segunda-feira, 22 de março de 2010

Políticas Públicas de Eliminação da Identidade Mestiça e Sistemas Classificatórios de Cor, Raça e Etnia

Excelentíssimos Senhores Ministros,

nacao_audiencia_stf_2jpg.jpgAs observações que faremos resultam do trato desde 2001, com idéias e práticas de políticas públicas étnicas e raciais no Brasil e em outros países. Esta atuação nos faz ter a convicção de que o Sistema de Cotas para Negros da UnB não é, a rigor, medida de ação afirmativa. Ele não visa combater discriminação racial, de cor, ou de origem, nem corrigir efeitos de discriminações passadas, nem assegurar os direitos humanos e as liberdades fundamentais de grupos étnicos e raciais, como exige a Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial para distinguir uma medida especial de uma medida de discriminação racial.

O Sistema de Cotas para Negros da Universidade de Brasília, inversamente do que defendia Darcy Ribeiro, o idealizador, fundador e primeiro reitor da UnB, tem por base uma elaborada ideologia de supremacismo racial que visa à eliminação política e ideológica da identidade mestiça brasileira e a absorção dos mulatos, dos caboclos, dos cafuzos e de outros pardos pela identidade negra, a fim de produzir uma população composta exclusivamente por negros, brancos e indígenas.

Exige a UnB que “Para concorrer às vagas reservadas por meio do sistema de cotas para negros, o candidato deverá ser de cor preta ou parda, declarar-se negro e optar pelo sistema de cotas”. Assim, as cotas da UnB não se destinam a proteger pretos e pardos em si; pretos e pardos que se autodeclarem mestiços, mulatos, caboclos são excluídos do sistema de cotas da UnB; também são excluídos aqueles afrodescendentes que se autodeclaram negros, mas são de cor branca.

Para que estas cotas fossem medidas de ação afirmativa seria necessário que se identificar como negro fosse causa de discriminação racial, mas ao excluir os autodeclarados negros de cor branca das cotas a própria UnB tacitamente reconhece que somente identificar- se como negro não expõe uma pessoa a discriminações raciais no Brasil, como ocorre em outros países. Do contrário, a UnB estaria também os discriminando.

Elas também não visam a corrigir os efeitos presentes da discriminação praticada no passado, pois neste caso o segmento beneficiado seria em função da ancestralidade e não da cor e muito menos da autodeclaração.

Por que, então, a UnB, em vez de estabelecer um sistema de ação afirmativa para todos os pretos e pardos, decidiu excluir os pretos e pardos que não se identificam como negros? A história do racismo e, especificamente, da mestiçofobia, elucida as motivações que conduziram ao atual projeto racial para o povo brasileiro implementado pelo governo federal.

A UnB não foi a primeira universidade brasileira a veicular idéias e a defender políticas públicas de base racial no Brasil. No séc. XIX e até metade do séc. XX, em diversas universidades do país e do estrangeiro, idéias racistas faziam parte do conteúdo lecionado. Refletindo o poder da autoridade científica que as universidades possuem, muitos, inclusive governantes e legisladores, acreditavam que havia raças superiores em inteligência, em resistência física, em aptidões morais. Ensinavam, também, que seria um prejuízo para uma nação formada por pessoas de suposta raça superior gerar filhos mestiços com pessoas de raça inferior.

Alguns racistas defendiam que o mestiço seria um ser intermediário entre a raça superior e a inferior; outros que seria inferior à raça inferior. Esta última corrente racista afirmava que o mestiço, diferentemente das raças superiores e inferiores, e por não ser uma raça, seria um ser anormal, não adaptado a qualquer ambiente, propenso a doenças físicas e psicológicas, destituído das melhores qualidades das raças que lhe deram origem e tanto pior quanto mais se diferenciasse delas.

No Brasil, com grande e crescente população mestiça, isto foi visto pelo racismo acadêmico como um problema que comprometeria as possibilidades de progresso do país. Nina Rodrigues defendia políticas criminais diferenciadas racialmente. Sylvio Romero e Oliveira Viana defendiam o desaparecimento gradual dos mestiços pelo branqueamento. O racismo teve também grandes opositores. Intelectuais como Darcy Ribeiro e Gilberto Freyre defenderam que a miscigenação não era um problema para o Brasil, mas uma vantagem que, entre outras, formava a identidade nacional e protegia a Nação de conflitos raciais e étnicos.

Em outros países, os ideólogos do racismo forneceram o material para os discursos políticos que na Alemanha levaram os nazistas ao poder e mestiços a campos de concentração e a cirurgias de esterilização. Na Austrália, mestiços foram separados de suas mães aborígenes. Na África do Sul, foram segregados pelo apartheid.

Nos EUA, a partir do final do séc. XIX, junto com leis proibindo casamentos inter-raciais, organizações racistas como a Ku Klux Klan conseguiram paulatinamente impor, inclusive legalmente, uma inovação, a Regra da Única Gota (One Drop Rule), pela qual uma gota de sangue africano faria com que uma pessoa fosse classificada como Negro(palavra que também existe no vocabulário inglês). No censo dos EUA até 1920 não havia a categoria Negro. Desde 1850, havia as categorias Black (ou seja, preto) eMulatto. No censo de 1930, porém, pela regra da única gota, pretos e mulatos tiveram apenas a opção Negro.

Estas normas visavam delimitar espaços de poder racial, daí a necessidade de eliminar politicamente e também ideologicamente o mestiço e a mestiçagem. Apenas em 1970, após o assassinato de Martin Luther King, o termo Black voltou ao censo; no censo de 2000, os mestiços conseguiram voltar a ser contados (e outra vez no censo dos EUA deste ano).

No Brasil, seu primeiro censo oficial, de 1872, tinha para a variável “cor/raça” as opções ‘branca’, ‘preta’, ‘parda’ e ‘cabocla’; no censo de 1890, a opção ‘parda’ foi substituída por ‘mestiça’, retornando o termo ‘parda’ em todos os censos seguintes que tiveram o quesito “cor/raça”, passando a incluir também os mestiços caboclos. Assim, o censo brasileiro sempre trouxe um espaço para a expressão da identidade mestiça. As opções ‘preta’ e ‘branca’ sempre constaram nos quesitos “cor/raça” dos censos, os quais nunca trouxeram a opção ‘negra’. Somar pretos e pardos e incluí-los numa categoria ‘negra’ tornou-se, porém, uma reivindicação de movimentos negros, inclusive junto ao IBGE.

Com o fim da II Guerra Mundial, a idéia de raça foi perdendo credibilidade acadêmica. No Brasil, porém, os mestiços passaram também a ser vistos como um problema ideológico e político. O sociólogo Florestan Fernandes, da Universidade de São Paulo (USP), afirmava que “dentro da população negra e mestiça não há homogeneidade. Criar esta homogeneidade é um problema preliminarmente político”.

Caberia levar o mulato “a aceitar a sua condição de negro”. E questionava, “(…) Como fazer para reeducar o mulato, como levá-lo a sair de um comportamento egoístico e individualista?” Antes haveria uma raça superior e uma inferior e os mestiços deveriam ser miscigenados até não se diferenciarem de uma delas, a branca; agora haveria uma raça opressora e uma oprimida e os mestiços deveriam ser reeducados para identificarem- se com uma delas, a negra.

O antropólogo Kabengele Munanga, da USP, sobre o mesmo tema, assim se expressou: “Se no plano biológico, a ambigüidade dos ‘mulatos’ é uma fatalidade da qual não podem escapar, no plano social e político-ideoló gico, eles não podem permanecer ‘um’ e ‘outro’, ‘branco’ e ‘negro’”, e acrescentou, “Construir a identidade ‘mestiça’ ou ‘mulata’ que incluiria ‘um’ e ‘outro’, ou excluiria ‘um’ e ‘outro’, é considerado por mestiços conscientes e politicamente mobilizados como uma aberração política e ideológica, pois supõe uma atitude de indiferença e de neutralidade perante o processo de construção de uma sociedade democrática”, (na Introdução do livro “Mulato negro-não-negro e/ou branco-não-branco”, de Eneida de Almeida dos Reis).

Este modo de ver o mestiço, porém, não é apenas marginalizador e moralmente ofensivo; ele também leva a um preconceito de caráter biológico: seria normal o branco ter identidade branca, o negro identidade negra, o índio identidade indígena, mas não o mestiço ter identidade mestiça; ele seria um ser incompleto, necessitado da identidade negra. Chegam a atribuir ao mestiço um risco de problemas psicológicos em função de uma suposta ambivalência.

A própria mestiçagem, que em regra ocorreu e ocorre no Brasil de forma harmoniosa, também passou a ser apresentada de forma equivocada e negativa. Afirma um etnólogo cubano com livro recentemente publicado no Brasil: “o mestiço surge nas sociedades violentadas e complexadas. Ou seja, é a inseminação violenta das fêmeas do grupo dominado pelo macho do grupo dominante e a eliminação física dos machos do grupo dominado-conquistad o”. Ou seja, estão ensinando o mestiço a ter vergonha de suas origens, a negar o sangue de seu pai ou de sua mãe.

Estas depreciações se reproduzem em agressões morais fora do meio acadêmico.

Também se refletiram no recente decreto do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), assinado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, que determina a inclusão dos mulatos e dos pardos na categoria negra. Nisto não há inovação: pelo Alvará Régio de 4 de abril de 1755, o rei de Portugal, D. José I, proibiu o emprego do termo caboclo para os filhos mestiços de portugueses e indígenas e nós desaparecemos por décadas dos documentos oficiais.

Estes discursos visando à incorporação dos pardos pelos negros ativeram-se aos mulatos e silenciaram em regra sobre os milhões de caboclos do país, cuja população é possivelmente mais numerosa do que a preta também nacionalmente. Na região Norte, há cerca de 14 pardos (em sua maioria caboclos) para cada preto e aqui no Centro-Oeste a proporção é de cerca de 11 para 1. Mesmo no Sudeste, onde a proporção entre pardos e pretos é de 4 para 1, parte destes pardos são mamelucos. Mestiços de brancos e indígenas já habitavam o Brasil décadas antes da chegada de africanos.

Nossa Constituição assegura a valorização da diversidade étnica e regional e a proteção de todos os grupos participantes do processo civilizatório nacional. O mestiço brasileiro, organizando- se em associações para a defesa de sua identidade, tem esta reconhecida oficialmente por leis como as que instituíram o Dia do Mestiço nos Estados do Amazonas, de Roraima e da Paraíba, e também o Dia do Caboclo.

Contradizendo sua política interna, o Brasil tornou-se signatário dos documentos finais da Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlatas, e de sua Conferência de Revisão, promovidas pela ONU em 2001 e 2009,

“Reconhecemos, em muitos países, a existência de uma população mestiça, de origens étnicas e raciais diversas, e sua valiosa contribuição para a promoção da tolerância e respeito nestas sociedades, e condenamos a discriminação de que são vítimas, especialmente porque a natureza sutil desta discriminação pode fazer com que seja negada a sua existência”.

As próprias comissões de seleção, porém, têm demonstrado que pardo não é negro. Diversos casos têm sido noticiados envolvendo duas pessoas com parentesco sangüíneo, inclusive de gêmeos idênticos, em que uma é aceita como negra e outra não. E também de exclusão de cotista quando já cursando a faculdade.

Desconhecemos um único caso em todo o Brasil no qual isto tenha ocorrido com dois parentes de cor preta; todos os casos de que temos conhecimento ocorreram com pessoas pardas. Informa a UnB que a sua comissão responsável pela decisão é formada por representantes de movimentos sociais ligados à questão, especialistas no tema. De movimentos negros, pois pardos não compõem tais comissões.

Cotas para estudantes provenientes das escolas públicas e carentes valoriza o ensino público, a meritocracia, a solidariedade, estimula o investimento e não o conflito racial. É necessário instituir o ensino fundamental em período integral (inclusive existe uma PEC, a 94/03, no Senado - seria muito interessante ser implementada) e aumentar o número de vagas nas universidades. Cotas raciais não custam um centavo ao governo.

Ações afirmativas não visam criar diferenças, pelo contrário, visam superar discriminações motivadas por diferenças. Visam levar à cidadania, não a relativizar. Harmonizam com a Constituição cidadã que esta Suprema Corte tem defendido.

Muito obrigada.

SUCOM notifica Terreiro Pilão de Prata

Pessoas,O Racismo e a Intolerância tomam conta da cidade de Salvador, os últimos cinco anos, a atual gestão da Prefeitura de Salvador tem voltado a perseguição aos Terreiros de Candomblé, só como exemplo o Terreiro da Casa Branca um dos mais conhecidos da Cidade tem lutado na justiça contra a cobrança de IPTU que a mesma prefeitura lhe isentou no processo de tombamento nacional e municipal, quem não se lembra do terreiro Oyá Onipó Neto de Mãe Rosa, destruído pela SUCON no bairro do Imbuí. Nesses dois casos a questão é simples o novo PDDU da cidade, querem desapropriar a Casa Branca tirando a Praça de Oxum, já o terreiro Oyá Onipó Neto Imbuí o processo de verticalização da cidade e valorização do bairro com a cobertura de rios urbanos tinha que tirar o Terreiro do caminho. Agora o Pilão de Prata, mais uma vez um ato intolerância religiosa toma conta da cidade que no carnaval todos canta que é D'Oxum, mais na vida normal, a violência é perversa.É hora do levante, os anos de chumbo para o povo negro oficialmente durou de 1540 até os anos de 1940, esses quatros séculos não foram suficiente para nos matar, pois sempre vencemos e no século XXI, podemos ver que este Estado não estar pronto para nós, teremos que sempre estar atentos para que reconheçam que somos um povo e várias nações sempre? É hora de lutar contra a reeleição das bancadas evangélicas na Câmera Federal, Assembléias e Câmaras de Vereadores (as), e aprovarmos para que tenhamos aprovados no Brasil o Plano Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, engavetado vergonhamente na Câmara Federal, assim, como o Estatuto da Igualdade Racial, que reconheci o Candomblé como religião foi negociado para não sair. Só para informação numa cidade com o um Prefeito Evangelico que não vai nas festividades da cidade e uma Câmara com uma bancada forte de evangelicos não podemos esperar muita coisa. A todas, divulguem o maximo possível esta nota, precisamos mostra que nosso mensageiro Exú estará sempre no nosso caminho, para que aqueles e aquelas que nos infortunam vejam que o Candomblé é VIDA AO POVO NEGRO.


"Temos tudo para construir uma nova sociedade" - Milton Santos



Para quem interessar possa,

AINDA SOBRE OS TERREIROS E O BARULHO DA CIDADE

Era quinta feira, dia consagrado aos donos do território, Odé, orixás caçadores, quando as 9 horas, um tímido rapaz tocou a campanhia do Ilê Odô Ogê, conhecido como Pilão de Prata, identificando-se como fiscal da Superintendência de Controle e Ordenamento do Solo Urbano do Município de Salvador (SUCOM). Constrangido, sua educação misturava-se com a timidez de está cumprindo a árdua tarefa de notificar aquela comunidade pelo barulho provocado pelos “instrumentos de percussão”, como referiu-se aos atabaques Uma mistura de temor e respeito, várias vezes frisou que não entendia nada, estava ali apenas cumprindo o seu papel de fiscal. Fez algumas perguntas sobre o tipo de instrumentos que a comunidade realizava, quis sentar na escada que dá acesso a uma praça de dentro do terreiro, para não adentrar no recinto sagrado, mas insistir que fossemos para uma sala mais confortável. Lá ele me explicou que a sua visita não tinha nenhum caráter punitivo, apenas a intenção de averiguar os espaços e instrumentos que levaram um anônimo a denunciar o templo religioso. Logo me apresei e fiz ele ler o texto: O terreiro e o barulho na cidade, publicado no Jornal a Tarde da última sexta-feira. Achei até uma coincidência após tal provocação receber a visita de um representante do órgão que regula dentre outras coisas, sons urbanos, fixa níveis e horários em que é permitido sua emissão e cria licença para utilização sonora. Coincidência ou não, fato é que aquele jovem fiscal estava ali representando a Lei 5354/98. Enquanto seus olhos corriam atentamente no texto, apresentei-lhe uma resumida história daquela roça de candomblé, originada de uma casa de taipa coberta com folhas de zinco no ano de 1963, quando o atual “morro do Cachundé” era apenas uma duna e abaixo havia a lagoa utilizada pelas poucas pessoas para lavar roupas e por alguns terreiros, dentre eles, o Pilão de Prata para realizar alguns rituais. Lembrei também que tal comunidade terreiro já havia sido tombada pelo Instituto de Patrimônio Artístico Cultural da Bahia em 9 de dezembro de 2004, sem falar nos Decretos Lei Municipal e Estadual que o reconhece como Utilidade Pública. lhe mostramos o nosso Museu, a Biblioteca e a Escola que aguarda a dois anos financiamento para realização de atividades, embora nesse ano foi utilizada para exibir filmes durante o Ciclo litúrgico que foi concluído no dia 14 de março, com recursos do próprio terreiro e ajuda da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia. Nada adiantou, ele tinha que retornar com seu dever cumprido e baseado no Artigo 6 da Lei 5354/98 notificou a comunidade terreiro com o seguinte texto: “O responsável pelo estabelecimento supra-citado fica ciente que a emissão sonora gerada em atividades não residenciais, somente poderá ser efetuada após expedição pelo órgão competente da Prefeitura do Alvará de autorização para utilização sonora.” Isso me trouxe a lembrança dos tempos terríveis de Pedrito, que nunca saíram da memória do povo de candomblé. Mais uma vez salta os olhos que tais órgãos que deveriam estreitar relações com a cidade seja liderado por dirigentes mal assessorados que no mínimo deveriam saber interpretar a Lei 5354/98 que diz no inciso IV do Capítulo 14 que“não estão sujeitas às proibições referidas nesta Lei o sons produzidos por sinos de igrejas e de templos religiosos desde que sirvam exclusivamente para indicar as horas ou anunciar a realização de atos ou cultos religiosos.” Por que então, dois pesos e duas medidas? Por que uma vez por ano não podemos tocar os nossos clarins e atabaques, tocar nossos foguetes para anunciar a realização de nossos atos e cultos religiosos? O que dizer então das alvoradas festivas de outras denominações religiosas realizadas as 5 horas, ao raiar do dia? Queremos abrir esta discussão com o Sr. Superintendente. De que o Estado Brasileiro não é laico já sabemos, agora queremos no mínimo exercer a liberdade de culto, direito garantido pela nossa Constituição. Esse fato nos dá a entender na verdade, que os órgãos municipais e estaduais não dialogam entre si, pois esta mesma comunidade está entre os 1068 terreiros mapeados através de um trabalho pioneiro no Brasil, resultado da parceria entre a Prefeitura Municipal de Salvador, através da Secretaria de Reparação (SEMUR) e da Secretaria Municipal de Habitação (SEHAB), o Ministério da Cultura, através da Fundação Cultural Palmares e a Secretaria Especial de Promoção de Políticas para a Igualdade Racial (SEPPIR) em convênio com a Universidade Federal da Bahia através do Centro de Estudos Afro-orientais (CEAO). Porque o catálogo produzido não esta sendo consultado? Se até agora de nada serviu para o povo de candomblé que até então aguarda o inicio da regularização fundiária e outras ações do poder público, que pelo menos sirva para os órgãos do governo consultar a fim de evitar o constrangimento de nossos sacerdotes que além da função religiosa cumprem também papel de médicos, psicólogos, economistas, sociólogos e outras. Gostaria com este texto de abrir o diálogo com os órgãos envolvidos com estas questões direta ou indiretamente, bem com a sociedade como um todo. A notificação 410703 de 18 de março de 2010 não nos intimida porque é equivocada, na verdade elanos causa vergonha por estarmos sendo tão mal representados. O que não queremos mais, é assistir a demolição de outras comunidades terreiros, nem a cobrança indevida do IPTU, fato que vem se arrastando já há algum tempo na secretaria da fazenda do Municipio sem nenhuma posição significativa. O fato que aconteceu no terreiro Pilão de Prata poderia acontecer em qualquer outro. Ou quem sabe já não vem acontecendo? Fato é que o dano psicológico, causado pelo constrangimento e a vergonha de ter um carro da prefeitura e um agente de fiscalização na porta de uma residência é irreparável. De uma coisa temos a certeza: esta luta será travada juntamente com todos os Orixás, Nkices, Caboclos e Guias. Avante!!!

Xangô do Nordeste também conhecido como Xangô do Recife, Xangô de Pernambuco ou Nagô Egbá.

Em todo o Nordeste da Paraíba à Bahia, a influência dos Iorubas prevalece a dos Daomé. Esta é a zona mais conhecida quanto às religiões africanas, a que deu lugar a maior número de pesquisas e de trabalhos. Se encontra duas palavras para designá-las, a de Xangô em Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, e de Candomblé da Bahia para o sul, esta dualidade de nomes, que não são nomes dados pelos negros, mas sim pelos brancos em virtude da popularidade e importância de Xangô nessa região, e Candomblé por designar toda dança dos negros, tanto profanas como religiosas.

Pureza Nagô

Mundicarmo Ferretti em "Pureza nagô e nações africanas no Tambor de Mina do Maranhão" escreve: "Os terreiros de religião de origem africana mais identificados com a África geralmente constroem sua identidade tomando como referência o conceito de “nação”, que os vincula ao continente africano, à África negra, através de uma casa de culto aberta no Brasil por africanos antes da abolição da escravidão (“de raiz africana”). No campo religioso afro-brasileiro, os terreiros Nagô mais antigos e tradicionais da Bahia foram considerados, tanto por pais-de-santo como por pesquisadores da área acadêmica, como mais puros ou autênticos e sua “nação” como mais preservada e/ou organizada. A partir do que foi convencionado na Bahia como “nagô puro”, têm sido avaliados terreiros nagô de outros estados das mais diversas denominações: Candomblé, Xangô, Mina, Batuque e outras. Analisando a questão da “pureza nagô”, Beatriz Góis Dantas (Dantas, 1988), apoiada em pesquisa realizada em Sergipe, mostra que, apesar da hegemonia do Candomblé nagô da Bahia na religião afro-brasileira, os indicadores de autenticidade africana ou “pureza nagô” adotados na Bahia nem sempre são os mesmos de outros estados e que traços muito valorizados no Candomblé da Bahia podem ser desvalorizados ou até rejeitados em terreiros de outras localidades.

quinta-feira, 18 de março de 2010

TEM - TEM NO TEATRO DA PAZ

Os pássaros juninos constituem uma forma de teatro popular presente principalmente nas manifestações das comemorações juninas, tendo como base um musical que rodeia o espetáculo. Criado por artistas populares no séc. XIX, por volta de 1877, coincidindo com a inauguração do teatro Nossa Senhora da Paz, que mais tarde viria a se tornar o Teatro da Paz, essa manifestação cultural é típica do estado do Pará.A criação do Teatro da Paz na cidade de Belém trouxe diversos espetáculos europeus; o que fez com que Belém entrasse na rota internacional teatral. Na época esses espetáculos não podiam ser vistos por todos: apenas a elite poderia assisti-lo. Não distantes desses acontecimentos culturais, encontrava-se a classe menos favorecida, que na ânsia por cultura e diversão conseguia maneiras de apreciar os espetáculos no teatro; quase sempre escondidos e em lugares pouco confortáveis para assistir as apresentações. Com base nas grandes produções que compunham a programação teatral da cidade, começou um novo teatro com grandes espetáculos, voltados às classes que não podiam assistir às apresentações no Teatro da Paz como a elite o fazia. Criavam-se então, as manifestações culturais do povo, e dentre elas estavam o Pássaro Junino e Cordão de Pássaros.´Após 133 anos a história muda, nunca se teve apresentação de Pássaros Juninos nesse Teatro e em pleno século XXI o reconhecimento veio.Saui no D.O.E do dia 15 de Março o resultado do Edital de Pautas Unificados dos Teatros e o Grupo Junino Tem - Tem que foi criado pelo Sr. Manoel da Silva em 1930 e que até os dias de hoje resiste, dentro dos seus 80 anos que acontece no dia 30 de Maio, este Grupo irara pisar pela PRIMEIRA VÊZ, na quele palco.A Comunidade deste Grupo está alegre através de sua guardiã Marilza Tavares, do seu Mestre e Defensor da Cultura Pai Antonio ou com é conheciodo e chamado com carinho Antonio Tem - Tem e juntos, vem agradecer de público a Dr.a Profª Olinda Charone que contribuiu para que esse sonho se tornasse realidade. Viva os Pássaros Juninos, Viva o Pará Viva e Viva a Cultura Popular.Pai e Mestre Antonio

MPPE ´TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA

“Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular”. DUDH“toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”. Art. 2 DUDH - 1948“...Será proibida por lei qualquer apologia do ódio nacional, regional, racial ou religioso que constitua incitamento à discriminação, à hostilidade ou à violência” art. 20 DUDH - 1948
“os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte” § 2º do art. 5º CF/88
“toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto ou resultar anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício em um mesmos plano(em igualdade de condições) de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer campo da vida pública” art. 1º CIEFDR Mais um passo decisivo para a garantia do direito de liberdade de culto e para a efetivação da laicidade de nosso país. A liberdade de expressão é permitida desde que ela não agrida os direitos de outrem. Conto com a rede para a fiscalização e denúncia de qualquer ato racista e discriminatório, a qualquer grupo étnico ou religioso. Conto com a rede para a promoção do respeito ao diferente. Abaixo segue decisão do MMPE sobre um ato de agravo ao candomblé de Pernambuco. Vitória daqueles que buscam um país melhor...

DIÁRIO OFICAL 27/02/2010PROMOTORIAS DE JUSTIÇA DE DEFESA DA CIDADANIA DA CAPITAL PROMOÇÃO E DEFESA DOS DIREITOS HUMANOSTERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTAPelo presente Termo de Ajustamento de Conduta, O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO, por intermédio do 7º Promotor de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital com Atuação na Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Dr. Westei Conde y Martin Júnior, doravante denominado COMPROMISSÁRIO, e o Sr. Severino Francisco dos Santos, brasileiro, casado, portador do RG n.º 3.677.877-SSP/PE, CPF n.º 649.935.234-91, com endereço na Rua Nobre de Lacerda, n.º 57, Madalena, nesta cidade, proprietário do site verdade cristã, na oportunidade acompanhado de seu advogado, Dr. Sérgio Correia Dias dos Santos, OAB-PE n.º 16.010, doravante denominado COMPROMITENTE, a Uiala Mukaji Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco, pessoa jurídica de direito privado, CNPJ n.º 05.861.393/0001-41, situada na Rua Gervásio Pires, n.º404, sala 02, 1º andar, Boa Vista, nesta cidade, neste ato representada pela Dra. Vera Regina Paula Baroni, brasileira, casada, com endereço na Rua Raul Pompeia, n.º 167 D, apartamento 204, Arruda, nesta cidade, portadora do RG n.º 1773361-SSP/PE, CPF n.º 463.900.494-04, a ABYCABEPE, pessoa jurídica de direito privado, com endereço na Rua José Rebouças, n.º 913, Vasco da Gama, nesta cidade, neste ato representada pelo Sr. Manoel do Nascimento Costa, brasileiro, casado, portador do RG n.º 814.860-SSP/PE, CPF n.º 138407204-78, doravante denominados INTERVENIENTES, resolvem celebrar o presente Termo de Ajustamento de Conduta, com força de Título Executivo Extrajudicial, na forma do art. 5º, §6º, da Lei nº. 7.347/85, c/c art. 585, inciso II, do Código de Processo Civil, mediante as cláusulas seguintes:DO OBJETOCLÁUSULA PRIMEIRA:O presente Termo tem por objeto a adoção de compromissos que visem a reparar os danos coletivos em razão da veiculação, pelo site verdade cristã (www.verdadecrista.com.br), de material de teor discriminatório ao segmento LGBT e aos adeptos de religiões de matriz africana, por ocasião da campanha eleitoral de 2008. DAS OBRIGAÇÕESCLÁUSULA SEGUNDA: O COMPROMITENTE se obriga a veicular no site verdade cristã (www.verdadecrista.com.br), por meio de "link" específico, no período de 05.04.2010 até o dia 15.11.2010, nota de desagravo às religiões de matriz africana.CLÁUSULA TERCEIRA:O COMPROMITENTE se obriga a divulgar no site verdade cristã (www.verdadecrista.com.br), por meio de "link" específico, no período de 05.04.2010 até o dia 15.11.2010, legislação antidiscriminatória/anti-racista.CLÁUSULA QUARTA:O COMPROMITENTE se obriga a divulgar no site verdade cristã (www.verdadecrista.com.br), por meio de "link" específico, no período de 05.04.2010 até o dia 15.11.2010, cópia do presente Termo de Ajustamento de Conduta.CLÁUSULA QUINTA:As obrigações constantes CLÁSULAS SEGUNDA, TERCEIRA e QUARTA deverão atender as seguintes especificações: fonte arial, tamanho 12, espaçamento entre linhas simples, de sorte a assegurar a leitura escorreita dos respectivos textos, na forma que forem entregues pelo COMPROMISSÁRIO e pelos INTERVENIENTES ao COMPROMITENTE. CLÁUSULA SEXTA:OS INTERVENIENTES se comprometem a redigir a Nota de Desagravo, consoante CLÁUSULA SEGUNDA, integrando-se esta, como anexo, o presente Termo de Ajustamento de Conduta.CLÁUSULA SÉTIMA:OS INTERVENIENTES se comprometem a fornecer a esta Promotoria de Justiça, para fins de cumprimento da CLÁSULA TERCEIRA, a legislação antidiscriminação. DA VIGÊNCIACLÁUSULA OITAVA:O presente Compromisso de Ajustamento de Conduta vigorará a partir de sua publicação no Diário Oficial do Estado, em espaço reservado ao Ministério Público de Pernambuco.DA PUBLICAÇÃOCLÁUSULA NONA:O COMPROMISSÁRIO fará publicar o presente Termo de Ajustamento de Conduta, incluindo o anexo referente à Nota de Desagravo, em espaço próprio do Diário Oficial do Estado de Pernambuco.DO INADIMPLEMENTOCLÁUSULA DÉCIMA:O não cumprimento pelo COMPROMITENTE das obrigações e dos prazos constantes neste Termo de Ajustamento de Conduta acarretará multa diária no valor de R$ 1.000,00 (mil reais), a ser executada judicialmente e revertida em favor do Fundo Estadual de Assistência Social ou, caso instituído na vigência do presente TAC, ao Fundo Estadual de Combate ao Racismo, Discriminação Racial e Intolerância Religiosa.DO FOROCLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA:Fica estabelecido o foro da Comarca da Capital para dirimir quaisquer dúvidas ou questões oriundas do presente instrumento, com renúncia expressa a qualquer outro, por mais privilegiado que seja. E, por estarem assim compromissados, firmam este TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA em 04 (quatro) vias de igual teor, que terá eficácia de título executivo extrajudicial.Publique-se. Cumpra-se.Recife, 22 de fevereiro de 2010.WESTEI CONDE Y MARTIN JÚNIOR7º Promotor de Justiça de Defesa da Cidadania – Promoção e Defesa dos Direitos HumanosSEVERINO FRANCISCO DOS SANTOSCompromitenteSÉRGIO CORREIA DIAS DOS SANTOSOAB-PE n.º 16.010VERA REGINA PAULO BARONIIntervenienteMANOEL DO NASCIMENTO COSTAIntervenienteTESTEMUNHAS:TATIANA FERREIRA RANDSEstagiária de Direito - MPPEMARÍLIA ARAÚJO SOARES DE LIMAEstagiária de Direito - MPPEANEXONOTA DE DESAGRAVO AS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA E AFROBRASILEIRA PELA ATITUDE OFENSIVA DO SITE VERDADE CRISTÃ DURANTE A CAMPANHA ELEITORAL 2008 EM RECIFE-PERNAMBUCONÓS, adeptos das religiões de matriz africana e afrobrasileira em Recife/PE, popularmente chamada/o e conhecida/o por Xangô vimos manifestar nossa indignação pela atitude desrespeitosa do site Verdade Cristã com um símbolo do candomblé brasileiro – o fio de contas de Xangô utilizado pelo então candidato e hoje prefeito do Recife João da Costa, presente de Mãe Amara Mendes do Ilê Obá Aganjú Okoloyá – Dois Unidos, para fortificá-lo durante a campanha eleitoral de 2008.Queremos afirmar a laicidade do Brasil que se constitui como um estado democrático de direito cujos objetivos fundamentais, entre outros, é o de "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, crença e quaisquer outras formas de discriminação".A diversidade do povo negro brasileiro expressa a pluralidade das tradições e valores civilizatórios e éticos, trazidos por homens e mulheres africanos transportados a força do continente africano e aqui transformados em escravos, RES/Coisa na linguagem jurídica do código comercial. A ideologia racista que sustentou o escravagismo brasileiro por 4 (quatro) séculos foi disseminada na sociedade brasileira e até hoje se manifesta cotidianamente nas relações interpessoais e sociais, ferindo a liberdade de mais da metade da população brasileira.Nossa tradição de resistência não tolera desrespeito e perseguição, muito menos cerceamento da liberdade de nos manifestarmos e portarmos símbolos de nossas tradições de terreiro. Exigimos Respeito e igualdade de oportunidades. O racismo avilta nossos direitos de usufruir plenamente dos benefícios universalmente construídos.Esta Nota de Desagravo vem Reparar a violação de direitos que fomos vítimas ao vermos um de nossos símbolos serem tratados com escárnio e desrespeito.Esse episódio deve ser emblemático para o Recife, cidade respeitada em todo o país por sua tradição libertária e multicultural, para que aprendamos o valor do respeito à diferença, seja ela qual for.A Conferência de Revisão de Durban (abril/2009) "Expressa sua preocupação com o aumento, nos anos recentes, dos atos de incitação ao ódio que visam e afetam gravemente comunidades raciais e religiosas e pessoas pertencentes às minorias raciais e religiosas, seja envolvendo o uso de meios de comunicação impressos, audiovisuais ou eletrônicos ou quaisquer outros meios emanados de diversas fontes"Basta de Racismo e Discriminação Racial!Viva a Liberdade de Consciência, Crença e Culto!Viva o Respeito à Diversidade!Viva a Democracia!Viva a PAZ!KOSI OBA KANAFI OLORUM/OLÓDÚMARÈ. Axé (Não existe um ReiMaior do que Deus. Assim seja!)

SID repudia preconceito contra mãe cigana em Jundiaí - SP


Repúdio contra preconceitoSID repudia preconceito contra mãe cigana em Jundiaí - SPA Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural (SID) vem a público repudiar a atitude da guarda municipal de Jundiaí, interior de São Paulo, que tomou, à força, a filha de 1 ano e 2 meses da cigana Dervana Dias, por determinação da justiça, baseada apenas numa denúncia anônima.Para a SID, que apoia o segmento com ações para a proteção e promoção da cultura do povo cigano, a atitude da polícia e da justiça local, além de violenta, foi motivada por preconceito, tendo em vista que a cigana estava lendo as mãos dos transeuntes, e não pedindo esmolas utilizando a filha para sensibilizar as pessoas.O Padre Wallace Zanon, coordenador Nacional da Pastoral dos Nômades do Brasil, acredita também que a ação policial tenha sido movida pelo preconceito. “A cigana estava lendo a mão e esse é o seu trabalho. Eu já vi muito esse tipo de preconceito contra os ciganos no Brasil”, afirma o padre, que entrou em contato com a diocese da cidade de Jundiaí pedindo para que a igreja local acompanhe o caso.Para o padre todas as pessoas envolvidas no episódio eram despreparadas para lidar com a situação, principalmente os policiais que usaram de violência contra a mãe. “A imagem mostra claramente o policial torcendo o braço da cigana que estava desesperada pela perda da filha”, observou o coordenador da Pastoral dos Nômades.Ele ainda considerou absurda a declaração da presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente, Solange Giotto, de que não havia outra forma de tirar a criança da mãe e de que ela não sofrerá traumas pela separação. A criança foi colocada em um abrigo, chora o tempo todo e não consegue se expressar em português. “Qualquer outra criança teria traumas ao ser retirada dessa forma dos braços da mãe. Por que com uma criança cigana seria diferente?”, pergunta Padre Wallace, ainda estarrecido com o episódio.Para a advogada do Centro de Referência dos Direitos do Povo Cigano, Dra. Vanessa Martins de Souza, a cena foi chocante e a atitude dos policiais chegou a ser cruel. “Nós já entramos em contato com o Ministério Público de Jundiaí e estamos tentando localizar a mãe, que parece estar acampada em outro local”, disse a advogada. Ela informou ainda que o Centro de referência, que desenvolve trabalho conjunto com a Secretaria dos Direitos Humanos, da Presidente da República, e com a Pastoral dos Nômades para a proteção dos ciganos, está buscando todos os órgãos competentes e se colocando à disposição da mãe para fazer a sua defesa junto à justiça de Jundiaí.

SID anuncia mais R$ 2 milhões para o Prêmio Culturas Populares 2009 na abertura do V Encontro Mestres do Mundo




V Encontro Mestres do MundoSID anuncia mais R$ 2 milhões para o Prêmio Culturas Populares 2009 na abertura do eventoO Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Américo Córdula anunciou ontem, na abertura do V Mestres do Mundo, em Limoeiro do Norte, no Ceará a disponibilização de mais R$ 2 milhões para o Prêmio Culturas Populares 2009 - Edição Mestra Dona Izabel. Córdula deu a informação depois de anunciar a publicação, no Diário oficial da União de ontem (17), dos 195 selecionados no Edital (cliquei aqui para saber mais).“Nós decidimos disponibilizar mais esse valor devido a quantidade de inscrições que recebemos e a qualidade de iniciativas inscritas”, justificou o secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC. Segundo ele, os novos recursos serão utilizados para premiar outras 200 iniciativas classificadas no Concurso Público, que não foram selecionadas na lista dos 195 iniciativas premiadas. Os novos prêmios, no valor de R$ 10 mil cada serão distribuídos conforme a demanda de cada categoria (Mestres e Grupos).Cortejo abre Encontro no Vale do JaguaribeUm cortejo com mais de cem Mestres das Culturas Populares, banda de música e o Maracatu Reis de Paus, de Fortaleza, abriu o V Encontro Mestres do Mundo, na noite desta quarta-feira, 17 de março, pelas ruas de Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe. A população do município cearense lotou as arquibancadas da arena montada na Praça da Igreja Matriz para receber o cortejo que saiu do Centro Cultural Márcio Mendonça.
A corte do Maracatu Reis de Paus continuou sua apresentação no palco, levando a riqueza da toada e das loas do maracatu para o público. Em seguida, foi realizada a solenidade de diplomação dos novos Mestres da Cultura do Ceará, selecionados pelo edital da Lei dos Tesouros Vivos de 2009. Este ano, foram diplomados nove mestres e um grupo. Com os novos diplomados, o Ceará tem agora 59 Mestres da Cultura e três grupos oficialmente reconhecidos pela lei.Durante a solenidade de abertura do evento, o secretário da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC), Américo Córdula, elogiou a iniciativa do governo cearense de valorizar as figuras representativas da cultura local, e destacou a importância do reconhecimento dessas pessoas, ainda ativas, mantendo e repassando suas tradições para as outras gerações.Na ocasião, o secretário do Ministério da Cultura prestou homenagem a um dos premiados no Edital, Mestre Chico Paes, sanfoneiro cearense de Assaré que está participando do Encontro em Limoeiro do Norte.Para o secretário da Cultura do Ceará, Auto Filho, o evento é o mais representativo encontro de cultura popular do estado. “Durante o Encontro os Mestres têm a oportunidade de fazer a troca de informações e de saberes entre si e com a população”, destacou Filho.Ainda dentro da programação, se apresentaram o Boi da Faceira de Mestre Chico, de Limoeiro do Norte e o Tambor de Crioula do Manto de São Benedito, do Maranhão. A noite terminou com o registro do autêntico samba brasileiro por meio de um dos seus mais tradicionais representantes, Monarco da Portela, acompanhado pelos músicos da Velha Guarda da Escola.Na noite desta quinta-feira (18) acontece o lançamento do Catálogo do IV Encontro Mestres do Mundo e do III Seminário de Culturas Populares realizado em 2007, na região do Cariri cearense.O V Encontro Mestres do Mundo segue até sábado, dia 20, com uma ampla programação composta de Rodas de Mestres, relatos de experiências e apresentações de música, dança e diversas manifestações culturais