segunda-feira, 14 de junho de 2010

APRESENTAÇÃO DO PÁSSARO TEM TEM

DIA 18: TEATRO DO CENTUR

DIA 19: MEMORIAL DOS POVOS IMIGRANTES

HORA: 19:00

ENTRADA FRANCA

Fundado por um grupo de amigos na praia do cruzeiro no Distrito de Icoaraci, Belém - Pará em 30 de Maio de 1930, O Pássaro Junino teve como seu 1º Guardião o Sr. Manoel da Silva (Peixe Frito). Após seu falecimento sua família transferiu a direção do Grupo para o Sr. Raul Almeida, também residente em Icoaraci, mais tarde mudou-se para Belém levando consigo o grupo.

Em Belém, após o falecimento do Sr. Raul, o grupo passou a ser dirigido por Feliciano, cujo sobrenome ignora-se. Sabe-se, porém, que o mesmo era organizador do Boi-Bumbá “Novo Querido” e do Parque de Diversões “Prado Novo” no bairro do Telégrafo (Rua Djalma Dutra). O Grupo ficou por pouco tempo com o Sr. Feliciano e que o esmo, chama o Sr. Aldifax de Campos Jordão, mais conhecido como seu Antonio, para que viesse tomar conta do Tem- Tem haja vista que, o Sr., Antonio era simpatizante e colaborador do grupo o mesmo aceitou o desafio e dirigiu o grupo até 1977.

Mais tarde devido uma grande enfermidade o Sr. Aldifax manda chamar o Sr. João Ramos, conhecido por João de Guapindaia, que além de ser brincante do Tem – Tem, seu João era também, Pai de Santo. Seu João aceitou o Convite, desse ano até o ano de 2.000 Seu João Guapindaia, conduziu o Pássaro. O mesmo ( João) tinha um grande zelo pelo grupo e seus brincantes. Já doente chama a Srta. Marilza Tavares que era brincante do grupo junto com sua irmã e seu irmão, para que viesse deixar o Tem – Tem a ensaiar em sua residência no bairro do Guamá, mais, com a seguinte condição que o Pássaro saísse de sua residência no Bairro da Pedreira e mesmo depois de seu falecimento ela ( Marilza) não deixasse o Grupo acabar. Marilza em conjunto com sua família aceitaram. No ano de 2003 seu João falece isso no mês de Maio, mês em que o Grupo estava preparando-se para sair, chega a noticia de seu falecimento. A Família do Sr. João manda chamar Marilza e seus familiares para que dessem continuidade com o Grupo, coisa que seu João também deixou escrito e, até os dias de hoje Marilza e sua família conduzem com recursos próprios o Tem – Tem. O Grupo participou de diversos Concursos realizados pela Prefeitura Municipal de Belém através da Fumbel, Secult em conjunto com a Associação dos Grupos de Folclore de Belém. Sendo Tri Campeão pela Secult e Campeão do último concurso realizado pela FUMBEL. Ganhou 2 Editais do Minc Mestre Duda 100 anos de Frevo e Mestra Dona Izabel, já no Governo do Estado Ganhou o Prêmio Culturas Populares Adelermo Matos e ainda foi selecionado no Edital de Pautas Unificados dos Teatros onde este Grupo apresentará o Espetáculo “ A JUSTIÇA DE PIAPOTIRA” no Teatro da Paz no mês de Junho, de autoria do Sr. Raimundo Souza ( Casquinho) adaptado por Pedro da Conceição e readaptado pelo Mestre ( reconhecido pelo Minc em 2004) e Afro Religioso Antonio Ferreira. Participando do elenco 65 atores entre crianças, adolescentes, jovens e adultos tod@s do bairro do Guamá.

A JUSTIÇA DE PIAPOTIRA

SINOPSE

Em meados do século XVIII, existia na Amazônia uma família que era comandada por um marques Chamado Valério de Bolema que tinha duas filhas, Valquiria ( uma moça má, que sempre jogava toda sua família de contra o Pai) , Paulo e Frinéia essa era apaixonada por um caçador que também tinha um título nobiliárquico (Conde Eduardo de Luprê) e uma esposa cujo nome era Cláudia de Bolena. Esse mesmo Marques foi com um de seus empregados ( na época eram conhecidos como lacaio) era ambicioso ao ponto de preparar uma emboscada e atiçar os índios da aldeia de Agaiagnê, Essa emboscada era para acabar com uma família cujo seu líder era Ricardo Devalon ( Conde) que possuía uma esposa Ruth( Valério era apaixonado) Dyracy ( tinha 2 anos) e Diromar ( que estava com seus avós passando uns tempos). Nessa incitação os índios pensaram que Ricardo teria desrespeitado suas terras chegando agredir o Conde ao ponto da esposa ser morta ele, cego e levaram sua filha. Após 17 anos Ricardo volta as suas propriedades e relata tudo para sua filha ( Diromar) que por ter perdido sua mãe, seus avó, sua irmã e vendo seu pai cego, tornou-se uma mulher má ( Feiticeira). Ao término do relato, Diromar promete destruir Valério através de seu filho ( Paulo) conquistando o seu coração. Mais tarde Ricardo e Diromar são presos pelos índios que tinha uma índia favorita chamada de Piapotira, essa que deu ordem para que a prisão acontecesse pois, queria conversar com Ricardo, no meio de sua conversa ela relata que Ricardo era seu Pai o mesmo falou ( Eu sabia, eu sabia, o meu coração de Pai não me enganava, minha filha, minha querida dyracy como sofro em não poder expandir minha alegria neste momento sublime e venturoso em que a misericórdia de nosso Pai Celestial derrama seu amor como bálsamo nas chagas de um coração indolarado de um pobre. Minha filha!!Eu queria ter aventura de poder enxegár-te, mais não posso, por que a maldade do mundo roubou-me esse direito de Pai). Ao término dessas palavras Piapotira jura por Tupã ( seu Deus) que iria se vingar do maldito marques de são lourenço o verme púdrido que o mundo conhecia como Valério de Bolena. Feita essa jura Diromar disse-lhe que também participaria, as duas em conjuntos com os índios seqüestraram Cláudia e Frinéia. Cláudia foi morta na frente da sua filha enquanto Frinéia ficou cega ( Assim como o meu Pai tem vivido nas trevas, tu também irás viver – Palavras de Piapotira). Mais tarde vem a descoberta, Diromar, aparece para Valério e lhe diz que Ricardo Devalon era seu Pai, com esse esclarecimento Valério começa a apresentar sintomas de loucuras, Diromar manda Piapotira apresentar Frinéia ( Cega) que diz a Paulo, Eduardo, Valquiria, Eliana ( Dama de Companhia) que os Índios antes de a cegarem teriam matado Cláudia com essa informação, Piapotira manda Kayaganê apresentar para Valério sua esposa, o mesmo ao ver enlouquece de vez, ao ponto de falar com sua esposa morta. Paulo dia para Diromar o porquê disso tudo, pois ele acreditava em seu amor, a mesma relata que ela não o amava tudo foi uma encenação. Paulo com raiva atira em Diromar quando vai para matar Piapotira um dos índios o mata com uma flechada. E com isso Piapotira fez sua Justiça. Valério termina como louco e Valquiria com remoço e pena de seu Pai.

FICHA TÉCNICA

Guardiã: Marilza Tavares

Diretor Artístico e Produtor : Mestre Antonio Ferreira

Assistente de Direção: Raimundo Roldão.

Sonoplasta: Clayton Ferreira

Figurinista e Costureira : Maria Eliete e Raimunda Amaral

Bordadeiros/as : Carlos Alberto, Sandro, Madalena, Joice Gomes e Marilza Tavares

Assistente de Palco: Antonio Carlos Ferreira , José Luiz e Gilberto

ELENCO:

Valério de Bolena _______________________________________Raimundo Roldão

Cláudia de Bolena _______________________________________Creuza Santos

Paulo de Bolena _________________________________________Bruno

Valquiria de Bolena ______________________________________ Ana Lúcia

Frinéia _________________________________________________ Olinda Charone

Eliana (Dama de Companhia) _______________________________ Flávia

Eduardo de Luprê ( Caçador) ________________________________ Silvio Silva

Ricardo de Valon _________________________________________Antonio Ferreira

Ruth de Valon ___________________________________________ Joice Gomes

Diromar ( Feiticeira) ______________________________________ Tais Amaral

Mrian ( Fada) ____________________________________________ Karine Jansen

Eraldo ( Lacaio) __________________________________________ Lucas Mesquita

Tem Tem ( Porta Pássaro) ___________________________________Darlene Ramos

MATUTAGEM

Vidêncio ( Matuto Paraense) __________________________________ Valmir Santos

Chifornésia ( Esposa do Paraense) ______________________________ Graça

Mituca ( Filho do Casal ) _____________________________________ Adélcio

Demetério ( Cearense) _______________________________________ Evandro

Xerumbina ( Filha do Cearense) ________________________________ Michelle

Cabo Maravilha _____________________________________________ Alberto

MALOCA

Acaiganê ( Morubichaba) ____________________________________ Erivan

Piapotira ( Índia Favorita) ____________________________________ Daiana Santos

Tianubia ( 1º Guerreiro) _____________________________________ Carlos Alberto

Kirimauá ( 2º Guerreiro) ______________________________________ Sandro

Jandira ( Tuxaua) ____________________________________________ Sueli

E mais a maloca

Madalena, Socorro, Jarinete, Marlene

Corpo de Balé comandado por Lais Amaral e Edinaldo

SEPPIR faz acordo com DEM para votar Estatuto da Igualdade

Brasília - O senador Demóstenes Torres (DEM-Goiás), que em março passado tentou fazer a revisão da história negando um dos aspectos mais perversos do escravismo - o estupro das mulheres negras -, conseguiu o que parecia impossível: um acordo com a SEPPIR para votar o Estatuto da Igualdade Racial.

O texto do relator que irá à votação suprime pontos como as cotas – já implantadas em mais de 90 universidades brasileiras – rejeita qualquer menção as desigualdades “derivadas da escravidão”, nega a existência de uma identidade negra no país e repõe os pressupostos do mito da democracia racial, que negam os efeitos do racismo.

Com o acordo o projeto do Estatuto na versão Demóstenes, será votado na sessão da próxima quarta-feira, dia 16 de junho, a partir das 10h, um dia depois da estréia do Brasil na Copa do Mundo e às vésperas do recesso parlamentar de julho.

Aval do ministro

A Afropress apurou que o acordo teve o aval do ministro chefe da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo (foto). O senador Paulo Paim – autor do projeto do Estatuto apresentado em 2003 -, também participou das negociações. Paim, porém, mostrou-se resistente as alterações feitas por Demóstenes e evitou, até o momento, fazer declaração pública defendendo o acordo.

A jornalista Sandra Almada, da Assessoria de Comunicação da SEPPIR, não quis falar sobre os termos do acordo, mas adiantou que nesta sexta-feira (11/05) será distribuído documento com a posição da Secretaria defendendo o entendimento para aprovação do projeto como um primeiro passo.

A SEPPIR defende que o texto de Demóstenes mantém uma série de avanços e ao mesmo tempo abre espaço para negociações futuras. O entendimento é de que “se trata de um passo, um ponta-pé inicial que terá vários desdobramentos .

Retrocesso

O senador Demóstenes Torres mantém na sua versão do Estatuto as posições defendidas na Audiência Pública, promovida em março deste ano pelo Supremo Tribunal Federal para discutir as ações afirmativas e cotas na Universidade de Brasília (UnB).

O senador demista tornou-se o pivô de uma polêmica e despertou a indignação, especialmente das mulheres, ao propor a revisão da história, fazendo a defesa de que as mulheres negras teriam consentido nos estupros em massa de que foram vítimas no período do escravismo.

No texto, o senador goiano é enfático na defesa do mito da democracia racial. “Geneticamente, raças não existem. Na medida em que o Estado brasileiro institui o Estatuto da Igualdade Racial, parte-se do mito da raça. Deste modo, em vez de incentivar na sociedade brasileira a desconstrução da falsa idéia de que raças existem, por meio do Estatuto referido o Estado passa a fomentá-la, institucionalizando um conceito que deve ser combatido, para fins de acabar com o preconceito e com a discriminação“, afirma.

Ele também nega os efeitos do racismo – que aparece em todos os indicadores sócio-econômicos -, rejeita qualquer menção a raça no Estatuto, nega-se a reconhecer a existência de uma identidade negra no Brasil (“o que existe é uma identidade brasileira”) e minimiza os efeitos da cultura da discriminação que atinge predominantemente negros.

“Não existe no Brasil uma “identidade negra”, paralela a uma “identidade branca. O que existe é uma identidade brasileira. Apesar de existentes, o preconceito e a discriminação no País não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e miscigenada, na qual os valores nacionais são vivenciados pelos negros e pelos brancos”, conclui.

O senador goiano do Democratas vai além. “Encontram-se elementos da cultura africana em praticamente todos os ícones do orgulho nacional, seja na identidade que o brasileiro tenta construir, seja na imagem do País difundida no exterior, como samba, carnaval, futebol, capoeira, pagode, chorinho, mulata e molejo.

Desse modo, acrescenta, existem valores nacionais brasileiros que são comuns a todos os tipos e cores que formam o povo. Por nunca ter havido a segregação das pessoas por causa da cor, foi possível criar um sentimento de nação que não distingue a cultura própria dos brancos da cultura dos negros”.

Estranheza

Por enquanto, apenas os APNs – Agentes Pastorais Negros, organização com origens na Igreja Católica -, assumiram publicamente a defesa do acordo com Demóstenes. Segundo o coordenador nacional dos APNs, Nuno Coelho, “não é o momento de discutirmos os pontos frágeis do projeto e nem criarmos embate com os contrários a versão final do Estatuto, mas sim de garantirmos a imediata aprovação deste documento que será objeto de emendas no futuro”.

Coelho está mobilizando os Agentes pastorais negros para estarem em Brasília e o movimento negro para lotar as galerias do Senado para pressionar os parlamentares. Não explica o porque haveria a necessidade de pressão se já houve um acordo, inclusive avalizado pela SEPPIR.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Presidente institui 17 de maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia

Presidente institui 17 de maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia
Segmento apoiado pela SID/MinC comemora em todo o país

comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) está comemorando em todo o país a instituição, por meio de decreto presidencial, do dia 17 de maio como o Dia Nacional de Combate à Homofobia. O Decreto de 4 de junho de 2010 foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira, dia 7, na Seção I, Página 5. O documento foi assinado, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da realização da 14ª Parada de Orgulho Gay que aconteceu no domingo, dia 6, em São Paulo, reunindo cerca de 3,2 milhões de pessoas.

Para o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, o decreto presidencial é o reconhecimento governamental de que a homofobia existe no Brasil e que é preciso ter ações concretas para diminuir ou acabar com o preconceito, a discriminação e o estigma contra a comunidade LGBT. Ele informa que a ABGLT encaminhou ofício ao presidente da república pedindo a instituição da data no dia 29 de março de 2010.

“Esperamos que o exemplo do Brasil seja seguido pelos 75 país que criminalizam a homossexualidade e pelos 7 países em que há pena de morte para os homossexuais”, comentou Reis. Segundo ele, o segmento foi informado da assinatura do Decreto criando a data ainda na sexta-feira durante a realização do 10º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, promovido na capital paulista pela Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo.

Reis parabenizou o governo Lula, sobretudo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República pelo empenho em aprovar o Decreto. “Ele (o decreto) vem para coroar a continuidade do Programa Brasil Sem Homofobia; a realização da 1ª Conferência Nacional LGBT; a criação da Coordenação Nacional LGBT, do Conselho Nacional LGBT e do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT”, observa o presidente da ABGLT.

O dia 17 de maio de 1990 foi o dia em que a Assembleia Mundial da Saúde, órgão máximo da Organização Mundial da Saúde (OMS), retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Desde então, a data é celebrada internacionalmente como o Dia de combate à Homofobia.

O movimento LGBT conseguiu, no final de maio, mais duas vitórias junto ao Governo Federal na sua luta em defesa dos direitos dos integrantes do segmento. A primeira dá direito aos companheiros homoafetivos dos homossexuais que são servidores do Ministério das Relações Exteriores de terem passaportes oficiais ou diplomáticos. A outra vitória trata da permissão de uso para os servidores, no âmbito da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, do nome social adotados por aqueles que são travestis ou transexuais.

Para o secretário da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Américo Córdula, que representou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, na 14ª Parada de Orgulho Gay, o combate à homofobia, que já fazia parte do Programa Brasil sem Homofobia, é fundamental na luta pelo direito à dignidade e o respeito à diferença no Brasil. “A SID criou, em 2004, um Grupo de Trabalho para fomentar as manifestações culturais do segmento LGBT em todo o país”, informa Córdula. Segundo ele, a SID/MinC apoia, desde 2005, a realização das Paradas de Orgulho LGBT e já realizou dois concursos culturais voltados para o segmento, além de dois prêmios culturais (2008 e 2009) que contemplaram 60 projetos culturais desenvolvidos por pessoas da comunidade LGBT.

terça-feira, 8 de junho de 2010

“SISTEMA NACIONAL DE CULTURA JÁ: um direito cidadão”

O artigo 215 da Constituição Federal institui que o “Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais”, o acesso a cultura como direito cidadão. Ao longo da nossa história esse direito não está sendo exercitado: a maior parte da população não tem garantido o acesso a teatros, museus, cinemas, apresentações de dança, teatro, circo, entre outros bens culturais, bem como a classe artística, a continuidade de sua produção cultural e sua circulação.

É preciso conquistá-lo. Nesse momento há um conjunto de Propostas de Emendas Constitucionais e Projetos de Lei transitando no Legislativo que pretende transformar essa realidade implantando o Sistema Nacional de Cultura. A proposta é criar uma adesão nacional solicitando URGENTE aprovação pelo legislativo através do movimento “SISTEMA NACIONAL DE CULTURA JÁ: um direito cidadão”.

Apelamos a todos a enviar mensagens para deputados, senadores e poder executivo para que aprovem as leis:

Sugerimos que seja feito de maneira individual através de assinatura eletrônica no documento anexo e também o envio desse mesmo texto, através de seus Fóruns, Movimentos, coletivos, grupos, instituições, ONGs, OSCIPs e outras organizações.

VAMOS ENCHER A CAIXA DE MENSAGENS DOS POLÍTICOS PARA APROVAREM JÁ A NOSSA LEI DA CULTURA E COMPARECER AO CONGRESSO NACIONAL, SE POSSÍVEL.

MOVIMENTO “SISTEMA NACIONAL DE CULTURA JÁ: um direito cidadão”

A favor da aprovação imediata nas diferentes instâncias do Congresso Nacional, do Sistema Nacional de Cultura integrado pelas seguintes Propostas de Emendas Constitucionais e Projetos de Lei:

PEC No. 416/2005, que institui o Sistema Nacional de Cultura;

PEC No.150/2003, para destinação de recursos à cultura;

PEC No. 236/2008, para inserção da cultura no rol dos direitos sociais no Art. 6º da Constituição Federal;

Projeto de Lei que institui o Plano Nacional de Cultura;

Projeto de Lei que institui o Programa de Fomento e Incentivo à Cultura – PROCULTURA;

Projeto de Lei de Regulamentação do Sistema Nacional de Cultura;

E a Lei Nacional da Cultura

POR QUÊ UM SISTEMA NACIONAL DE CULTURA?

Garantir o acesso, a proteção, e promoção da diversidade cultural brasileira;

Legitimar o Sistema Nacional de Cultura como instrumento de articulação e promoção de políticas publicas de cultura com participação e controle da sociedade civil, envolvendo todos os entes federados (instâncias municipal, estadual e distrital).

O Movimento emergiu a partir da realização do SEMINÁRIO NACIONAL DE DANÇA: sociedade civil, organizações e os espaços de participação que contou com a participação:

Fórum de Dança da Bahia

Fórum de Dança de Curitiba

APRODANÇA/SC

ASGADAN/RS

Contacto Associação Cultural/ PR

Emovimento Consultoria e Produção/PR

Universidade Estadual de Santa Catarina

Grupo de Dança da Faculdade de Artes do Paraná/ PR

Muovere Cia de Dança Contemporânea/ RS

Secretaria Municipal de Cultura de Votorantim/SP

Academia Romani/ Guarapuava

José Maria de Almeida Júnior - Conselheiro Municipal de Cultura da cidade de Londrina

Danieli Pereira - Diretora de Produção do Ballet de Londrina e Coordenadora do Festival de Dança de Londrina

Entrando em Contato/SC

Ronda Grupo de Dança e Teatro/SC

Ana Maria Alonso Krishcke/ SC

MDC Mobilização Dança Contemporânea de Curitiba

Hany Lissa Morgenstern/Curitiba-PR

TrirA Centro de Artes & Aprimoramento Humano/PR

Projeto Dentro da Dança – Lisa Jaworski Produções

5inco Dança Cênica – Jaraguá do Sul/SC

Entretantas Produções - movimentando ideias /PR

Fórum de Artes Visuais - Paraná

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Indígenas elegem liderança Pankararu para conselheira

Culturas Indígenas
Indígenas elegem liderança Pankararu para conselheira do CNPC
A liderança indígena Pankararu Maria das Dores do Prado é a nova conselheira do Colegiado de Culturas Indígenas junto ao Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). Ela foi eleita pelos membros do Colegiado do segmento durante encontro nos últimos dias 31 de maio e 1º de junho, no Hotel St. Paul em Brasília. Além da titular Dora Pankararu, o Colegiado de Culturas Indígenas elegeu ainda, como suplente, Sérgio dos Santos, da etnia Galibi Marworno, do Amapá.
Nascida em uma aldeia Pankararu do interior do Pernambuco, Maria das Dores lidera uma comunidade da etnia, formada por cerca de 2 mil pessoas, que está situada no estado de São Paulo desde a década de 50. A nova conselheira do CNPC começou a atuar na defesa dos Pankararu a partir de 1997 e, em 2004, passou a integrar também o Conselho Estadual dos Povos Indígenas.
“Agora terei um desafio maior que é representar, politicamente, toda a diversidade dos povos étnicos existentes no nosso país. Terei oportunidade de trabalhar pelo coletivo do segmento, levando em conta toda a complexidade das nossas comunidades indígenas”, declarou a pedagoga Dora Pankararu depois de eleita como representante do Colegiado no CNPC. Ela acredita que a sua eleição foi um reconhecimento do grupo pelo seu trabalho em defesa da cultura dos povos indígenas.
Plano Nacional e Fundo Setorial do segmento
Os novos membros do Colegiado, eleitos na etapa setorial da II Conferência Nacional de Cultura, no início de março, em Brasília, discutiram também minuta de propostas para a elaboração do Plano Nacional de Culturas Indígenas, além dos projetos prioritários do segmento que terão investimentos dos recursos do Fundo Setorial de Culturas Indígenas.
O segmento de Culturas Indígenas será um dos beneficiados com a criação do Fundo da Diversidade que integra o Procultura, projeto de lei que substituirá a Lei Rouanet e que está em tramitação no Congresso Nacional. O Fundo da Diversidade será aplicado em projetos e Editais desenvolvidos no âmbito das Secretarias da Identidade e da Diversidade Cultural e da Cidadania Cultural, e da Fundação Cultural Palmares.
Para acompanhar as discussões do Comitê Gestor do Fundo, o Colegiado de Culturas Indígenas escolheu ainda dois representantes do setor para integrar o Comitê Gestor do Fundo. Maurício Fonseca, representante da sociedade civil e Farney Tourinho de Souza, da etnia Kambeba, situada na região do Alto Solimões, no Amazonas, foram os eleitos para representar o segmento nas discussões sobre o Fundo da Diversidade.
Foi criado também um Grupo de Trabalho para elaborar o documento final do Plano Nacional de Culturas Indígenas. Os integrantes do Colegiado elegeram quatro representantes sendo que João Pacheco e Maurício Fonseca ficaram como titulares e Luiz Donizete e Vanda Macuxi como suplentes.
(Heli Espíndola - Comunicação/SID)

GRUPO JUNINO TEM TEM

Fundado por um grupo de amigos na praia do cruzeiro no Distrito de Icoaraci, Belém - Pará em 30 de Maio de 1930, O Pássaro Junino teve como seu 1º Guardião o Sr. Manoel da Silva (Peixe Frito). Após seu falecimento sua família transferiu a direção do Grupo para o Sr. Raul Almeida, também residente em Icoaraci, mais tarde mudou-se para Belém levando consigo o grupo.
Em Belém, após o falecimento do Sr. Raul, o grupo passou a ser dirigido por Feliciano, cujo sobrenome ignora-se. Sabe-se, porém, que o mesmo era organizador do Boi-Bumbá “Novo Querido” e do Parque de Diversões “Prado Novo” no bairro do Telégrafo (Rua Djalma Dutra). O Grupo ficou por pouco tempo com o Sr. Feliciano e que o esmo, chama o Sr. Aldifax de Campos Jordão, mais conhecido como seu Antonio, para que viesse tomar conta do Tem- Tem haja vista que, o Sr., Antonio era simpatizante e colaborador do grupo o mesmo aceitou o desafio e dirigiu o grupo até 1977.
Mais tarde devido uma grande enfermidade o Sr. Aldifax manda chamar o Sr. João Ramos, conhecido por João de Guapindaia, que além de ser brincante do Tem – Tem, seu João era também, Pai de Santo. Seu João aceitou o Convite, desse ano até o ano de 2.000 Seu João Guapindaia, conduziu o Pássaro. O mesmo ( João) tinha um grande zelo pelo grupo e seus brincantes. Já doente chama a Srta. Marilza Tavares que era brincante do grupo junto com sua irmã e seu irmão, para que viesse deixar o Tem – Tem a ensaiar em sua residência no bairro do Guamá, mais, com a seguinte condição que o Pássaro saísse de sua residência no Bairro da Pedreira e mesmo depois de seu falecimento ela ( Marilza) não deixasse o Grupo acabar. Marilza em conjunto com sua família aceitaram. No ano de 2003 seu João falece isso no mês de Maio, mês em que o Grupo estava preparando-se para sair, chega a noticia de seu falecimento. A Família do Sr. João manda chamar Marilza e seus familiares para que dessem continuidade com o Grupo, coisa que seu João também deixou escrito e, até os dias de hoje Marilza e sua família conduzem com recursos próprios o Tem – Tem. O Grupo participou de diversos Concursos realizados pela Prefeitura Municipal de Belém através da Fumbel, Secult em conjunto com a Associação dos Grupos de Folclore de Belém. Sendo Tri Campeão pela Secult e Campeão do último concurso realizado pela FUMBEL. Ganhou 2 Editais do Minc Mestre Duda 100 anos de Frevo e Mestra Dona Izabel, já no Governo do Estado Ganhou o Prêmio Culturas Populares Adelermo Matos e ainda foi selecionado no Edital de Pautas Unificados dos Teatros onde este Grupo apresentará o Espetáculo “ A JUSTIÇA DE PIAPOTIRA” no Teatro da Paz no mês de Junho, de autoria do Sr. Raimundo Souza ( Casquinho) adaptado por Pedro da Conceição e readaptado pelo Mestre ( reconhecido pelo Minc em 2004) e Afro Religioso Antonio Ferreira. Participando do elenco 65 atores entre crianças, adolescentes, jovens e adultos tod@s do bairro do Guamá.
A JUSTIÇA DE PIAPOTIRA
SINOPSE
Em meados do século XVIII, existia na Amazônia uma família que era comandada por um marques Chamado Valério de Bolema que tinha duas filhas, Valquiria ( uma moça má, que sempre jogava toda sua família de contra o Pai) , Paulo e Frinéia essa era apaixonada por um caçador que também tinha um título nobiliárquico (Conde Eduardo de Luprê) e uma esposa cujo nome era Cláudia de Bolena. Esse mesmo Marques foi com um de seus empregados ( na época eram conhecidos como lacaio) era ambicioso ao ponto de preparar uma emboscada e atiçar os índios da aldeia de Agaiagnê, Essa emboscada era para acabar com uma família cujo seu líder era Ricardo Devalon ( Conde) que possuía uma esposa Ruth( Valério era apaixonado) Dyracy ( tinha 2 anos) e Diromar ( que estava com seus avós passando uns tempos). Nessa incitação os índios pensaram que Ricardo teria desrespeitado suas terras chegando agredir o Conde ao ponto da esposa ser morta ele, cego e levaram sua filha. Após 17 anos Ricardo volta as suas propriedades e relata tudo para sua filha ( Diromar) que por ter perdido sua mãe, seus avó, sua irmã e vendo seu pai cego, tornou-se uma mulher má ( Feiticeira). Ao término do relato, Diromar promete destruir Valério através de seu filho ( Paulo) conquistando o seu coração. Mais tarde Ricardo e Diromar são presos pelos índios que tinha uma índia favorita chamada de Piapotira, essa que deu ordem para que a prisão acontecesse pois, queria conversar com Ricardo, no meio de sua conversa ela relata que Ricardo era seu Pai o mesmo falou ( Eu sabia, eu sabia, o meu coração de Pai não me enganava, minha filha, minha querida dyracy como sofro em não poder expandir minha alegria neste momento sublime e venturoso em que a misericórdia de nosso Pai Celestial derrama seu amor como bálsamo nas chagas de um coração indolarado de um pobre. Minha filha!!Eu queria ter aventura de poder enxegár-te, mais não posso, por que a maldade do mundo roubou-me esse direito de Pai). Ao término dessas palavras Piapotira jura por Tupã ( seu Deus) que iria se vingar do maldito marques de são lourenço o verme púdrido que o mundo conhecia como Valério de Bolena. Feita essa jura Diromar disse-lhe que também participaria, as duas em conjuntos com os índios seqüestraram Cláudia e Frinéia. Cláudia foi morta na frente da sua filha enquanto Frinéia ficou cega ( Assim como o meu Pai tem vivido nas trevas, tu também irás viver – Palavras de Piapotira). Mais tarde vem a descoberta, Diromar, aparece para Valério e lhe diz que Ricardo Devalon era seu Pai, com esse esclarecimento Valério começa a apresentar sintomas de loucuras, Diromar manda Piapotira apresentar Frinéia ( Cega) que diz a Paulo, Eduardo, Valquiria, Eliana ( Dama de Companhia) que os Índios antes de a cegarem teriam matado Cláudia com essa informação, Piapotira manda Kayaganê apresentar para Valério sua esposa, o mesmo ao ver enlouquece de vez, ao ponto de falar com sua esposa morta. Paulo dia para Diromar o porquê disso tudo, pois ele acreditava em seu amor, a mesma relata que ela não o amava tudo foi uma encenação. Paulo com raiva atira em Diromar quando vai para matar Piapotira um dos índios o mata com uma flechada. E com isso Piapotira fez sua Justiça. Valério termina como louco e Valquiria com remoço e pena de seu Pai.

O velho menino de Gaza e o mar

Nasci e cresci à beira do mar de Gaza. Nunca, na minha infância entendi como aquela água imensa, que prometida liberdade sem fim, servia também como limite intransponível de terra tão pequena e tão apinhada de gente – terra e gente que sempre, perpetuamente, vivia como reféns, por mais que perpetuamente sempre tenham vivido em estado de resistência.

Desde menino, fazíamos, minha família e eu, a pequena viagem, do campo de concentração de refugiados onde vivíamos, até a praia. Íamos numa carroça velha, laboriosamente puxada por um burrico também velho. No momento em que nossos pés tocavam a areia morna, começava a gritaria. Os pés das crianças corriam mais rápidos que campeões olímpicos e, por algumas horas, todas as preocupações desapareciam. Ali não havia ocupação, nem prisão, nem status de refugiados. Tudo tinha cheiro e gosto de sal e melancias. Minha mãe sentava-se sobre um lençol remendado, para impedir que voasse. E ria dos gritos do meu pai, tentando impedir que as crianças avançassem muito no mar.

Eu mergulhava, cabeça embaixo d’água e ouvia o barulho do mar. Depois levantava a cabeça, dava as costas à praia e olhava em frente, na direção do horizonte.

Aos cinco, seis anos, acreditava que logo adiante, depois do horizonte, havia um país chamado Austrália. As pessoas lá viviam livres, podia ir e voltar quanto quisessem. Não havia soldados, nem armas, nem atiradores emboscados. Os australianos – por alguma razão inexplicada – gostavam de nós e um dia apareceriam para nos visitar. Falei dessas ideias aos meus irmãos, mas ninguém se convenceu a esperar por eles. Minha fantasia cresceu, mesmo assim, como logo aumentou a lista de outros países que havia lá, depois do horizonte. Um desses países chamava-se EUA e as pessoas falavam engraçado. Havia também uma França, onde as pessoas só comiam queijo.

Eu vasculhava a areia, à procura de “provas” da existência de outro mundo depois do horizonte. Procurava garrafas com letras estranhas, latas, plástico que a maré trazia dos barcos que passavam distantes. Minha maior felicidade era encontrar letras em árabe, que tentava empenhadamente ler. Assim aprendi que havia países como Arábia Saudita, Argélia e Marrocos. Lá viviam árabes como nós, e muçulmanos que rezavam cinco vezes ao dia. Mistérios. O mar, pelo visto, era mais misterioso do que se podia imaginar.

Antes do primeiro levante dos palestinos em 1987, a praia de Gaza ainda não fora declarada zona militar proibida. Os pescadores ainda podiam pescar, embora só numa área restrita e bem limitada. Podíamos nadar e fazer piqueniques, embora só até às 6h da tarde. Até que um dia, chegaram os jipes com soldados israelenses, sirenes tocando pela estrada asfaltada, e cercaram a praia, separando-a do campo de refugiados. Apontaram armas e exigiram imediata evacuação. Meus pais gritaram assustados, e nos fizeram correr de volta para o campo, sem nem nos vestir, só de calções de banho.

A televisão israelense anunciou em seguida que a Marinha de Israel havia interceptado terroristas palestinos, em barcos de borracha, que tentavam invadir Israel. Todos foram mortos ou capturados, exceto os que poderiam estar ainda a caminho das praias de Gaza. A confusão, para mim, foi terrível. As imagens mostravam imagens dos palestinos presos. Eles choravam ao lado dos corpos dos camaradas palestinos mortos, cercados por soldados israelenses armados, que festejavam, triunfantes.

Tentei convencer meu pai a irmos até a praia, para esperar os outros palestinos. Ele sorriu triste e não respondeu. Mais tarde, a televisão informou que não haviam sido encontrados; que se haviam perdido no mar, ou naufragado. Nem assim perdi a esperança. Pedi que minha mãe preparasse seu famoso chá com menta e sanduíches de pão e queijo. E esperei até a manhã seguinte, que os “terroristas” perdidos no mar chegassem ao nosso campo de refugiados. Se chegassem, queria que encontrassem o que comer. Mas nunca chegaram.

Depois desse dia, nunca mais faltaram barcos no horizonte. Todos da marinha israelense. O aparentemente pacífico mar de Gaza, era agora fonte de infinitos perigos, mas também de possibilidades. Então, aumentaram minhas idas até a praia. Mesmo depois de crescido, e mesmo durante os toques-de-recolher dos israelenses, eu conseguia ver alguma coisa: subia ao telhado de nossa casa e examinava o horizonte. De algum lugar, algum dia, algum barco chegaria a Gaza. E quanto mais difícil ficava a vida, mais aumentava minha fé.



Hoje, décadas adiante, olho um outro mar, distante, muito distante do mar de Gaza onde nasci. Já não tenho direito de pisar na Palestina há muitos anos. Olho o mar, aqui, e penso nos outros, em casa, à espera da chegada dos barcos. Dessa vez, há possibilidade real de que chegue algum barco. Acompanho o noticiário, com lucidez de adulto e, também, com a emoção, a trepidação dos meus seus seis anos. Imagino a Flotilha da Liberdade carregada de comida, remédios, brinquedos, logo ali, depois do horizonte, chegando, chegando, fazendo realidade o velho sonho. O sonho de que todos os países em cuja existência eu acreditava, embora meus irmãos repetissem que não, não, não existem, são ficção, sim, sim, existem; e chegarão, sob a forma de cinco navios e 700 ativistas da paz. Representam a humanidade, pensam em nós. P ensei em quantos, lá, naquela noite, podendo, prepararam alguma comida, para alimentá-los quando chegassem, e à espera deles.

Quando começaram a chegar as notícias de que os barcos haviam sido atacados antes até de cruzarem o horizonte de Gaza, que havia ativistas mortos e feridos, o menino de seis anos que sobrevive em mim, encolheu-se de dor. Chorei. Mal conseguia falar. Nenhuma análise política daria conta daquilo. Nenhuma notícia de televisão conseguirá explicar aos meninos que hoje têm seis anos em Gaza, que seus heróis foram assassinados e sequestrados, simplesmente porque queriam abrir o horizonte.

Mas, apesar da dor que continua, mas aprofundou-se, desceu para bem dentro de mim, e das vidas ceifadas, e das lágrimas que, em todo o mundo, se choram hoje pela Flotilha da Liberdade, sei agora que minhas fantasias não eram sonho de criança. Havia, nos barcos, gente da Austrália, da França, da Turquia, do Marrocos, da Argélia, dos EUA e de muitos outros países, que vinham em nossa direção em barcos carregados de presentes de outros muitos, que, por alguma razão, ainda pensam em nós e nos amam.

Mal posso esperar para chegar a Gaza, a bordo de outro barco, e dizer aos meus irmãos: “Viram, só? Eu sabia!” +++++++++++++++++++++++++++++++++++