bancário das economias mais sólidas como França e Alemanha, agravando a crise européia com repercussões em outros países fora da área. Como existe forte relação entre os sistemas financeiros de Europa e Estados Unidos, esse país certamente será afetado.
EUA - Em 16/5, os Estados Unidos atingiram o teto de US$ 14,294 trilhões da dívida pública e o Departamento do Tesouro planeja anunciar que vai parar de emitir e reinvestir títulos do governo em certos fundos de pensão públicos, parte de uma série de medidas para adiar a moratória até 2/8. Essas medidas do Tesouro visam ganhar tempo para a Casa Branca e líderes do Congresso chegarem a um acordo de redução do déficit, para atingir número suficiente de congressistas a votar o aumento da dívida.
A disputa política entre republicanos e democratas pode fornecer o combustível necessário para começar a por em dúvida a capacidade do país honrar o pagamento aos credores, que estão espalhados por todo o mundo, especialmente países que acumularam fortes reservas ligadas ao dólar, como China, Japão, Alemanha e o Brasil. Para agravar esse quadro o déficit fiscal previsto ao final deste ano pode atingir US$ 1,7 trilhões ou 11% do Produto Nacional Bruto (PNB).
A tentativa de ativar a economia via elevação da liquidez é outro motivo de preocupação. De 2004 a 2008 a base monetária girava em torno de US$ 0,8 trilhão e a disparada sem cessar a partir de 2009 a elevou para US$ 2,4 trilhões. Apesar disso, os empréstimos bancários ficaram estabilizados desde o final de 2008 em US$ 9 trilhões, evidenciando o deslocamento dessa elevação da liquidez para fora dos EUA.
É possível que as agências de classificação de risco, que dormiram no ponto na crise de 2008/2009, não tenham o mesmo comportamento agora. Alguns sinais já apontam nessa direção. O primeiro foi dado pela Standard & Poor’s que rebaixou de ‘estável’ para ‘negativa’ a perspectiva de rating de crédito soberano de longo prazo dos Estados Unidos. Com isso sinalizou que poderá piorar a nota da dívida americana. As razões apontadas para a decisão foram o persistente déficit orçamentário e o elevado endividamento do país.
De acordo com a agência, mesmo após dois anos após a eclosão da crise financeira que abalou o mercado de hipotecas dos EUA, o governo do presidente Barack Obama dá sinais de que não chegou num acordo sobre como reverter a deterioração fiscal por que passa o país atualmente, nem aponta soluções para as pressões fiscais de longo prazo.
O dólar já vem de longo processo de perda de valor perante outras moedas e commodities, e isso expressa a doença que se abate lentamente sobre a economia americana. As análises sobre as perspectivas deste país oscilam a cada dia ao sabor de dados sobre pedidos de desemprego, construção de novas moradias, produção industrial, inflação, etc. Fato é que a reação aos fortes estímulos dados desde 2008 produziram efeitos pífios e os déficits fiscais passaram de 3% do PNB em 2008 e poderão atingir 11% neste ano, e a dívida sobe de forma ameaçadora, indicando claros riscos em seu pagamento.
Para agravar esse quadro a elevação dos preços do petróleo e outras commodities subtraem o poder aquisitivo dos americanos, com reflexos negativos sobre o consumo que representa 70% do PIB do país. Isso afeta o crescimento econômico, a arrecadação e eleva o déficit fiscal.
Parecem esgotados os instrumentos monetários para tirar o país da crise. A forte injeção de dólares feita pelo Fed (banco central americano) e os juros negativos não conseguiram estimular o consumo. É incerto se terminará em junho a escalada da injeção de US$ 600 bilhões. Essa elevação da liquidez já dá sinais de problemas com a inflação, que começam a aparecer no front de preocupações do Fed. E nada mais potente para retirar o poder aquisitivo do americano do que a inflação.
A forma que seria possível para romper com esse agravamento é a ampliação das exportações e contenção das importações, para gerar empregos suficientes para tirar da letargia o mercado interno. Mas não é isso que vem ocorrendo no nível necessário, pois a disputa no mercado internacional cresceu fortemente como consequência da crise de 2008.
Face a esse quadro, o melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. Assim, é bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos que poderão vir de fora.
Sou Bàbá Kytalamy, Afro - Religioso da Nação Vodun Jeje ( Tambor de Mina) Filho do Grandioso João de Guapindaia ( Afro - Religioso, Folclorista) Neto de Manoel Colaço, Filho de Oxóssy com Iansã ( Toy Vondereji com Fina Jóia). Tenho 26 anos de Santo, defensor da Liberdade de Cultos, luta contra intolerância de uma sociedade que não conhece suas raízes afro. Também sou Mestre em Cultura Popular ( Pássaro Junino - Reconhecido pelo Minc)
terça-feira, 7 de junho de 2011
Palocci pede demissão da Casa Civil; Gleisi Hoffmann assume
São Paulo – O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, solicitou no início da noite desta terça-feira (7) seu afastamento do governo após polêmica envolvendo sua evolução patrimonial. Em reunião com a presidente Dilma Rousseff e ministros, nesta terça-feira (7), ficou decidido pela mudança no posto, mesmo depois de a Procuradoria Geral da República ter arquivado as representações contra Palocci.
O nome da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi confirmado logo depois como substituta para o cargo. Esposa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ela passa a ser a décima ministra de Dilma, em um total de 37. Procurada pela Rede Brasil Atual, a senadora não foi localizada.
Palocci teve seu patrimôno aumentado em 20 vezes nos últimos quatro anos. Ele manteve, durante seu mandato de deputado federal, a Consultoria Projeto, prestando serviços para grandes empresas. A oposição sustenta que a prática levanta suspeitas de tráfico de influência, por ter alterado a função social da empresa apenas um mês antes de assumir o posto do governo.
Em nota divulgada pela Casa Civil, o ministro volta a reafirmar sua inocência e a legalidade das ações de sua empresa. "Entretanto, a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo", explica a nota.
Apesar das explicações em reiteradas notas e em entrevistas à TV e a um jornal na última sexta-feira (3), sua situação política não se sustentou. Palocci até conseguiu ver revertido um requerimento de convocação na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados – a partir de um acordo costurado pelo presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS) –, mas aceitou a decisão de Dilma para que ele deixasse o cargo.
Palocci foi um dos três principais coordenadores da campanha eleitoral de Dilma à presidência em 2010. Ao lado de José Eduardo Cardozo (atualmente ministro da Justiça) e de José Eduardo Dutra (ex-presidente nacional do PT, afastado por motivos de saúde), ele formava o que a então candidata chamou de seus "três porquinhos". Por seu papel durante o processo, fez parte da equipe de transição de governo. Sua saída é a primeira troca no primeiro escalão da gestão.
Em 2006, então no Ministério da Fazenda, Palocci afastou-se do cargo no último ano da primeira gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A saída na ocasião teve como estopim o escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Confira a nota de Palocci sobre o pedido de demissão:
O ministro Antonio Palocci entregou, nesta tarde, carta à presidenta Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo.
O ministro considera que a robusta manifestação do Procurador Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta.
Considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento.
O nome da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi confirmado logo depois como substituta para o cargo. Esposa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ela passa a ser a décima ministra de Dilma, em um total de 37. Procurada pela Rede Brasil Atual, a senadora não foi localizada.
Palocci teve seu patrimôno aumentado em 20 vezes nos últimos quatro anos. Ele manteve, durante seu mandato de deputado federal, a Consultoria Projeto, prestando serviços para grandes empresas. A oposição sustenta que a prática levanta suspeitas de tráfico de influência, por ter alterado a função social da empresa apenas um mês antes de assumir o posto do governo.
Em nota divulgada pela Casa Civil, o ministro volta a reafirmar sua inocência e a legalidade das ações de sua empresa. "Entretanto, a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo", explica a nota.
Apesar das explicações em reiteradas notas e em entrevistas à TV e a um jornal na última sexta-feira (3), sua situação política não se sustentou. Palocci até conseguiu ver revertido um requerimento de convocação na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados – a partir de um acordo costurado pelo presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS) –, mas aceitou a decisão de Dilma para que ele deixasse o cargo.
Palocci foi um dos três principais coordenadores da campanha eleitoral de Dilma à presidência em 2010. Ao lado de José Eduardo Cardozo (atualmente ministro da Justiça) e de José Eduardo Dutra (ex-presidente nacional do PT, afastado por motivos de saúde), ele formava o que a então candidata chamou de seus "três porquinhos". Por seu papel durante o processo, fez parte da equipe de transição de governo. Sua saída é a primeira troca no primeiro escalão da gestão.
Em 2006, então no Ministério da Fazenda, Palocci afastou-se do cargo no último ano da primeira gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A saída na ocasião teve como estopim o escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Confira a nota de Palocci sobre o pedido de demissão:
O ministro Antonio Palocci entregou, nesta tarde, carta à presidenta Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo.
O ministro considera que a robusta manifestação do Procurador Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta.
Considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
ARTISTA CONSIDERA CANCELAMENTO DE EDITAIS DO MINC PREOCUPANTE
Para o representante do Movimento Nacional dos Pontos de Cultura Geo Britto, o cancelamento pelo Ministério da Cultura (MinC) de editais de 2010 para o projeto Ponto de Cultura preocupa os artistas. “Os pontos de cultura não apenas garantem o acesso a cultura como permitem que a própria população mostre a sua arte”, afirmou. Os editais receberam pareceres contrários da Advocacia-Geral da União.
Britto participa de audiência pública da Comissão de Educação e Cultura sobre o do Projeto de Lei 757/11, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que torna o Cultura Viva um programa permanente do MinC.
Marcha
Ontem, na Câmara, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, recebeu cerca de 260 representantes da Marcha Nacional do Movimento Pontos de Cultura. Vindos de 17 estados, os manifestantes pediram a aprovação do PL 757/11.
Durante a reunião, integrantes da marcha relataram à ministra os problemas que têm enfrentado por conta de atrasos na liberação de verbas. Ana de Hollanda disse apoiar as reivindicações dos representantes dos pontos de cultura, mas afirmou que em relação às liberações orçamentárias é preciso seguir as normas estabelecidas pela Lei das Licitações (8.666/93).
Segundo Geo Britto, a fiscalização dos Pontos de Cultura deve ser diferenciada. “A lei tem que tratar de forma diferenciada os diferentes”, disse, ressaltando que os pontos de cultura não são grandes produtores, mas artistas populares muitas vezes com dificuldades de garantir sua sobrevivência por meio da arte. “Não são os Pontos de Cultura que têm problema com o marco legal; é o marco legal que tem problemas com os Pontos de Cultura”, complementou.
Britto participa de audiência pública da Comissão de Educação e Cultura sobre o do Projeto de Lei 757/11, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que torna o Cultura Viva um programa permanente do MinC.
Marcha
Ontem, na Câmara, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, recebeu cerca de 260 representantes da Marcha Nacional do Movimento Pontos de Cultura. Vindos de 17 estados, os manifestantes pediram a aprovação do PL 757/11.
Durante a reunião, integrantes da marcha relataram à ministra os problemas que têm enfrentado por conta de atrasos na liberação de verbas. Ana de Hollanda disse apoiar as reivindicações dos representantes dos pontos de cultura, mas afirmou que em relação às liberações orçamentárias é preciso seguir as normas estabelecidas pela Lei das Licitações (8.666/93).
Segundo Geo Britto, a fiscalização dos Pontos de Cultura deve ser diferenciada. “A lei tem que tratar de forma diferenciada os diferentes”, disse, ressaltando que os pontos de cultura não são grandes produtores, mas artistas populares muitas vezes com dificuldades de garantir sua sobrevivência por meio da arte. “Não são os Pontos de Cultura que têm problema com o marco legal; é o marco legal que tem problemas com os Pontos de Cultura”, complementou.
“A desnacionalização da economia no Brasil não encontra paralelo no planeta”
Nesta página, apresentamos aos nossos leitores uma conden- sação da palestra proferida pelo desembargador Pedro Vals Feu Rosa, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, aos membros da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). O motivo, naturalmente, é sua justa análise do principal problema que hoje o nosso país enfrenta para encontrar-se firmemente plantado no terreno do desenvolvimento: a desnacionalização da sua econo- mia. Não é, sem dúvida, um problema difícil de superar, principalmente quando a crise dos EUA, Europa e Japão está longe de ter um fim à vista, se devidamente reconhecido como problema - e enfrentado. O principal obstáculo, desde os governos Collor e Fer- nando Henrique - que escancararam o país a essa praga - tem sido puramente ideológico: a concepção de alguns, que projetam sua própria inferioridade no país, de que desnacionalizar é um avanço, de que aquilo que é nacional é atraso, ou, na forma atual, de que a base do crescimento é o capital estrangeiro, vale dizer, o chamado “investimento direto estrangeiro”, que significa meramente a venda de nossas empresas para empresas externas. Como nota o desembargador, jamais houve país que se desenvolvesse com essa base, pela simples razão de que as empresas externas não vêm desenvolvê-lo, mas extrair lucros máximos e enviá-los para suas matrizes. Em suma, essas empresas fazem parte de outras economias, não da nossa, onde são tentáculos dessas outras economias. Sem dúvida, é possível conviver com empresas estran- geiras na economia nacional - o que não é possível, se quisermos nos desenvolver, é que elas determinem a dinâmica da economia, que destruam elos internos da cadeia produtiva em prol de seus próprios elos externos, ou, o que é outra forma de dizer o mesmo, que elas ocupem o papel central em todo e qualquer ramo da nossa economia. Não por acaso, quando o presidente Lula fez do crescimento o foco de seu segundo mandato, recorreu aos investimentos públicos que são o motor do Plano de Aceleração do Cres- cimento (PAC), apesar das vagas de “investimento direto estran- geiro” que invadiam o país desde o governo Fernando Henrique.
(C.L.)
PEDRO VALS FEU ROSA
Dia desses, meio que ao acaso, conversava eu com um amigo sobre um curioso aspecto da História, qual o de iludir as mentes mais desavisadas quanto a fatos ou processos contemporâneos. É realmente curioso verificarmos que, nos momentos mais agudos da história de países ou povos, muitos dos que os viveram sequer se deram conta da importância dos fatos que testemunharam.
Darei um exemplo: a queda do Império Romano. Eis aí um dos momentos cruciais da História. Curiosamente, no entanto, poucos romanos se deram conta disso! Recuso-me a acreditar na cena de alguém chegando em casa e comentando com a esposa: “Maria, acabei de saber ali na praça que o Império Romano acabou”, ou “Maria, já estamos na Idade Média! Acabaram de me falar isso ali na esquina”.
Pelos mesmos motivos, não nos passa pela cabeça que algum arauto, em uma das praças de Florença, tenha anunciado, com a voz solene características das grandes ocasiões, a aurora do Renascimento. E quanto à época das grandes navegações? É inimaginável alguma eventual convocação de marinheiros em termos como “está aberta a temporada das grandes navegações. Aliste-se na Marinha e venha participar deste momento histórico”.
Há também a Revolução Industrial. Seria até pitoresco imaginarmos um inglês daqueles dias comentando com amigos que iria abrir alguma fábrica, pois o governo anunciara no dia anterior o início de uma nova era na História.
Todos estes exemplos nos remetem a uma constatação inevitável: a maioria dos processos históricos, principalmente aqueles que independem de um marco notório, simplesmente passa desapercebida aos olhos dos que os testemunham! Só muito depois, no cotejo com a integralidade da trajetória humana, é que eles ganham certidão de nascimento e batismo!
E é assim que a História, através de uma sua faceta até curiosa e pitoresca, nos ensina sobre a importância de avaliarmos o momento presente sob pontos de vista mais amplos, que englobem não somente o passado mas também o futuro - em uma expressão, que situem o presente com a maior precisão possível dentro dos processos que o tempo enseja. Está aí, perfeito e acabado, o que se exige de um povo que se pretenda vencedor: a sensibilidade que o leve a perceber a intensidade do momento presente, e a sabedoria de orientar-se conforme as lições do passado e as aspirações do futuro.
Estas reflexões, aplicadas ao Brasil, nos permitem concluir, e sem maiores dificuldades, estarmos diante de uma das “encruzilhadas da História”. Sim, o nosso país tem estado, ao longo das gerações contemporâneas, em um momento decisivo - e não temos percebido isso enquanto elite de um país!
Das decisões lançadas sobre os ombros de nossa geração, talvez como em poucas vezes ao longo de nossa História, sairá um Brasil moderno e preparado para os desafios do amanhã, ou então um país enfraquecido e dividido.
[Entre os Brics] Rússia, Índia e China trataram de fortalecer seus respectivos parques industriais e tecnológicos nacionais, enquanto que nós fizemos o oposto, vendendo para estrangeiros algumas de nossas melhores empresas.
Em verdade, o processo de desnacionalização da economia que se promoveu no nosso país, até onde pesquisei, não encontra paralelo no planeta!
Citarei um pequeno exemplo: há coisa de um ou dois anos planejou-se vender uma das maiores empresas privadas da França a um grupo norte-americano - um negócio absolutamente lícito. Mas eis que os Poderes constituídos daquele país, de forma aberta e frontal, anunciaram ser aquela empresa uma joia do país, que não poderia ser vendida, e que tudo fariam para impedir o avanço das negociações. O resultado: a empresa continua francesa, e agora revitalizada.
Em nosso país o processo histórico contemporâneo foi diferente: venda-se! Entregue-se! Nos últimos anos, incríveis 60% das empresas brasileiras negociadas foram parar nas mãos de estrangeiros. Foi assim que chegamos no insólito país cujos habitantes compram o leite de suas próprias vacas, a água mineral de suas próprias nascentes e a maioria dos produtos de sua própria terra de empresas estrangeiras aqui instaladas.
Da indústria alimentícia à mineração, da comunicação à siderurgia, dos transportes à energia, o que o Brasil possuía de melhor foi vendido a grupos estrangeiros. Um país não pode se desenvolver verdadeiramente sob tais condições.
Em verdade, vejo sustentando nossa aparente pujança o remeter para fora, a preços aviltantes, riquezas as mais preciosas que temos, a maioria delas de natureza não-renovável. A conta desta cegueira já começará a ser paga pela próxima geração - no ritmo atual de extrativismo, que só aumenta a cada dia, daqui a 82 anos não teremos mais minério de ferro para exportar. Nosso níquel só durará mais 116 anos, o chumbo 96, o nióbio apenas mais 35 anos, o estanho 80, os diamantes 123 e o ouro míseros 43. Sim, o Brasil da Serra Pelada será importador de ouro daqui a mínimos 43 anos!
Permito-me, concluindo este raciocínio, apontar o exemplo do parque agrícola do sul do Brasil. Éramos grandes e poderosos plantadores e exportadores de soja, trigo etc. E eis que, dentro da nossa macropolítica histórica de internacionalização da economia, abrimos nossas fronteiras aos concorrentes argentinos. Ganharam eles, que praticamente levaram à miséria os agricultores dos estados do sul. A quem disser que “em compensação passamos a exportar mais para lá”, e que graças a isto crescemos, responderia que, após consultar a pauta de nossas exportações, constatei que a maior parte dela é de produtos fabricados por empresas estrangeiras aqui instaladas. Em uma frase: sacrificamos nossa agricultura a troco de enriquecermos empresas estrangeiras. Ouso perguntar: isto é crescimento real, sólido e consistente?
Parece incrível, mas vergonhosamente empresas estrangeiras já são responsáveis por 70% de nossas exportações de soja, 15% das de laranja, 13% de frango, 6,5% de açúcar e álcool e 30% das de café! Isto já sangra o Brasil em mais de US$ 12 bilhões a cada ano só a título de remessa de lucros.
Diante desta vergonha fico a pensar nos grandes vultos que, com sacrifício, nos entregaram o Brasil grande que recebemos se contorcendo em suas tumbas, rubros de indignação e revolta com nossa fraqueza e mediocridade. E fico a temer pela cobrança das gerações seguintes, que estão por receber de nossas mãos um país loteado, retalhado, quase que vendido.
Não se diga, cinicamente, em nossa defesa, que a culpa foi do povo. Jamais. Este está lá, padecendo nas íngremes encostas dos nossos morros, trabalhando de sol a sol, semeando e colhendo quase sempre sem apoio algum. Este povo humilde, se algo der errado, terá sido vítima, jamais culpado. A culpa tem sido, é e será nossa. Nós, autoridades, empresários e formadores de opinião somos os responsáveis.
Aliás, não somos. Fomos. Digo isto porque já não vejo condições de o Brasil sair de uma era que talvez no futuro seja batizada por algum historiador de “Período de Internacionalização”, “Era da Alienação”, ou seja lá o que for, para nosso desdouro.
É fato: sem que tenhamos percebido, acabamos de passar por uma das “encruzilhadas da História”. De toda sorte, uma outra está por vir - aquela prevista pelos estudiosos norte-americanos, que nos colocam a partir de 2020 como grandes exportadores de petróleo e alimentos.
Dado o nosso malogro na “encruzilhada anterior”, já estaremos chegando mal a este novo período de riqueza que se avizinha - será ele, em sua maioria, explorado por empresas transnacionais aqui instaladas. Não por acaso, e cito um pequeno exemplo, há poucos dias negociou-se um campo de petróleo situado próximo ao nosso litoral por robustos US$ 7 bilhões!
Estarei exagerando? Não. Olhem em volta. Vão a uma festa qualquer, seja no quintal de um barraco ou nos mais finos salões, e constatem a verdade simples de que ‘quanto mais bandido, mais aplaudido’.
Nossa sociedade já passa a diferenciar os pequenos corruptos dos grandes - aqueles, “normais”, merecedores até de apoio e voto, e estes apenas do nosso servil e respeitoso cumprimento. Como se isto fosse possível!
Este tem sido, lamentavelmente, um comportamento normal e socialmente aceitável. Respirem fundo, fechem os olhos, isolem-se por alguns momentos que seja da rotina frenética deste início de milênio, e experimentem ver a realidade a partir de um ponto de vista só um pouquinho mais alto.
Percebam com que clareza alguns poucos maus semeiam a desgraça pelo mundo - tudo às claras, sob as vistas de todos. Nós - cada um de nós - sabemos seus nomes e o que fazem. Constatem o quanto perdemos em tempo e qualidade de vida por conta deles. Ouçam os gritos dos miseráveis que sofrem abandonados pelas prisões e corredores de hospitais. Escutem, por um instante que seja, o choro das crianças devoradas por ratos em nossas favelas. Vejam - ou melhor, não vejam - os nossos irmãos soterrados pelos deslizamentos de terra, sobre uma terra tão rica como é a do Brasil. E subitamente Pilatos vai nos parecendo mais e mais familiar, diante dos nossos tenebrosos silêncio e passividade.
Cumprir leis em um país nestas condições é tarefa árdua, quase que impossível. E tanto pior quando este debate tem passado ao largo da vida nacional, quase sempre às voltas com simpósios, congressos e conferências sobre “A Importância da Taturana de Peito Rosado no Carnaval do Casaquistão”, “A Influência do Espirro do Urubu na Formação das Correntes Aéreas” ou outros temas de igual jaez, retrato de uma Sociedade que está a dormitar em berço esplêndido.
Não se entenda, com estas palavras, estar eu a sugerir que de uma hora para outra nos transformemos em um Dom Quixote ou coisa do gênero. Jamais. Somos imperfeitos demais para isso. Nossa tão falha natureza humana, em meio aos percalços da vida, jamais deixará de nos dar momentos de Pilatos. Sim, não podemos nós pregar a perfeição ou atirar pedras. Absolutamente. Em verdade, que o Criador compreenda nossas fraquezas humanas é o que esperamos.
Apenas se espera de nós, em um momento tão sério, no qual está sendo definido o destino do nosso país, que, inspirados na divisa de Barroso, cumpramos com o nosso dever. E não temos muito tempo para isso - em mais uma ou duas décadas também este processo histórico estará encerrado, e o Brasil terá ido rumo a um futuro de desigualdade, conflitos sociais e talvez até cisão, ou para um outro de ordem e respeito básico às leis que o conduzirá a uma era de estabilidade e progresso duradouros.
Esta a lição que nos lega a história: um povo corretamente esclarecido é um povo unido, cujo país dificilmente será vencido!
Os meios para isso, a universalização das telecomunicações nos proporciona a cada dia com maior intensidade. É hora, assim, de que cada um de nós vá às ruas, criticar o que tem que ser criticado e defender o que tem que ser defendido. Nossos conhecimentos e recursos já não podem ficar restritos, pois sério o momento presente.
Estejamos, pois, à altura das exigências do momento histórico de nosso país e de suas instituições. Este o chamado da Pátria. Este o nosso dever.
Sou um otimista. Acredito no Brasil. Tenho orgulho do meu país. Quero vê-lo grande. Acima de tudo, quero entregá-lo à próxima geração do mesmo tamanho que este tinha quando me foi confiado. Posso ser apenas um, e insignificante. Mas o Brasil, lutando um novo “Riachuelo” contra o atraso, a miséria e, ouso asseverar, a segregação, espera que cada um cumpra com o seu dever – até mesmo os mais insignificantes.
Seja o maior de nossos receios não a dor do descobrir ou do discutir a verdade, ou mesmo do ser perseguido por causa dela, mas, antes, temamos o julgamento de nossas consciências e a posteridade, dedo acusador em riste, a indagar os motivos de uma timidez que tantos bichos desprotegeu,
“Bichos como o que vi ontem,
Na imundície do pátio,
Catando comida entre os detritos.
Quando encontrava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava.
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
O bicho não era um gato,
O bicho não era um rato.
O bicho, meu Deus,
Era um homem”
(Manuel Bandeira)
Muito obrigado.
(C.L.)
PEDRO VALS FEU ROSA
Dia desses, meio que ao acaso, conversava eu com um amigo sobre um curioso aspecto da História, qual o de iludir as mentes mais desavisadas quanto a fatos ou processos contemporâneos. É realmente curioso verificarmos que, nos momentos mais agudos da história de países ou povos, muitos dos que os viveram sequer se deram conta da importância dos fatos que testemunharam.
Darei um exemplo: a queda do Império Romano. Eis aí um dos momentos cruciais da História. Curiosamente, no entanto, poucos romanos se deram conta disso! Recuso-me a acreditar na cena de alguém chegando em casa e comentando com a esposa: “Maria, acabei de saber ali na praça que o Império Romano acabou”, ou “Maria, já estamos na Idade Média! Acabaram de me falar isso ali na esquina”.
Pelos mesmos motivos, não nos passa pela cabeça que algum arauto, em uma das praças de Florença, tenha anunciado, com a voz solene características das grandes ocasiões, a aurora do Renascimento. E quanto à época das grandes navegações? É inimaginável alguma eventual convocação de marinheiros em termos como “está aberta a temporada das grandes navegações. Aliste-se na Marinha e venha participar deste momento histórico”.
Há também a Revolução Industrial. Seria até pitoresco imaginarmos um inglês daqueles dias comentando com amigos que iria abrir alguma fábrica, pois o governo anunciara no dia anterior o início de uma nova era na História.
Todos estes exemplos nos remetem a uma constatação inevitável: a maioria dos processos históricos, principalmente aqueles que independem de um marco notório, simplesmente passa desapercebida aos olhos dos que os testemunham! Só muito depois, no cotejo com a integralidade da trajetória humana, é que eles ganham certidão de nascimento e batismo!
E é assim que a História, através de uma sua faceta até curiosa e pitoresca, nos ensina sobre a importância de avaliarmos o momento presente sob pontos de vista mais amplos, que englobem não somente o passado mas também o futuro - em uma expressão, que situem o presente com a maior precisão possível dentro dos processos que o tempo enseja. Está aí, perfeito e acabado, o que se exige de um povo que se pretenda vencedor: a sensibilidade que o leve a perceber a intensidade do momento presente, e a sabedoria de orientar-se conforme as lições do passado e as aspirações do futuro.
Estas reflexões, aplicadas ao Brasil, nos permitem concluir, e sem maiores dificuldades, estarmos diante de uma das “encruzilhadas da História”. Sim, o nosso país tem estado, ao longo das gerações contemporâneas, em um momento decisivo - e não temos percebido isso enquanto elite de um país!
Das decisões lançadas sobre os ombros de nossa geração, talvez como em poucas vezes ao longo de nossa História, sairá um Brasil moderno e preparado para os desafios do amanhã, ou então um país enfraquecido e dividido.
[Entre os Brics] Rússia, Índia e China trataram de fortalecer seus respectivos parques industriais e tecnológicos nacionais, enquanto que nós fizemos o oposto, vendendo para estrangeiros algumas de nossas melhores empresas.
Em verdade, o processo de desnacionalização da economia que se promoveu no nosso país, até onde pesquisei, não encontra paralelo no planeta!
Citarei um pequeno exemplo: há coisa de um ou dois anos planejou-se vender uma das maiores empresas privadas da França a um grupo norte-americano - um negócio absolutamente lícito. Mas eis que os Poderes constituídos daquele país, de forma aberta e frontal, anunciaram ser aquela empresa uma joia do país, que não poderia ser vendida, e que tudo fariam para impedir o avanço das negociações. O resultado: a empresa continua francesa, e agora revitalizada.
Em nosso país o processo histórico contemporâneo foi diferente: venda-se! Entregue-se! Nos últimos anos, incríveis 60% das empresas brasileiras negociadas foram parar nas mãos de estrangeiros. Foi assim que chegamos no insólito país cujos habitantes compram o leite de suas próprias vacas, a água mineral de suas próprias nascentes e a maioria dos produtos de sua própria terra de empresas estrangeiras aqui instaladas.
Da indústria alimentícia à mineração, da comunicação à siderurgia, dos transportes à energia, o que o Brasil possuía de melhor foi vendido a grupos estrangeiros. Um país não pode se desenvolver verdadeiramente sob tais condições.
Em verdade, vejo sustentando nossa aparente pujança o remeter para fora, a preços aviltantes, riquezas as mais preciosas que temos, a maioria delas de natureza não-renovável. A conta desta cegueira já começará a ser paga pela próxima geração - no ritmo atual de extrativismo, que só aumenta a cada dia, daqui a 82 anos não teremos mais minério de ferro para exportar. Nosso níquel só durará mais 116 anos, o chumbo 96, o nióbio apenas mais 35 anos, o estanho 80, os diamantes 123 e o ouro míseros 43. Sim, o Brasil da Serra Pelada será importador de ouro daqui a mínimos 43 anos!
Permito-me, concluindo este raciocínio, apontar o exemplo do parque agrícola do sul do Brasil. Éramos grandes e poderosos plantadores e exportadores de soja, trigo etc. E eis que, dentro da nossa macropolítica histórica de internacionalização da economia, abrimos nossas fronteiras aos concorrentes argentinos. Ganharam eles, que praticamente levaram à miséria os agricultores dos estados do sul. A quem disser que “em compensação passamos a exportar mais para lá”, e que graças a isto crescemos, responderia que, após consultar a pauta de nossas exportações, constatei que a maior parte dela é de produtos fabricados por empresas estrangeiras aqui instaladas. Em uma frase: sacrificamos nossa agricultura a troco de enriquecermos empresas estrangeiras. Ouso perguntar: isto é crescimento real, sólido e consistente?
Parece incrível, mas vergonhosamente empresas estrangeiras já são responsáveis por 70% de nossas exportações de soja, 15% das de laranja, 13% de frango, 6,5% de açúcar e álcool e 30% das de café! Isto já sangra o Brasil em mais de US$ 12 bilhões a cada ano só a título de remessa de lucros.
Diante desta vergonha fico a pensar nos grandes vultos que, com sacrifício, nos entregaram o Brasil grande que recebemos se contorcendo em suas tumbas, rubros de indignação e revolta com nossa fraqueza e mediocridade. E fico a temer pela cobrança das gerações seguintes, que estão por receber de nossas mãos um país loteado, retalhado, quase que vendido.
Não se diga, cinicamente, em nossa defesa, que a culpa foi do povo. Jamais. Este está lá, padecendo nas íngremes encostas dos nossos morros, trabalhando de sol a sol, semeando e colhendo quase sempre sem apoio algum. Este povo humilde, se algo der errado, terá sido vítima, jamais culpado. A culpa tem sido, é e será nossa. Nós, autoridades, empresários e formadores de opinião somos os responsáveis.
Aliás, não somos. Fomos. Digo isto porque já não vejo condições de o Brasil sair de uma era que talvez no futuro seja batizada por algum historiador de “Período de Internacionalização”, “Era da Alienação”, ou seja lá o que for, para nosso desdouro.
É fato: sem que tenhamos percebido, acabamos de passar por uma das “encruzilhadas da História”. De toda sorte, uma outra está por vir - aquela prevista pelos estudiosos norte-americanos, que nos colocam a partir de 2020 como grandes exportadores de petróleo e alimentos.
Dado o nosso malogro na “encruzilhada anterior”, já estaremos chegando mal a este novo período de riqueza que se avizinha - será ele, em sua maioria, explorado por empresas transnacionais aqui instaladas. Não por acaso, e cito um pequeno exemplo, há poucos dias negociou-se um campo de petróleo situado próximo ao nosso litoral por robustos US$ 7 bilhões!
Estarei exagerando? Não. Olhem em volta. Vão a uma festa qualquer, seja no quintal de um barraco ou nos mais finos salões, e constatem a verdade simples de que ‘quanto mais bandido, mais aplaudido’.
Nossa sociedade já passa a diferenciar os pequenos corruptos dos grandes - aqueles, “normais”, merecedores até de apoio e voto, e estes apenas do nosso servil e respeitoso cumprimento. Como se isto fosse possível!
Este tem sido, lamentavelmente, um comportamento normal e socialmente aceitável. Respirem fundo, fechem os olhos, isolem-se por alguns momentos que seja da rotina frenética deste início de milênio, e experimentem ver a realidade a partir de um ponto de vista só um pouquinho mais alto.
Percebam com que clareza alguns poucos maus semeiam a desgraça pelo mundo - tudo às claras, sob as vistas de todos. Nós - cada um de nós - sabemos seus nomes e o que fazem. Constatem o quanto perdemos em tempo e qualidade de vida por conta deles. Ouçam os gritos dos miseráveis que sofrem abandonados pelas prisões e corredores de hospitais. Escutem, por um instante que seja, o choro das crianças devoradas por ratos em nossas favelas. Vejam - ou melhor, não vejam - os nossos irmãos soterrados pelos deslizamentos de terra, sobre uma terra tão rica como é a do Brasil. E subitamente Pilatos vai nos parecendo mais e mais familiar, diante dos nossos tenebrosos silêncio e passividade.
Cumprir leis em um país nestas condições é tarefa árdua, quase que impossível. E tanto pior quando este debate tem passado ao largo da vida nacional, quase sempre às voltas com simpósios, congressos e conferências sobre “A Importância da Taturana de Peito Rosado no Carnaval do Casaquistão”, “A Influência do Espirro do Urubu na Formação das Correntes Aéreas” ou outros temas de igual jaez, retrato de uma Sociedade que está a dormitar em berço esplêndido.
Não se entenda, com estas palavras, estar eu a sugerir que de uma hora para outra nos transformemos em um Dom Quixote ou coisa do gênero. Jamais. Somos imperfeitos demais para isso. Nossa tão falha natureza humana, em meio aos percalços da vida, jamais deixará de nos dar momentos de Pilatos. Sim, não podemos nós pregar a perfeição ou atirar pedras. Absolutamente. Em verdade, que o Criador compreenda nossas fraquezas humanas é o que esperamos.
Apenas se espera de nós, em um momento tão sério, no qual está sendo definido o destino do nosso país, que, inspirados na divisa de Barroso, cumpramos com o nosso dever. E não temos muito tempo para isso - em mais uma ou duas décadas também este processo histórico estará encerrado, e o Brasil terá ido rumo a um futuro de desigualdade, conflitos sociais e talvez até cisão, ou para um outro de ordem e respeito básico às leis que o conduzirá a uma era de estabilidade e progresso duradouros.
Esta a lição que nos lega a história: um povo corretamente esclarecido é um povo unido, cujo país dificilmente será vencido!
Os meios para isso, a universalização das telecomunicações nos proporciona a cada dia com maior intensidade. É hora, assim, de que cada um de nós vá às ruas, criticar o que tem que ser criticado e defender o que tem que ser defendido. Nossos conhecimentos e recursos já não podem ficar restritos, pois sério o momento presente.
Estejamos, pois, à altura das exigências do momento histórico de nosso país e de suas instituições. Este o chamado da Pátria. Este o nosso dever.
Sou um otimista. Acredito no Brasil. Tenho orgulho do meu país. Quero vê-lo grande. Acima de tudo, quero entregá-lo à próxima geração do mesmo tamanho que este tinha quando me foi confiado. Posso ser apenas um, e insignificante. Mas o Brasil, lutando um novo “Riachuelo” contra o atraso, a miséria e, ouso asseverar, a segregação, espera que cada um cumpra com o seu dever – até mesmo os mais insignificantes.
Seja o maior de nossos receios não a dor do descobrir ou do discutir a verdade, ou mesmo do ser perseguido por causa dela, mas, antes, temamos o julgamento de nossas consciências e a posteridade, dedo acusador em riste, a indagar os motivos de uma timidez que tantos bichos desprotegeu,
“Bichos como o que vi ontem,
Na imundície do pátio,
Catando comida entre os detritos.
Quando encontrava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava.
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
O bicho não era um gato,
O bicho não era um rato.
O bicho, meu Deus,
Era um homem”
(Manuel Bandeira)
Muito obrigado.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
NÃO A DIVISÃO DO ESTADO
Saudações!!
Não deixaria de postar aqui neste espaço o meu posicionamento em relação a discussão exposta:
Conheço o Interior do Estado, assim como conheço também a realidade dessa região. Uma Região muito explorada e cheia de Imigrantes, que chegaram sem nada e muitos são até PREFEITOS. " Concordo" que o Governo Estadual " as Vezes" não chega por completo nessas duas regiões " AS VEZES" mas..Observe o que tem em Santarém implantado pelo Governo Estadual? ( nada?), Em Marabá?, Até mesmo em Itaituba, irei mas adiante, Curionópolis e etc..Após essa análise. Me reporto aos Governos Municipais, será que os problemas que existem nesses Municípios e Regiões são de responsabilidade do Estado?
Cadê a responsabilidade social dos Gestores Municipais e da Sociedade? Observo que todos o Municípios menor que seja tem arrecadação pois tod@s pagam impostos e ai?
Meu amigo Paulo Oliveira, Geovani Queiroz e LIra Maia estão com mandatos a muito tempo então pergunto o que esses Senhores destinaram para essas Regiões? Independente de Prefeito (a) ser de Sigla Partidária A, B ou C?
Fica a pergunta Jonilson, você conhece todos os Municípios das duas Regiões? eu conheço!!
2- Sou contra a DIVISÃO, por entender que o Estado do PARÁ, é lindo na sua diversidade, na sua linguagem e na sua geografia territorial, defendo o nosso égua, pai d' égua. E que tod@s os Imigrantes deveriam ter orgulho pois foi aqui nesse lugar que conheceram suas esposas, seus filhos nasceram.
Enfim,
Eu sou de um País que se chama Pará!!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
SER DO SANTO OU ESTAR NO SANTO
Ponho neste momento uma pequena reflexão sobre um assunto que a tempo paira em locais de disussão como Fóruns. Congressos, Seminários, Casas de Santo,Ilês, Roças, Searas e Templos.Com o título ou sub- título: SER DO SANTO OU ENTRAR NO SANTO.
No dia 13 Maio próximo completo 48 anos de vida em que ao nascer neste Mundo Eclético, Transversal, Diversificado " Laico" e " Humano", sempre convivi com esses conceitos, aompanhando minha mãe ( genitora) e minha avó todas duas sendo rodantes. Em casa de santo, vendo vodum, encantados, exús, pretos velhos, êrês e orixás. Senti a minha primeira tontura religiosa aos 05 anos de idade em uma sala de aula, mesmo assim..quano eu mecei a entender esse mundo, não dizia EU SOU DO SANTO, e observem que vnho dês de que nasci...em que minha mãe dançando com seu pequenino mata zombanda, dançava grávida.
Após esse pequeno relato de descendência religiosame paira:
1- Eu posso dizer sou do Santo e não, estou no Santo;
2- Respeito a tod@s as pessoas que entraram no santo através de diversas questões como:
a) Tratamento espiritual;
b) Acompahamento Familiar e;
C) Conhecer novas formas de chegar a um ponto de equlibrio.
Mas..essas pessoaas não podem dizer sou do Santo, elas tem que falar estou no Santo,por esse ou aquele outro motivo, existe casos que a espiritualidade aparece anos após o nascimento para uns com 05, 07 e 09 anos, outros 11,13 e 15 epor ai vai..mas..existe também aquelas pessoas que sentem já na idade adulta. Como também aquelas que deiam uma religiãoe se indetificm com a de Matriz através de sua diversidade de nações, onde quero chegar com essa análise é que essas pessoas que estão no Santo teriam que aprender a respeitar que é do santo ( nasceu ou tem descendência comprovada. Não quero dizer que, ninguém sabe de nada, ninguém aprendeu nada.
Ma..fico feliz quendo muitos dizem SOU DO AXÉ E DAI!!
É com essa visão que termnino..ser do Santo não é pra qualquer pessoa mas..estar no Santo é livre para tod@s..mas...tod@s aprendemos , Respeitar os mais velhos e respeitar as suas coisas..pois nem um axé, ashé ou ásé é igual ado outr, á não ser quando se é da mesma familía.
c)
No dia 13 Maio próximo completo 48 anos de vida em que ao nascer neste Mundo Eclético, Transversal, Diversificado " Laico" e " Humano", sempre convivi com esses conceitos, aompanhando minha mãe ( genitora) e minha avó todas duas sendo rodantes. Em casa de santo, vendo vodum, encantados, exús, pretos velhos, êrês e orixás. Senti a minha primeira tontura religiosa aos 05 anos de idade em uma sala de aula, mesmo assim..quano eu mecei a entender esse mundo, não dizia EU SOU DO SANTO, e observem que vnho dês de que nasci...em que minha mãe dançando com seu pequenino mata zombanda, dançava grávida.
Após esse pequeno relato de descendência religiosame paira:
1- Eu posso dizer sou do Santo e não, estou no Santo;
2- Respeito a tod@s as pessoas que entraram no santo através de diversas questões como:
a) Tratamento espiritual;
b) Acompahamento Familiar e;
C) Conhecer novas formas de chegar a um ponto de equlibrio.
Mas..essas pessoaas não podem dizer sou do Santo, elas tem que falar estou no Santo,por esse ou aquele outro motivo, existe casos que a espiritualidade aparece anos após o nascimento para uns com 05, 07 e 09 anos, outros 11,13 e 15 epor ai vai..mas..existe também aquelas pessoas que sentem já na idade adulta. Como também aquelas que deiam uma religiãoe se indetificm com a de Matriz através de sua diversidade de nações, onde quero chegar com essa análise é que essas pessoas que estão no Santo teriam que aprender a respeitar que é do santo ( nasceu ou tem descendência comprovada. Não quero dizer que, ninguém sabe de nada, ninguém aprendeu nada.
Ma..fico feliz quendo muitos dizem SOU DO AXÉ E DAI!!
É com essa visão que termnino..ser do Santo não é pra qualquer pessoa mas..estar no Santo é livre para tod@s..mas...tod@s aprendemos , Respeitar os mais velhos e respeitar as suas coisas..pois nem um axé, ashé ou ásé é igual ado outr, á não ser quando se é da mesma familía.
c)
quinta-feira, 5 de maio de 2011
MinC apresentou aos conselheiros os pontos que devem ser aperfeiçoados na revisão da LDA

A ministra Ana de Hollanda afirmou ontem (04) que o governo decidiu revisar o anteprojeto da Lei de Direitos de Autorais (LDA), antes de encaminhá-lo à apreciação do Congresso Nacional, “para contemplar setores que ainda não se consideravam atendidos”. De acordo com a ministra, que participou da abertura dos trabalhos da 1ª Reunião Extraordinária de 2011 do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) que acontece até hoje (05) em Brasília, “o objetivo é apenas um ajuste para aprimoramento da proposta” .
Márcia Barbosa, diretora de Direitos Intelectuais do MinC, complementou a explanação da ministra afirmando que o anteprojeto não está sendo submetido novamente à consulta pública, mas sim, tendo o seu texto aprimorado, principalmente nas áreas do direito autoral sobre obras digitais e cópias reprográficas. “ Não estamos desautorizando a ampla consulta pública que já foi feita sobre o tema. O que propomos são apenas ajustes finais ”, comentou.
Ela disse que a equipe técnica da DDI identificou a necessidade de aprimoramento em sete eixos temáticos, que são: Limitações ao Direito de Autor; Uso de Obras na Internet; Reprografia de Obras Literárias; Direito de Autor nas Obras decorrentes de Vínculo Laboral; Gestão Coletiva de Direitos Autorais; Supervisão Estatal das entidades de Cobrança e Distribuição de Direitos e Unificação do Registro de Obras.
Segundo o secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e coordenador do CNPC, João Roberto Peixe, os pedidos de revisão vieram principalmente das áreas da música e das artes visuais.
No cronograma apresentado pelo MinC aos conselheiros do CNPC, a previsão da entrega do texto final do anteprojeto da Lei dos Direitos Autorais à Casa Civil é para meados do mês de julho deste ano. Até o final de maio o MinC pretende realizar um evento público para a apresentação e apreciação das contribuições da sociedade na revisão do documento.
Grupo de Trabalho
Foi criado um Grupo de Trabalho, no âmbito do CNPC, para avaliar o texto do anteprojeto, apresentado pela primeira vez aos conselheiros, que já haviam participado das discussões que subsidiaram a elaboração do documento. O anteprojeto foi apresentado pela diretora de Direitos Intelectuais do MinC, Márcia Barbosa. O secretário Executivo do ministério, Vitor Ortiz, fez os comentários sobre os primeiros meses da administração de Ana de Hollanda.
(Texto: Patrícia Saldanha, Ascom/MinC)
(F
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