terça-feira, 13 de julho de 2010

As Águas de Oxalá

“As Águas de Oxalá” é um dos rituais mais eloqüentes e belos da tradição do Candomblé. Oxalá é o grande orixá, o Orixá Funfun (pureza), que representa a paz, a água, a harmonia, a criação dos seres humanos. Cultuado em todas as ”Nações“ de matriz africana, Oxalá traz a essência e o poder da fertilização. A significação da Oferenda denominada de ”Águas de Oxalá“ está pautada no dinamismo da renovação, da purificação e da preparação da Terra e dos homens para a semeadura em espaços férteis de procriação através do poder que a água veicula. A mudança entre o passado e o presente que se afirma, sem perder o elo de ligação. Poderia ser comparada como o renascer de um novo ano, de uma nova fase, de uma nova era. Onde todos os seres, todas as energias estão receptivas paras as inovações numa reflexão critica das necessidades de mudanças de comportamentais das relações universais em toda a sua amplitude, seja social, econômica, ecológica etc. visando sempre o equilíbrio necessário para a eternização do todo. A água é um dos elementos de grande importância de manutenção e preservação do axé. A água é um dos veículos de transporte do axé, a força mágica sagrada que permite as mudanças e transformações rumo ao equilíbrio dinâmico do universo.

Às ”Águas de Oxalá“ remonta uma das parábolas de tantas outras da Visão de Mundo de tradição africana, visão esta que é originária de uma cultura tradicional e religiosa, rica de ensinamentos e proposições bem elaboradas e bem definidas num contexto próprio, embora na sua tradução não fere princípios diferentes de outros povos. É sempre pensada no coletivo e na diversidade de todas as sociedades. Aprendi com o meu mentor espiritual, ou melhor, meu Babalorixá Paulinho de Oxossi, quando fizemos as primeiras cerimônias das ”Águas de Oxalá“, em Belém do Pará, no Ilé Axé Iya Omi Ofa Karé, nos idos do ano de 1987 o seguinte Itan (historias dos povos africanos, parábolas, Mitologia etc)”.

Oxalá tivera um sonho com Xangô e como este era um dos seus filhos mais querido, ficou muito preocupado, pois não conseguia ficar sem pensar no seu filho. Há muito tempo que Oxalá não tinha contato com Xangô e já que o fato o instigava, resolveu visitá-lo. Porém, antes da viagem foi consultar o Orunmilá, o Oluô, o Senhor do destino, o grande conhecedor do futuro, para fazer uma consulta e contar do ocorrido, além da grande saudade que sentia do seu filho. Orunmilá, grande amigo de Oxalá, observando a conformação dos seus ikins (elementos da adivinhação, búzios, caroços de dendê, nozes de cola, sementes consagradas); após jogá-los no seu opere (espécie de peneira ou tábua onde se joga os ikins), disse para Oxalá:
-Não é um bom momento para o senhor viajar, vejo muitas dificuldades e problemas durante o seu percurso. Muitas coisas poderão acontecer durante a sua caminhada.
Oxalá respondeu:
-Orunmilá, eu preciso muito conversar com Xangô, sei que ele enfrentará uma grande batalha e tenho que ajudá-lo. No seu reino tem muita discórdia e dias difíceis virão.
Orunmilá respondeu:
-O Senhor pode ir sim. Desde que faça algumas oferendas (ebós) para garantir a sua chegada em paz, vão ter problemas sim, mas vamos amenizá-los. Primeiro o senhor terá que preparar 03 peças de roupas brancas e durante a sua viagem não poderá conversar com ninguém e evitará ficar com as roupas suja. O seu silêncio só cessará quando o senhor encontrar com Xangô, além de evitar que as suas roupas fiquem sujas, repito: evite falar com as pessoas e jamais se desvie do caminho para que possas chegar em paz. O senhor só poderá conversar com Xangô quando chegar no seu destino.

Oxalá, após fazer as Oferendas indicadas por Orunmilá, vestiu-se com a primeira roupa, colocou as outras duas em um saco e começou a sua caminhada rumo a Oió (Terra do reino de Xangô), sustentado com o seu Opaxoro (Cajado sagrado).
Exu, o Orixá da palavra, a boca que tudo come, o transportador do ebó, resolveu testar Oxalá, para observar se ele iria cumprir a risca as determinações de Orunmilá.

Na primeira peça, Exu disfarçou-se de mendigo e atravessou no momento que Oxalá passava e lhe pediu uma esmola. Oxalá que é benigno, bondoso e a todos quer ajudar ofertou um pedaço de pão e nada falou. O mendigo solicitou a Oxalá que o ajudasse a colocar um saco na sua cabeça e Oxalá prontamente o ajudou. Quando Oxalá suspendeu o saco, o fundo do mesmo estava furado e cheio de pedras de carvão, que caíram sobre as suas vestes branca, ficando toda suja de carvão. Aí, Exu começou a dar gargalhadas e desapareceu. Oxalá, pacientemente foi ao rio, tomou um banho trocou a primeira peça de roupa que estava vestido pela segunda que guardara no saco. Oferendou a peça de roupa suja no tempo.
Na segunda peça. Exu se desfaça de salineiro e quando Oxalá passa próximo ao mar ele o chama. O salineiro estava descarregando o seu barco que estava cheio de sacos de sal e como Oxalá permanecia em silêncio, convidou Oxalá para ajudá-lo. Oxalá também é piedoso e resolveu acudir aquele pobre homem que trabalhava sozinho. Ao colocar o saco sobre as costas não percebera que este estava furado e todo o sal derramou sobre as suas vestes. Banhou-se, vestiu a sua última roupa e ofertou a que estava suja de sal para as águas.
Na 3ª e última peça, Exu é um viajante que comercializa óleos comestíveis e quando Oxalá passa por perto de sua taberna, pede a Oxalá para segurar o tacho onde ele derramará o óleo. O viajante propositadamente derrama o óleo que era à base de dendê sobre Oxalá. Exu dá uma grande gargalhada e desaparece. Oxalá vai ao rio banhar-se, mas não consegue limpar a sua roupa, como já não mais dispunha de outra peça limpa para trocar, teve que se conformar com as vestes sujas.

Próximo ao reino de Xangô, já cansado de tanto caminhar, Oxalá resolve repousar um pouco próximo a um alpendre, quando, de repente, aparece um lindo cavalo branco galopando sozinho. Oxalá começa a acariciar o cavalo, que muito parecia ao cavalo que outrora tinha presenteado a Xangô. Os soldados de Oió estavam à procura do cavalo do rei, que tinha sido roubado e ao vê-lo do lado de Oxalá, prenderam o forasteiro e o levaram para as masmorras, onde o mantiveram preso.
Durante o período em que Oxalá foi mantido preso, o Reino de Xangô passou por muitas dificuldades, a terra nada produzia, os animais morriam, das árvores não brotavam mais frutos. O povo sofria de infinitas mazelas e muito pouco tinha para comer, muitos morreram de fome e de doenças. As mulheres ficaram secas, estéreis, não geravam mais filhos e a população ficou reduzida a poucos. Os homens não dialogavam mais e as guerras, constantes, destruíam Oió impiedosamente. Xangô, justo, benevolente, pulso firme e sábio não sabia mais o que fazer. Resolveu consultar um grande Oluô da região que abrir o seu Ifá (jogo de Ifá - jogo de premunição). O respeitável adivinho, disse a Xangô que todas as dificuldades e sofrimentos que tomavam conta da nação não eram em vão. Xangô tinha cometido um tremendo engano no seu reino, ao manter preso nas suas masmorras um grande ser, que viera lhe visitar para trazer boas novas de paz e amor para seu povo, para a sua terra. Vá verificar com os seus próprios olhos.

Xangô foi pessoalmente visitar as prisões, quando reconheceu que aquele velho homem que ali se encontrava era seu pai. Chorou e imediatamente o carregou em suas costas, pedindo a todos que trouxessem bastante água para que pudesse limpá-lo e purificá-lo. Aparou as suas barbas, mandou preparar as mais belas vestes brancas e o vestiu. Providenciou que fosse organizada uma grande cerimônia, onde todos deveriam estar vestidos de branco para homenagear o rei.
O povo da cidade desceu em uma majestosa procissão contemplando Oxalá que andava lentamente guiado pelo seu Opaxorò (cajado sagrado de Oxalufã) e a cada passo era ajudado pelos seus filhos, todos protegidos por um grande manto branco sagrado, chamado de alá, que cobria as suas cabeças. Após a procissão, todos retornaram para o Palácio de Xangô, que ficava numa floresta sagrada onde foi oferecido um banquete e todos tiveram que comer uma massa feita de inhame bem passada, como prova da continua comunhão que devemos ter com o divino, com a criação.

E O reino de Xangô voltou a prosperar, as terras ficaram férteis, as mulheres germinaram e as guerras cessaram. A Paz, a justiça, o amor e a verdade voltaram a se abraçar para o bem do universo.

Esta viagem de Oxalá é relembrada quando fazemos o ritual das “Água de Oxalá”. É uma tradição das principais casas da chamada Nação “Ketu” no Brasil.

Fases:

I – Construção da casa onde Oxalá irá ficar durante as obrigações. Chamada de Boloti.
II - Todos dormem na casa de axé e preparam os seus quartilhões (jarros grandes, brancos, de louça ou barro) para carregar água para Oxalá.
III – De madrugada, por volta de quatro horas da manhã, todos se acordam em silêncio, pegam os seus quartilhões e se posicionam enfileirados respeitando a hierarquia do axé.
IV – Começa a procissão, e todos, em silêncio, vão para próximo da fonte de Oxalá, onde mora uma Iyaba, para alguns chamada de Oloxá (Senhora dos lagos, das fontes) que tem fundamento com Oxum e Nanã.
V – Cantam-se alguns fundamentos do axé relacionados com as oferendas e em silencio todos os quartilhões são preenchidos com água da fonte.
VI – Cada um carregado o seu quartilhão cheio de água se dirigem em procissão em direção ao Bolonti armado na área livre do templo.
VII – Entra um por um no Bolonti e suas cabeças são lavadas com a água de seus quartilhões.
VIII – Cada um tem que completar três viagens para encher novamente os quartilhões.
IX – Toda água recolhida, com exceção, da utilizada para purificar as cabeças vão primeiramente para o espaço onde mora o Oxalá da casa de axé e depois para os outros espaços onde moram os outros Orixás. Será utilizada para fazer o Osé (limpeza e purificação dos assentamentos dos Orixás e enchimento de todos os vasilhames que comportam água).

Cerimônias:
1º Domingo - Candomble
Homenagem a Oxoguiã / Oferendas do Pilão/ Simulação de Guerra com os Atoris/ Distribuição da Massa de Inhame para todos.
2º Domingo - Candomblé
Homenagem a Oxalufã. Toque de Ibin para Oxalá, que sai com o seu Opaxorò abençoando a todos. Depois todos carregam o Alá com Oxalá embaixo conduzido pelos seus filhos.

Esta simbologia se eterniza nos princípios fundamentais que são inerentes de todos os seres, animados e inanimados. Princípios estes, que sustentam e fundamentam a necessidade da convivência com: a diversidade, a respeitabilidade, a perseverança, o amor, a paz, a harmonia, a verdade e a justiça.

sábado, 10 de julho de 2010

Kabengele apoia sanção do Estatuto da Igualdade Racial

Kabengele Munanga, antropólogo, professor da Universidade de São Paulo e um dos mais respeitados intelectuais contemporâneos no estudo das relações raciais, manifestou-se nesta quarta-feira (30/06) em favor do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado pelo Congresso e, atualmente, aguardando a sanção presidencial.

Em carta aberta, ele faz uma análise da discussão atualmente travada no Brasil sobre a nova lei que institui direitos para os afro-brasileiros, destacando o espaço desproporcional dedicado pelos meios de comunicação, às posições contrárias e favoráveis ao documento.

“Os espaços da grande mídia para debater cotas e Estatuto da Igualdade Racial foram abertos principalmente para os detratores dos dois projetos de grande mudança, que beneficiariam a população negra e afrodescendente, e fechados para os defensores das mudanças. Como se não bastasse, o relator do processo, senador Demóstenes (Demóstenes Torres – DEM/GO), declarou abertamente - diante das câmeras e do mundo inteiro - que no regime escravocrata não houve verdadeiramente estupro da escravizada negra, pois se algo ocorreu nesse sentido foi com consentimento das próprias estupradas. Declarou também que o tráfico negreiro não foi uma violência exterior, pois contou com a cumplicidade dos próprios africanos que comercializavam seus irmãos. Vocês imaginam o que aconteceria hoje com um senador da república nos Estados Unidos ou em qualquer outro país ocidental que se permitisse dizer tantas insanidades políticas?”.

Na opinião do antropólogo congolês, considerando todas essas dificuldades, “o resultado obtido com a aprovação deste Estatuto, que passou por numerosas negociações, acompanhadas de modificações, é muito significativo para uma luta feita com armas tão desiguais”. Dirigindo-se aos integrantes do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), órgão colegiado do qual faz parte, indicado por notório saber, ele afirma: “Nada posso lhes ensinar, pois peguei o bonde andando quando vocês já estavam dentro. Vocês muito me ensinaram e continuarão a me ensinar, pois os fragmentos de reflexão desenvolvidos na academia, em grande parte com a ajuda de vocês, não se comparam aos anos de luta e de militância herdadas de Zumbi dos Palmares que vocês acumulam”.

Finalizando a carta, o acadêmico resgata o exemplo de caçadores Mbuti, da África Central, pejorativamente conhecidos como pigmeus, para provocar uma reflexão: “São meses e meses que os caçadores estão na floresta para caçar um elefante, cuja carne alimentaria a população durante alguns meses. Infelizmente não tiveram o sucesso esperado e voltam para aldeia trazendo apenas três antílopes. Decepcionados e frustrados, as mulheres e os filhos se contentam com esses pequenos animais, cuja carne cobriria necessidades de poucos dias. Mas eles não culpam os caçadores, mas sim o Mulimo, Deus da caça, o único Deus que esse povo monoteísta conhece e cuja aproximação da esfera dos humanos afasta a caça e prejudica as atividades de sobrevivência. Daí a necessidade de lhe oferecer uma galinha preta para afastá-lo da esfera humana. Moral da história: creio que nossos negociadores, parlamentares e políticos, fizeram o melhor possível para trazer o elefante. Independentemente de sua vontade, só conseguiram os antílopes. Agora, vamos jogá-los fora em vez de aceitá-los e encorajar nossos caçadores a continuar a luta?”.

Centrais desmentem Serra sobre sua atuação como constituinte

Os presidentes das centrais demonstram, em nota, como foram as ações do tucano

As centrais sindicais CUT, Força, CGTB, CTB e NCST lançaram manifesto conjunto na última quarta-feira (7) onde alertam a população para que não se deixe enganar pelas mentiras veiculadas na rádio e na televisão por José Serra, candidato de Fernando Henrique e do PSDB à Presidência da República, a respeito de pretensas medidas que teria proposto em prol da classe trabalhadora.

Sob o título “Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores”, as cinco centrais denunciam que “o candidato José Serra (PSDB) tem se apresentado como um benemérito dos trabalhadores, divulgando inclusive que é o responsável pela criação do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e por tirar do papel o Seguro-Desemprego. Não fez nenhuma coisa, nem outra. Aliás, tanto no Congresso Nacional quanto no governo, sua marca registrada foi atuar contra os trabalhadores”. De acordo com as centrais, “a mentira tem perna curta e os fatos desmascaram o tucano”.

Na avaliação dos presidentes Artur Henrique, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Miguel Torres (em exercício), da Força Sindical; Antonio Neto, da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB); Wagner Gomes, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e José Calixto Ramos, da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), o fundamental é que a população seja informada, para que dimensione o tamanho da falsidade que vem sendo divulgada pelo PSDB.

“A verdade”, esclareceram, é que “o seguro-desemprego foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. Sua regulamentação ocorreu em 30 de abril daquele ano, através do decreto nº 92.608, passando a ser concedido imediatamente aos trabalhadores”. Da mesma forma, “o FAT foi criado pelo Projeto de Lei nº 991, de 1988, de autoria do deputado Jorge Uequed (PMDB-RS). Um ano depois Serra apresentou um projeto sobre o FAT (nº 2.250/1989), que foi considerado prejudicado pelo plenário da Câmara dos Deputados, na sessão de 13 de dezembro de 1989, uma vez que o projeto de Jorge Uequed já havia sido aprovado”.

Na Assembleia Nacional Constituinte (1987/1988), o candidato tucano votou reiteradamente contra os trabalhadores, assinala o manifesto: “Serra não votou pela redução da jornada de trabalho para 40 horas; não votou pela garantia de aumento real do salário mínimo; não votou pelo abono de férias de 1/3 do salário; não votou para garantir 30 dias de aviso prévio; não votou pelo aviso prévio proporcional; não votou pela estabilidade do dirigente sindical; não votou pelo direito de greve; não votou pela licença paternidade; não votou pela nacionalização das reservas minerais”.

Por isso, recordam os sindicalistas, “o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), órgão de assessoria dos trabalhadores, deu nota 3,75 para o desempenho de Serra na Constituinte”. Vale lembrar que no primeiro turno da Constituinte, o atual candidato tucano tirou nota 2,50 e, no segundo turno, por se ausentar em várias votações em que havia votado contra, levou nota 5,0 – o que lhe elevou a média para 3,75.

Já em 1994, diante da proposta de Revisão Constitucional, lembram as centrais, “Serra apresentou a proposta nº 16.643, para permitir a proliferação de vários sindicatos por empresa, cabendo ao patrão decidir com qual sindicato pretendia negociar. Ainda por essa proposta, os sindicatos deixariam de ser das categorias, mas apenas dos seus representados. O objetivo era óbvio: dividir e enfraquecer os trabalhadores e propiciar o lucro fácil das empresas. Os trabalhadores enfrentaram e derrotaram os ataques de Serra contra a sua organização, garantindo a manutenção de seus direitos previstos no artigo 8º da Constituição”.

Conforme o manifesto, “é por essas e outras que Serra, enquanto governador de São Paulo, reprimiu a borrachadas e gás lacrimogêneo os professores que estavam reivindicando melhores salários; jogou a tropa de choque contra a manifestação de policiais civis que reivindicavam aumento de salário, o menor salário do Brasil na categoria; arrochou o salário de todos os servidores públicos do Estado de São Paulo”.

“As Centrais Sindicais brasileiras estão unidas em torno de programa de desenvolvimento nacional aprovado na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em 1º de junho, com mais de 25 mil lideranças sindicais, contra o retrocesso e para garantir a continuidade do projeto que possibilitou o aumento real de 54% do salário mínimo nos últimos sete anos, a geração de 12 milhões de novos empregos com carteira assinada, que acabou com as privatizações, que descobriu o pré-sal e tirou mais de 30 milhões de brasileiros da rua da amargura”, conclui o documento.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O malabarismo do Ibope para chancelar a fraude da ‘Folha’

Em apenas 9 dias aumentou acintosamente 4 pontos para Serra e diminuiu 1 de Dilma

No dia 24 de junho, o Ibope publicou uma pesquisa em que a candidata Dilma Rousseff aparecia com 40% das preferências de voto a presidente entre os pesquisados - e o candidato José Serra aparecia com 35%. Por região, Dilma vencia em todas, com exceção do Sul. Tinha também a preferência dos pesquisados de todas as faixas de renda, com exceção daquela de renda familiar acima de 10 salários-mínimos. A pesquisa, segundo o Ibope, fora realizada nos dias 18 a 21 de junho.

Agora, no dia 4 de julho, portanto, 10 dias depois da divulgação da anterior, o Ibope apareceu com outra pesquisa, datada de 27 a 30 de junho. Portanto, passaram-se apenas nove dias entre uma e outra.

Pois, em nove dias, segundo o Ibope, Serra aumentou quatro pontos percentuais e Dilma caiu um – empatando em 39% para cada um. Repare o leitor que isso significaria, projetado para o conjunto do eleitorado, que mais ou menos oito milhões de eleitores mudaram seu voto em nove dias, sem que nada justificasse ou explicasse tal mudança.

Pois, qual foi a comoção nacional que aconteceu entre uma pesquisa e outra para que houvesse tal alteração? Certamente, não foram as chuvas no Nordeste, pois, segundo o próprio Ibope, a única mudança que houve nessa região foi o aumento da preferência por Dilma.

Também não pode ter sido o que diz o Ibope - que Serra teria aumentado 4 pontos por causa das “inserções comerciais ocorridas na segunda quinzena do mês de junho”. Tais inserções têm pouca ou nenhuma importância diante da confusão, nesses mesmos dias, da escolha de seu candidato a vice – talvez a maior esculhambação pública que uma chapa a presidente já exibiu ao país, com seus próprios partidários chamando a escolha, de Álvaro Dias ao ignoto (exceto pela merenda) Índio da Costa, de “palhaçada” e outros termos igualmente ternos.

O único fato que realmente pode explicar a última pesquisa do Ibope é outra pesquisa: a do Datafolha, divulgada no dia 2 de junho.

ALINHAMENTO

Os resultados do Ibope só têm um sentido: alinhar as pesquisas serristas. O ex-poderoso instituto do sr. Montenegro ficou reduzido, nestas eleições, ao papel secundário de respaldar o Datafolha. Também... vide a entrevista do sr. Montenegro à “Veja” de 22/08/2009: “Lula não fará seu sucessor (…) A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. [Serra] (…) é naturalmente favorito”.

Depois dessas previsões, baseadas em suas científicas pesquisas, eis o que ocorreu este ano:

1) Com todas as pesquisas apontando o crescimento de Dilma e a queda de Serra, no dia 27 de março o jornal “Folha de S. Paulo” divulgou uma, de seu instituto, o Datafolha, em que Serra tinha uma diferença de 10 pontos em relação à Dilma (38% a 28%). O escândalo foi tão grande, era tão evidente que aquilo não correspondia à realidade que até um editorialista do jornal, Clóvis Rossi, protestou.

2) Três dias depois, o Instituto Vox Populi realizou pesquisa e Dilma aparecia empatada tecnicamente com Serra (ou seja, a diferença estava na margem de erro da pesquisa - 34% a 31%.

3) O Instituto Sensus, em pesquisa realizada de 5 a 9 de abril, obteve quase o mesmo resultado: Dilma com 32,4% contra 32,7% de Serra. Depois disso, o Datafolha, o PSDB e também o Ibope acusaram os outros institutos de erros na metodologia; o PSDB processou o Sensus, mas nada de irregular foi achado na pesquisa; por fim, houve a teoria (propugnada pela “Veja”) de que todos os resultados estavam certos, apesar da realidade ser a mesma e os resultados serem diferentes, isto é, opostos. Não colou.

4) Dezessete dias depois do Vox Populi e oito dias depois do Sensua (portanto, menos de um mês após sua própria pesquisa anterior), a “Folha” reincidiu, publicando pesquisa em que Serra estava 12 pontos na frente. O escândalo redobrou, com a Procuradoria eleitoral aceitando ação de Eduardo Guimarães, do “Movimento dos Sem Mídia”, para que as pesquisas fossem auditadas pela Polícia Federal.

5) Também em meados de abril, o Ibope lançou uma pesquisa em que Dilma aparecia 8 pontos atrás de Serra (40% a 32%). O Ibope queria respaldar o Datafolha, mas sem se arriscar tanto.

6) O Vox Populi, em pesquisa nos dias 8 e 13 de maio, achou 38% para Dilma e 35% para Serra.

7) O Sensus (pesquisa entre 10 e 14 de maio) constatou: Dilma com 35,7%; Serra, 33,2%.

8) No dia 22 de maio, o Datafolha dava Dilma e Serra como empatados, ambos com 37%. Não conseguindo impor seu candidato, recuava-se para o empate, prontamente martelado por todos os órgãos serristas, para tentar conter o crescimento de Dilma.

9) No início de junho, o Ibope divulgou outra pesquisa: nesta, Dilma e Serra também apareciam empatados com 37%. Outra vez o Ibope buscava respaldar a “Folha”.

10) Porém, no dia 24 de junho, o Ibope divulgou que em sua última pesquisa Dilma alcançara 40% contra 35% de Serra. Mas logo voltaria ao papel de respaldo do Datafolha.

11) Então, no dia 2 de julho, o Datafolha reincidiu no empate (39% contra 38% de Dilma), tentando segurar o que sobrara da campanha de Serra. Ao contrário do Ibope, que subiu-o nas regiões Norte/Centro-oeste, o Datafolha fez com que subisse 12 pontos no Sul (38% para, pasmem, 50%).

12) No dia 4 de julho, o Ibope passou por cima de sua própria pesquisa e seguiu outra vez o Datafolha, igualando Dilma e Serra em 39%. Seguiu a reboque do Datafolha, procurando respaldá-lo.

Resta analisar rapidamente a pesquisa do Ibope.

O que teria ocorrido para que nas regiões Norte/Centro-oeste, se acreditarmos no Ibope, Serra tenha aumentado 9 pontos em uma semana ou pouco mais (34% para 43%)?!! O que aconteceu no Sudeste, em que Serra foi de 36% para 41% - invertendo a posição da última pesquisa do Ibope, numa região onde Dilma está anos-luz à frente no Rio de Janeiro e amplia sua vantagem em Minas?! Todos esses cinco pontos em pouco mais de uma semana teriam saído de São Paulo, justamente no momento em que seu desgaste é sensivelmente maior (e tende a aumentar) nesse Estado?

Quanto à distribuição das preferências por faixa de renda, há dois milagres do Ibope que merecem registro: primeiro, Serra aumentou quatro pontos, em nove dias, nos eleitores com renda familiar entre 1 e 2 salários-mínimos – provavelmente, devido ao pessoal ter reconhecido que foi ele que inventou o bolsa-família (e também o sorvete de sapoti, o que aconteceu um pouco depois de ter construído a Torre Eiffel, o Empire State Building e as pirâmides do Egito).

FAIXA

Uma semana antes, a única faixa em que Serra tinha alguma vantagem era aquela dos que têm renda familiar superior a 10 salários-mínimos (43% contra 27% de Dilma). Até na faixa entre 5 e 10 salários-mínimos, Dilma batia Serra (39% contra 31%).

Agora, na segunda pesquisa, essa última faixa foi abolida. Como, dirá a leitora, abolida? Sim, leitora, as duas faixas superiores de renda (“5 a 10 salários mínimos” e “mais de 10 salários mínimos”) foram reunidas numa única faixa (“mais de 5 salários mínimos”) em que Serra está com 50% e Dilma com 31%. Assim, sumiu a faixa em que Dilma estava na frente de Serra.

Bancada ruralista no Congresso se mobiliza para tornar ilegal decreto que regulamenta terras quilombolas

Nas últimas semanas o Instituto de Terras do Pará (Iterpa) criou 12 novos Territórios Estaduais Quilombolas. Todos localizados no município de Moju. O Iterpa também demarcou o Território Estadual Quilombola de Gurupá, localizado no município de Igarapé-Açu, e o Território Estadual Quilombola de Nossa Senhora do Livramento, em Nova Timboteua. É o tipo de ação que, se por um lado, reconhece direitos dos descendentes de escravos no Brasil, por outro enseja revoltas por parte da bancada ruralista do Congresso Nacional, que busca judicialmente tornar ilegal a regulamentação das terras quilombolas no País.
Capitaneada pelo DEM, a bancada ruralista entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade do Decreto 4887/2003, que é responsável por regulamentar a titulação de terras quilombolas no Brasil. A ação já está no Supremo Tribunal Federal apenas esperando ser julgada.
Caso o STF venha a declarar a inconstitucionalidade, a consequência imediata é que irá anular o decreto desde o início de sua edição. Ou seja, todos os territórios quilombolas demarcados desde 2003 deixariam de ter validade. As famílias que vivem nessas comunidades perderiam a titularidade das terras e o dinheiro dos projetos que foram investidos nelas também se perderiam.
“É um retrocesso na medida em que retira direitos consignados de segmentos sociais que por sua história de luta e exclusão fazem jus aos avanços conquistados, mas também do ponto de vista social pelo imobilismo provocado em função da dificuldade real de acessar as políticas públicas já estabelecidas”, avalia a socióloga Graça Amaral, responsável pelo projeto Populações Tradicionais e de Reservas Extrativistas, da Emater. Segundo ela, uma das consequências seria o aprofundamento do processo de exclusão a que “historicamente sempre foram submetidas essas populações”.
No governo estadual o posicionamento é contrário ao do DEM. Em nota, o Institito de Terras do Pará, Iterpa, diz que defende a constitucionalidade do decreto 4.887/2003 que regulamenta “o procedimento para a identificação, reconhecimento, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes de comunidades quilombolas”.
Ameaça a 400 comunidades no Pará
Segundo o Iterpa, o Pará vem se consolidando como o estado brasileiro que mais entregou Títulos de Terras quilombolas no País. Por isso, “ratifica a importância do reconhecimento da propriedade definitiva para qualquer comunidade remanescente de quilombos”. No Pará, até o ano passado, existiam mais de 400 comunidades quilombolas identificadas. Atualmente, mais de 120 são tituladas e possuem território delimitado. Em todo o Brasil, existem comunidades quilombolas em 24 estados. O processo de titularidade chega a levar um ano.
A atual legislação sobre a titulação de terras quilombolas foi considerada um avanço por especialistas no assunto. Mas, desde 2004, o então Partido da Frente Liberal, atual Democratas, luta para derrubar o decreto. “Não conseguiram liminar no Supremo. Isso significa que o decreto continua valendo”, afirma o procurador da República Felício Pontes Jr.
O Ministério Público Federal acompanha o caso de perto. Segundo Felício Pontes, o que o DEM pretende não encontra respaldo jurídico. “Não tem fundamento de inconstitucionalidade”, diz o procurador.
Segundo ele, o argumento do partido não tem consistência. “Dizem que a matéria deveria ser tratada por lei e não por decreto presidencial. Só que já existem duas leis que tratam diretamente do assunto. A lei 9649, de 1988, e a lei 7668, de 1988, que já regulamentam e disciplinam em termos gerais como se delineam os quilombolas”.
O procurador diz que a demarcação das áreas baseia-se não nas terras originárias dos ex-escravos, mas sim onde estão os descendentes. “É onde eles vivem e produzem”, afirma.
Se o decreto for revogado pelo Supremo, a titulação passa a obedecer ao decreto 3912, de 2001. É um decreto que só reconhecia terras como quilombolas as que estavam ocupadas por remanescentes das comunidades no período de promulgação da Constituição de 1988. “Mas não acredito que o Supremo vá decidir a favor da inconstitucionalidade”, afirma Felício Pontes Jr.
< O Observatório Quilombola publica todas as informações que recebe, sem descartar ou privilegiar nenhuma fonte, e as reproduz na íntegra, não se responsabilizando pelo seu conteúdo.>

terça-feira, 6 de julho de 2010

DESEJO

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".

ex-ministra amplia vantagem sobre Serra

O levantamento Vox Populi/Bandeirantes, divulgado na última quarta-feira (30), confirmou a tendência captada pelo instituto que desde o início de maio já tinha apontado Dilma na liderança da eleição para presidente. Os dados da pesquisa estimulada do Vox Populi apontaram que Dilma tem 40% das intenções de voto, contra 35% de Serra.

A ex-ministra abre 5 pontos de vantagem sobre o candidato do PSDB. Marina Silva apareceu no levantamento com 8%. Brancos e nulos somaram 5% e os indecisos 2%. A pesquisa espontânea também registrou vantagem para a petista, com um placar de 26% a 20% entre os dois principais candidatos.

O levantamento, feito de 24 a 26 de junho, também mostrou que Dilma venceria um eventual segundo turno, com 44% a 40%. A margem de erro da pesquisa é de 1,8 ponto percentual.

O resultado coincide com os números apresentados pelo Ibope na semana passada. Mas a sequência de pesquisas do Vox Populi tem mostrado um crescimento constante de Dilma. Já o Ibope só mostrou esse crescimento na semana anterior, quando percebeu que não dava mais para seguir a fraude do Datafolha, que em 25-26 de março deu uma estranha vantagem de 10 pontos para Serra (38% a 28%), quando em 30-31 de março o Vox Populi indicava que Dilma estava avançando sobre o tucano com 31% a 34%. Depois o Datafolha insistiu na fraude dizendo que havia um empate em 37% (20-21 de maio), quando a pesquisa do Vox feita entre 8 e 13 de maio já apontava Dilma com 38% e Serra com 35%. O instituto Sensus também confirmou o crescimento da ex-ministra da Casa Civil na pesquisa entre 10 e 14 de maio que deu Dilma com 35,7% e Serra 33,2%.