Sr. Presidente do Congresso Nacional, Senador José Sarney; Srs. Chefes de Estado e de Governo que me honram com as suas presenças; Sr. Vice-Presidente da República, Michel Temer; Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Marco Maia; Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Cezar Peluso; Srªs e Srs. Chefes das Missões Estrangeiras; Srªs e Srs. Ministros de Estado; Srªs e Srs. Governadores; Srªs e Srs. Senadores; Srªs e Srs. Deputados Federais; Srªs e Srs. Representantes da Imprensa; meus queridos brasileiros e brasileiras, pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.
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Dilma Rousseff: 'vivemos o início de uma nova era'
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Brasil tem oportunidade de tornar-se nação desenvolvida, diz Dilma
Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico dessa decisão.
Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação. Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber neste momento uma centelha da sua imensa energia e sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa dessa ousadia do voto popular que após levar à Presidência um homem do povo, um trabalhador, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do País.
Venho para abrir portas, para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, ser Presidentas e para que, no dia de hoje, todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher. Não venho para enaltecer a minha biografia, mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo, reitero, é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos.
Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este País já viveu nos tempos recentes.
Venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva!
Venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Lula, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao País a seu lado nesses últimos anos. De um Presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do País.
A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu Governo. Reconhecer, acreditar, investir na força do povo foi a maior lição que o Presidente Lula deixa para todos nós. Sob a sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da nossa história. Minha missão agora é consolidar essa passagem e avançar no caminho de uma Nação geradora das mais amplas oportunidades.
Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nesses oito anos: nosso querido Vice-Presidente José Alencar!
Que exemplo de coragem e amor à vida nos dá esse grande homem! E que parceria fizeram o Presidente Lula e o Vice-Presidente José Alencar pelo Brasil e pelo nosso povo! Eu e o Vice-Presidente, Michel Temer, sentimo-nos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.
Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, a seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes liderados pelo Presidente Lula, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.
Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional. Milhões de empregos estão sendo criados. Nossa taxa de crescimento mais que dobrou. Encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa. Reduzimos, sobretudo, a nossa dívida social, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.
Mas, em um País com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar sempre novas soluções. Só assim poderemos garantir aos que melhoraram de vida que eles podem alcançar mais e provar aos que ainda lutam para sair da miséria que eles podem, com a ajuda do Governo e de toda a sociedade, mudar de vida e de patamar. Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo, um País de classe média sólida e empreendedora, uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade.
Queridos brasileiros e queridas brasileiras, para enfrentar esses grandes desafios, é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui, mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores. Na política, é tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.
Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento, é preciso garantir a estabilidade, especialmente a estabilidade de preços, e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo da nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.
É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.
Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade da nossa agricultura e da nossa pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda a nossa atenção. Nos setores mais produtivos, a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.
O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo, o desenvolvimento e o apoio à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso País. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.
Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um País continental, sustentando a vibrante economia do Nordeste, preservando, desenvolvendo, respeitando a biodiversidade da Amazônia no Norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do Centro-Oeste, à força industrial do Sudeste e à pujança e ao espírito de pioneirismo do Sul.
É preciso, antes de tudo, criar condições reais, efetivas, capazes de aproveitar e potencializar ainda mais e melhor a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.
No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Esse é um passo decisivo e irrevogável para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população no período do Governo do Presidente Lula.
É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovadora efetiva e integrada do Governo Federal e dos governos estaduais e municipais em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, o que é vontade expressa das famílias e da população brasileira.
Queridos brasileiros e brasileiras, a luta mais obstinada do meu Governo será pela erradicação da pobreza extrema e pela criação de oportunidades para todos!
Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula, mas ainda existe pobreza a envergonhar nosso País e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido. Não vou descansar enquanto houver brasileiro sem alimento na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte!
O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. É este o sonho que vou perseguir.
Essa não é tarefa isolada de um Governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda a nossa sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e das pessoas de bem.
A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações. É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e de desenvolvimento regional. Isso significa, reitero, manter a estabilidade econômica como valor.
Já faz parte, aliás, da nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que essa praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.
Continuaremos fortalecendo nossas reservas externas para garantir o equilíbrio das contas externas e bloquear, impedir a vulnerabilidade externa.
Atuaremos decididamente, nos fóruns multilaterais, na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o País da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos. Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos, que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.
Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público. O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um Estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública. Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e de educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços públicos é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.
Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.
Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento e do Programa Minha Casa, Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos Ministérios. O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos Estados e Municípios; será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.
Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida em todas as regiões envolvidas.
Esse princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas, mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso desse meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu Governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.
Nas últimas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental, porém é preciso melhorar a sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio. Para isso, vamos ajudar decididamente os Municípios a ampliar a oferta de creches e de pré-escolas. No ensino médio, além do aumento do investimento público, vamos estender a vitoriosa experiência do ProUni para o ensino médio e profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.
Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso dos professores e da sociedade com a educação das crianças e dos jovens.
Somente com o avanço na qualidade do ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu Governo. Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro. O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura com o uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.
Vou usar, sim, a força do Governo Federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário.
Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS. A formação e a presença de profissionais de saúde, adequadamente distribuídos, em todas as regiões do País será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, a ação integrada de todos os níveis do Governo e a participação da sociedade são o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.
Meu Governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas em forte parceria com Estados e Municípios.
O Estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de Governo, incluindo, quando necessário, a participação decisiva das Forças Armadas.
O êxito dessa experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento dos jovens. Buscaremos, também, uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente.
Reitero meu compromisso de agir no combate às drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra a nossa juventude e infelicita as nossas famílias.
O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente, queridas brasileiras e queridos brasileiros, se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.
A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.
O grande agente dessa política foi e é a Petrobras, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética e do petróleo.
O meu Governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no pré-sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, muita coisa melhorou no nosso País, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era, o despertar de um novo Brasil.
Recorro a um poeta da minha terra natal. Ele diz: "O que tem de ser tem muita força, tem uma força enorme".
Pela primeira vez, o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser uma nação desenvolvida, uma nação com a marca inerente também da cultura e do estilo brasileiro: o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância. Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e à matriz energética mais limpa do mundo permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.
O mundo vive num ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática. Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais.
Meu Governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e para a inovação como instrumento fundamental de produtividade e competitividade do nosso País.
Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico ou no campo do desenvolvimento econômico, pura e simplesmente. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da nossa imensa diversidade cultural.
A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.
Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões, expandindo a exportação de nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.
Em suma, temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar, investindo fortemente nas áreas mais modernas e sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural. Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia a dia da nossa nação.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente sem destruir o meio ambiente.
Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um País que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada. O etanol, as fontes de energias hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e de suas imensas florestas.
Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais, mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais. Defender o equilíbrio ambiental do Planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.
Meus queridos brasileiros e brasileiras, nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não intervenção, defesa dos direitos humanos e fortalecimento do multilateralismo.
O meu Governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo. Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos, com nossos irmãos da América Latina e do Caribe, com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos.
Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Europeia.
Vamos dar grande atenção aos países emergentes.
O Brasil reitera com veemência e firmeza a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao nosso continente. Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à Unasul.
Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais.
Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.
Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial às Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, disse, ao início desse discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras e vou fazê-lo.
Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que juntos fizermos por ele hoje, do tamanho da participação de todos e de cada um, dos movimentos sociais, dos que labutam no campo, dos profissionais liberais, dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores, dos intelectuais, dos servidores públicos, dos empresários, das mulheres, dos negros, dos índios, dos jovens, de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.
Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, no semiárido nordestino e em todos os seus rincões, na imensidão do Cerrado, na vastidão dos Pampas.
Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas, no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.
Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso País. Respeitada a autonomia dos Poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário e com a parceria de Governadores e Prefeitos, para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.
Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais, da liberdade de culto e de religião, da liberdade de imprensa e de opinião.
Reafirmo o que disse, ao longo da campanha, que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras.
Quem como eu e tantos outros da minha geração lutamos contra o arbítrio, a censura e a ditadura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos.
O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são os elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa Nação.
Eu e meu Vice-Presidente, Michel Temer, fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um Governo, onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao País serão os critérios fundamentais.
Mais uma vez, estendo minha mão aos partidos de oposição e às parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte e do meu Governo discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir deste momento, sou a Presidenta de todos os brasileiros.
A partir deste momento, sou a Presidenta de todos os brasileiros sob a égide dos valores republicanos. Serei rígida na defesa do interesse público; não haverá compromisso com o desvio e o mal feito; a corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, chegamos ao final deste longo discurso. Queria dizer a vocês que eu dediquei toda a minha vida à causa do Brasil. Entreguei, como muitos aqui presentes, minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas, infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tão pouco não tenho ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração que tombaram pelo caminho não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista e rendo-lhes minha homenagem.
Esta, às vezes, dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu, sobretudo, coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro, mais uma vez, ao poeta da minha terra:
O correr da vida [diz ele] embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
É com essa coragem que vou governar o Brasil. Mas mulher não é só coragem, é carinho também; carinho que dedico à minha filha e ao meu neto, carinho com que abraço a minha mãe, que me acompanha e me abençoa. É com esse imenso carinho que quero cuidar do meu povo e a ele dedicar os próximos anos da minha vida.
Que Deus abençoe o Brasil! Que Deus abençoe a todos nós! E que tenhamos paz no mundo!
Sou Bàbá Kytalamy, Afro - Religioso da Nação Vodun Jeje ( Tambor de Mina) Filho do Grandioso João de Guapindaia ( Afro - Religioso, Folclorista) Neto de Manoel Colaço, Filho de Oxóssy com Iansã ( Toy Vondereji com Fina Jóia). Tenho 26 anos de Santo, defensor da Liberdade de Cultos, luta contra intolerância de uma sociedade que não conhece suas raízes afro. Também sou Mestre em Cultura Popular ( Pássaro Junino - Reconhecido pelo Minc)
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Diversidade cultural na posse de Dilma Rousseff

Sol e chuva, calor e frio se alternavam em Brasília, mas a alegria e a emoção dos visitantes do Arena Brasil permanecia inabalável na Esplanada dos Ministérios. Cerca de 30 mil pessoas circularam pela manhã e pela tarde no espaço idealizado pela Fundação Cultural Palmares, em parceria com o Ministério da Cultura, para celebrar a posse da Presidenta da República, Dilma Rousseff.
Constituída de quatro tendas, representando as quatro macrorregiões brasileiras, a primeira edição do Arena Brasil reuniu artesanato, música e dança de todos os cantos do País - aliás, pessoas de todos os cantos do País. Braz Augusto de Menezes, por exemplo, veio de Barretos, São Paulo, para conferir a festa cívico-cultural. Enquanto não acontecia a passagem da faixa, o paulista curtia as apresentações musicais. "Está sendo uma festa maravilhosa, que faz jus à grandiosidade do momento", disse.
Já o vendedor ambulante Raimundo João, com seus dois nomes próprios, seus olhos azuis e seus 73 anos, veio da Paraíba há 33 anos e não voltou mais. No Arena Brasil, vendia bandeiras e faixas em homenagem à Presidenta, mas disse que viria de qualquer maneira, afinal, "é um momento muito importante, né?".
O presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, também participou das comemorações e fez questão de transitar por todas as tendas, conferindo as apresentações do dia. "Hoje é dia de celebração da diversidade cultural e de gênero, além, evidentemente, da cultura afro-brasileira", ressaltou.
SUDESTE - Mesmo com toda a diversidade, o Brasil, com suas dimensões continentais, consegue apresentar semelhanças, como explica a artesã Onilde Conrada, da tenda Sudeste: "O artesanato é muito parecido em todas as regiões do País. O que muda, muitas vezes, é o material". Sua parceira de vendas, Maria Joana, acrescenta: "Todas as regiões têm algo em comum, estão interligadas". Os ritmos são muitos e o País é plural, de modo que já não dá pra dizer o que é de onde.
O rap, por exemplo, com sua batida marcada e suas rimas enérgicas, característico de São Paulo e do Rio de Janeiro, foi apresentado pelo grupo Brô MC's, da reserva indígena Jaguapiru, de Mato Grosso do Sul. O Arena Brasil prova que, de uma ponta a outra, o que interliga os Brasis é a arte e suas muitas manifestações.
NORTE - Reconhecida internacionalmente pela Amazônia, a região Norte chamou a atenção no Arena Brasil pela alegria de sua plateia. As cores dos figurinos, as grandes saias rodadas e os ritmos marcados podiam ser vistos e ouvidos de longe. Representantes da tribo indígena Tuxauas, da reserva Raposa Serra do Sol, de Roraima, apresentaram danças tradicionais Macuxi. "É muito bom estar aqui hoje, valorizar a nossa cultura e tudo que nosso povo sabe", disse Mestre Jaci, após sua apresentação.
SUL - Roupas, acessórios e maquiagem que lembram países europeus, mas que são bem brasileiros. Só pode ser a região Sul, que trouxe para Brasília o grupo folclórico Ucraniano-Brasileiro Vesselka e seu lúdico balé, que deixou muito brasiliense confuso. "Entrei aqui e falei: daonde é isso" Lembrei que a Região Sul é quase um País diferente, mas gostei de ver, é muito curioso", disse Regina Magalhães, nascida em Brasília, e que nunca visitou a região, mas, depois da apresentação, tem ainda mais vontade de conhecer. É o Arena Brasil apresentando o Brasil aos brasileiros.
NORDESTE - Forró, frevo e quadrilha: a animação da região Nordeste transbordava de sua tenda, colocando até o presidente Zulu Araújo para dançar. O diretor da Palmares, Elísio Lopes Jr, também não foi poupado, sendo puxado pela própria apresentadora das atrações do espaço. Casais se formavam a cada minuto, e quem entrava na tenda automaticamente começava a "balançar o esqueleto".
"O Brasil inteiro está na Esplanada hoje. Me sinto de volta à minha terra", afirmou o pernambucano João Guimarães, enquanto simulava dançar forró sozinho assim que entrou na tenda, demonstrando que diminuir a saudade da terra natal é um dos resultados do Projeto Arena Brasil.
INFANTIL - Mas os pequenos não poderiam ficar de fora da festa e contaram com uma programação toda especial. A apresentação dos bonecos do Mamulengo sem Fronteiras hipnotizou crianças e adultos, que depois dançaram e cantaram com bonecos gigantes e os pernas de pau do grupo Mamãe Taguá - ambos do Distrito Federal. Tímidas no começo, as crianças participaram das brincadeiras propostas e se encantaram com as histórias, as máscaras e os figurinos caprichados. Ana Luiza Batista, mãe de Jéssica, de 7 anos, ficou satisfeita com a programação infantil: "São histórias e brincadeiras nossas, brasileiras, que valorizam nosso povo. Nossas crianças precisam ter mais acesso a isso".
CIRANDA - Parecia uma grande brincadeira de criança, mas era a prova concreta da união do nosso povo. A consagrada cantora Lia de Itamaracá puxou uma ciranda que reuniu artistas do bumba-meu-boi, passando pelo frevo, até o samba pisado. Cirandas dentro de cirandas. Brasileiros de todas as regiões do País cantavam e dançavam de mãos dadas, unidos em suas diferenças, como apenas o Brasil sabe ser.
Bandeiras, cores, bonecos, pernas de pau, índios, brancos, negros... O Brasil dançou uma grande ciranda no centro da Arena Brasil. "Minha ciranda não é minha, é de todos nós", cantava Lia de Itamaracá, que ouvia de volta: "é de todos nós", enquanto os pés marcavam a batida dos tambores.
Após duas animadas cirandas, eis que surge a mais brasileira das canções: o Hino Nacional, interpretado também como ciranda. As mãos dadas, os passos marcados, sorrisos largos e a multidão cantando em uníssono. Haja cores, culturas, misturas. No primeiro dia do ano, no dia da posse da primeira Presidenta da República, nada mais justo que celebrar a cultura plural deste povo trabalhador, alegre e criativo.
E viva o povo brasileiro!
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
UMA REFLEXÃO
Saudações!!
Peço a benção aos meus mais velhos e também aos meus mais novos...sou membro dessa rede a muito tempo...recebo vários artigos que acho interessante a discussão mas..sempre observo.
Venho neste momento em que mais..um ano está se acabando...e..um...novo está vindo..novo esse que vem com grandes desafios para nós que somo do axé, para nós que somos lideranças espirituais, para nós que durante anos e anos, lutamos por 3 palavras e..é..com essas 3 que início a reflexão.
1- TOLERÂNCIA : Disposição de admitir, nos outros, modos de pensar, de agir e de sentir diferentes dos nossos: na vida social, a virtude mais útil é a tolerância. Favor feito a alguém em determinada circunstância: isto não é um direito, é uma tolerância.
Com esse ponto, quero deixar: O que adianta lutarmos por tolerância se internamente somos intolerantes..ao ponto de não nos respeitarmos..enquanto fazemos isso internamente...de Pai..falar mal de Mãe..de Mãe falar mal de Pai...de Ogã..não respeitar..de ekedji..não respeitar ninguém..de mais..velhos não respeitarem os mais novos..( esquecendo que tod@s já fomos nov@s) isso incluo todas as nações..PENSEM!!
2 - RESPEITO: Sentimento que leva a tratar alguém ou alguma coisa com grande atenção, profunda diferencia, consideração,reverência, respeito filial. Obediência, acatamento, submissão: respeito as leis.
Esse Ponto deixo a reflexão:
Quando entramos na vida do axé...aprendemos tudo isso..através dos ensinamentos dos nossos orixás, voduns, inkisses e caboclos. PENSEM!!
3- HUMILDADE: Ausência completa do orgulho. Rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito: praticar a humildade.
Esse último ponto falo:
Depois que aprendemos a respeitar..os nossos Orixás, Voduns, Inkisses e Caboclos nos ensinam a sermos HUMILDES, pois o que adianta se ter anos e anos de iniciação se não se tem a HUMILDADE.]
Hoje sofremos com ataques tanto da Igreja "Católica" como a "Protestante" e não fazemos nada..sabem por que meus/minhas irmão / irmãs. Por que não somos UNIDOS.
PENSEM!!
Escrevo este não como uma forma de desabafo..
Mas..pedindo ao Orixá que vai reinar o ano de 2011..que ponha isso na nossa cabeça ( e eu..estou incluído)
Que o ano de 2011..seja de muito AXÉ!!
Peço a benção aos meus mais velhos e também aos meus mais novos...sou membro dessa rede a muito tempo...recebo vários artigos que acho interessante a discussão mas..sempre observo.
Venho neste momento em que mais..um ano está se acabando...e..um...novo está vindo..novo esse que vem com grandes desafios para nós que somo do axé, para nós que somos lideranças espirituais, para nós que durante anos e anos, lutamos por 3 palavras e..é..com essas 3 que início a reflexão.
1- TOLERÂNCIA : Disposição de admitir, nos outros, modos de pensar, de agir e de sentir diferentes dos nossos: na vida social, a virtude mais útil é a tolerância. Favor feito a alguém em determinada circunstância: isto não é um direito, é uma tolerância.
Com esse ponto, quero deixar: O que adianta lutarmos por tolerância se internamente somos intolerantes..ao ponto de não nos respeitarmos..enquanto fazemos isso internamente...de Pai..falar mal de Mãe..de Mãe falar mal de Pai...de Ogã..não respeitar..de ekedji..não respeitar ninguém..de mais..velhos não respeitarem os mais novos..( esquecendo que tod@s já fomos nov@s) isso incluo todas as nações..PENSEM!!
2 - RESPEITO: Sentimento que leva a tratar alguém ou alguma coisa com grande atenção, profunda diferencia, consideração,reverência, respeito filial. Obediência, acatamento, submissão: respeito as leis.
Esse Ponto deixo a reflexão:
Quando entramos na vida do axé...aprendemos tudo isso..através dos ensinamentos dos nossos orixás, voduns, inkisses e caboclos. PENSEM!!
3- HUMILDADE: Ausência completa do orgulho. Rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito: praticar a humildade.
Esse último ponto falo:
Depois que aprendemos a respeitar..os nossos Orixás, Voduns, Inkisses e Caboclos nos ensinam a sermos HUMILDES, pois o que adianta se ter anos e anos de iniciação se não se tem a HUMILDADE.]
Hoje sofremos com ataques tanto da Igreja "Católica" como a "Protestante" e não fazemos nada..sabem por que meus/minhas irmão / irmãs. Por que não somos UNIDOS.
PENSEM!!
Escrevo este não como uma forma de desabafo..
Mas..pedindo ao Orixá que vai reinar o ano de 2011..que ponha isso na nossa cabeça ( e eu..estou incluído)
Que o ano de 2011..seja de muito AXÉ!!
LIÇÃO DE EXU
Em um Dia agitado em Todo Mundo Exu Rondava a Visitar os Seus Filhos Que Haviam se esquecido dos Aliados do Plano Espiritual Quando se deparou Com uma Situação Muito Interessante, era um filho Seu que Não Havia Esquecido o Pai, Porém Estava Revoltado e Decidido a Blasfemar o quanto Pudesse a quem um Dia o ajudara Tanto. Esse filho estava Tão Revoltado que Gritava aos Quatro Cantos e Exu Decidiu Parar Ali e Ver o Que Pensava Sobre ele Aquele Filho Revoltado Que Não Parava de Gritar:
-Foi Exu, é Tudo Culpa Daquele Demonio dos Infernos. Eu o Servi Por Muitos Anos Como um escravo e Veja Hoje a Minha Situação, Não Tenho Familia, Dinheiro, Amigos e Nem Mesmo um Teto Para Morar. Não Caiam na Tentação do Demonio Ele Lhes Prometera Muitas Coisas Mais no Final Nada Fará Por Vocês...
Ele Continuou Durante Horas a Blasfemar Quem Tanto o Ajudara Num Passado Recente e Só Parou Quando Viu a Magestosa Figura do Guardião das Encruzas a Sua Frente Indagando-o:
-Por Que essa Revolta Homem?
-Porque fez isso comigo? Para que me Deixar Chegar a esse Ponto?_respondeu Com Outra Indagação o Homem_
E Exu explicou:
-Não Fui Eu Que o Deixei Chegar a esse Ponto, você é Que se Jogou Nessa Lama Onde Hoje se Encontra! Lembra-se que Errou Querendo Fazer Furtuna Com um Dom que Lhe foi Concedido Para Auxiliar ao Proximo, Lembra-se que Nada Além da Paz e Satsfação Espiritual Foi Prometido a Você, e que Também Eu Lhe Disse que a Estabilidade Material Só Viria Após a Maturidade Espiritual.
-Sim Sei que Errei, Mas Sei Também que Vós Errou Junto a Mim Pois Quando Eu Lhe Enviava Algum Pensamento ou Pedido de Ma Fé o Senhor Não Me Dizia se eu Estava Certo ou Errado!_Respondeu o Homem em Prantos_
E Exu Após Uma Gargalhada Retrucou:
-Eu Nunca Lhe Disse se Estava Certo ou Errado Por Que Não Existe Certo ou Errado, Bom ou Ruim, Existe Apenas Aquilo que é Justo. Eu Sou Exu e Trabalho Em Harmonia Com o Universo, Eu Não Sou Bom e Não Sou Ruim, Não Sou Certo e Nem Tampouco Errado, Sou Apenas Justo. Você Fez Muito Mal a Muitos que o Procuraram Buscando Auxilio e Por Isso se encontra Assim Hoje Pois Não Procurou a Paz de Espirito, Apenas Visou a Abonança Material que Como Eu Ja o Havia Alertado Só Viria Após Uma Maturidade Espiritual, que Por Sua Vez Dependia de Sua Paz de Espirito que Só Viria Com a Cariade e Compaixão ao Proximo. Você Sabia De Tudo Isso, Porém Preferiu Seguir um Caminho Mais Longo e Doloroso. Eu Não Interferi em Nenhum Moento Pois se Assim Fizesse Estaria Influindo no Seu Livre Arbitrio.
-Tudo Bem Agora Compreendo que Para Estar Bem é Preciso Querer Bem a Todos a Nossa Volta e Não Somente o Nosso, Mas Agora que Entendi Por Favor Ajude-me, Esteja Ao Meu Lado e Reerga-me Com Todo Seu Axé?!_Implorou o Homem Ja Caido ao Chão Sem Forças Após Tanto Chorar_
E Exu Com Uma Nova Gargalhada Exclamou:
-Nunca Deixei de Estar ao Teu Lado, Nunca Lhe Neguei a Mão Você Foi quem Virou-me as Costas e Desistiu de Viver. Para se Reerguer Basta se Levantar e Continuar Sua Jornada Honestamente, e se Assim O Fizer Sempre que Precisar Eu Serei Justo e o Ajudarei, Porém se Novamente Errar Novamente Serei Justo e o Punirei.
EXU, O Justo Guardião das Encruzas
-Foi Exu, é Tudo Culpa Daquele Demonio dos Infernos. Eu o Servi Por Muitos Anos Como um escravo e Veja Hoje a Minha Situação, Não Tenho Familia, Dinheiro, Amigos e Nem Mesmo um Teto Para Morar. Não Caiam na Tentação do Demonio Ele Lhes Prometera Muitas Coisas Mais no Final Nada Fará Por Vocês...
Ele Continuou Durante Horas a Blasfemar Quem Tanto o Ajudara Num Passado Recente e Só Parou Quando Viu a Magestosa Figura do Guardião das Encruzas a Sua Frente Indagando-o:
-Por Que essa Revolta Homem?
-Porque fez isso comigo? Para que me Deixar Chegar a esse Ponto?_respondeu Com Outra Indagação o Homem_
E Exu explicou:
-Não Fui Eu Que o Deixei Chegar a esse Ponto, você é Que se Jogou Nessa Lama Onde Hoje se Encontra! Lembra-se que Errou Querendo Fazer Furtuna Com um Dom que Lhe foi Concedido Para Auxiliar ao Proximo, Lembra-se que Nada Além da Paz e Satsfação Espiritual Foi Prometido a Você, e que Também Eu Lhe Disse que a Estabilidade Material Só Viria Após a Maturidade Espiritual.
-Sim Sei que Errei, Mas Sei Também que Vós Errou Junto a Mim Pois Quando Eu Lhe Enviava Algum Pensamento ou Pedido de Ma Fé o Senhor Não Me Dizia se eu Estava Certo ou Errado!_Respondeu o Homem em Prantos_
E Exu Após Uma Gargalhada Retrucou:
-Eu Nunca Lhe Disse se Estava Certo ou Errado Por Que Não Existe Certo ou Errado, Bom ou Ruim, Existe Apenas Aquilo que é Justo. Eu Sou Exu e Trabalho Em Harmonia Com o Universo, Eu Não Sou Bom e Não Sou Ruim, Não Sou Certo e Nem Tampouco Errado, Sou Apenas Justo. Você Fez Muito Mal a Muitos que o Procuraram Buscando Auxilio e Por Isso se encontra Assim Hoje Pois Não Procurou a Paz de Espirito, Apenas Visou a Abonança Material que Como Eu Ja o Havia Alertado Só Viria Após Uma Maturidade Espiritual, que Por Sua Vez Dependia de Sua Paz de Espirito que Só Viria Com a Cariade e Compaixão ao Proximo. Você Sabia De Tudo Isso, Porém Preferiu Seguir um Caminho Mais Longo e Doloroso. Eu Não Interferi em Nenhum Moento Pois se Assim Fizesse Estaria Influindo no Seu Livre Arbitrio.
-Tudo Bem Agora Compreendo que Para Estar Bem é Preciso Querer Bem a Todos a Nossa Volta e Não Somente o Nosso, Mas Agora que Entendi Por Favor Ajude-me, Esteja Ao Meu Lado e Reerga-me Com Todo Seu Axé?!_Implorou o Homem Ja Caido ao Chão Sem Forças Após Tanto Chorar_
E Exu Com Uma Nova Gargalhada Exclamou:
-Nunca Deixei de Estar ao Teu Lado, Nunca Lhe Neguei a Mão Você Foi quem Virou-me as Costas e Desistiu de Viver. Para se Reerguer Basta se Levantar e Continuar Sua Jornada Honestamente, e se Assim O Fizer Sempre que Precisar Eu Serei Justo e o Ajudarei, Porém se Novamente Errar Novamente Serei Justo e o Punirei.
EXU, O Justo Guardião das Encruzas
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Por que o professor Paul Krugman defende a bandeira do Tio Sam
O economista Paul Krugman, que em suas colunas no New York Times normalmente rebate a defesa de Wall Street, concilia ao “culpar o estrangeiro” por tentar se salvar, ao invés do sistema e seus interesses corporativos, argumenta Michael Hudson no artigo que começamos a publicar hoje
MICHAEL HUDSON *
Eis o dilema no qual a economia dos EUA se encontra: a política do Fed de alívio quantitativo [Quantitative Easing (QE2): a emissão de mais US$ 600 bilhões] – criando mais liquidez de forma que os bancos possam emprestar mais – busca ajudar a economia a “tomar emprestado sua saída da dívida”. Porém os bancos não estão emprestando mais, pela simples razão de que um terço dos imóveis dos EUA já se encontram hipotecados, enquanto os negócios pequenos e médios (que criaram a maior parte dos empregos nas últimas décadas) têm visto suas garantias preferenciais (imóveis e duplicatas) encolherem. Como se pode esperar que os bancos emprestem mais para reinflar os preços dos ativos da economia enquanto os salários e os preços ao consumidor continuam a cair? A economia “real” como um todo, portanto, deve encolher.
O que tornou a discussão sobre a política do Fed tão importante na última semana foi uma série de debates entre republicanos e democratas. A situação em deterioração levou um grupo de estrategistas políticos e econômicos republicanos a publicarem uma carta aberta ao presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, criticando a política do Alívio Quantitativo, inundando a economia com liquidez que transborda para os mercados de câmbio estrangeiros, para empurrar a taxa de câmbio do dólar para baixo. Não deixa de ser uma crítica. Mas que apenas arranha a superfície.
Vem Paul Krugman, um dos mais progressistas defensores da política do Partido Democrata. Suas colunas no New York Times normalmente rebatem a defesa de Wall Street e dos interesses corporativos pelos republicanos. Porém, ele concilia ao bater na China. “Culpar o estrangeiro”, ao invés do sistema, é normalmente uma resposta direitista, e ainda assim Krugman acusa a China simplesmente porque ela tenta se salvar, evitando tornar-se vítima das políticas de Wall Street, que ele normalmente critica quando a presa é o trabalhador. Ao culpar a China, ele não apenas deixa o Conselho do Federal Reserve e sua configuração pró-Wall Street aliviados, como acusa virtualmente todo mundo que se confrontou, duas semanas atrás, como uma frente unida em Seul, com o nacionalismo financeiro de Obama, quando ele e sua entourage receberam um quase unânime tapa na cara nos encontros do Grupo dos 20.
Tristemente, a coluna de Krugman “Eixo da Depressão”, na sexta-feira, 19 de novembro, mostrou a extensão de suas soluções preferidas: não vão além de um remendo marginalista. Seu artigo endossa a tentativa do Fed, através do alívio quantitativo, de reinflar a bolha imobliliária, ao inundar os mercados com créditos suficientes às mais baixas taxas de juros. Ele credita ao Fed a busca por “criar empregos”, não simplesmente socorrer bancos e manter as hipotecas sobre as propriedades em condição devedora.
A realidade é que reinflar os preços dos imóveis não vai facilitar a vida dos que vivem de salários e dos mutuários que fazem equilibrismos para viver. Baixar os juros vai reinflar os preços dos imóveis (“criação de riqueza” no estilo Alan Greenspan), elevando o grau de endividamento a que os novos mutuários precisam incorrer para adquirir suas casas. E quanto mais se paga pelo financiamento, menos sobra para gastar com mercadorias e serviços (a economia “real”). O emprego vai encolher em uma espiral financeira de austeridade.
Infelizmente, a maioria dos economistas estão sob lavagem cerebral, submetidos à trivialização da fórmula MV=PT. A ideia é que mais dinheiro (M) aumenta os “preços” (P) – supõe-se que os preços dos bens de consumo e os salários. (Pode-se ignorar a velocidade (V), que é meramente um resíduo tautológico.) (T) são as “transações”, e, quando se refere ao PIB, passa a ser (O) [para Output – Produção].
Ocorre que em torno de 99,9% do dinheiro e do crédito não é gasto em produtos de consumo (o “T” da equação MV = PT). Todos os dias um PIB inteiro passa pela Caixa de Compensações de Nova Iorque e pelo Câmbio Mercantil de Chicago, através de empréstimos bancários, ações e títulos, pacotes de hipotecas, derivativos e outros ativos financeiros e apostas. De forma que o efeito do alívio quantitativo do Fed (inflação monetária) é inflar os preços dos ativos, não os preços dos produtos de consumo e de outras mercadorias.
Esta é a dinâmica central do capitalismo financeiro de hoje. Ele sobrecarrega as economias com dívidas – e quando o serviço da dívida ultrapassa o saldo com o qual ela é paga, o Banco Central tenta “inflá-lo a escapatória da dívida”, criando novo crédito (“dinheiro”) para valorizar os imóveis, ações e títulos – o suficiente para que os devedores possam tomar emprestado o valor que devem. Este é o deus ex machina, o influxo externo de crédito para permitir que as economias financeirizadas operem seus esquemas Ponzi [pirâmides financeiras]. A dinâmica é encorajada pela taxação dos ganhos (“capital”) especulativos a um índice mais baixo do que os salários e os lucros. Então, por que os investidores deveriam financiar investimento em capital palpável, quando eles podem surfar na onda da inflação dos preços de ativos? A Bolha Econômica se torna uma “criação de riqueza” especulativa.
Isso poderá funcionar? Por quanto tempo crédulos investidores irão apostar em esquemas de pirâmide que crescem a uma taxa exponencialmente impossível, desfrutando da fictícia “criação de riqueza”, ao mesmo tempo que os banqueiros sobrecarregam a economia com dívidas? Por quanto tempo as pessoas pensarão que a economia está realmente crescendo quando os bancos emprestam para uma economia supervisionada por desregulamentadores ideológicos das agências?
O ideal dos banqueiros é o superavit completo, além e acima da capacidade de subsistência, a ser pago na forma de juros e tarifas – toda a renda pessoal disponível, o fluxo de caixa das corporações e a renda dos imóveis. Portanto, quando a QE do Fed rebaixa as taxas de juros das hipotecas, isso vai permitir que os donos de casas paguem menos – ou simplesmente vai elevar a taxa de capitalização do valor dos aluguéis?
A história de cobertura do Fed é que a QE beneficia os mutuários ao reduzir a dívida que eles devem arcar. Porém, se isso fosse verdade, seu ganho seria a perda dos bancos – e os banqueiros são os que, principalmente, constituem o Fed. Para o Federal Reserve, o “problema” econômico é que os preços das moradias em queda (quer dizer, mais acessíveis) estão matando os balanços dos bancos. Portanto o real objetivo do Fed é reinflar a bolha imobiliária (enquanto estimula, também, se puder, uma bolha no mercado de ações).
Uma coluna de Andy Kessler no Wall Street Journal (também publicada na sexta, 19 de novembro, data da coluna de Krugman no The New York Times) apontou para isso – mas também reconheceu que o Fed iria criar um desastre em relações públicas se viesse explicar que sua motivação para o QE2 era reverter a queda nos preços das propriedades. “Bernanke criaria um pânico se declarasse de forma pública que se não fosse por seu pó mágico de dólares os imóveis cairiam em um despenhadeiro”, e se admitisse que os balanços dos bancos ainda sofrem com “hipotecas e derivativos tóxicos”. Mas o grau de informação sobre a solvência bancária é amplamente fictício e se reflete no fato de que o valor do Bank of America (que comprou o Countrywide Finance) para o mercado de ações é somente metade do informado em seus livros, enquanto que o do Citibank está descontado em 20%.
A execução é, claro, ruim para os mutuários, mas é até pior para os bancos, porque o valor da pirâmide financeira de crédito, erigida na última década, torna-se lixo hipotecário. O problema com a análise de Krugman é que ele presume que a QE – cuja intenção é reinflar a bolha imobiliária – é boa para o emprego e até para a renovação da competitividade dos EUA, e não sua antítese. Ao focar somente no comércio e no trabalho, ele conclui que o dólar está se enfraquecendo apenas por causa do deficit comercial, não por conta das despesas militares e do vôo de capitais [para o exterior]. E ele assume que reinflar a bolha imobiliária – o objetivo explícito do Fed – fará as exportações dos EUA mais competitivas ao invés de menos! Da forma mais séria, ele assegura em sua coluna de 19 de novembro que “a razão central do ataque ao Fed é o auto-interesse, puro e simples. A China e a Alemanha querem que a América siga não competitiva”.
Não é isso que tem sido dito a mim na China e na Alemanha. Eles simplesmente querem evitar uma instabilidade que perturbe seu comércio e sua produção interna, e evitar perdas em suas reservas internacionais, que mantiveram (principalmente após o efeito de inércia das I e II Guerras Mundiais, quando os Estados Unidos aumentaram sua participação no ouro de todo o mundo em 80%, em 1950). O Tesouro dos EUA gostaria que os bancos dos EUA e os especuladores ganhassem US$ 500 bilhões fáceis, às expensas do Banco Central da China, pelo deslizamento especulativo da moeda do comércio. O Fed gostaria de ver a economia dos EUA renascer pela pilhagem das demais economias.
Isso não vai acontecer. O decadente padrão dólar das finanças internacionais está sendo ferido à velocidade em que as outras moedas se tornam capazes de substituir o dólar por trocas de moedas entre eles, liderados pelos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). A África do Sul acaba de se juntar a estes países na qualidade de um quinto membro. Especialistas em petróleo da Nigéria, Venezuela e Irã se associam numa tentativa de tornar o sistema monetário internacional menos injusto e menos espoliador. O colega de Prêmio Nobel de Krugman, Joseph Stiglitz, destacou (parece que ironicamente, também em artigo no Wall Street Journal): “Aquele dinheiro era previsto para a reignição da economia americana, mas, ao invés disso, circula o mundo em busca de economias que atualmente parecem estar indo bem, e causam destruição nelas”.
O Fed e o Congresso têm dito à China para revalorizar sua moeda, o renminbi, acima em 20%. Isto obrigaria o governo chinês e seu banco central a absorver uma perda de meio trilhão de dólares sobre os US$ 2,6 trilhões de reservas que acumulou. Estas reservas não são resultado simplesmente das exportações, muito menos de exportações para os Estados Unidos. Elas provêm do vôo de capital realizado por administradores financeiros dos EUA, analistas de Wall Street, especuladores internacionais e outros interessados em comprar ativos chineses. E também resultam dos gastos militares dos EUA em bases asiáticas e em outras regiões – dólares que os países recebem e gastam na China.
Autoridades chinesas tentaram deixar claro que sua objeção é à política norte-americana de criar o “crédito de teclado eletrônico” de 0,25% para comprar ativos rentáveis no exterior (e quase qualquer ativo no exterior é mais rentável). O Grupo dos 20 em Seul, na semana passada, acusou os Estados Unidos de depreciação competitiva de moeda e agressão financeira, e os países avançaram em tentativas de afastarem-se do dólar e de fato evitar a fuga de superávits financeiros e de pagamentos.
O resultado é que não há jeito dos Estados Unidos defenderem a depreciação do dólar em termos que obriguem outros países a assumirem perdas em suas posses. Investidores pelo mundo afora perderam a fé no dólar e outros papéis-moedas e estão se movendo em direção ao ouro ou simplesmente guardando suas economias. Durante o ano passado – desde os encontros dos BRICs em Yekaterinburg, Rússia, verão de 2009 – suas respostas têm sido evitar usar o dólar para se protegerem do vôo agressivo de capital dos EUA, que busca invadir os bancos centrais, comprar suas economias, matéria-prima e ativos com “crédito de papel” e de fato elevar os gastos militares.
Ao invés de apoiar essa tentativa dos países – um movimento que tem a consequência positiva para a paz mundial de limitar o aventureirismo militar dos EUA (assim como a Guerra do Vietnã finalmente forçou o dólar a se descolar do ouro em 1971), Krugman está usando a crise para atacar a China – como se o seu sucesso fosse o que está prejudicando o trabalho nos EUA, não a política pós-industrial pró-financeira, que inflou a bolha imobiliária, privatizou a saúde sem uma opção pública – e sem mesmo um desconto para compras a granel de medicamentos pelo governo dos EUA – e o fracasso em contabilizar as hipotecas e outras dívidas bancárias para verificar a condição de pagamento dos bancos.
Hoje, bater na China é muito parecido com os anteriores ataques ao Japão e outros países asiáticos no final dos anos 80, demonizando economias bem sucedidas por haverem evitado práticas predatórias que corroeram a indústria norte-americana, financializando e pós-industrializando a sua economia. A pirâmide da dívida dos EUA, que ocorreu desde 1980, se tornou uma guerra de classes que tem pouca justificativa econômica. Portanto, culpar os estrangeiros – por enriquecerem exatamente da mesma forma que os Estados Unidos fizeram desde que o Norte venceu a Guerra Civil em 1865 – simplesmente oferece cobertura política para um status quo que não funciona.
* Michael Hudson foi economista em Wall Street e hoje é professor e pesquisador na Universidade de Missouri e autor de vários livros entre eles “Estratégia Econômica do Império Americano”.
MICHAEL HUDSON *
Eis o dilema no qual a economia dos EUA se encontra: a política do Fed de alívio quantitativo [Quantitative Easing (QE2): a emissão de mais US$ 600 bilhões] – criando mais liquidez de forma que os bancos possam emprestar mais – busca ajudar a economia a “tomar emprestado sua saída da dívida”. Porém os bancos não estão emprestando mais, pela simples razão de que um terço dos imóveis dos EUA já se encontram hipotecados, enquanto os negócios pequenos e médios (que criaram a maior parte dos empregos nas últimas décadas) têm visto suas garantias preferenciais (imóveis e duplicatas) encolherem. Como se pode esperar que os bancos emprestem mais para reinflar os preços dos ativos da economia enquanto os salários e os preços ao consumidor continuam a cair? A economia “real” como um todo, portanto, deve encolher.
O que tornou a discussão sobre a política do Fed tão importante na última semana foi uma série de debates entre republicanos e democratas. A situação em deterioração levou um grupo de estrategistas políticos e econômicos republicanos a publicarem uma carta aberta ao presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, criticando a política do Alívio Quantitativo, inundando a economia com liquidez que transborda para os mercados de câmbio estrangeiros, para empurrar a taxa de câmbio do dólar para baixo. Não deixa de ser uma crítica. Mas que apenas arranha a superfície.
Vem Paul Krugman, um dos mais progressistas defensores da política do Partido Democrata. Suas colunas no New York Times normalmente rebatem a defesa de Wall Street e dos interesses corporativos pelos republicanos. Porém, ele concilia ao bater na China. “Culpar o estrangeiro”, ao invés do sistema, é normalmente uma resposta direitista, e ainda assim Krugman acusa a China simplesmente porque ela tenta se salvar, evitando tornar-se vítima das políticas de Wall Street, que ele normalmente critica quando a presa é o trabalhador. Ao culpar a China, ele não apenas deixa o Conselho do Federal Reserve e sua configuração pró-Wall Street aliviados, como acusa virtualmente todo mundo que se confrontou, duas semanas atrás, como uma frente unida em Seul, com o nacionalismo financeiro de Obama, quando ele e sua entourage receberam um quase unânime tapa na cara nos encontros do Grupo dos 20.
Tristemente, a coluna de Krugman “Eixo da Depressão”, na sexta-feira, 19 de novembro, mostrou a extensão de suas soluções preferidas: não vão além de um remendo marginalista. Seu artigo endossa a tentativa do Fed, através do alívio quantitativo, de reinflar a bolha imobliliária, ao inundar os mercados com créditos suficientes às mais baixas taxas de juros. Ele credita ao Fed a busca por “criar empregos”, não simplesmente socorrer bancos e manter as hipotecas sobre as propriedades em condição devedora.
A realidade é que reinflar os preços dos imóveis não vai facilitar a vida dos que vivem de salários e dos mutuários que fazem equilibrismos para viver. Baixar os juros vai reinflar os preços dos imóveis (“criação de riqueza” no estilo Alan Greenspan), elevando o grau de endividamento a que os novos mutuários precisam incorrer para adquirir suas casas. E quanto mais se paga pelo financiamento, menos sobra para gastar com mercadorias e serviços (a economia “real”). O emprego vai encolher em uma espiral financeira de austeridade.
Infelizmente, a maioria dos economistas estão sob lavagem cerebral, submetidos à trivialização da fórmula MV=PT. A ideia é que mais dinheiro (M) aumenta os “preços” (P) – supõe-se que os preços dos bens de consumo e os salários. (Pode-se ignorar a velocidade (V), que é meramente um resíduo tautológico.) (T) são as “transações”, e, quando se refere ao PIB, passa a ser (O) [para Output – Produção].
Ocorre que em torno de 99,9% do dinheiro e do crédito não é gasto em produtos de consumo (o “T” da equação MV = PT). Todos os dias um PIB inteiro passa pela Caixa de Compensações de Nova Iorque e pelo Câmbio Mercantil de Chicago, através de empréstimos bancários, ações e títulos, pacotes de hipotecas, derivativos e outros ativos financeiros e apostas. De forma que o efeito do alívio quantitativo do Fed (inflação monetária) é inflar os preços dos ativos, não os preços dos produtos de consumo e de outras mercadorias.
Esta é a dinâmica central do capitalismo financeiro de hoje. Ele sobrecarrega as economias com dívidas – e quando o serviço da dívida ultrapassa o saldo com o qual ela é paga, o Banco Central tenta “inflá-lo a escapatória da dívida”, criando novo crédito (“dinheiro”) para valorizar os imóveis, ações e títulos – o suficiente para que os devedores possam tomar emprestado o valor que devem. Este é o deus ex machina, o influxo externo de crédito para permitir que as economias financeirizadas operem seus esquemas Ponzi [pirâmides financeiras]. A dinâmica é encorajada pela taxação dos ganhos (“capital”) especulativos a um índice mais baixo do que os salários e os lucros. Então, por que os investidores deveriam financiar investimento em capital palpável, quando eles podem surfar na onda da inflação dos preços de ativos? A Bolha Econômica se torna uma “criação de riqueza” especulativa.
Isso poderá funcionar? Por quanto tempo crédulos investidores irão apostar em esquemas de pirâmide que crescem a uma taxa exponencialmente impossível, desfrutando da fictícia “criação de riqueza”, ao mesmo tempo que os banqueiros sobrecarregam a economia com dívidas? Por quanto tempo as pessoas pensarão que a economia está realmente crescendo quando os bancos emprestam para uma economia supervisionada por desregulamentadores ideológicos das agências?
O ideal dos banqueiros é o superavit completo, além e acima da capacidade de subsistência, a ser pago na forma de juros e tarifas – toda a renda pessoal disponível, o fluxo de caixa das corporações e a renda dos imóveis. Portanto, quando a QE do Fed rebaixa as taxas de juros das hipotecas, isso vai permitir que os donos de casas paguem menos – ou simplesmente vai elevar a taxa de capitalização do valor dos aluguéis?
A história de cobertura do Fed é que a QE beneficia os mutuários ao reduzir a dívida que eles devem arcar. Porém, se isso fosse verdade, seu ganho seria a perda dos bancos – e os banqueiros são os que, principalmente, constituem o Fed. Para o Federal Reserve, o “problema” econômico é que os preços das moradias em queda (quer dizer, mais acessíveis) estão matando os balanços dos bancos. Portanto o real objetivo do Fed é reinflar a bolha imobiliária (enquanto estimula, também, se puder, uma bolha no mercado de ações).
Uma coluna de Andy Kessler no Wall Street Journal (também publicada na sexta, 19 de novembro, data da coluna de Krugman no The New York Times) apontou para isso – mas também reconheceu que o Fed iria criar um desastre em relações públicas se viesse explicar que sua motivação para o QE2 era reverter a queda nos preços das propriedades. “Bernanke criaria um pânico se declarasse de forma pública que se não fosse por seu pó mágico de dólares os imóveis cairiam em um despenhadeiro”, e se admitisse que os balanços dos bancos ainda sofrem com “hipotecas e derivativos tóxicos”. Mas o grau de informação sobre a solvência bancária é amplamente fictício e se reflete no fato de que o valor do Bank of America (que comprou o Countrywide Finance) para o mercado de ações é somente metade do informado em seus livros, enquanto que o do Citibank está descontado em 20%.
A execução é, claro, ruim para os mutuários, mas é até pior para os bancos, porque o valor da pirâmide financeira de crédito, erigida na última década, torna-se lixo hipotecário. O problema com a análise de Krugman é que ele presume que a QE – cuja intenção é reinflar a bolha imobiliária – é boa para o emprego e até para a renovação da competitividade dos EUA, e não sua antítese. Ao focar somente no comércio e no trabalho, ele conclui que o dólar está se enfraquecendo apenas por causa do deficit comercial, não por conta das despesas militares e do vôo de capitais [para o exterior]. E ele assume que reinflar a bolha imobiliária – o objetivo explícito do Fed – fará as exportações dos EUA mais competitivas ao invés de menos! Da forma mais séria, ele assegura em sua coluna de 19 de novembro que “a razão central do ataque ao Fed é o auto-interesse, puro e simples. A China e a Alemanha querem que a América siga não competitiva”.
Não é isso que tem sido dito a mim na China e na Alemanha. Eles simplesmente querem evitar uma instabilidade que perturbe seu comércio e sua produção interna, e evitar perdas em suas reservas internacionais, que mantiveram (principalmente após o efeito de inércia das I e II Guerras Mundiais, quando os Estados Unidos aumentaram sua participação no ouro de todo o mundo em 80%, em 1950). O Tesouro dos EUA gostaria que os bancos dos EUA e os especuladores ganhassem US$ 500 bilhões fáceis, às expensas do Banco Central da China, pelo deslizamento especulativo da moeda do comércio. O Fed gostaria de ver a economia dos EUA renascer pela pilhagem das demais economias.
Isso não vai acontecer. O decadente padrão dólar das finanças internacionais está sendo ferido à velocidade em que as outras moedas se tornam capazes de substituir o dólar por trocas de moedas entre eles, liderados pelos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). A África do Sul acaba de se juntar a estes países na qualidade de um quinto membro. Especialistas em petróleo da Nigéria, Venezuela e Irã se associam numa tentativa de tornar o sistema monetário internacional menos injusto e menos espoliador. O colega de Prêmio Nobel de Krugman, Joseph Stiglitz, destacou (parece que ironicamente, também em artigo no Wall Street Journal): “Aquele dinheiro era previsto para a reignição da economia americana, mas, ao invés disso, circula o mundo em busca de economias que atualmente parecem estar indo bem, e causam destruição nelas”.
O Fed e o Congresso têm dito à China para revalorizar sua moeda, o renminbi, acima em 20%. Isto obrigaria o governo chinês e seu banco central a absorver uma perda de meio trilhão de dólares sobre os US$ 2,6 trilhões de reservas que acumulou. Estas reservas não são resultado simplesmente das exportações, muito menos de exportações para os Estados Unidos. Elas provêm do vôo de capital realizado por administradores financeiros dos EUA, analistas de Wall Street, especuladores internacionais e outros interessados em comprar ativos chineses. E também resultam dos gastos militares dos EUA em bases asiáticas e em outras regiões – dólares que os países recebem e gastam na China.
Autoridades chinesas tentaram deixar claro que sua objeção é à política norte-americana de criar o “crédito de teclado eletrônico” de 0,25% para comprar ativos rentáveis no exterior (e quase qualquer ativo no exterior é mais rentável). O Grupo dos 20 em Seul, na semana passada, acusou os Estados Unidos de depreciação competitiva de moeda e agressão financeira, e os países avançaram em tentativas de afastarem-se do dólar e de fato evitar a fuga de superávits financeiros e de pagamentos.
O resultado é que não há jeito dos Estados Unidos defenderem a depreciação do dólar em termos que obriguem outros países a assumirem perdas em suas posses. Investidores pelo mundo afora perderam a fé no dólar e outros papéis-moedas e estão se movendo em direção ao ouro ou simplesmente guardando suas economias. Durante o ano passado – desde os encontros dos BRICs em Yekaterinburg, Rússia, verão de 2009 – suas respostas têm sido evitar usar o dólar para se protegerem do vôo agressivo de capital dos EUA, que busca invadir os bancos centrais, comprar suas economias, matéria-prima e ativos com “crédito de papel” e de fato elevar os gastos militares.
Ao invés de apoiar essa tentativa dos países – um movimento que tem a consequência positiva para a paz mundial de limitar o aventureirismo militar dos EUA (assim como a Guerra do Vietnã finalmente forçou o dólar a se descolar do ouro em 1971), Krugman está usando a crise para atacar a China – como se o seu sucesso fosse o que está prejudicando o trabalho nos EUA, não a política pós-industrial pró-financeira, que inflou a bolha imobiliária, privatizou a saúde sem uma opção pública – e sem mesmo um desconto para compras a granel de medicamentos pelo governo dos EUA – e o fracasso em contabilizar as hipotecas e outras dívidas bancárias para verificar a condição de pagamento dos bancos.
Hoje, bater na China é muito parecido com os anteriores ataques ao Japão e outros países asiáticos no final dos anos 80, demonizando economias bem sucedidas por haverem evitado práticas predatórias que corroeram a indústria norte-americana, financializando e pós-industrializando a sua economia. A pirâmide da dívida dos EUA, que ocorreu desde 1980, se tornou uma guerra de classes que tem pouca justificativa econômica. Portanto, culpar os estrangeiros – por enriquecerem exatamente da mesma forma que os Estados Unidos fizeram desde que o Norte venceu a Guerra Civil em 1865 – simplesmente oferece cobertura política para um status quo que não funciona.
* Michael Hudson foi economista em Wall Street e hoje é professor e pesquisador na Universidade de Missouri e autor de vários livros entre eles “Estratégia Econômica do Império Americano”.
Pronunciamento do Ministro da Cultura, Juca Ferreira,
Olá minha gente de todo o Brasil.
A cultura brasileira está vivendo um dos seus melhores momentos, graças a disposição do presidente Lula em encarar a cultura como estratégica para o desenvolvimento do nosso país.
Avançamos, e muito, na construção de uma nova política cultural. Nunca houve tantos recursos para se fazer arte e cultura neste país, e nunca o Brasil foi tão admirado internacionalmente. Nossa cultura é o nosso grande diferencial.
É com muita alegria que podemos comemorar o Plano Nacional de Cultura, já aprovado pelo congresso nacional e que está sendo sancionado pelo presidente da República.
Construído por milhares de brasileiros, este plano é um guia para orientar políticas e investimentos em cultura pelos próximos 10 anos. É um instrumento que articula os governos, federal, estaduais e municipais para que, junto com a sociedade e produtores culturais, atuem pelo desenvolvimento da cultura.
É importante registrar o apoio do parlamento, que contribuiu para a elaboração e aprovação deste plano.
O plano nacional de cultura dialoga com uma extensa e fundamental agenda em andamento no Congresso. Chamo a atenção para o novo modelo de financiamento da cultura (o Procultura), para a importância do Fundo Social do Pré-Sal. Destaco também o Vale-Cultura, que vai possibilitar, com a adesão dos empregadores, que até 12 milhões de trabalhadores possam ter acesso a teatros e cinemas, comprar livros, cds e outros bens culturais que escolherem.
Estas iniciativas dão ao Brasil a oportunidade de tornar-se um país à altura de sua exuberante diversidade cultural, oferecendo mais oportunidade para quem quer produzir, fortalecendo a economia da cultura no Brasil e garantindo o direito de cada cidadão deste país de ter acesso pleno aos bens culturais.
Estamos zerando o número de municípios sem biblioteca e acabamos de assinar uma portaria determinando que, de agora em diante, só podem receber recursos do ministério da cultura os municípios que mantiverem as suas bibliotecas em pleno funcionamento.
Hoje estamos entregando a 40 brasileiros a ordem do mérito cultural, destacando indivíduos e entidades que contribuíram de forma relevante para o país, além de prestar uma homenagem especial à Darcy Ribeiro, um dos grandes ícones da nossa cultura.
Quero parabenizar a todos os artistas, produtores e trabalhadores culturais que fazem o nosso Brasil bem mais democrático, plural e mais criativo.
Todos pela Cultura para todos
Muito obrigado.
A cultura brasileira está vivendo um dos seus melhores momentos, graças a disposição do presidente Lula em encarar a cultura como estratégica para o desenvolvimento do nosso país.
Avançamos, e muito, na construção de uma nova política cultural. Nunca houve tantos recursos para se fazer arte e cultura neste país, e nunca o Brasil foi tão admirado internacionalmente. Nossa cultura é o nosso grande diferencial.
É com muita alegria que podemos comemorar o Plano Nacional de Cultura, já aprovado pelo congresso nacional e que está sendo sancionado pelo presidente da República.
Construído por milhares de brasileiros, este plano é um guia para orientar políticas e investimentos em cultura pelos próximos 10 anos. É um instrumento que articula os governos, federal, estaduais e municipais para que, junto com a sociedade e produtores culturais, atuem pelo desenvolvimento da cultura.
É importante registrar o apoio do parlamento, que contribuiu para a elaboração e aprovação deste plano.
O plano nacional de cultura dialoga com uma extensa e fundamental agenda em andamento no Congresso. Chamo a atenção para o novo modelo de financiamento da cultura (o Procultura), para a importância do Fundo Social do Pré-Sal. Destaco também o Vale-Cultura, que vai possibilitar, com a adesão dos empregadores, que até 12 milhões de trabalhadores possam ter acesso a teatros e cinemas, comprar livros, cds e outros bens culturais que escolherem.
Estas iniciativas dão ao Brasil a oportunidade de tornar-se um país à altura de sua exuberante diversidade cultural, oferecendo mais oportunidade para quem quer produzir, fortalecendo a economia da cultura no Brasil e garantindo o direito de cada cidadão deste país de ter acesso pleno aos bens culturais.
Estamos zerando o número de municípios sem biblioteca e acabamos de assinar uma portaria determinando que, de agora em diante, só podem receber recursos do ministério da cultura os municípios que mantiverem as suas bibliotecas em pleno funcionamento.
Hoje estamos entregando a 40 brasileiros a ordem do mérito cultural, destacando indivíduos e entidades que contribuíram de forma relevante para o país, além de prestar uma homenagem especial à Darcy Ribeiro, um dos grandes ícones da nossa cultura.
Quero parabenizar a todos os artistas, produtores e trabalhadores culturais que fazem o nosso Brasil bem mais democrático, plural e mais criativo.
Todos pela Cultura para todos
Muito obrigado.
LULA OUVE MANIFESTAÇÃO A FAVOR DE JUCA FERREIRA
“É pena que a companheira Dilma não esteja aqui para ouvir”, disse o presidente, no Rio
Em clima de despedida, o presidente Lula e o Ministro da Cultura Juca Ferreira participaram ontem à noite da entrega do prêmio Ordem do Mérito Cultural 2010, no Teatro Municipal, no Rio. A plateia, formada por artistas e trabalhadores da área cultural, recebeu o Ministro aos gritos de “Fica, Juca”, confirmando um movimento que se formou na classe artística pela permanência do Ministro no governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Ao discursar, no fim da premiação, o presidente Lula afirmou que gostaria que a presidente eleita estivesse no Teatro para ouvir os apelos:
“Eu vi que, quando você foi anunciado, gritaram “Fica, Juca; Fica, Juca”. É uma pena que a companheira Dilma não esteja aqui para ouvir” afirmou o presidente, comparando a situação à despedida de Pelé, no Maracanã. E não sei se você fica, mas eu quero dizer, do fundo do meu coração, que agradeço eternamente o fato de ter tido você como meu Ministro da Cultura no segundo mandato.
O presidente afirmou ainda que, independentemente permanecer no Ministério, Juca Ferreira, a quem chamou de Juquinha, continuará a fazer um bom trabalho pela cultura brasileira, já que não é o tipo de pessoa que precisa de cargo.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o governador Sérgio Cabral também participaram da cerimônia, que premiou, entre outros, Glória Pires, Hermeto Pascoal e Leonardo Boff. No início da premiação, o presidente Lula sancionou o Plano Nacional da Cultura, que vai estabelecer as diretrizes da política cultural do governo pelos próximos dez anos.
Em clima de despedida, o presidente Lula e o Ministro da Cultura Juca Ferreira participaram ontem à noite da entrega do prêmio Ordem do Mérito Cultural 2010, no Teatro Municipal, no Rio. A plateia, formada por artistas e trabalhadores da área cultural, recebeu o Ministro aos gritos de “Fica, Juca”, confirmando um movimento que se formou na classe artística pela permanência do Ministro no governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Ao discursar, no fim da premiação, o presidente Lula afirmou que gostaria que a presidente eleita estivesse no Teatro para ouvir os apelos:
“Eu vi que, quando você foi anunciado, gritaram “Fica, Juca; Fica, Juca”. É uma pena que a companheira Dilma não esteja aqui para ouvir” afirmou o presidente, comparando a situação à despedida de Pelé, no Maracanã. E não sei se você fica, mas eu quero dizer, do fundo do meu coração, que agradeço eternamente o fato de ter tido você como meu Ministro da Cultura no segundo mandato.
O presidente afirmou ainda que, independentemente permanecer no Ministério, Juca Ferreira, a quem chamou de Juquinha, continuará a fazer um bom trabalho pela cultura brasileira, já que não é o tipo de pessoa que precisa de cargo.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o governador Sérgio Cabral também participaram da cerimônia, que premiou, entre outros, Glória Pires, Hermeto Pascoal e Leonardo Boff. No início da premiação, o presidente Lula sancionou o Plano Nacional da Cultura, que vai estabelecer as diretrizes da política cultural do governo pelos próximos dez anos.
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