Sou Bàbá Kytalamy, Afro - Religioso da Nação Vodun Jeje ( Tambor de Mina) Filho do Grandioso João de Guapindaia ( Afro - Religioso, Folclorista) Neto de Manoel Colaço, Filho de Oxóssy com Iansã ( Toy Vondereji com Fina Jóia). Tenho 26 anos de Santo, defensor da Liberdade de Cultos, luta contra intolerância de uma sociedade que não conhece suas raízes afro. Também sou Mestre em Cultura Popular ( Pássaro Junino - Reconhecido pelo Minc)
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Código Florestal: texto aprovado no Senado pode ser recuperado
O GLOBO
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff quer recuperar o texto do Código Florestal aprovado no Senado e derrubado na Câmara. Ela procura, no entanto, uma alternativa para que, vetando parcialmente as 21 modificações, não deixe um vácuo que gere insegurança jurídica para os produtores rurais. O mais provável é que a presidente opte por vetar alguns pontos do texto. Para tanto, uma equipe de técnicos de cinco ministérios prepara sugestões e não descarta um veto total. Para dar opção ao Planalto, líderes do Senado estão costurando acordo para aprovar semana que vem o projeto dos senadores Jorge Viana (PT-AC) e Luiz Henrique (PMDB-SC).
Dilma avaliou que não poderá assinar abaixo do texto aprovado pelos deputados. Isso porque ele cassa o acordo entre o governo e ruralistas na fase anterior do trâmite da matéria, no Senado, e retoma a anistia aprovada pelos deputados em maio do ano passado para quem desmatou em beiras de rios (APPs).
— A presidente está querendo uma fórmula para recolocar o texto do Senado e dar tratamento diferenciado aos pequenos produtores de um a dois módulos. Seria um sinal para os pequenos produtores e atrairia setores mais resistentes — disse Viana.
Senador Randolfe Rodrigues diz que há setores fascistas no PSOL
Quarta-feira, Maio 09, 2012
Senador Randolfe Rodrigues diz que há setores fascistas no PSOL
Parlamentar, que já pertenceu ao PT, não nega boatos de que pode deixar o partido.
Em OGlobo.
"Eles não leram uma obra básica do Lenin: Esquerdismo, a doença infantil do comunismo"
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) assumiu o mandato no ano passado como o mais jovem integrante da nova legislatura. Rapidamente, tornou-se um dos mais atuantes parlamentares do Congresso. Combativo e crítico ao governo, tornou-se autor das principais representações contra autoridades, entre elas a que pede ao Conselho de Ética a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Apesar do momento de glória em Brasília, o senador, de 39 anos, está em crise com seu partido. Filiado ao PSOL desde 2005, quando deixou o PT após 19 anos de militância - começou a militar ainda na adolescência - Randolfe se sente acuado por integrantes da legenda. E não nega que pode sair do partido.
- Eu de fato quero um partido de massas, que governe para milhões. O partido tem de avançar para isso. Às vezes, o PSOL se limita a dialogar apenas com um gueto. Esse é o meu incômodo. Vou aguardar as eleições municipais e espero que o partido saia bem. Depois delas, vou definir o que farei - diz.
Apesar de ter se projetado nacionalmente, são as questões locais que levaram o senador ao desconforto com a legenda. Segundo ele, a busca por investimentos nacionais e estrangeiros para desenvolver a infraestrutura de seu estado, o Amapá, foi criticada intensamente por correligionários:
- Isso foi tido por alguns como uma conversão ao capitalismo. É uma argumentação tosca, inadequada, e não é de esquerda. É fascista. Hitler e Mussolini defendiam a mesma ideia de realidades isoladas, sem diálogo com o mundo.
Outro fato que teria ensejado críticas internas foi sua sugestão de criar um museu sobre a luta dos aliados no combate ao eixo nazifascista. Assim como o Rio Grande do Norte, o Amapá abrigou durante a Segunda Guerra uma base aérea dos aliados para apoio ao combate em solo europeu. Randolfe defendia então que o museu fosse construído com recursos do governo do estado e do governo americano.
- Quando defendi a construção de um museu sobre a luta dos aliados no combate ao nazifascismo, afirmaram que eu tinha me convertido ao imperialismo. Existe uma lógica autofágica dentro do partido. Não há compreensão de muitos setores a esse espaço do Parlamento. Há uma conversão da idiotice em má-fé.
Eles não leram uma obra básica do Lenin: Esquerdismo, a doença infantil do comunismo.
O senador diz que hoje não há qualquer partido em vista, mas reconhece que já foi cortejado:
- Sempre tem uma troca de charme, mas neste momento é uma resposta que não tenho amadurecida. Fora do PSOL, eu teria dificuldade de saber o caminho. Mas, no espectro político brasileiro, cabe a um partido mais à esquerda que dialogue com a social-democracia, e não que rompa com a social-democracia.
quinta-feira, 22 de março de 2012
João Goulart: o discurso da Central do Brasil e a verdade histórica
Publicamos hoje a primeira parte do discurso de João Goulart, proferido no dia 13 de março de 1964 para cerca de 200 mil pessoas em frente à Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em apoio às reformas que o presidente pretendia implementar ainda naquele ano. Nacionalização das refinarias de petróleo, democratização do acesso à terra, ampliação da liberdade partidária com extensão do direito de voto a todos os brasileiros maiores de 18 anos, reforma educacional e maior controle nacional da economia, incluindo limites às remessas de lucro ao exterior, são alguns dos principais pontos das reformas estruturais, chamadas reformas de base, que foram estancadas pelo golpe de Estado que derrubou o presidente apenas 19 dias depois do histórico pronunciamento
JOÃO GOULART
Devo agradecer às organizações sindicais, promotoras desta grande manifestação, devo agradecer ao povo brasileiro por esta demonstração extraordinária a que assistimos emocionados, aqui nesta cidade do Rio de Janeiro. Quero agradecer, também, aos sindicatos que de todos os estados mobilizaram os seus associados, dirigindo minha saudação a todos os patrícios, neste instante mobilizados em todos os recantos do país, e ouvindo o povo através do rádio ou da televisão.
Dirijo-me a todos os brasileiros, e não apenas aos que conseguiram adquirir instrução nas escolas. Dirijo-me também aos milhões de irmãos nossos que dão ao Brasil mais do que recebem e que pagam em sofrimento, pagam em miséria, pagam em privações, o direito de serem brasileiros e o de trabalhar de sol a sol pela grandeza deste país. Presidente de oitenta milhões de brasileiros, quero que minhas palavras sejam bem entendidas por todos os nossos patrícios. Vou falar em linguagem rude, mas que é sincera e sem subterfúgios. É também a linguagem de esperança, de quem quer inspirar confiança no futuro, mas de quem tem a coragem de enfrentar sem fraquezas a dura realidade que vivemos.
Aqui estão os meus amigos trabalhadores, pensando na campanha de terror ideológico e de sabotagem, cuidadosamente organizada para impedir ou perturbar a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu Presidente, na presença das lideranças populares mais representativas deste país, que se encontram também conosco, nesta festa cívica.
Chegou-se a proclamar, trabalhadores brasileiros, que esta concentração seria um ato atentatório ao regime democrático, como se no Brasil a reação ainda fosse dona da democracia, ou proprietária das praças e ruas. Desgraçada a democracia que tiver de ser defendida por esses democratas. Democracia para eles não é o regime da liberdade de reunião para o povo. O que eles querem é uma democracia de um povo emudecido, de um povo abafado nos seus anseios, de um povo abafado nas suas reivindicações. A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia do anti-sindicato, ou seja, aquela que melhor atenda aos seus interesses ou aos dos grupos que eles representam. A democracia que eles pretendem é a democracia dos privilégios, a democracia da intolerância e do ódio. A democracia que eles querem, trabalhadores, é para liquidar com a Petrobrás, é a democracia dos monopólios, nacionais e internacionais, a democracia que pudesse lutar contra o povo, a democracia que levou o grande Presidente Vargas ao extremo sacrifício. Ainda ontem eu afirmava no Arsenal de Marinha, envolvido pelo calor dos trabalhadores de lá, que a democracia jamais poderia ser ameaçada pelo povo, quando o povo livremente vem para as praças – as praças que são do povo. Para as ruas – que são do povo.
Democracia, trabalhadores, é o que o meu governo vem procurando realizar, como é do meu dever. Não só para interpretar os anseios populares, mas também para conquistá-los pelo caminho do entendimento e da paz. Não há ameaça mais séria para a democracia do que tentar estrangular a voz do povo, dos seus legítimos líderes populares, fazendo calar as suas reivindicações.
Estaríamos, sim, brasileiros, ameaçando o regime, se nos mostrássemos surdos aos reclamos da Nação, desta Nação e desses reclamos que, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, levantam o seu grande clamor pelas reformas de base e de estrutura, sobretudo pela reforma agrária, que será o complemento da abolição do cativeiro para dezenas de milhões de brasileiros, que vegetam no interior, em revoltantes condições de miséria. Ameaça à democracia, enfim, não é vir confraternizar com o povo na rua. Ameaça à democracia é empulhar o povo brasileiro, é explorar os seus sentimentos cristãos, na mistificação de uma indústria do anticomunismo, insurgindo o povo até contra os grandes e iluminados ensinamentos dos grandes e santos Papas que informam notáveis pronunciamentos das mais expressivas figuras do episcopado nacional.
O inolvidável Papa João XXIII é que nos ensina, povo brasileiro, que a dignidade da pessoa humana exige normalmente, como fundamento natural para a vida, o direito e o uso dos bens da terra, ao qual corresponde a obrigação fundamental de conceder uma propriedade para todos. É dentro desta autêntica doutrina que o governo brasileiro vem procurando situar sua política social, particularmente no que diz respeito à nossa realidade agrária. O cristianismo nunca foi o escudo para privilégios condenados pelo Santo Padre, nem também, brasileiros, os rosários podem ser levantados contra a vontade do povo e as suas aspirações mais legítimas. Não podem ser levantados os rosários da fé contra o povo, que tem fé numa justiça social mais humana e na dignidade das suas esperanças. Os rosários não podem ser erguidos contra aqueles que reclamam a discriminação da propriedade da terra, hoje ainda em mãos de tão poucos, de tão pequena maioria.
Àqueles que reclamam do Presidente da República uma palavra tranquila para a Nação, àqueles que em todo o Brasil nos ouvem nesta oportunidade, o que eu posso dizer é que só conquistaremos a paz social através da justiça social.
Perdem seu tempo, também, os que temem que o governo passe a empreender uma ação subversiva na defesa de interesses políticos ou pessoais, como perdem também seu tempo os que esperam deste governo uma ação repressiva dirigida contra o povo, contra os seus direitos ou contra as suas reivindicações. Ação repressiva, trabalhadores, é a que o governo está praticando e vai ampliar cada vez mais e mais implacavelmente, aqui na Guanabara e em outros Estados, contra aqueles que especulam, contra as dificuldades do povo, contra os que exploram o povo, que sonegam gêneros alimentícios ou que jogam com seus preços. Ainda ontem, dentro de associações de cúpula de classes conservadoras, ibadianos de ontem levantaram a voz contra o Presidente pelo crime de defender o povo contra os que o exploram na rua e em seus lares, através da exploração e da ganância.
Mas não tiram o sono as manifestações de protestos dos gananciosos, mascaradas de frases patrióticas, mas que, na realidade, traduzem suas esperanças e seus propósitos de restabelecer impunidade para suas atividades antipopulares e antissociais.
Por outro lado, não receio ser chamado de subversivo pelo fato de proclamar – e tenho proclamado e continuarei proclamando nos recantos da Pátria – a necessidade da revisão da Constituição. Há necessidade, trabalhadores, da revisão da Constituição da nossa República, que não atende mais aos anseios do povo e aos anseios do desenvolvimento desta Nação. A Constituição atual, trabalhadores, é uma Constituição antiquada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica já superada, uma estrutura injusta e desumana. O povo quer que se amplie a democracia, quer que se ponha fim aos privilégios de uma minoria; quer que a propriedade da terra seja acessível a todos; que a todos seja facilitado participar da vida política do país, através do voto, podendo votar e ser votado; que se impeça a intervenção do poder econômico nos pleitos eleitorais e que seja assegurada à representação de todas as correntes políticas, sem quaisquer discriminações, ideológicas ou religiosas.
Todos, todos os brasileiros, todos têm o direito à liberdade de opinião, de manifestar também sem temor seu pensamento. É um princípio fundamental dos direitos do homem, contido na própria Carta das Nações Unidas, e que temos o dever de assegurar a todos os brasileiros. Está nisso, trabalhadores, está nisso, povo brasileiro, o sentido profundo desta grande e incalculável multidão que presta, neste instante, sua manifestação ao Presidente, que vem também lhe prestar conta de seus problemas, mas também de suas atitudes e de sua convicções nas lutas que vem enfrentando, luta contra forças poderosas, mas confiando sempre na unidade do povo e das classes trabalhadoras, unidade que há de encurtar o caminho da nossa emancipação. É apenas de se lamentar que parcelas ainda ponderáveis que tiveram acesso à instrução superior continuem insensíveis, de olhos e ouvidos fechados à realidade nacional. São, certamente, os piores surdos e os piores cegos, porque poderão, com tanta surdez, e com tanta cegueira, ser, amanhã, responsáveis, perante a História, pelo sangue brasileiro que possa ser derramado, ao pretenderem levantar obstáculos à caminhada do Brasil e à emancipação do povo brasileiro.
De minha parte, à frente do Poder Executivo, tudo continuarei fazendo para que o processo democrático siga o caminho pacífico, para que sejam derrubadas as barreiras que impedem a conquista de novas etapas e do progresso. E podeis estar certos, trabalhadores, de que, juntos, governo e povo, operários, camponeses, militares, estudantes, intelectuais e patrões brasileiros que colocam os interesses da Pátria acima de seus interesses, haveremos de prosseguir, e prosseguir de cabeça erguida, a caminhada da emancipação social do país. O nosso lema, trabalhadores do Brasil, é progresso com justiça, e desenvolvimento com igualdade. A maioria dos brasileiros já não se conforma com a ordem social imperfeita, injusta e desumana. Os milhões que nada têm se impacientam com a demora, já agora quase insuportável, em receber os dividendos de um progresso tão duramente construído também com o esforço dos trabalhadores e o sacrifício dos humildes. Vamos continuar lutando pela construção de novas usinas, pela abertura de novas estradas, pela implantação de mais fábricas, de novas escolas, de hospitais para o povo sofredor; mas sabemos, trabalhadores, que nada disso terá sentido profundo se ao homem não for assegurado o sagrado direito ao trabalho e a uma justa participação no desenvolvimento nacional.
Não, trabalhadores; não, brasileiros: sabemos muito bem que de nada vale ordenar a miséria neste país. Nada adianta dar-lhe aquela aparência bem comportada com que alguns pretendem iludir e enganar o povo brasileiro. Meus patrícios, a hora é a hora da reforma, brasileiros, reforma de estrutura, reforma de métodos, reforma de estilo de trabalho e reforma de objetivo para o povo brasileiro. Já sabemos que não é mais possível produzir sem reformar, que não é mais possível admitir que esta estrutura ultrapassada possa realizar o milagre da salvação nacional, para milhões e milhões de brasileiros, da portentosa civilização industrial, porque dela conhecem apenas a vida cara, as desilusões, o sofrimento e as ilusões passadas.
O caminho das reformas é o caminho do progresso e da paz social. Reformar, trabalhadores, é solucionar pacificamente as contradições de uma ordem econômica e jurídica superada, inteiramente superada, pela realidade dos momentos em que vivemos.
Trabalhadores, acabei de assinar o decreto da Supra. Assinei-o, meus patrícios, com o pensamento voltado para a tragédia do irmão brasileiro que sofre no interior de nossa Pátria. Ainda não é aquela reforma agrária pela qual lutamos. Ainda não é a reformulação do nosso panorama rural empobrecido. Ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado. Mas é o primeiro passo: uma porta que se abre à solução definitiva do problema agrário brasileiro.
O que se pretende com o decreto que considera de interesse social, para efeito de desapropriação, as terras que ladeiam eixos rodoviários, leitos de ferrovias, açudes públicos federais, e terras beneficiadas por obras de saneamento da União, é tornar produtivas áreas inexploradas ou subutilizadas, ainda submetidas a um comércio especulativo, odioso e intolerável.
Não é justo que o benefício de uma estrada, de um açude ou de uma obra de saneamento vá servir aos interesses dos especuladores de terra, que se apoderam das margens das estradas e dos açudes. A Rio-Bahia, por exemplo, que custou setenta bilhões de dinheiro do povo, não deve beneficiar aos latifundiários, pela multiplicação do valor de suas propriedades, mas, sim, ao povo.
Não o podemos fazer, por enquanto, trabalhadores, como é de prática corrente em todos os países do mundo civilizado: pagar a desapropriação de terras abandonadas em títulos da dívida pública e a longo prazo.
Reforma Agrária com pagamento prévio do latifúndio improdutivo, à vista e em dinheiro, não é reforma agrária. Reforma agrária, como consagrado na Constituição, com pagamento prévio e a dinheiro é negócio agrário, que interessa apenas ao latifundiário, radicalmente oposto aos interesses do povo brasileiro. Por isso, o decreto da Supra não é a reforma agrária.
Sem reforma constitucional, trabalhadores, não há reforma agrária autêntica. Sem emendar a Constituição, que tem acima dela o povo, poderemos ter leis agrárias honestas e bem intencionadas, mas nenhuma delas capaz de modificações estruturais profundas.
quinta-feira, 8 de março de 2012
U.S. Deutsch Bank e outras aventuras edificantes
Vários autores já disseram, e demonstraram, que a chamada “globalização” era, meramente, globalização financeira. Resta, talvez, dizer que esse berro do neoliberalismo significou o domínio dos bancos de outros países pelos grandes bancos norte-americanos.
CARLOS LOPES
Um velho amigo – hoje um conhecido psicanalista – tinha uma especial birra contra “livros de jornalista”, categoria em que incluía desde John Reed até as obras de ficção de Hemingway (mesmo - aliás, sobretudo - a melhor parte: os contos). Jornalistas, dizia ele, não vão além da superfície dos fatos – e, ainda por cima, apresentam-na como se fosse a sua essência.
Existe alguma injustiça nessa apreciação, pois há muitas exceções, mas foi inevitável pensar no que dizia esse amigo ao ler “Bumerangue”, o livro do jornalista norte-americano Michael Lewis sobre a crise na Islândia, Grécia, Irlanda, Alemanha e nos municípios dos EUA. Impossível evitar a lembrança, ao ler: “a sociedade mais rica que o mundo já viu alcançou esse status concebendo meios cada vez melhores de dar às pessoas o que elas querem” (Lewis, “Bumerangue”, trad. Ivo Korytowski, Sextante, 2011, págs. 203/204).
Pois essa frase, leitores, é referente aos EUA, onde, antes da atual crise, havia, oficialmente, 45 milhões de pessoas sem direito a qualquer assistência médica, exceto a reservada aos indigentes – reconhecidamente, uma assistência médica indigente. Um país em que, desde 1981, houve um arrocho salarial tão achatador que é difícil medi-lo, até porque as estatísticas sobre salários, desde Reagan, sofreram estranhas alterações de critérios – e, mesmo assim, os números não conseguiram deixar de registrar o arrocho (o que não é nenhuma novidade. Conferir, por exemplo, o livro, já antigo, de um professor de economia norte-americano: David M. Gordon, “Fat and Mean: The Corporate Squeeze of Working Americans and the Myth of Managerial ‘Downsizing’”, Free Press, 1996 – esse livro não foi atualizado, pois seu autor faleceu logo após a publicação. Mas não é uma questão em disputa que o arrocho salarial aumentou nos anos posteriores a 1996).
RATING
Se Lewis preenche seu livro com preconceitos, alguns reacionaríssimos – é nauseante o seu medo de qualquer manifestação popular -, os fatos que menciona, no entanto, são muito interessantes. Inclusive sobre os EUA, que não é, neste livro, o seu assunto principal.
O leitor, provavelmente, lembra-se quando, em agosto do ano passado, a Standard and Poor's (S&P), uma dessas “agências” vigaristas de classificação (“ratings”), rebaixou sua nota dos títulos do governo norte-americano. Foi uma torrente de lamentações na mídia. Até o sr. Mantega, que desde 2006 incensava o “investment grade” dessas agências, em especial o da S&P, saiu em defesa dos papéis norte-americanos. Também, pudera: 65% das reservas do Brasil estavam (e estão) aplicadas em papéis do governo dos EUA, exatamente com a fundamentação de que esses papéis tinham classificação “Aaa” da S&P e outras agências norte-americanas de rating (cf. BCB, “Relatório de Gestão das Reservas Internacionais”, v. 3, Brasília, 2011, pág. 21).
Parecia uma tragédia para o governo dos EUA. No entanto, foi uma tragédia para os países que têm uma equipe econômica composta por bobos e/ou serviçais. O sr. Mantega tinha razões para se queixar, mas não as que ele emitiu publicamente:
“As consequências da afirmação de uma grande agência de classificação de crédito americana de que as chances de o governo americano saldar suas dívidas haviam diminuído foram reduzir o custo dos empréstimos do governo americano e elevar esse custo para todos os demais” (“Bumerangue”, pág. 173, grifo nosso).
Há outra questão sobre os EUA – aliás, mais de uma – que deixaremos para o próximo artigo. Primeiro, algumas considerações sobre o que Lewis ignora em seu livro.
SUBSIDIÁRIAS
Vários autores já disseram, e demonstraram, que a chamada “globalização” era, meramente, globalização financeira.
Resta, talvez, dizer que esse berro do neoliberalismo significou o domínio dos bancos de outros países pelos grandes bancos norte-americanos.
Isso explica, por exemplo, o artigo 63 do “Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia”, também conhecido como “Tratado de Lisboa”, que substituiu, sem consulta popular, a “constituição europeia” derrotada nas urnas em vários países:
“Artigo 63º: 1) … são proibidas todas as restrições aos movimentos de capitais entre Estados-Membros e entre Estados-Membros e países terceiros. 2) … são proibidas todas as restrições aos pagamentos entre Estados-Membros e entre Estados-Membros e países terceiros” (cf. Jornal Oficial da União Europeia/PT, 30/03/2010, pág. C 83/71, “Versão Consolidada do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia”, grifos nossos).
O texto é explícito: os países da UE, inclusive os da “zona do euro”, abriram mão oficialmente de se defender da especulação financeira externa, isto é, norte-americana. Na verdade, já o tinham feito na prática, a começar pelos países da UE que não adotaram o euro (Inglaterra, Suécia, Polônia, Hungria, Romênia, Dinamarca, Bulgária, República Checa, Lituânia e Letônia).
Mas isso foi uma consequência de um fato financeiro: os bancos europeus já haviam se tornado, na prática, subsidiárias dos grandes bancos norte-americanos (o Tratado de Lisboa somente foi assinado em dezembro de 2007 – um ano depois, a crise dos EUA levaria a Europa de roldão).
Em suma, os imperialismos alemão, francês e de outros países europeus tornaram-se, por via financeira (facilitada ou permitida pela ocupação militar, que já dura quase 70 anos, da Alemanha, assim como do Japão, pelos EUA), uma espécie de “imperialismo dependente” – ou, se o leitor quiser, um “subimperialismo” ou “imperialismo subsidiário” – que existe dentro dos limites definidos pelo imperialismo norte-americano, e que se presta a ser capanga de seu senhor, através da OTAN. Bem entendido, não pretendemos inventar um novo conceito: apenas descrever um fato.
O exemplo mais evidente é, exatamente, o dos bancos alemães. Como observa Lewis, só existem dois grandes bancos privados alemães: o Deutsch Bank e o Commerzbank - que absorveu o terceiro, o Dresdner. Os outros são estatais ou são cooperativas relativamente pequenas de crédito.
Tanto o Deutsch quanto o Commerzbank afundaram no dilúvio de “derivativos” que compraram dos bancos norte-americanos. Agiram – e agem - como intermediários dos bancos dos EUA, assim como os bancos islandeses, irlandeses, etc., etc. - com a diferença de que a Alemanha não é um país periférico da UE, tal como a Irlanda ou Portugal, mas o principal país da UE e da “zona do euro”.
Quando denominamos os bancos europeus de “subsidiárias” dos bancos norte-americanos não estamos, necessariamente, nos referindo à sua propriedade. No entanto, também essa questão, a da propriedade – isto é, a nacionalidade – em vários casos é bastante duvidosa.
Vejamos o maior de todos, o Deutsch Bank, um banco tão grande que, em depósitos, só há um outro na Europa que se lhe compare, o Credit Suisse, com matriz em Zurique, fora da UE e da “zona do euro”.
Aparentemente nada há de mais característico da burguesia financeira e monopolista alemã do que o Deutsch Bank.
No entanto, oficialmente, 53% dos acionistas do Deutsch são estrangeiros, isto é, não-alemães. Hoje, também oficialmente, 13% deles (eram 16% em 2009) são norte-americanos. O que não inclui a propriedade norte-americana através de filiais de bancos norte-americanos na Alemanha e demais países da Europa, ou em outras partes do mundo, nem aquela sob controle de bancos europeus que, na verdade, são controlados pelos bancos norte-americanos. Notemos que 75% das ações do Deutsch pertence a outros bancos. E esses são números retirados do último relatório anual do banco –, portanto, merecem estar sob suspeita.
INVESTIGAÇÃO
O Deutsch, no período anterior à crise, não agiu apenas como intermediário dos bancos norte-americanos na Europa - como foi o caso de alguns bancos franceses (especialmente o BNP Paribas e o Société Générale; a propósito, a França só tem – se é que tem – mais um grande banco privado, o Crédit Lyonnais; não há setor mais monopolizado, onde o mercado tenha sido mais banido ou tão manietado, quanto o chamado “mercado financeiro”).
O fato é que o Deutsch agiu, em Wall Street, e não apenas na Europa, como um banco norte-americano em todo o período imediatamente anterior à crise – de 2004 até a quebra do Lehman Brothers, o Deutsch Bank lançou, em Wall Street, US$ 32 bilhões em derivativos sobre as hoje notórias “hipotecas sub-primes” dos EUA. E essa magnitude foi o que se conseguiu comprovar na investigação do Senado dos EUA sobre a crise, chefiada pelos senadores Carl Levin (democrata/Michigan) e Tom Coburn (republicano/Oklahoma).
O relatório dessa investigação de dois anos (“Wall Street and the Financial Crisis: Anatomy of a Financial Collapse”) foi abafado pela mídia. E não foi, certamente, devido à sua extensão de 5.900 páginas - a versão sem os documentos citados tem 639 páginas -, pois o senador Levin tomou a providência de sintetizá-lo em seu site. Algumas partes dos depoimentos no Subcomitê Permanente de Investigações do Senado, que Levin preside, foram reproduzidas no documentário “Inside Job”.
PAPÉIS
Um dos trechos mais divertidos do livro de Lewis é o relato de um empresário irlandês sobre um banqueiro que se “aborreceu” com ele quando tentou quitar uma dívida. Não é para menos: o que é um banco sem devedores? Se todas as dívidas fossem quitadas, seria uma catástrofe para os bancos, por várias razões. Hoje em dia, a principal é que os papéis especulativos, os “derivativos”, são lançados em cima de dívidas – mais exatamente, são “derivados” de papéis que são títulos de dívida.
Esses papéis de papéis são uma invenção do maior banco dos EUA – o JP Morgan, hoje JP Morgan Chase, depois que os Rockefellers assumiram formalmente o seu controle – em 1994. Uma das coisas mais hilariantes, depois disso, foi a tentativa de alguns “historiadores econômicos” de remontar a origem desses papéis ao Japão feudal do século XVII, e, até, aos primórdios do surgimento do homem sobre a Terra. Mais interessante é a narrativa de uma jornalista inglesa, aliás, editora do “Financial Times”: Gillian Tett, “Fool’s Gold - How the Bold Dream of a Small Tribe at J.P. Morgan Was Corrupted by Wall Street Greed and Unleashed a Catastrophe”, Free Press, 2009 (o livro pretende ser uma defesa do J.P. Morgan – mas, com uma defesa dessas, cheia de episódios hediondos, melhor seria entregar os inventores dos “derivativos” logo ao carrasco).
O “derivativo” mais famoso é um papel denominado “credit default swap” (CDS). O que se chama “swap” é uma operação em que um papel substitui outro, com indexador diferente. Simplificadamente: um especulador tem um papel indexado pelo câmbio e, por exemplo, troca, com outro especulador, esse título por um indexado, digamos, pela taxa de juros do Banco Central. Os dois especuladores estão, portanto, apostando em quem (ou qual título) terá o maior rendimento num determinado prazo – quem perder pagará ao outro a diferença. Nada disso se distingue de um cassino, exceto pela complicação do “mercado financeiro”, imprescindível para enganar os trouxas, e pelo fato de que nos cassinos é preciso ter dinheiro verdadeiro para apostar – ou o sujeito não vai adquirir as fichas com que são efetivadas as apostas.
No cassino financeiro, não. Vejamos o “credit default swap” (CDS).
“Credit default” significa inadimplência – uma dívida em que houve “default” é uma dívida que não foi paga. O CDS, portanto, deveria ser uma espécie de seguro em caso de inadimplência do outro título – que, por sua vez, é baseado em outros papéis, por exemplo, hipotecas sobre casas.
Mas, uma empresa de seguros somente pode (ou poderia, pois até isso, hoje em dia, está bastante avacalhado) segurar alguma coisa se tiver cobertura – isto é, se possuir dinheiro, ou um ativo real conversível em dinheiro, que permita, em caso de necessidade, pagar o seguro.
Como frisa Lewis, a diferença do CDS em relação a um seguro “normal” é que ele não tem cobertura – é apenas um papel, supostamente lastreado em hipotéticos ganhos futuros (isto é, ganhos que não existem) com a especulação, mas, na verdade, um papel que existe para se especular sem que haja qualquer ativo real, dinheiro ou propriedades, de valor comparável - exatamente como o preço das casas nos EUA não tinha (e não tem) qualquer relação com o preço dos “derivativos” lançados em cima de suas hipotecas.
Certamente, isso é apenas uma “pirâmide” (ou, como chamam os norte-americanos, um “esquema Ponzi”, nome derivado de um famoso vigarista, Charles Ponzi). Mas é uma pirâmide de um tamanho que nenhum faraó sonhou – a última estimativa do BIS, o chamado “banco central dos bancos centrais”, correspondente a junho de 2011, é que havia US$ 708 trilhões em “derivativos” - ou seja, 11 vezes a produção de valor adicionado a mercadorias e serviços no mundo, isto é, o PIB mundial, estimado para 2011 em US$ 65 trilhões (cf. BIS, “OTC derivatives market activity in the first half of 2011”, 16/11/2011; The Economist, “In search of growth”, 25/05/2011).
Apesar de óbvio, é adequado lembrar que a falta de cobertura dos papéis não impede que o dinheiro ganho com eles possa se converter em propriedades, em ativos reais - desde palácios na Côte D’Azur até ex-estatais ou empresas privadas ex-brasileiras. Nesse sentido, a comparação entre o “valor” dos derivativos e o PIB mundial é imprecisa: este último se refere à produção de valor, e apenas durante um ano, enquanto que existe muito mais valor, já produzido, no mundo - isto é, já cristalizado em propriedades.
Depois dessa breve excursão pela vigarice globalizada (algo em que o indigitado Charles Ponzi jamais pensou – foi necessário o JP Morgan para concebê-la), voltemos ao Deutsch Bank no período anterior à crise.
MISTÉRIO
O “gestor” de derivativos do Deutsch era um americano, Greg Lippman, tão bem sucedido que teve sua biografia financeira incluída num livro que parece humorismo, pela coleção de trambiqueiros que reúne: “The Greatest Trades of All Time: Top Traders Making Big Profits from the Crash of 1929 to Today”, de Vincent Veneziani.
Qual era o mistério do espetacular (e bilionário) sucesso de Lippman – e, portanto, do Deutsch Bank – em Wall Street?
Simplesmente, fabricar títulos podres, vendê-los a alguns patos, e apostar contra eles, através de outros títulos. A investigação do Senado dos EUA publicou várias mensagens e documentos internos, mostrando que Lippman e o Deutsche tinham, desde 2007, chegado à conclusão de que a bolha dos derivativos sobre hipotecas ia estourar, de que era, literalmente, um “esquema Ponzi”, de que os títulos que vendiam não passavam de “bosta” (literalmente: “crap”), etc. - e que o Deutsch estava apostando contra seus próprios títulos.
Evidentemente, não era apenas o Deutsch Bank que fazia isso. Todos os chamados “bancos de investimentos” - isto é, de especulação - de Wall Street (Bear Stearns, Lehman Brothers, Merril Lynch, Morgan Stanley, Goldman Sachs e Salomon Brothers) faziam isso, assim como o JP Morgan Chase, Citigroup, Bank of America, etc.
O jogo era ganhar com a crise. O que eles não parecem ter previsto foi o tamanho da crise que estavam provocando, que foi muito além dos derivativos sobre as hipotecas, porque havia causas muito mais profundas que a trapaça – ainda que colossal – em cima dessas hipotecas. A rigor, o estouro dos papéis lançados em cima do mercado imobiliário dos EUA foi um sintoma agudo de uma doença gravíssima, causada pelo engessamento da economia imperialista por meia dúzia de cartéis e monopólios financeiros.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O erro da privatização dos aeroportos
O artigo de Altamiro Borges sobre a privatização dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos foi escrito ainda antes de concluído o leilão de segunda-feira. Por isso, a quantia que o governo receberá a cada ano das concessionárias está desatualizada – mas não existe diferença de qualidade em relação ao resultado que saiu.
Logo após o leilão, algumas pessoas, com a intenção de defender o governo, exumaram a tese de que não se trataria de uma “privatização”, mas de uma “concessão”. Essas pessoas precisam avisar a ANAC, o ministro Mantega, que usaram o termo privatização, e a Presidência da República, que incluiu esses aeroportos no Programa Nacional de Desestatização – o mesmo sob o qual foi privatizada a Vale, as telecomunicações, etc., etc & etc.
Em verdade, só há uma forma honesta de defender o governo: criticando seus erros para permitir que avance. Exceto isso, estaríamos apenas ajudando tucanos e assemelhados a se cevarem em torno desses erros – o que, aliás, eles fizeram de forma impudica nessa questão dos aeroportos.
ALTAMIRO BORGES*
Em um ano de governo, a presidenta Dilma Rousseff mostrou-se pouco ousada, mas não bancou retrocessos de maior gravidade. Nesta segunda-feira (6), porém, ela macula o seu mandato com o leilão para a “concessão” de três dos mais rentáveis aeroportos do país – Guarulhos, Campinas e Brasília. O seu discurso antiprivatista de campanha, que acuou os tucanos, será jogado pelo ralo.
Os argumentos usados para justificar a privatização não convenceram os trabalhadores do setor, os movimentos sociais e vários estudiosos desta matéria estratégica. Fala-se da ausência de recursos públicos para modernizar os aeroportos e da urgência de investimentos para atender a crescente demanda do setor. A Copa do Mundo e as Olimpíadas são apontadas como motivos da pressa no leilão.
A desculpa da falta de recursos
Como já apontou o economista Paulo Kliass, a desculpa da falta de verbas para os investimentos necessários não tem consistência:
"Recursos sobram no Orçamento! O problema é a prioridade definida pelas autoridades para a sua utilização. Encerradas as contas de 2011, por exemplo, apurou-se que o Estado brasileiro forçou a geração de um superávit primário no valor de R$ 130 bilhões ao longo do ano. Uma loucura! Mais de 3% do PIB destinados exclusivamente para o pagamento de juros da dívida pública.
Agora basta uma simples comparação. A operação de privatização desses três aeroportos vai render R$ 240 milhões por ano aos cofres da União. Ou seja, se houvesse destinado apenas minguados 0,2% do superávit a cada ano para esse importante compromisso, não precisaria transferir a concessão dos aeroportos ao capital privado"
A cobiça das empresas “privadas”
O que justifica, então, privatizar este importante patrimônio público. Construído com dinheiro do povo, estes três aeroportos são responsáveis por 30% do total do transporte de passageiros, 57% do total das cargas e 19% das aeronaves que circulam em todo o país. Eles sempre foram alvo da cobiça de poderosas empresas “privadas”, nacionais e estrangeiras.
Com o crescimento da demanda no setor, decorrente do aquecimento do mercado interno e da melhoria do poder aquisitivo dos brasileiros, este apetite cresceu ainda mais. As corporações empresariais enxergam nestes aeroportos verdadeiras minas de ouro. Para forçar a privatização, elas contam com ajuda da mídia privatista, que faz terrorismo com os chamados “apagões aéreos”.
Cedência à pressão dos monopólios
Alguns "calunistas" da mídia parecem condenar as pessoas de baixa renda pelo "caos" nos aeroportos, amplificando a visão preconceituosa das elites. Durante o governo Lula a aviação comercial teve um crescimento vertiginoso no país - com a expansão de 118% nos últimos oito anos. Em 2011, pela primeira vez na história deste país, as viagens de avião ultrapassaram as realizadas em ônibus interestaduais. Daí a violenta gritaria da mídia pela privatização do setor.
Diante desta violenta pressão e dos reais gargalos do setor, que decorrem da falta de investimentos nas três últimas décadas e do seu longo processo de sucateamento, Dilma Rousseff resolveu ceder. A presidenta parece ter pressa. Ela teme o caos, com as filas e a gritaria midiática, principalmente por ocasião dos dois eventos esportivos. Mas quais as conseqüências da privatização?
Soberania nacional corre riscos
Entre outros efeitos negativos, a entrega à iniciativa privada dos aeroportos põe em risco a própria soberania. É preocupante que áreas estratégicas, consideradas de segurança nacional, sejam invadidas por empresas que visam somente o lucro, que não têm qualquer compromisso com a nação. Este temor é que explica a histórica resistência da cúpula da Infraero, formada por militares.
Não é para menos que a maioria dos aeroportos do mundo está sob controle do Estado, inclusive nos EUA – nação tão paparicada pelas mentes colonizadas e entreguistas. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o governo ianque inclusive reforçou este controle. Até as empresas terceirizadas passaram a ser mais fiscalizadas.
Desmantelamento da malha aérea
Além da razão política, a privatização terá conseqüências danosas para a sociedade. É bom lembrar que este sistema é interligado. A Infraero gerencia 66 dos 67 aeroportos no território brasileiro. Eles representam 97% do movimento do transporte aéreo regular, o que corresponde a 2,6 milhões de pousos e decolagens, transportando mais de 155 milhões de passageiros por ano.
Neste sistema interligado, os aeroportos mais rentáveis ajudam a manter os mais deficitários, de menor fluxo de passageiros, mas decisivos para o transporte regional. Ao privatizar Guarulhos, Campinas e Brasília, estes perderão importante fonte de recursos, o que levará ao desmantelamento de toda a malha aérea – a exemplo do que já ocorreu com a privatização do setor ferroviário.
O usuário será prejudicado
Como explica Francisco Lemos, dirigente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), “o modelo da Infraero é muito parecido com a relação de alguns estados da federação, onde os mais rentáveis subsidiam os mais deficitários. A arrecadação é centralizada e redistribuída para manter o sistema. A privatização deixará no esquecimento aqueles aeroportos deficitários mais longínquos”.
Ele dá um exemplo hipotético sobre o risco da desintegração da malha aérea. “Você se desloca de São Paulo para um aeroporto deficitário, vamos supor, em Juazeiro. Não se sabe em que condições o avião pousará lá, como estará sua pista, seu atendimento. As companhias não vão mais querer fazer determinadas rotas. E quem sentirá realmente o prejuízo será o usuário”.
Menos manutenção e segurança
Indignado, ele lembra que a Infraero é altamente lucrativa e foi considerada no início de 2011 a segunda melhor empresa gestora de aeroportos do mundo. Nada justifica, portanto, ela ser minoritária nos aeroportos privatizados. “Ela é muito eficiente em seu produto final. É cobiçada por vários países, que tentam firmar acordo com o Brasil para que ela administre os seus aeroportos”.
Além do desmantelamento da malha aérea, nada garante que os três aeroportos privatizados serão modernizados, melhorando o atendimento aos usuários. Pela lógica do sistema, os capitalistas visam o lucro. Será que investirão a contento na segurança ou na manutenção dos aeroportos? Eles não cortarão custos, inclusive demitindo trabalhadores, para elevar sua rentabilidade?
Demissões e precarização do trabalho
O dirigente da Sina não vacila nas respostas. Para ele, a tendência é que muitos funcionários da Infraero, “com todo o seu know-how e experiência, serão descartados. Quando se vê o perfil do pessoal da Infraero, nota-se que é um profissional mais antigo, com mais de 30 anos. Nas empresas privadas que atuam no setor predomina a garotada de 20 anos, com salários menores”.
Outro grave problema é que as regras para a “concessão” são um presente para os poderosos monopólios privados. No leilão de hoje, Guarulhos tem um lance mínimo de R$ 3,4 bilhões, com concessão de 20 anos. Viracopos tem um valor inicial estipulado em R$ 1,5 bilhão e prazo de uso de 30 anos. Brasília teve o lance mínimo arbitrado em R$ 582 milhões, com prazo de uso de 30 anos.
O contrato cria a chamada Sociedade de Propósito Específico (SPE) com o objetivo de gerir o negócio, onde o capital privado fica com 51% dos votos e a Infraero com 49%. Devido à urgência das obras, a tendência é que a SPE receba empréstimos do BNDES. O edital também não fixa as contrapartidas, como a responsabilização do consórcio ganhador pelos aeroportos de menor fluxo.
* Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, militante do PCdoB e autor do livro "A ditadura da mídia"
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Mahatma Gandhi na África do Sul: as memórias da revolta dos zulus
Em 30 de janeiro de 1948, Mohandas Karamchand Gandhi, chamado “Mahatma” (“grande alma”) pelo poeta bengali Rabindranath Tagore, e “Bapu” (“pai”, na língua gujaratí, seu idioma natal) pelo povo indiano, foi assassinado em Nova Délhi, aos 78 anos.
Gandhi havia se oposto à divisão da Índia, então sob ocupação inglesa, em dois países - Índia e Paquistão. Até que se tornou inevitável essa divisão, Gandhi divergira da cúpula do Partido do Congresso, encabeçada por Jawaharlal Nehru, que aceitara a divisão, no acordo com os ingleses. Era uma situação insólita, pois, nos conflitos anteriores com Nehru, este sempre fora considerado o líder da ala esquerda do partido, enquanto que a Gandhi, correntemente, se atribuíra o papel antípoda. No entanto, na hora decisiva, os papéis estavam invertidos – ou, na realidade, nunca foram aqueles.
Para Gandhi, não havia porque separar muçulmanos de hindus e outras (inúmeras) religiões do chamado subcontinente indiano. E, realmente, os primeiros momentos dessa divisão foram trágicos, com a eclosão de sangrentos conflitos a partir da fronteira entre os dois países, traçada à régua por um funcionário inglês que pela primeira vez pisava na Índia.
Gandhi já era, nessa altura – e há muito -, se assim é lícito nos expressar, uma lenda viva. Sua defesa dos direitos dos muçulmanos fez com que um grupo de fascistas hindus levasse a cabo o seu assassinato.
Ele tinha sido a principal figura da luta pela independência da Índia. O interessante é que nada em sua juventude, e mesmo em sua maturidade, prenunciava o líder que se tornou. Como ele nos conta em sua autobiografia, publicada em 1929 (“Uma autobiografia ou a história de minhas experiências com a verdade”), mesmo depois de formado em Direito e de ter participado da luta dos imigrantes indianos contra a discriminação racial na África do Sul, ele era um fiel súdito da coroa inglesa, acreditando mesmo que o domínio britânico era a melhor coisa que podia acontecer a um povo.
Mas, alguma coisa na vida de Gandhi fez com que mudasse de opinião. Seu amor à verdade fez com que não conseguisse – nem ele queria – eludir as horríveis injustiças que via (e que sofria) a cada dia.
Como homenagem a este grande homem, assassinado há 64 anos, publicamos hoje, de forma condensada, o seu relato de um desses momentos decisivos: a sua vivência da revolta zulu de 1906, na África do Sul. O texto foi extraído e traduzido da versão inglesa de sua autobiografia.
C.L.
Mohandas K.Gandhi
Não creio ter conhecido alguém que fosse mais leal do que eu à Constituição britânica. Agora posso ver que o meu amor à verdade era a raiz dessa lealdade. Nunca foi-me possível simular lealdade nem qualquer outra virtude que não sentisse realmente. O hino nacional [britânico] era cantado em todas as reuniões de que participei, em Natal, e eu considerava que era meu dever cantá-lo com todos. Não é que eu ignorasse os defeitos do domínio britânico, mas pensava que, globalmente, ele era aceitável. Naquela época, eu acreditava que o domínio britânico era benéfico para os povos que governava.
O preconceito racial que eu vi na África do Sul era, pensei, contrário às tradições britânicas, e eu acreditava que era apenas temporário e local. Por isso, me uni aos ingleses na lealdade ao trono. Com perseverança e cuidado, aprendi a letra e a melodia do "Hino Nacional" e juntava-me aos demais para cantá-lo. Sempre que havia uma oportunidade para expressar essa lealdade sem espalhafato ou alarde, eu prontamente tomava parte nela.
Nunca na minha vida explorei essa lealdade, nem procurei ganhar vantagens egoístas por meio dela. Para mim, tinha a natureza de uma obrigação, que eu cumpria sem esperar recompensa.
Os preparativos para a celebração do jubileu de diamante da rainha Vitória, ou seja, os 75 anos do seu reinado, estavam em curso quando cheguei à Índia [voltando da África do Sul]. Fui convidado para integrar a comissão designada para esse fim em Rajkot. Aceitei o convite, mas tive a suspeita de que as comemorações seriam, sobretudo, um exibicionismo. Incomodou-me descobrir muita vigarice. Comecei a me perguntar se eu deveria continuar na comissão ou não, mas decidi ficar, limitando-me ao que me designassem.
Uma das propostas era plantar árvores. Vi que muitos fizeram isso apenas para se mostrar e agradar os funcionários ingleses. Tentei defender que o plantio de árvores fosse apenas uma sugestão, e não uma obrigação para todos. Devia ser alguma coisa séria, ou era melhor não se fazer. Tenho a impressão de que eles riram das minhas ideias. Lembro que plantei a árvore que me cabia com todo entusiasmo, e que a cuidei e reguei com todo carinho.
Eu também ensinei o Hino Nacional para as crianças da minha família. Lembro-me de tê-lo ensinado também aos alunos do colégio local, mas não recordo se foi por ocasião do jubileu ou da coroação do rei Edward VII como imperador da Índia.
Posteriormente, a letra do hino começou a chocar-me. À medida que minha concepção de ahimsa [não-violência] amadurecia dentro de mim, tornei-me mais cuidadoso com meus pensamentos e palavras. Especialmente os versos do hino: "Dispersai seus inimigos/ e fá-los cair;/ Confunda seus políticos,/ frustrai seus truques fraudulentos”, feriram o meu sentimento de ahimsa.
Compartilhei meus sentimentos com o Dr. Booth, que concordou em que um cultor do ahimsa não podia cantar esses versos. Como poderíamos dar como certo que os chamados 'inimigos' fossem 'velhacos'? E porque eles eram inimigos, eram obrigados a estar errados? De Deus só podemos pedir justiça. O Dr. Booth subscreveu inteiramente os meus sentimentos, e compôs um novo hino para a sua congregação.
REBELIÃO
Justo quando eu acreditara que poderia respirar em paz, um fato inesperado aconteceu. Os jornais trouxeram a notícia de que estalara a “rebelião” zulu em Natal.
Eu não alimentava nenhum rancor contra os zulus; eles jamais tinham incomodado os indianos. Tinha muitas dúvidas sobre essa “rebelião”. Mas acreditava, nessa época, que o Império Britânico existia para o benefício do mundo. Um lógico sentido de lealdade me impedia de desejar o menor dano ao império. A justiça ou o motivo da “rebelião”, portanto, não podiam influenciar a minha atitude.
Natal contava com uma força de defesa constituída por voluntários e começou o recrutamento de mais gente. Soube que tal corpo já fora mobilizado para sufocar a "rebelião".
Eu me considerava um cidadão de Natal, intimamente ligado ao lugar. Portanto, escrevi ao governador, expressando-lhe que estava preparado, se fosse necessário, para formar um Destacamento de Ambulâncias composto por indianos. Respondeu-me imediatamente, aceitando o oferecimento.
Não esperava resposta tão rápida. Afortunadamente, havia tomado todas as medidas necessárias antes de escrever a carta.
Dirigi-me a Durban e fiz um chamado aos homens. Não era necessário um grande contingente. Formamos um grupo de 24, dos quais, além de mim, quatro eram gujaratís. Os outros eram operários liberados que haviam residido na Índia meridional, exceto um, que era um pathan livre.
Com o objetivo de dar-me uma colocação específica e facilitar a tarefa, como também para obedecer aos regulamentos vigentes, o médico-chefe me nomeou, provisoriamente, sargento-mor, e, a três homens por mim selecionados, sargento a dois deles e cabo ao outro. Também recebemos do governo nossos uniformes. O destacamento esteve em serviço ativo durante umas seis semanas.
Ao chegar no cenário da “rebelião”, comprovei que nada justificava este título. Não havia resistência em parte alguma. A razão pela qual os distúrbios foram magnificados com esse nome, residia em que um chefe zulu comunicara que não pagaria uma nova taxa imposta a seu povo, e havia ferido com uma flecha a um sargento que tentou efetivar a nova medida.
Em todo momento, meu coração estava com os zulus, e senti muita alegria ao chegar no acampamento e saber que nosso trabalho consistiria, especialmente, em atender aos zulus feridos. O médico-chefe nos deu as boas vindas. Disse que os brancos não queriam atender aos zulus, que suas feridas estavam se infectando, e que estava à beira de enlouquecer. Considerava a nossa chegada uma bênção do Céu para essa gente inocente, e nos equipou com ataduras, desinfetantes, etc., levando-nos até o improvisado hospital.
Os zulus ficaram encantados de nos ver. Os soldados brancos trataram de interpor-se entre nós e eles, para nos dissuadir de atendê-los. E como não quisemos escutá-los, ficaram furiosos, e cometeram terríveis abusos contra os zulus.
Gradualmente, comecei a conversar com esses soldados, e deixaram de interferir em nosso trabalho. Entre os chefes, estavam o coronel Sparks e o coronel Wylie, que haviam lutado duramente contra mim em 1896.
[N.HP: A menção de Gandhi refere-se às manifestações de 1896 contra a chegada de indianos - inclusive o próprio Gandhi – à África do Sul, das quais Sparks e Wylie estiveram entre os promotores.]
Mostraram-se surpreendidos por minha atitude, e me chamaram especialmente para agradecer-me pelo que estava fazendo. Apresentaram-me, além disso, ao general Mackenzie. Não acredite o leitor que se tratasse de soldados profissionais. O coronel Wylie era um conhecido advogado de Durban. O coronel Sparks era dono de um açougue na mesma cidade, e o general Mackenzie era um importante granjeiro. Todos esses cavalheiros eram voluntários, e como tais haviam recebido instrução militar.
Os feridos dos quais ficamos encarregados não haviam sido feridos no campo de batalha. Uma parte deles foi detida como suspeitos. O general mandou açoitá-los, e o açoite havia rasgado as suas costas de forma bastante grave. Essas chagas, que não tiveram atendimento médico, estavam em avançado estado de infecção.
Os outros zulus eram habitantes da área, e ainda que contassem com distintivos que os diferenciavam do “inimigo”, os soldados haviam disparado contra eles por erro.
Além dessa tarefa, devíamos atender também aos soldados brancos. Isso não era muito difícil para mim, já que que havia recebido instrução suficiente, durante um ano, no pequeno hospital do doutor Booth.
Estávamos adscritos a uma coluna móvel, que tinha ordens de dirigir-se a todo lugar onde o perigo se anunciasse. Em sua maioria, tratava-se de pessoal montado. Logo que o acampamento era levantado, viamo-nos obrigados a segui-los a pé, com nosso material sobre os ombros. Duas ou três vezes fizemos 40 milhas em um dia. Mas, em todos os lugares onde estivemos, pude agradecer a Deus por dar-nos a oportunidade de ser mais do que úteis, carregando, além das coisas, aos moradores zulus da vizinhança sobre nossas macas, até o acampamento, para atendê-los em sua desgraça, porque haviam sido feridos por erro.
A "rebelião" dos zulus significou muitas experiências novas e muitos motivos importantes para meditar. A guerra dos boers não me colocou os horrores da guerra na forma vívida como o fez a “rebelião”. Não foi uma guerra, mas a caça ao homem, e não somente na minha opinião, mas na de muitos ingleses com os quais falei disso em algumas ocasiões.
Escutar todas as manhãs o informe sobre o dano feito pelos rifles dos soldados entre os indefesos zulus era algo terrível. A taça de amargura se enchia, ao pensar que se não fosse pelo corpo que eu havia formado, os zulus não teriam contado com nenhuma atenção para suas horríveis feridas. Este fato comoveu minha consciência.
Mas havia muitas outras coisas sobre as quais pensar. Existia um território pouco povoado no país. Entre os vales e colinas, de forma muito espaçada, localizavam-se as choças dos assim chamados “não-civilizados” zulus. Enquanto eu percorria, com ou sem os feridos, essa enorme solidão, muito frequentemente submergia-me em profundas meditações.
PRÉVIAS DO PT: O RESULTADO QUE MOBILIZA; desejos, VERDADES E VONTADES DE PODER.
De hoje até o próximo domingo a incansável militância petista não pode parar. Na verdade o partido está se movimentando; encontro Estadual em Santarém, setoriais se organizando, ações politicas voltadas para o convencimentos dos indecisos e finalmente a chegada até o dia 05.02.2012. Acredito que após às 20:00h, a festa vermelha deverá (sugerimos) ir às praças numa volta histórica na cidade de Belém com buzinaços, bandeiras vermelhas tremulando. Uma carreata da alegria, numa sinalização evidente da força do Partido dos Trabalhadores, que soube com maturidades aprofundar o debate sem omitir as diferenças. A chegada de Alfredo Costa e de Cláudio Putty nesta reta final, tem sim a marcação da multiplicidade de ideias e projetos que se movem dentro do PT, para quem estar de fora pode parecer estranho demais, excentricidades com sabor de riscos. Mais para nós petistas não. Apartir de domingo certamente as diferenças continuarão mais a unidade partidárias não se compôs pela estética transparente moldada num telhado de vidro, por isto, podem ter certeza os adversários e inimigos, que o rito de passagem da árdua e criativa decisão do PT, garante sua unidade, fortalece sua singularidade e revela sua identidade para a disputa da PMB.
Portanto, nada para desconsiderar qualquer análise feita pelos companheiros do partido durante estes dias , talvez nenhuma esteja errada, apenas fixam seus regimes de verdade na disputa provando que a cordialidade ou agressividades explicitas de alguns , não absorvem falsos jogos de simpatias, embora possam inventar realidades às vezes não tanto reais ou visionárias demais; sem medo de ser feliz foi assim que aprendemos com vontades de poder a nos manifestar.
O que devem estar pensando os futuros adversários? As apostas devem ser enormes e tantas, porém não maior que a perplexidades ao terem que admitir, esses petistas são FODA. Vários debates nas distritais, incansáveis e inúmeras reuniões, explosão de textos de toda magnitude, "invasão" de idéias e criatividades no Facebbook, Blogges, etc. Por ora devem questionar: Não estavam abatidos com a derrota do governo do Estado, Com a saida de valorosos militantes da fileiras do partido, com os escândalos divulgados pela imprensa, com a perda de uma cadeira no senado,com as críticas nem sempre justas.
E então porque de repente movimentam à cidade e todos querem saber o resultado para estampar nas primeiras páginas do jornal da segunda feira.
Ao desavisados, devemos informar com a paciencia e tolerância propositiva de um autêntico partido educador, que o ostracismo politico não é o lugar do PT;
Como combativos militantes que sai todos dias a semear a esperança de um mundo possivel, devemos ensinar de forma compatilhada o que aprendemos principalmente que na politica não ha espaços vazios.
Por fim com a coragem e combatividade das companheiras cujo o coração valente aguça a sensibilidade e constrõe todos os dias a primavera porque "sonhos não envelhecem". Daí serem imprescidiveis
Para todos nós petistas o tempo ruim se reinventa pela beligerancia. Então nada de surpresa, porque a "história de fato é um carro alegre(...)" e as conquistas uma dança. (Com respeito:que venham os adversários). Portanto dancemos a dança da alegria e de nosso retorno em breve à PMB. MENSAGEM DO M-PT para todas e todos militantes e de modo especial aqueles que acreditam ,lutam e apostam na vitória do companheiro ALFREDO COSTA neste domingo. VIVA O PARTIDOS DOS TRABALHADORES.
Assinar:
Postagens (Atom)
