Sou Bàbá Kytalamy, Afro - Religioso da Nação Vodun Jeje ( Tambor de Mina) Filho do Grandioso João de Guapindaia ( Afro - Religioso, Folclorista) Neto de Manoel Colaço, Filho de Oxóssy com Iansã ( Toy Vondereji com Fina Jóia). Tenho 26 anos de Santo, defensor da Liberdade de Cultos, luta contra intolerância de uma sociedade que não conhece suas raízes afro. Também sou Mestre em Cultura Popular ( Pássaro Junino - Reconhecido pelo Minc)
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Peço licença aos meus mais velhos e como também, todo o meu respeito aos mais novos. Okolofé, Mokuiu, Motumbá e Benção.
Em pleno século XXI, estamos " revivendo um processo de retrocesso histórico mas diferenciado,no período em que o Brasil passou dentro do Regime ditatorial militar, as Casas de Santo, Ylês, Templos e Searas, não tinham sossego. Hoje em dia estamos sendo atacado e perseguidos, por uma camada religiosa da nossa Sociedade, em que invadem os nossos espaços, espalham que somos filhos do demônio, usam as nossas coisas, como descarrego, vivem com nomes de encantados e exús na boca, criaram uma bancada parlamentar federal só para nos atacar. Hoje em todos os Estados está sendo protocolado nas OAB'S e MP'S um documento pedindo que o Estado Brasilteiro que se diz laíco conforme a sua CF, tome uma providência. Povo do Santo, isso só vai parar quando, juntos unirmos as nossas forças, deixarmos as diferenças, as discussões sobre nação e levantarmos a BANDEIRA DE OXALÁ. Irei ás ruas lutar, pela loberdade religiosa de paz e com paz, mas peço aqui nesse espaço virtual, onde dos meus mais 1.500 amigos 60% são de matriz africana. Comecem a fazer uma reflexão em relação ao tema, espero que isso não seja lido apenas como um texto de um qualquer, mas de um religioso que está preocupado e vendo os rumos que isso pode dá.
No mais obrigado!
Que Toy Azacá dê muito axé!
terça-feira, 3 de setembro de 2013
O baixo investimento e o massacre da indústria nacional de bens de capital
Ter ou não um setor interno, um setor nacional, que produza máquinas e equipamentos não é qualquer questão – é a diferença entre ter um crescimento "sustentável" ou não
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), Luiz Aubert Neto, condensou, em declaração reproduzida pela revista Móbile, a essência da política industrial do sr. Mantega: "Estamos rifando nosso parque fabril".
Outro diretor da ABIMAQ, Carlos Pastoriza, completa que "enquanto o Brasil não deixar de ser refém de medidas na política econômica que privilegiam o sistema financeiro – como a manutenção de taxas de juros elevadas em relação ao resto do mundo e de um câmbio valorizado – a indústria nacional continuará a ter dificuldades para se tornar competitiva. Continuará a ser mais viável para o setor produtivo interno importar bens de capital a buscar máquinas e equipamentos fabricados aqui".
Os bens de capital – máquinas e equipamentos – eram chamados, há alguns anos, "bens de investimento", pois as compras desses bens pelas empresas são a maior parte do que se chama "investimento", expresso pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). No Brasil, tomando-se o período 1995-2012, em média 65% da FBCF é composta por gastos com máquinas e equipamentos (cf. Deee/Abimaq, "Brasil 1995-2013 - Indústria de bens de capital mecânicos - Investimentos industriais realizados e previstos", Pesquisa Intenção de Investimentos 2013. NOTA DO HP: no cálculo do IBGE para o período 1995-2011 – ainda não há um número para 2012 – o resultado é mais baixo: 48%).
Portanto, ter ou não um setor interno, um setor nacional, que produza máquinas e equipamentos não é qualquer questão – é a diferença entre ter um crescimento "sustentável" ou não. Até hoje não houve país do mundo que se desenvolvesse plenamente pela importação desses bens, exatamente porque é neles que se condensam o aumento da produtividade e a inovação técnica.
Por falar nisso, depois da publicação do PIB, na sexta-feira, o ministro da Fazenda trombeteou, à maneira dos marketeiros, o aumento de 3,6% no investimento (FBCF) na comparação entre o segundo e o primeiro trimestre do ano. Segundo ele, "significa que a indústria brasileira está se modernizando, comprando novos equipamentos e máquinas e que, portanto, vai aumentar a sua produtividade".
O ministro omitiu que +3,6% nessa comparação trimestral é o mesmo que dizer que o investimento avançou apenas 0,2% nos últimos 12 meses – e que esse sensacional avanço redundou numa pífia taxa de investimento de 18,6% do PIB, a mesma de cinco anos atrás, quando era considerada um problema. Ele poderia trombetear, também, o aumento de 9% na comparação entre o 2º trimestre de 2013 e o mesmo trimestre em 2012 ou o aumento de 6% na comparação entre o primeiro semestre de 2013 com o mesmo semestre de 2012 – e nem por isso o resultado real seria diferente.
O primeiro-ministro favorito da rainha Vitória, Benjamin Disraeli, teria dito que há no mundo "três tipos de mentiras: mentiras, mentiras desgraçadas e estatísticas". Disraeli estava errado quanto às estatísticas. Pelo fato de mentirosos as manipularem, nem por isso se pode concluir que elas são mentiras – contanto que se saiba o que elas significam.
Então, vejamos outro trecho das declarações dos diretores da ABIMAQ:
"Pastoriza demonstra preocupação não só com o setor de bens de capital mecânicos, mas com o processo de desindustrialização do País de um modo geral. Um indicativo desse processo, ilustra o diretor, é a diminuição no consumo aparente de bens de capital mecânicos. No primeiro semestre deste ano, o consumo foi de R$ 58,3 bilhões, ou 1,5% abaixo (se descontada a variação cambial) em comparação com o mesmo período de 2012. ‘Os dados mostram uma deterioração do consumo aparente [de máquinas e equipamentos], ou seja, uma deterioração dos investimentos da indústria brasileira como um todo’" [NOTA H.P.: consumo aparente = produção interna – exportações + importações].
Os empresários ressaltam que as fábricas de máquinas e equipamentos industriais, nos sete primeiros meses do ano, em média utilizaram apenas 73% de sua capacidade produtiva instalada – ou seja, funcionaram com uma capacidade ociosa de 27%.
Para que o leitor tenha uma ideia da situação, aqui estão as médias anuais de utilização da capacidade produtiva da indústria brasileira de bens de capital mecânicos (cf. ABIMAQ, "Indicadores Conjunturais, julho 2013"):
2010: 82,3%;
2011: 80,8%;
2012: 74,5%;
2013: 73% (janeiro-julho).
Dito de outra forma: em 2013, a capacidade ociosa das fábricas de bens de capital aumentou +52,54% (ou seja, foi de 17,7% para 27%) em relação a 2010, último ano do governo Lula.
Diz o presidente da ABIMAQ: "achávamos que 2012 foi ruim, mas 2013 caminha para ser ainda pior que no ano passado". Aubert enfatiza que o principal problema continua sendo a taxa de câmbio – essa que faz o Banco Central fazer leilões diários para que não suba, quando, na realidade, diz a ABIMAQ, o dólar a R$ 2,40 continua subsidiando importações e encarecendo artificialmente a produção nacional: "com o câmbio entre R$ 2,60 e R$ 2,70, competiríamos com Estados Unidos e Alemanha", constata o presidente da entidade.
Os Estados Unidos são a origem da maior parte (25% em valor) das importações de bens de capital no Brasil. A Alemanha é, historicamente, o segundo lugar – embora, em 2012, pela primeira vez, as importações vindas da China superaram em valor às de máquinas e equipamentos germânicos.
CÂMBIO
No setor de bens de capital, a distorção da taxa de câmbio, provocada pelos juros altos, tem beneficiado, sobretudo, as importações vindas dos EUA. O resultado dessa política de privilégio aos produtos norte-americanos – e, como subproduto, também às mercadorias alemãs, chinesas e italianas (a importação de bens de capital fabricados em outros países é sensivelmente menor) – se traduz na participação no mercado interno ("market share"). Temos a seguinte divisão, no mercado dentro do Brasil, em 2013:
1) Importações: 82%;
- produtos acabados = 66%;
- montagem de componentes importados = 16%;
2) Produção nacional: 18%.
Observemos que, cotejados aos dados do "Anuário ABIMAQ 2011-2012" (página 35), estes números representam uma redução do espaço da produção nacional no mercado interno de -30,23% em relação ao ano anterior, ou seja, num único ano. Naturalmente, 2013 ainda não terminou – portanto, esse resultado não é definitivo. Mas essa comparação é um forte indicador do que está acontecendo.
No entanto, a comparação, na atual edição dos "Indicadores Conjunturais" da ABIMAQ, é realizada com o ano de 2007.
Nesse ano, as importações ocupavam 63% do mercado interno (produtos acabados = 52%; montagem com importados = 11%).
Quanto à produção nacional, em 2007, atendia a 37% do mercado.
Portanto, a produção estrangeira avançou sua ocupação do mercado interno em 19 pontos percentuais ou +30% (de 63% para 82%) entre 2007 e 2013, com a mesma ressalva da comparação anterior.
O problema já havia sido tratado em documentos anteriores da ABIMAQ. Por exemplo:
"A atual valorização do Real tem reduzido a competitividade na produção nacional. Afirmações como a de que a taxa de câmbio valorizada reduz os custos das empresas por baratear insumos importados; ou as que sugerem a possibilidade de modernização do parque industrial brasileiro a partir da redução de valor dos equipamentos trazidos do exterior, não passam de lendas urbanas que precisam ser desmistificadas. Apenas um exemplo: uma valorização de 40% do real implica em, pelo menos, redução da ordem de 25% no preço dos produtos nacionais para acompanhar os preços dos importados e assim garantir a fatia de mercado. Ainda que os insumos passem a ser importados com preço inferior em mais de 30%, e os investimentos em máquinas e equipamentos sejam menores, a valorização do real nesse nível implica em perda de mais de 5 pontos percentuais na rentabilidade da indústria fabricante de produtos tradables [comercializáveis internacionalmente] e, portanto, em perda da capacidade de investimento" (Anuário ABIMAQ 2009-2010, p. 22, grifos nossos).
Por aqui podemos ver o que valem as conversas de alguns setores da mídia e do governo sobre uma suposta "falta de competitividade" intrínseca da indústria nacional: geralmente são os mesmos elementos que pregam ou mantêm os juros altos e o câmbio distorcido para subsidiar as importações contra a produção interna.
[Aliás, já que estamos no assunto, podemos também ver, num estudo da ABIMAQ citado no mesmo anuário, o que vale outra lenda, não propriamente urbana - o notório "custo Brasil": "Em resumo, mais de dois terços do custo Brasil são resultado direto e indireto de juros elevados e de câmbio fortemente apreciado" (Anuário ABIMAQ 2009-2010, p. 19, grifo nosso).]
NÓS E NÁUSEAS
Porém, em entrevista publicada no último dia 23, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, declarou que "não podemos basear toda nossa política de competitividade na taxa de câmbio". E, a partir desta premissa intimista (quem postulou o contrário?), defendeu "uma taxa de câmbio um pouco inferior à atual, entre R$ 2,20 e R$ 2,35" - ou seja, uma taxa de câmbio que continue subsidiando as importações e destruindo a produção nacional. E continuou: "não podemos pensar apenas na taxa nominal [de câmbio]. Temos que pensar no Plano Real e na inflação" (v. Valor Econômico, 23/08/2013).
Não precisamos fazer comentários sobre a racionalidade de destruir o país para, supostamente, combater a inflação, porque, para nossa sorte, quando o Plano Real estava no início de sua devastação do país, em 1996 (portanto, há 17 anos), um economista com o mesmo nome do sr. Luciano Coutinho, que se apresentava como professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e ex-secretário geral do Ministério da Ciência e Tecnologia no governo Sarney, escreveu um interessante artigo sobre o assunto, publicado por um jornal paulista - que quase o enterra, numa remota página de um secundário caderno.
Depois de caracterizar o Plano Real como uma "forte sobrevalorização da taxa de câmbio, com juros muito elevados, num contexto de franca abertura comercial", dizia o xará do atual presidente do BNDES:
"Esta combinação de políticas provocou uma verdadeira avalanche de importações em 1994-1995. Estas saltaram de US$ 25,4 bilhões para US$ 49,7 bilhões - quase 100% em dois anos. Frente a isto a abertura comercial dos governos Collor e Itamar Franco parece brincadeira de criança.
"... essa maré de importações causou crescente desindustrialização e vem inviabilizando até mesmo empresas competitivas do ponto de vista técnico e gerencial.
"A desindustrialização avança a passos largos em três frentes: 1) redução do valor agregado no país em todas as cadeias industriais complexas, onde parte crescente da produção dos componentes, peças e matérias-primas é substituída por importados.
"Na indústria automobilística o ‘índice de nacionalização’ dos produtos cai velozmente (já estaria em 85% a caminho de 60%). No setor eletroeletrônico, o peso dos insumos importados subiu para mais de 50%.
"2) Perda de produção doméstica de bens finais pela ocupação do mercado por produtos importados. Com efeito, parcela crescente da oferta de têxteis, vestuário, calçados, eletrodomésticos leves, alimentos industrializados, máquinas e equipamentos vem sendo suprida via importações.
"3) Finalmente, em muitos casos a produção no Brasil foi simplesmente suprimida, ainda que a escala do nosso mercado permita produção eficiente. É o caso de várias especialidades na área química e petroquímica, componentes e bens de capital.
"A desindustrialização só não atingiu os nossos setores competitivos de grande escala - cerca de 1/3 da indústria - baseados em recursos naturais e energia abundante (papel e celulose, siderurgia, processamento mineral, alumínio). Mas, neste caso, a rentabilidade das exportações vem sendo onerada pelo câmbio valorizado, dificultando a capacidade de as empresas sofisticarem sua linha de produtos, agregando mais valor no país.
"A compressão das margens de lucro provocada pela avalanche importadora, câmbio valorizado e juros estratosféricos deixou muitas vítimas. Desestruturou empresas competentes e está levando a uma desnacionalização sem precedentes em vários segmentos (eletrodomésticos, autopeças etc.).
"Com um nó no peito vi a Metal Leve ser alienada e - com náusea - ouvi muitas racionalizações conformistas do tipo ‘foi um imperativo da globalização’. Está na hora de mudar os rumos do plano de estabilização - ou será que queremos retroceder ao estágio de produtor primário, dependente, subalterno?" (cf. Luciano Coutinho, "Desindustrialização escancarada", FSP, 07/07/1996).
Uma pena que o sr. Luciano Coutinho deixou de sentir esses nós no peito e essas náuseas diante das racionalizações conformistas!
Uma pena que - agora que as importações estão em mais de US$ 220 bilhões ao ano, o "índice de nacionalização" da indústria automobilística é zero ou tendente a zero, e a indústria nacional de componentes eletrônicos foi inteiramente destruída - o sr. Coutinho, apesar do cargo-chave que passou a ocupar, aconselhe os empresários a se conformarem com um câmbio supervalorizado, isto é, com a destruição de suas empresas e a ocupação do seu mercado por importações, e logo em nome do Plano Real!
Mas, disse ele na entrevista, os empresários nacionais, que perderam espaço na indústria, podem "sonhar e ambicionar recuperar esses espaços com o real depreciado".
Bem, pelo menos sonhar eles podem...
SÉRIES
Apesar da situação, as reivindicações dos empresários nacionais que fabricam bens de capital são muito modestas. Antes de expô-las, no entanto, apenas uma observação: 87% das empresas associadas à ABIMAQ são nacionais e 13% são estrangeiras. É verdade que estas têm maior faturamento que aquelas, mas um trabalho da CEPAL mostra como a participação das máquinas nacionais foi crescente, na Formação Bruta de Capital Fixo, até a década de 90, quando sua parcela decresce debaixo da agressão pró-estrangeira, desencadeada por Collor e Fernando Henrique:
1970-75: 71,8%;
1976-80: 84,5%;
1981-85: 89,0%;
1986-90: 89,2%;
1991-94: 75,2%;
1995-98: 63,0%;
1999: 54,0%.
[cf. Roberto Vermulm, "A indústria de bens de capital seriados", CEPAL, dez. 2003. NOTA HP: "bens de capital seriados" são aqueles que não são produzidos sob encomenda, portanto, são produzidos em série, daí o nome "seriados".]
À queda na participação das máquinas nacionais no conjunto das máquinas compradas pelas empresas, corresponde uma queda – uma mudança de patamar - na própria taxa de investimento da economia. Eis as médias da taxa de investimento (FBCF/PIB):
1970-75: 20,77%;
1976-80: 22,59%;
1981-85: 20,83%;
1986-90: 23,01%;
1991-94: 19,14%;
1995-98: 19,84%;
1999: 18,90%.
Para conhecimento do leitor, acrescentamos alguns dados sobre a produção interna de bens de capital em preços constantes (dólares de 2002), portanto, sem a distorção causada pela inflação):
1980: US$ 24,13 bilhões;
1990: US$ 17,78 bilhões;
1995: US$ 15,17 bilhões;
2000: US$ 12,21 bilhões;
2002: US$ 10,86 bilhões.
Em suma, a produção interna de bens de capital, em valor real, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (2002), era 55% menor que aquela de 22 anos antes.
Nos mesmos anos, vejamos o coeficiente de importação (a parte do consumo – ou "consumo aparente" - que é atendida por importações) dos bens de capital:
1980: 14,36%;
1990: 18,50%;
1995: 39,86%;
2000: 44,71%;
2002: 46,33%.
Ou seja, a parcela ocupada pelas importações mais do que triplicou de tamanho – aumentou 222,63% em 2002, comparado a 1980.
Esses dados ilustram o ataque à produção de bens de investimento a partir de 1990. Sobre o governo atual, além do que já foi dito, acrescentaremos duas pequenas séries de dados.
A primeira, a variação da produção (física) de bens de capital nos dois primeiros anos do governo Dilma, comparados ao último ano do governo Lula:
2010: +20,9%;
2011: +3,2%;
2012: -11,8%.
Mais comentários sobre esta queda vertiginosa, parecem desnecessários. Resta acrescentar, apenas, que isso foi devido exclusivamente à mudança na política econômica, o que pode ser constatado pelo que vem logo a seguir.
A segunda série são os recursos desembolsados especificamente para a indústria de transformação (não para a indústria em geral) pelo BNDES. Como é óbvio, o setor de bens de capital tem como compradores as outras indústrias – e todas têm no BNDES a principal fonte de financiamento dos investimentos (ou seja, para gastos com máquinas e equipamentos). Vejamos o total dos financiamentos do BNDES para a indústria de transformação:
2010: R$ 77,255 bilhões;
2011: R$ 40,270 bilhões;
2012: R$ 45,861 bilhões.
[Ambas as séries estão nas páginas 19 e 20 do "Relatório Anual 2012 do Banco Central".]
Os recursos para financiar investimentos especificamente da indústria de transformação, caíram, em relação ao último ano do governo Lula, -47,87% no primeiro ano do governo Dilma e -40,64% no segundo ano do governo Dilma.
DEFESA
Por fim, leitor, as reivindicações dos empresários do setor de bens de capital. As essenciais estão no campo da defesa comercial:
1) Adotar licenciamento não automático na importação de bens de capital mecânicos;
2) Utilizar preço de referência na análise da concessão da licença de importação;
3) Rever as alíquotas de importação, reduzindo as alíquotas dos insumos básicos e aumentando as dos produtos manufaturados, com maior valor agregado;
4) Maior controle do índice de conteúdo local na produção nacional para efeito de financiamento com recursos públicos. As condições de financiamento com recursos públicos e/ou eventuais incentivos fiscais serão mais favoráveis na medida em que houver aumento do conteúdo local;
5) Restringir as importações de bens de capital mecânicos usados através do restabelecimento do laudo técnico do bem importado e vedando a utilização do ex-tarifário [redução de imposto] para este fim.
Convenhamos, é pouco para um empresário – ou qualquer cidadão – pedir ao governo do seu país.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
O nome Bantu ::
não se refere a uma unidade racial. A sua formação e migração originou uma enorme variedade de cruzamentos. Existem aproximadamente 500 povos Bantu. Assim, não podemos falar de uma raça Bantu, mas sim de povo Bantu, isto significa uma comunidade cultural com uma civilização comum e linguagens similares. Depois de muitos séculos de movimentações, cruzamentos, guerras e doenças, os grupos Bantu mantiveram as raízes da sua origem comum. A palavra Bantu aplica-se a uma civilização que manteve a sua unidade e foi desenvolvida por pessoas de raça negra. O radical ntu, vulgar para a maioria das línguas Bantu, significa homem, ser humano e ba é o plural. Assim, Bantu significa homens, seres humanos. Os dialectos Bantu, e existem centenas, têm uma tal semelhança que só pode ser justificada por uma origem comum. Os povos Bantu, além do semelhante nível linguístico, mantiveram uma base de crenças, rituais e costumes muito similares; uma cultura com características idênticas e específicas que os tornam semelhantes e agrupados.
VAMOS CONHECER A NAÇÃO ANGOLA ????
LEIA !!!!!!
..Uma das caracteristicas do povo de Angola importantes são a lingua o kimbundo é o kicongo que emprestam muitas palvras ao portugues.
As referências dos Jinkisi/Akixi e algumas referências aos Orixás yorubá mais conhecidos, entendamos estas semelhanças como caminhos, e não como individualidades.
No Brasil os cultos que prevalecem nos candomblés Angola, Congo (com algumas variações de casa para casa ou de família para família de culto).
Pambu Njila - Nkosi - Katendê - Mutakalambô - Nsumbu - Kindembu - Nzazi - Hongolo - Matamba - Ndanda Lunda - Nkaia - Nzumbá - Nkasuté Lembá - Lembarenganga
Os mais velhos trouxeram cantigas, rezas, tudo em Kimbundo e Kikongo (algumas também em Umbundo e outros dialetos).
Muita coisa se perdeu até mesmo por haver a associação com as tradições Jeje nagô, que foi em ultima instância prejudicial para as tradições bantu.
Não que estas sejam mais certas ou mais erradas, mas que cada tradição deve ser mantida e respeitada, pois faz parte da história da própria humanidade, de como nos organizamos, como desenvolvemos outros falares, de como nos organizamos como sociedade, etc. e ao que parece, tínhamos um culto primitivo comum que com as distâncias das eras e também geográficas foi se modificando e incorporando novos elementos.
Acima de tudo está Nzambi Mpungu (um dos seus títulos) Deus criador de todas as coisas. Alguns povos bantu chamam Deus de Sukula outros de Kalunga e outros nomes ainda associam-se a estes.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
As razões da Coreia Popular frente à agressão dos EUA & seus satélites
O texto desta página é uma condensação de um editorial da Agência Central de Notícias da República Popular Democrática da Coreia, mais conhecida no Brasil pela sua sigla em inglês (KCNA).
Nas últimas semanas, a mídia, aqui em nosso país, tornou-se uma repetidora dos boletins do Departamento de Estado dos EUA, ou, talvez, da CIA. A histeria dos habituais capachos é tanta que tornou-se, como se dizia, de um ridículo atroz. Pretender que a Coreia Popular está ameaçando os EUA com seu arsenal nuclear é tão absurdo que somente alguns problemas psiquiátricos - provavelmente ligados ao que Freud chamou de "complexo de castração" e seu equivalente feminino, a "inveja do pênis" - podem explicar que certos sujeitos e algumas damas sem ocupação mais importante apareçam na televisão repetindo esse besteirol.
Como disse o nosso embaixador em Pyongyang, Roberto Colin, se há algo seguro, é que "nem o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, e nem os demais membros da liderança" da RPDC são "irracionais, ilógicos e muito menos suicidas. Tanto o governo dele quanto o do pai dele, falecido no final de 2011, mostram que não são irracionais e imprevisíveis. Eles são muito lógicos e racionais dentro da visão do mundo que eles têm".
A publicação do texto da KCNA tem o objetivo de que os leitores conheçam a posição da Coreia Popular, pois os supostos paladinos da democracia dos EUA – e seus fâmulos no Brasil – procuram, a qualquer custo, impedir que esta posição seja conhecida. Neste sentido, a fábula de La Fontaine talvez fosse justa para o século XVII. Hoje em dia, a primeira providência do lobo não é mais argumentar com o cordeiro...
C.L.
KCNA
Durante seis décadas, os EUA desrespeitaram o Acordo de Armistício com a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) para manter sua política hostil. Os "exercícios militares conjuntos" entre os EUA e as forças títeres sul-coreanas, denominados Key Resolve e Foal Eagle, são, na verdade, simulações de guerra nuclear, onde inclusive transportadores como o B-52, capazes de carregarem armas nucleares, são mobilizados. Tais atos são violações explícitas do Acordo de Armistício e de todos os acordos entre o Norte e o Sul da Coreia.
[NOTA HP: sob o nome "Key Resolve" – e, antes, sob os nomes "Team Spirit" e "RSOI" (iniciais de "Reception, Staging, Onward Movement, Integration") - o Comando do Pacífico das forças armadas dos EUA promove, desde 1976, uma invasão extra anual do sul da Coreia, com o deslocamento de tropas e engenhos militares estacionados em outros países, para ameaçar a RPDC. O nome "Foal Eagle" é referente à outra série de ensaios de agressão contra o norte da Coreia, também promovidos anualmente pelos EUA no sul da Península, e considerados os maiores exercícios militares anuais do mundo. Tanto a Key Resolve quanto a Foal Eagle, e também a UFG ("Ulchi-Freedom Guardian" – exercícios anuais de guerra computadorizada) são completamente ilegais diante do Armistício assinado em 1953 pelos EUA, RPDC, China e Coreia do Sul, sob os auspícios da ONU.]
O estado de enorme tensão e emergência que prevalece na península coreana, obrigou a RPDC a tomar medidas para garantir a soberania nacional e a estabilidade regional. A decisão de anular o Acordo de Armistício foi uma contra-medida de autodefesa, feita pela RPDC. Afinal, o Acordo de Armistício já estava, na prática, invalidado pelas manobras dos EUA e pelo comportamento hipócrita do Conselho de Segurança da ONU, que sempre apoiou as movimentações dos EUA nas últimas seis décadas.
Portanto, é totalmente ilógico que as forças hostis contra a RPDC, incluindo os EUA, levem a cabo campanhas públicas de críticas contra a suposta "violação" da RPDC quanto à sua contra-medida de autodefesa, dizendo que "o Acordo de Armistício não pode ser dissolvido unilateralmente, dado que ele foi assinado através de um acordo mútuo". Na verdade, o Acordo de Armistício não requer um consenso bilateral, e pode ser tornado inválido, e totalmente anulado, caso um lado não concorde com o mesmo.
PARÁGRAFO 60
Quando o Acordo de Armistício foi concluído, a 27 de julho de 1953, após cerca de 500 dias de conversações em clima de tensão, as atenções e as expectativas do povo coreano e dos povos amantes da paz estavam focadas em seu parágrafo 60.
A implementação do parágrafo 60 era uma questão chave para realizar a reunificação do país e contribuir para a paz na Ásia e no mundo, dado que o parágrafo 60 dizia que todas as tropas estrangeiras deveriam ser retiradas da Coreia, removendo assim a causa e raiz da guerra - e resolvendo a questão coreana pacificamente.
Apesar disso, os EUA assinaram o "Tratado de Defesa Mútua" com o sul da Coreia em 8 de Agosto de 1953, "tratado" este que "legalizava" toda a presença norte-americana na Coreia do Sul. Na prática, tal "tratado" anulava o parágrafo 60, que conclamava pela remoção de todas as forças armadas estrangeiras.
O parágrafo 13 do Armistício bania a introdução de planos operacionais, veículos armados, armas e munições na península coreana, por meio de outros países. Os EUA sabotaram unilateralmente o parágrafo 13 do Acordo de Armistício em 21 de junho de 1957, introduzindo sistematicamente enormes e modernos artifícios bélicos no sul da Coreia, assim como mais de mil armas nucleares de diferentes tipos. Como resultado dessa manobra monstruosa, o sul da Coreia se transformou no maior arsenal nuclear do Extremo Oriente.
Os EUA violaram e repeliram todos os parágrafos do Acordo de Armistício que causavam empecilhos à preparação de uma nova guerra na Coreia, e destruíram todos os mecanismos para a implementação do Acordo de Armistício. As sérias violações por parte dos EUA contra o Acordo de Armistício tornaram defuntas as sentenças relacionadas à Comissão Militar de Armistício (pontos 19 a 35 do parágrafo 2), assim como as sentenças relacionadas à Comissão Supervisória de Nações Neutras (pontos 36 a 50 do mesmo parágrafo).
Os EUA fizeram provocações militares constantes contra a RPDC, sem quaisquer restrições legais e institucionais para impedirem suas manobras, e sempre fazendo o uso da força. Os casos de violação do Acordo de Armistício por parte dos EUA ultrapassam a casa das centenas de milhares, de acordo com vários encontros feitos pela Comissão Militar do Armistício. Contudo, o Acordo de Armistício foi capaz de existir, até agora, pelo menos em termos formais, graças à paciência da RPDC.
PROPOSTAS
A RPDC fez várias propostas para finalizar o armistício com a garantia de paz duradoura na Península Coreana. Entre as várias propostas feitas, a conclusão do tratado de paz entre a RPDC e os EUA (nos anos 1970); levar a cabo as conversações das três partes, incluindo a Coreia do Sul nas conversações RPDC-EUA (nos anos 1980); criar um novo mecanismo que garantisse a paz (nos anos 1990); acabar com o estado de guerra (nas conversações das seis partes envolvidas com o Acordo de Armistício, em 2007); e retomar as conversações para substituir o Acordo de Armistício pelo Tratado de Paz (feita durante o aniversário de 60 anos do início da Guerra da Coreia, em 2010).
Os EUA, contudo, ignoraram ou recusaram todas essas propostas.
Jamais concordaram com o Acordo de Armistício - só o violaram. Sempre quiseram a guerra, jamais a paz.
Era absolutamente inaceitável que a RPDC, à luz de seus interesses supremos como um Estado soberano, ficasse à mercê de um documento jogado no lixo como um par de sapatos velhos pela outra parte.
A RPDC foi constrangida a tomar a contra-medida de anular o Acordo de Armistício para defender a segurança do país, as conquistas da Revolução e para assegurar a soberania da nação coreana em face da ameaça de agressão militar por parte dos EUA.
A decisão de anular o Acordo de Armistício foi uma opção justa do Exército e do Povo da RPDC para por um fim aos atos hostis, através de ações armadas gerais, dos EUA.
CESSAR-FOGO
A política dos EUA para com a RPDC tem como objetivo derrubar seu sistema, para assim eliminar a Coreia socialista da Terra. O Acordo de Armistício era a alavanca principal através da qual os EUA executavam sua política hostil.
Os EUA abusavam do Acordo de Armistício levando a cabo sua estratégia anti-RPDC de manter constantes os confrontos e o estado de guerra na península coreana, tentando dessa maneira estrangular a RPDC pela força das armas. É provável que o mundo não saiba cada detalhe do quão grande foi a dor que o povo coreano sofreu por conta do estado de guerra imposto pelos EUA por mais de meio século.
O cessar-fogo na Península Coreana tornou-se, na verdade, a continuação de uma guerra de maneira encoberta, sem que ela fosse declarada. Os EUA tentaram sabotar todos os grandes esforços da RPDC para construir o socialismo e melhorar o padrão de vida do povo por mais de meio século. Agravaram as tensões de maneira incessante na península coreana, para bloquear o avanço da RPDC, que atualmente se encontra na linha de frente da luta pela independência e contra o imperialismo.
[N. HP: O texto se refere à seguinte situação: derrotados na Guerra da Coreia (1950-1953), iniciada após sua agressão ao norte, os EUA foram obrigados a assinar o armistício, isto é, o cessar-fogo. No entanto, há 60 anos recusam-se a dar por terminada a guerra. Apesar de várias tentativas por parte da RPDC, mantiveram o estado de guerra, com suas tropas e ogivas nucleares no sul da Península, e usaram o cessar-fogo para, todas as vezes em que o norte da Coreia apenas se defendeu de seus ataques, acusá-lo de transgressão ao armistício.]
Essa situação levou a RPDC a destinar enormes recursos humanos e materiais para desenvolver suas forças armadas, ao invés de direcionar tais recursos para o desenvolvimento econômico e para a melhoria da vida das massas. Tudo isso fez com que o povo coreano tivesse que apertar seus cintos. A quantidade de danos humanos e materiais causados contra a RPDC, até o ano de 2005, totalizou pelo menos 64,9 trilhões de dólares. Incontáveis danos políticos, morais e culturais foram causados pelos EUA contra o povo coreano, através de suas persistentes manobras de guerra e ameaças de agressão, em todas as etapas da construção socialista da RPDC, sem exceção.
O estado de cessar-fogo tornou-se uma "razão legal" para o prolongamento da instabilidade na Península Coreana. Frequentes conflitos militares em Panmunjom e nas águas do Mar Oeste, incluindo o incidente da Ilha de Yonphyong, assim como outros incidentes que chocaram o mundo, não aconteceram por força do acaso, mas por estarem diretamente relacionados ao mecanismo do cessar-fogo.
Os EUA fizeram com que a Coreia do Sul preservasse a ilegal "linha de limite ao Norte", abusando das limitações que o Acordo de Armistício possuía. Consequentemente, não passou sequer um dia sem que as cinco ilhas do Mar Oeste da Coreia permanecessem em paz. Tais áreas foram o epicentro dos conflitos, que mostravam claramente o perigo do Acordo de Armistício, e mostravam a possibilidade real de estourar uma nova Guerra da Coreia. Tornou-se claro, através de fatos incontestáveis, que o Acordo de Armistício não poderia prevenir uma nova guerra na Península Coreana.
A soberania da Coreia, certamente, não deve ser deixada para que outros a defendam. Se a RPDC se deixasse curvar ante o Acordo de Armistício, e permanecesse passiva ante os atos hostis dos EUA contra a RPDC, que se tornaram intoleráveis em todos os aspectos, o povo coreano sofreria de novo todos os obstáculos, sofrimentos e tragédias que sofreu por mais de meio século.
AGRESSÃO
Nenhuma grande potência imperialista esteve até agora feliz de ver a Coreia se tornar um só e próspero país.
Nos últimos dias, os EUA e seus aliados levaram a cabo suas manobras para impor sanções e pressões de guerra contra a RPDC, por conta de seu lançamento de satélite e do teste nuclear subterrâneo.
Tais atos estiveram em coerência com a política hegemonista das forças que estavam insatisfeitas com os esforços da RPDC de construir uma próspera potência reunificada.
A conclusão a que a RPDC chegou, após ser exposta ao perigo de guerra por várias décadas, é de que é impossível construir uma nação, uma vida estável e feliz, assim como a prosperidade nacional, enquanto o Acordo de Armistício se mantivesse intacto.
O indignação do povo coreano contra os EUA está no seu ápice, e a paciência da RPDC já passou dos limites.
É por isso que a RPDC tomou a importante decisão de acabar com a causa e a raiz que atenta contra sua soberania nacional, contra a dignidade, a paz e a prosperidade, e expressou sua vontade de tomar decisivas ações de defesa contra a agressão.
Agora que os militaróides sul-coreanos, em conluio com os EUA, fazem manobras para estalar uma guerra nuclear contra o Norte, em violação ao Acordo de Armistício, a RPDC declara anulados todos os acordos de não-agressão feitos entre o norte e o sul, entre aqueles do não uso da força armada contra o outro lado, a prevenção de conflitos militares acidentais, a resolução pacífica de disputas, e a questão da não agressão nas fronteiras norte-sul. São passos coerentes com a anulação do Acordo de Armistício.
A RPDC está totalmente preparada para tomar duras ações de defesa que possam forçar o eixo anti-RPDC a testemunhar seu miserável fim, até a rendição completa do mesmo.
LEI DA SELVA
A aliança pela guerra entre o Acordo de Armistício e as forças hostis, que seguiu existindo por décadas são os últimos resquícios da Guerra Fria no mundo, desde o fim do confronto entre Ocidente e Oriente. Desde o cessar-fogo da Guerra da Coreia, os Estados Unidos obstruíram a reunificação da Coreia, colocando a região sob seu controle e agudizando as contradições e o confronto entre norte e sul, totalmente em contradição com o Armistício, que definia uma solução pacífica para a questão coreana.
Desde o fim da Guerra Fria, também, os EUA expandiram e fortaleceram suas alianças militares, sob o pretexto de que o estado de guerra seguia existindo sob o Acordo de Armistício. Desenvolveram as alianças militares EUA-Coreia do Sul e EUA-Japão numa aliança militar triangular, desenvolveram também alianças militares que englobavam Austrália e outros países.
Atualmente, os Estados Unidos também defendem um aprofundamento da "resolução sobre sanções" por parte do Conselho de Segurança da ONU, tendo em vista trazer ainda mais países satélites para a nova Guerra da Coreia, do que na última guerra dos anos 1950.
As manobras anti-RPDC dos EUA e seus aliados seguem aumentando, como evidenciam as sanções e pressões feitas pela ONU, ao qualificar o lançamento de satélite da RPDC, um direito legítimo enquanto Estado soberano, como uma "provocação".
Esta situação revela de maneira saliente que os princípios elementares da igualdade e imparcialidade são letra morta - e o que permanece de fato é a lei da selva. Tal situação de desequilíbrio não pode ser removida enquanto siga existindo o Acordo de Armistício. Existe um limite para a capacidade das grandes potências de seguirem criando tensões e instabilidades na Península Coreana.
Não existe em lugar algum do mundo um campo de batalha como a Península Coreana, onde enormes forças estratégicas nucleares estão sendo implantadas em massa, e onde ações militares, incluindo manobras conjuntas de guerra, aconteçam quase todos os dias.
PAZ
Uma nova Guerra da Coreia significará uma guerra regional e uma guerra mundial, que envolverá os maiores Estados da região Ásia-Pacífico. A paz mundial é, dessa maneira, impensável sem a paz na Península Coreana.
A existência de um frágil Acordo de Armistício não servirá em nada para garantir a paz na Península e no resto do mundo, mas sim para criar um ciclo vicioso de más relações entre os países da região, e frear o desenvolvimento das mesmas.
A constante fonte de guerra existente na região Ásia-Pacífico, o maior centro de atividades políticas, econômicas e militares a nível mundial, não é a tendência do desenvolvimento dos tempos presentes, e não é benéfica para ninguém.
A anulação do Acordo de Armistício mostra mais uma vez a vontade de ferro da RPDC, que tem como tarefa básica defender a soberania para assegurar a paz na Península, e que fez todos os esforços possíveis para concretizar tal tarefa. A opção da RPDC tornou-se clara, agora que as manobras das forças hostis para atentar contra a soberania e a dignidade da Coreia chegaram a uma etapa perigosa.
Já se foram os dias em que as simples advertências verbais serviam para alguma coisa.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Joaquim Cardozo, o poeta que calculou as curvas de Brasília
Nos dias de hoje, Joaquim Cardozo é mais lembrado pelos engenheiros e arquitetos (trabalhou com Oscar Niemeyer desde 1941 até o fim de sua vida, em 1978) do que pelos literatos – talvez em sua terra, Pernambuco, ou no Nordeste, seja diferente. Mas assim é no Sudeste e Sul do país – e quase certamente nas outras regiões.
No entanto, Carlos Drummond de Andrade considerou este grande engenheiro e matemático, um dos grandes poetas brasileiros. Disse Drummond, que prefaciou a obra de Cardozo:
"Se me perguntassem: o que distingue o grande poeta? Eu responderia: Ser capaz de fazer um poema inesquecível. O poema que adere à nossa vida de sentimento e de reflexão, tornando-se coisa nossa pelo uso. Para mim, Joaquim Cardozo, entre os muitos títulos de criador, se destaca por haver escrito o longo e sustentado poema A Nuvem Carolina que é uma das minhas companheiras silenciosas da vida."
Realmente, A Nuvem Carolina bem merece o elogio de Drummond:
"No alpendre da casa de um antigo sítio/ Onde morei por longo tempo – longos trabalhos –/ Todas as manhãs eu vinha ver o dia/ Que sobre as cajazeiras, longe, amanhecia./ Ao lado, ao alto permaneciam... entre-havia/ Dois morros de matas virgens coroados./ Na abertura desses montes, sempre aparecia,/ Na mesma posição, na mesma hora matutina,/ Uma nuvem cor-de-cinza e leve bruma,/ Com fímbrias e vestígios cor-de-ouro;/ – Uma nuvem ficava entre os dois capões do mato/ Por alguns quantos de tempos,/ Por alguns modos de sombras temporais."
Jornais não são o melhor veículo para reproduzir poemas, por isso, ficamos por aqui, no início do poema que Drummond tanto gostava.
Talvez seja mais fácil, para exemplificar a grandeza do poeta, reproduzir outra de suas obras, a "Canção Elegíaca":
"Quando os teus olhos fecharem
Para o esplendor deste mundo,
Num chão de cinza e fadigas
Hei de ficar de joelhos;
Quando os teus olhos fecharem
Hão de murchar as espigas,
Hão de cegar os espelhos.
"Quando os teus olhos fecharem
E as tuas mãos repousarem
No peito frio e deserto,
Hão de morrer as cantigas;
Irá ficar desde e sempre
Entre ilusões inimigas,
Meu coração descoberto.
"Ondas do mar - traiçoeiras -
A mim virão, de tão mansas,
Lamber os dedos da mão;
Serenas e comovidas
As águas regressarão
Ao seio das cordilheiras;
Quando os teus olhos fecharem
Hão de sofrer ternamente
Todas as coisas vencidas,
Profundas e prisioneiras;
Hão de cansar as distâncias,
Hão de fugir as bandeiras.
"Sopro da vida sem margens,
Fase de impulsos extremos,
O teu hálito irá indo,
Longe e além reproduzindo
Como um vento que passasse
Em paisagens que não vemos;
Nas paisagens dos pintores
Comovendo os girassóis
Perturbando os crisântemos.
"O teu ventre será terra
Erma, dormente e tranquila
De savana e de paul;
Tua nudez será fonte,
Cingida de aurora verde,
A cantar saudade pura
De abril, de sonho, de azul,
Fechados no anoitecer."
O poeta, que morreu aos 81 anos, jamais casou, apesar da poesia amorosa e mesmo erótica que criou – ou, talvez, até por causa. Por exemplo, em "Poema do amor sem exagero": "Eu não te quero aqui por muitos anos/ Nem por muitos meses ou semanas,/ Nem mesmo desejo que passes no meu leito/ As horas extensas de uma noite./ Para que tanto Corpo!/ Mas ficaria contente se me desses/ Por instantes apenas e bastantes/ A nudez longínqua e de pérola/ Do teu corpo de nuvem."
Completamente diferente, e, no entanto, tão parecido (!?), é o belo "Poema dedicado a Maria Luíza": "Eu te quero a ti e somente,/ Eu que compreendia a beleza das prostitutas e dos portos,/ Que sofri a violência da solidão no meio das multidões das grandes ruas,/ Que vi paisagens do céu erguidas sobre a noite do mais alto e puro mar,/ Que errei por muito tempo nos jardins deliciosos dos amores incertos e obscuros.// Eu te quero a ti sempre e somente./ Eu te quero a ti pura e tranqüila/ Preciosa entre todas as mulheres/ Que como rosas, como lírios, sobre mim se debruçaram,/ Entre aquelas que de mim se aperceberam/ Ao doce esmaecer das tardes luminosas./ Eu te quero a ti pura e tranqüila./ Nos espelhos da memória refletida/ Pelas horas do meu tempo transpareces/ E o Sol do meu deserto te ilumina/ E a noite do meu sono te adormece./ Eu te pressinto no silêncio das verdades que ignoro,/ No silêncio e no delírio dos desejos impossíveis:/ através de um céu sem nuvens, do céu que é um prisma azul/ Eu te revelarei a cor da tempestade/ E a refração serena do meu mais íntimo segredo...// Em horizontes de ouro e de basalto/ Indicarei o teu caminho/ Entre flores de luar.../ Farei uma lenda sobre teus cabelos...".
TEATRO
Em 1963, Joaquim Cardozo publicou "O Coronel de Macambira: bumba-meu-boi em dois quadros". Não foi sua única peça teatral. Cardozo também escreveu "O capataz de Salema", "Marechal boi de carro", e, naturalmente, "Antônio Conselheiro" ("Canudos terminou – Todos os seus defensores/ Morreram; resta apenas no campo de batalha/ Um braço erguido, com a sua mão aberta:/ O braço erguido de uma criança;/ Um braço erguido como uma bandeira/ De uma infância, de uma dor, de uma pátria").
Porém, "O Coronel de Macambira" é, sem dúvida, sua melhor peça. Não é um auto, como "Morte e Vida Severina", de outro grande poeta pernambucano, João Cabral de Melo Neto, mas um "bumba", posteriormente musicado por Sérgio Ricardo. Nesta peça, além da tragédia dos retirantes e do coronelismo, há uma mescla de humor, em nossa opinião, um aspecto ainda pouco estudado na obra de Joaquim Cardozo. Por exemplo:
"Vem na frente o produtor
Logo após o economista
Mais atrás com seu tambor
O sagaz propagandista
"Dizem que são justiceiros
Produtores de abundância
Na verdade são coveiros
No cemitério da infância
"De tamanhos produtores
Bem se conhece o produto
Terras secas, gado morto
Gente faminta, de luto."
Sujeito imparcial, Joaquim Cardozo, um dos grandes nomes da engenharia nacional, assim se refere a alguns colegas de pouco tino social:
"Cuidado com o engenheiro
Que vem as terras medir
Ele é mais que feiticeiro
Para encantar e iludir
"Seu instrumento: uma aranha
Tecendo vai os seus fios
E sempre alguém se emaranha
Nos seus desenhos vazios
"Seu instrumento é roleta
De muitos mede a má sorte
Com traços de linhas retas
Separa a vida da morte "
Esse humor, outra vez, aparece no canto do jagunço e sua ambivalência em relação ao Estado natal, revolucionado, na época, pelo primeiro governo Arraes, depois interrompido, após o golpe de Estado de 1964:
"Sou filho de Pernambuco
Lá das bandas de Carpina
Da cana gosto do suco
Que tem nome Monjopira
Eduquei-me no trabuco
Matar gente é minha sina
"Nasci também nesta terra
Que o sol castiga e descora
- terra de Joaquim Nabuco -
Homem de bem, homem certo
Que era muito diferente
Desses "nabucos" de agora
"Há muito que por aqui
Um sanguesinho não há
Mas pelo jeito parece
Que as coisas vão melhorar
Pois seu coronel Nonô
Acaba de me chamar
"Há de ser briga valente
Com muito sangue de gente
Vai correr sangue de boi
E ninguém há de sobrar
Pra contar como é que foi."
Mas, é na figura do retirante que a peça se realiza – e, aí, o humor cede à tragédia. Diz o retirante, em um dos momentos mais altos da poesia brasileira:
"Sou uma sombra sem corpo,
Sou um rosto sem pessoa,
Um vento sem ar soprando,
Sem som, um canto, uma loa.
"Nem as palavras definem
O meu tão grande vazio,
Todo o gesto que me exprime
Todo o meu gesto é baldio.
"Todo o ardor que em mim renasce
Se extingue com um assovio...
Em mim não há claridades
Sou, apagado, um pavio.
O tecido que me veste
Não tem trama, nem cadeia.
Meus passos são muito leves
Não deixam marca na areia.
Meu andar é curto e breve
Mas contém a vastidão
Como é leve o que me pesa
Meu ausente matolão.
"Perto vou, mas vou por longe
Vou junto, mas vou sozinho
Em sombra: burel de monge
Caminho meu descaminho."
OLÍMPICO
Joaquim Cardozo era um homem sensível ao seu povo – ele próprio nasceu bastante pobre. Essa identificação, como vimos, transparece um sua poesia. Mas não apenas nos momentos de opressão; também nas vitórias.
Seu poema em homenagem a Ademar Ferreira da Silva, o campeão olímpico do salto triplo, é daqueles em que sua condição de matemático mais transparece através da poesia: "Havia um arco projetado no solo/ Para ser recomposto em três curvas aéreas,/ Havia um voo abandonado no chão/ À espera das asas de um pássaro;// Havia três pontos incertos na pista/ Que seriam contatos de pés instantâneos./ Três jatos de fonte, contudo, ainda secos,/ Três impulsos plantados querendo nascer.// Era tudo assim expectativo e plano/ Tudo além somente perspectivo e inerte;/ Quando Ademar Ferreira, com perfeição olímpica,/ Executou, em relevo, o mais alto,/ - Em notas de arpejo/ - Em ritmo iâmbico/ O tripartido salto".
Mas, o outro lado de nascer em país ainda não liberto para o desenvolvimento, aparece, às vezes, diretamente: "Sou um homem marcado.../ Em país ocupado/ Pelo estrangeiro./(...)/ Em outros tempos e antigos/ Plantei alfaces, vendi craveiros,/ Fui hortelão, fui jardineiro;/ E a escura terra.../ Terra/ Dos meus canteiros,/ Sempre arqueava o dorso/ Ao gesto amigo/ De minha mão.// Hoje provo, na boca, um desgosto,/ Hoje tenho, no sangue, um sinal/ Que não foi e não é das algemas/ Da prisão da Vida,/ Nem do jugo da Terra,/ Nem do pecado original./ Muito bem sei, senhores,/ Que sou um sonho cravado na morte,/ Que sou um homem ferido no olhar.../ E que trago, bem viva, entre as nódoas do mundo,/ A mancha do meu país natal.// Sou um homem manchado de sombra/ No sonho, no sangue, no olhar,/ Sou um homem marcado.../ Em país ocupado/ Pelo estrangeiro.// Mas esta marca temerária/ Entre a cinza das estrelas/ Há de um dia se apagar!".
Nesta página, pretendemos apenas lembrar um grande poeta – por isso, quase não falamos no que todo mundo sabe: por exemplo, que ele foi o calculista de Brasília, que sem ele as colunas do Alvorada não existiriam, segundo testemunho de Oscar Niemeyer.
Entretanto, existe algo correlato na poesia de Joaquim Cardozo: a contradição entre o velho e o novo é um tema que permeia a sua literatura. Por exemplo: "Há muitos anos que os caminhos se arrastavam/ Subindo para as montanhas./ Percorriam as florestas perseguindo a distância,/ Lentos e longos deslizavam nas planícies.// Passaram chuvas, passaram ventos,/ Passaram sombras aladas...// Um dia os aviões surgiram e libertaram a distância,/ Os aviões desceram e levaram os caminhos.".
Ou, em certas formas de expressão: "Velhas ruas!/ Cúmplices da treva e dos ladrões". Trata-se de um tema diretamente relacionado a dois outros: a contradição entre claridade/escuridão e vida/morte. Mas aqui, talvez, o melhor é transcrever um trecho não de poema, mas do pequeno ensaio que Joaquim Cardozo dedicou a Rembrandt – mais exatamente, ao realismo na pintura do mestre holandês – em que revela muito de si mesmo:
"A pintura de Rembrandt é o drama puro e simples do nascimento e da morte. Dos espaços de sombra dos seus quadros surgem as figuras – incertas e imprecisas -, caminham para uma região iluminada, aos poucos se organizam em formas seguras e exatas, para logo se dissolverem, destruídas de novo pelo impacto violento da luz, como os seres vivos que assomam da escuridão do desconhecido, se expandem por certo tempo em pleno fulgor da existência, e depois desaparecem, queimados pela luz da consciência, desfeitos pelo ardor da própria vida. Há gravuras de Rembrandt em que esse ciclo é exatamente representado como o traço de uma linha que atinge, em sentidos opostos, dois infinitos que se confundem, em que a luz é revelada numa graduação crescente e alcança a mais intensa vibração, como se resultasse de uma queda vertiginosa de altos níveis de energia; essa luz que ora desce dos céus como um raio, ora penetra por uma janela como um jorro, uma chuva de partículas fulgurantes, ora explode no centro da tela como a desintegração instantânea de substâncias nucleares, luz para onde avançam, atraídos e dominados, todos os seres que aspiram a viver e, dentro da qual, são abrasados e consumidos.
"A pintura de Rembrandt é o drama da própria consciência do pintor que, para maior clareza, na série de pinturas em que retrata a si mesmo e a Titus e a Saskia e a Hendrijke, reproduz o mistério do nascimento e da morte em termos de luz e sombra. Basta olhar-se o seu último autorretrato, de 1668, já próximo de sua morte, que sucedeu um ano depois, para se ver um rosto não mais surgindo, mas se desfazendo na sombra, corroído pela luz".
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