sexta-feira, 16 de julho de 2010

Os Dez Mandamentos do bom professor

Esses mandamentos foram construídos para o professor do Ensino Básico brasileiro (caso ele ganhasse, no mínimo, 21 reais a hora aula)

1. Ter o domínio do que pretende que seja aprendido. Há um ditado popular que diz “que quem não sabe ensina”. O bom professor prova que esse ditado está errado, só quem realmente sabe, ensina de modo efetivo a ponto do aprendizado ser completo. O aprendizado se dá não se o estudante sabe repetir enunciados sobre o que ouviu, mas se, de acordo com os conteúdos que foram ensinados, opera com eles em sua vida por meio de comportamentos e hábitos que passa a ter, e que antes não tinha.

2. Ter a capacidade de se colocar no lugar do aluno, ouvindo-o e levando-o a sério. Muitos adultos, pais e professores fazem “café com leite” das crianças. Jogam com eles através de artifícios. Esses artifícios começam cedo, quando elas são pequeninas (deixando-as ganhar em jogo que elas não entendem etc.) e, depois, erradamente, se mantém na escola. Eis então que toda a arte da conversação se torna falsa e mais falsa ainda quando a didática é artificial. O aluno percebe logo que esses adultos vivem na artificialidade e, então, identificam também no professor e na escola essa situação “de brincadeirinha”, ele ou se revolta ou se adapta de modo pouco produtivo ou aparentemente produtivo.

3. Saber convencer. O bom professor é alguém que “vende o seu peixe” ou “ganha o aluno para o seu negócio”. Não se ensina por meio de frases doutrinárias ou textos excessivamente posicionados que se negam a oferecer boas razões do que defendem. A conversação em sala de aula é um “dar e receber razões”. O professor é uma pessoa persuasiva ou não é professor. Mas a persuasão do professor não é qualquer uma, ela é feita por mostrar razões e ele ensina por meio de solicitar razões.

4. Ser razoável. Uma das coisas mais difíceis para o professor é ser razoável. Em geral ele ou cria situações que são impossíveis do aluno cumprir, que ele próprio, professor, não conseguiu e não conseguiria cumprir em situação normal, ou então ele adota a postura de “passar a mão na cabeça”, tomando os alunos como incapazes e facilitando o serviço deles para além da conta. Na sala de aula o professor faz o jogo de “dar e pedir razões” quanto ao conteúdo, mas na postura geral quanto aos alunos vale sua capacidade de ponderar, perante si mesmo, se ele realmente é uma pessoa razoável ou apenas alguém inconseqüente.

5. Ter grande percepção de si mesmo. O bom professor é um analista de si mesmo. Estou bem vestido para ir dar aula? Minha voz é boa? Estou atento aos alunos ou sou desleixado? Sou capaz de admitir quando erro? Gosto da atividade de professor? Tenho capacidade de não me deixar levar por impulsos meus, e inclusive por complexos psicológicos? Tenho mesmo a capacidade de ajudar os alunos ou sempre acho que há algum caçoando de mim, e quero prejudicá-lo. Trabalho antes por vingança contra aluno que por entender que faço parte de um grupo de elite que é “formador de opinião”? O professor que não consegue ser sincero para si mesmo diante dessas perguntas, que não consegue se preparar com isso, nunca será um bom professor. Preparar a aula é, antes de tudo, preparar a si mesmo.

6. Ter capacidade de compreender a profissão. O bom professor conhece a dimensão pedagógica, política e sindical de sua profissão. Na dimensão pedagógica, ele é alguém que não se admite despreparado para uma aula. Se não sabe, busca aprender. Na dimensão política, ele sabe que é um cidadão com o qual a sociedade conta como mais qualificado que outros, que é dele que se espera a vinda das idéias para as melhores mudanças. Na dimensão sindical ele mostra conhecer a legislação que rege o ensino e também a que rege a sua própria carreira. Está sempre pronto para atuar na articulação entre necessidades sindicais e necessidades pedagógicas. Não é bom professor aquele que nunca leu um bom manual de filosofia e história da educação brasileira.

7. Ser um leitor consciente. O bom professor não tira a cópia Xerox e nem incentiva o Xerox que, aliás, é crime. Ele valoriza o livro, educa seus alunos para terem uma mini-biblioteca, a freqüentarem livrarias presenciais ou virtuais. Fomenta o gosto pela leitura e, principalmente, ensina seus alunos a ler no sentido da ampliação do texto, não no sentido do “fichamento” ou “resumo”. Ele próprio é um leitor atento para todas as variáveis do texto, para o autor, jamais opinando somente porque leu o título ou fazendo do texto um pretexto para falar sobre outro assunto que não aquele que diz comentar. O professor de “cabeça cheia”, ou seja, aquele que só tem uma idéia e tudo que lê absorve segundo aquela idéia, gerará alunos frustrados ou então alunos limitados como ele.

8. Ser um desbravador criativo. Alunos são crateras ferventes, em vários níveis. Na adolescência, o vulcão entra em erupção. O professor não deve temer isso. Ele também foi criança e jovem. Não pode temer o seu passado. Deve compreender suas angústias e verificar se conseguiu superá-las. Caso tenha conseguido, poderá indicar caminhos para os alunos. Caso não tenha conseguido, deve se precaver para não perder o auto-controle diante dos problemas dos alunos que, enfim, o fazem lembrar que ele também não superou sua adolescência. Em um determinado nível, nunca somos adultos. No entanto, como professores, devemos saber quando é que o problema do aluno é o nosso, e como que não podemos nos perder nessa possível confusão. A conversa com os jovens fora da sala de aula, tentando compreendê-los, pode manter a profissão em seu exercício possível, diário, difícil, às vezes até perigoso. Entrar em novos campos exige capacidade criativa. Enfrentar a vida é para quem tem imaginação.

9. Ser capaz de fazer do aprendizado uma tarefa coletiva e desafiadora. A pior situação que o professor pode criar é aquela em que ele não consegue mostrar que os problemas que irá tentar resolver em sala de aula, durante o ano letivo, não são só dele ou “da escola” ou “para cumprir etapa”. Os problemas são problemas de todos. São desafios que devem ser postos para toda a classe que o professor tem diante de si e para ele mesmo. Posto um problema, o professor deve convidar os alunos a enfrentá-lo junto com ele, pois se trata de um problema de todos – real problema de todos. Ninguém escapa de problemas que se universalizam e que, por isso, são também particulares, que estão acontecendo com cada um de nós. Compreendido isso, então o problema ou “a matéria” se torna um desafio interessante e válido para o estudante. Do mesmo modo que ela o é para o professor – ou deveria ser.

10. Ser curioso. O professor é curioso ou não é nem nunca será professor. O professor que toma o assunto que irá ensinar não problemático, sem algo que desperte sua curiosidade e, então, seja capaz de aguçar a curiosidade do aluno, inclusive sua imaginação, não tem qualquer habilidade para ser professor. Deve desistir.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

TSE julga improcedente representação contra Dilma por propaganda antecipada

O ministro auxiliar Joelson Dias, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), julgou improcedente a representação contra a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, por propaganda eleitoral fora de época.

O Ministério Público Eleitoral pedia multa a Dilma por suposta propaganda antecipada feita em entrevista concedida, no dia 7 de abril, ao programa "Rádio Vivo", da rádio Itatiaia, em Belo Horizonte (MG).

Segundo a ação, Dilma mencionou na entrevista as eleições deste ano, com exposição de sua candidatura e da plataforma de governo, além de realizar comparações entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do qual seu adversário José Serra (PSDB) atuou como ministro.

Dias considerou a representação improcedente por não verificar a ocorrência de propaganda antecipada supostamente feita por Dilma na entrevista.

Segundo o ministro, pela mídia e degravação da entrevista, que acompanharam o processo, "não houve pedido expresso de votos durante a referida entrevista, tendo a representada [Dilma Rousseff] limitado-se à exposição de sua plataforma e projetos políticos".

Ele também não identificou nos autos a suposta propaganda negativa que Dilma teria feito de Serra. "No caso específico dos autos, no entanto, tenho que a representada não chegou necessariamente [na entrevista] a comparar as suas realizações com as de seu adversário político específico, o então também pré-candidato José Serra, nem a formular propriamente crítica à sua conduta."

Eleição em 18 Estados pode ser definida em primeiro turno

Pesquisas disponíveis em 23 Estados e no Distrito Federal indicam que 18 disputas a governador podem ser definidas no 1º turno.

Também em 18 unidades da Federação há candidatos competitivos --que estão em primeiro lugar ou com chance de ir ao segundo turno-- representando as forças políticas que já estão no poder.

O Estado recordista da longevidade de um mesmo grupo no governo é São Paulo. Desde 1994 o PSDB ganha seguidamente as eleições. Não há equivalente em nenhuma outra região do país.

Os mapas do Brasil multicoloridos no topo da página indicam quais partidos venceram nos Estados em todas as eleições desde 1994. Foi nesse ano que presidente, governadores, deputados e senadores passaram a ser escolhidos na mesma data. Exceto por São Paulo, nenhum dos Estados nem o DF estão pintados apenas de uma cor.

Estados do Nordeste, em geral tidos como redutos de coronelismo político, tiveram alternância de poder. A Bahia, dominada historicamente por políticos ligados ao DEM (antigo PFL), foi conquistada pelo PT em 2006.

Agora, se vencer neste ano em São Paulo, o PSDB registrará um novo recorde: a chance de ficar 20 anos no poder. No momento, o candidato tucano ao Bandeirantes, Geraldo Alckmin, lidera as pesquisas --podendo encerrar a disputa no 1º turno.

O contraponto ao PSDB em termos de longevidade é o PT no Estado do Acre. Os petistas venceram todas as eleições desde 1998. Neste ano, o partido continua competitivo, com o senador Tião Viana à frente nas pesquisas.

CONTINUIDADE

As pesquisas listadas na tabela desta página mostram apenas a linha de largada da eleição deste ano. Feita a ressalva, se a tendência for mantida, não haverá grandes alterações na composição geral de número de governadores por sigla em 2011.

O PT, por exemplo, já governa hoje quatro Estados (Acre, Bahia, Pará e Sergipe). Em todos esses há petistas competitivos. O partido também tem Tarso Genro em primeiro no Rio Grande do Sul.

O PSDB governa no momento seis Estados (Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo). Não há pesquisa disponível sobre Alagoas. Nos cinco restantes, os tucanos são competitivos em Minas, Roraima e São Paulo. Em Santa Catarina, decidiu não ter candidato próprio.

O PMDB, que hoje governa nove Estados, tem chances em ao menos oito localidades. O DEM, que não governa nenhum Estado, é favorito só no Rio Grande do Norte.

Brasil deve crescer pelo menos 7% em 2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar certo que o Brasil deve crescer a índices não inferiores a 7% em 2010. A declaração do persidente foi durante a 4ª Cúpula Brasil-União Europeia que ocorre em Brasília. Lula afirmou ainda que o País deve gerar mais de 2,5 milhões de empregos formais até o final do ano.

"Preferimos confiar em políticas anticíclicas de fomento ao crescimento em uma regulação bancária eficaz e bancos públicos robustos e no mercado interno pujante. Isso fez a diferença. Em 2010, projetamos um crescimento da economia brasileira não inferior a 7% e a geração de 2,5 milhões de empregos formais".

Ao lado do presidente da Comissão da Europeia, José Manuel Barroso, e do presidente do Conselho Europeu, Herman von Rompuy, Lula voltou a fazer críticas ao protecionismo da União Europeia na adoção de medidas que dificultam a entrada de estrangeiros nos países do bloco.

"Insistir no protecionismo e criminalizar a emigração só agrava essa situação. A porta do Brasil para responder a crise foi outra: no momento em que a crise ceifava os empregos no País não hesitamos em regularizar a situação de dezenas de milhares de imigrantes. Fomos e continuaremos a ser um país aberto e solidário àqueles que vêm procurar no Brasil trabalho digno e uma vida melhor".

terça-feira, 13 de julho de 2010

As Águas de Oxalá

“As Águas de Oxalá” é um dos rituais mais eloqüentes e belos da tradição do Candomblé. Oxalá é o grande orixá, o Orixá Funfun (pureza), que representa a paz, a água, a harmonia, a criação dos seres humanos. Cultuado em todas as ”Nações“ de matriz africana, Oxalá traz a essência e o poder da fertilização. A significação da Oferenda denominada de ”Águas de Oxalá“ está pautada no dinamismo da renovação, da purificação e da preparação da Terra e dos homens para a semeadura em espaços férteis de procriação através do poder que a água veicula. A mudança entre o passado e o presente que se afirma, sem perder o elo de ligação. Poderia ser comparada como o renascer de um novo ano, de uma nova fase, de uma nova era. Onde todos os seres, todas as energias estão receptivas paras as inovações numa reflexão critica das necessidades de mudanças de comportamentais das relações universais em toda a sua amplitude, seja social, econômica, ecológica etc. visando sempre o equilíbrio necessário para a eternização do todo. A água é um dos elementos de grande importância de manutenção e preservação do axé. A água é um dos veículos de transporte do axé, a força mágica sagrada que permite as mudanças e transformações rumo ao equilíbrio dinâmico do universo.

Às ”Águas de Oxalá“ remonta uma das parábolas de tantas outras da Visão de Mundo de tradição africana, visão esta que é originária de uma cultura tradicional e religiosa, rica de ensinamentos e proposições bem elaboradas e bem definidas num contexto próprio, embora na sua tradução não fere princípios diferentes de outros povos. É sempre pensada no coletivo e na diversidade de todas as sociedades. Aprendi com o meu mentor espiritual, ou melhor, meu Babalorixá Paulinho de Oxossi, quando fizemos as primeiras cerimônias das ”Águas de Oxalá“, em Belém do Pará, no Ilé Axé Iya Omi Ofa Karé, nos idos do ano de 1987 o seguinte Itan (historias dos povos africanos, parábolas, Mitologia etc)”.

Oxalá tivera um sonho com Xangô e como este era um dos seus filhos mais querido, ficou muito preocupado, pois não conseguia ficar sem pensar no seu filho. Há muito tempo que Oxalá não tinha contato com Xangô e já que o fato o instigava, resolveu visitá-lo. Porém, antes da viagem foi consultar o Orunmilá, o Oluô, o Senhor do destino, o grande conhecedor do futuro, para fazer uma consulta e contar do ocorrido, além da grande saudade que sentia do seu filho. Orunmilá, grande amigo de Oxalá, observando a conformação dos seus ikins (elementos da adivinhação, búzios, caroços de dendê, nozes de cola, sementes consagradas); após jogá-los no seu opere (espécie de peneira ou tábua onde se joga os ikins), disse para Oxalá:
-Não é um bom momento para o senhor viajar, vejo muitas dificuldades e problemas durante o seu percurso. Muitas coisas poderão acontecer durante a sua caminhada.
Oxalá respondeu:
-Orunmilá, eu preciso muito conversar com Xangô, sei que ele enfrentará uma grande batalha e tenho que ajudá-lo. No seu reino tem muita discórdia e dias difíceis virão.
Orunmilá respondeu:
-O Senhor pode ir sim. Desde que faça algumas oferendas (ebós) para garantir a sua chegada em paz, vão ter problemas sim, mas vamos amenizá-los. Primeiro o senhor terá que preparar 03 peças de roupas brancas e durante a sua viagem não poderá conversar com ninguém e evitará ficar com as roupas suja. O seu silêncio só cessará quando o senhor encontrar com Xangô, além de evitar que as suas roupas fiquem sujas, repito: evite falar com as pessoas e jamais se desvie do caminho para que possas chegar em paz. O senhor só poderá conversar com Xangô quando chegar no seu destino.

Oxalá, após fazer as Oferendas indicadas por Orunmilá, vestiu-se com a primeira roupa, colocou as outras duas em um saco e começou a sua caminhada rumo a Oió (Terra do reino de Xangô), sustentado com o seu Opaxoro (Cajado sagrado).
Exu, o Orixá da palavra, a boca que tudo come, o transportador do ebó, resolveu testar Oxalá, para observar se ele iria cumprir a risca as determinações de Orunmilá.

Na primeira peça, Exu disfarçou-se de mendigo e atravessou no momento que Oxalá passava e lhe pediu uma esmola. Oxalá que é benigno, bondoso e a todos quer ajudar ofertou um pedaço de pão e nada falou. O mendigo solicitou a Oxalá que o ajudasse a colocar um saco na sua cabeça e Oxalá prontamente o ajudou. Quando Oxalá suspendeu o saco, o fundo do mesmo estava furado e cheio de pedras de carvão, que caíram sobre as suas vestes branca, ficando toda suja de carvão. Aí, Exu começou a dar gargalhadas e desapareceu. Oxalá, pacientemente foi ao rio, tomou um banho trocou a primeira peça de roupa que estava vestido pela segunda que guardara no saco. Oferendou a peça de roupa suja no tempo.
Na segunda peça. Exu se desfaça de salineiro e quando Oxalá passa próximo ao mar ele o chama. O salineiro estava descarregando o seu barco que estava cheio de sacos de sal e como Oxalá permanecia em silêncio, convidou Oxalá para ajudá-lo. Oxalá também é piedoso e resolveu acudir aquele pobre homem que trabalhava sozinho. Ao colocar o saco sobre as costas não percebera que este estava furado e todo o sal derramou sobre as suas vestes. Banhou-se, vestiu a sua última roupa e ofertou a que estava suja de sal para as águas.
Na 3ª e última peça, Exu é um viajante que comercializa óleos comestíveis e quando Oxalá passa por perto de sua taberna, pede a Oxalá para segurar o tacho onde ele derramará o óleo. O viajante propositadamente derrama o óleo que era à base de dendê sobre Oxalá. Exu dá uma grande gargalhada e desaparece. Oxalá vai ao rio banhar-se, mas não consegue limpar a sua roupa, como já não mais dispunha de outra peça limpa para trocar, teve que se conformar com as vestes sujas.

Próximo ao reino de Xangô, já cansado de tanto caminhar, Oxalá resolve repousar um pouco próximo a um alpendre, quando, de repente, aparece um lindo cavalo branco galopando sozinho. Oxalá começa a acariciar o cavalo, que muito parecia ao cavalo que outrora tinha presenteado a Xangô. Os soldados de Oió estavam à procura do cavalo do rei, que tinha sido roubado e ao vê-lo do lado de Oxalá, prenderam o forasteiro e o levaram para as masmorras, onde o mantiveram preso.
Durante o período em que Oxalá foi mantido preso, o Reino de Xangô passou por muitas dificuldades, a terra nada produzia, os animais morriam, das árvores não brotavam mais frutos. O povo sofria de infinitas mazelas e muito pouco tinha para comer, muitos morreram de fome e de doenças. As mulheres ficaram secas, estéreis, não geravam mais filhos e a população ficou reduzida a poucos. Os homens não dialogavam mais e as guerras, constantes, destruíam Oió impiedosamente. Xangô, justo, benevolente, pulso firme e sábio não sabia mais o que fazer. Resolveu consultar um grande Oluô da região que abrir o seu Ifá (jogo de Ifá - jogo de premunição). O respeitável adivinho, disse a Xangô que todas as dificuldades e sofrimentos que tomavam conta da nação não eram em vão. Xangô tinha cometido um tremendo engano no seu reino, ao manter preso nas suas masmorras um grande ser, que viera lhe visitar para trazer boas novas de paz e amor para seu povo, para a sua terra. Vá verificar com os seus próprios olhos.

Xangô foi pessoalmente visitar as prisões, quando reconheceu que aquele velho homem que ali se encontrava era seu pai. Chorou e imediatamente o carregou em suas costas, pedindo a todos que trouxessem bastante água para que pudesse limpá-lo e purificá-lo. Aparou as suas barbas, mandou preparar as mais belas vestes brancas e o vestiu. Providenciou que fosse organizada uma grande cerimônia, onde todos deveriam estar vestidos de branco para homenagear o rei.
O povo da cidade desceu em uma majestosa procissão contemplando Oxalá que andava lentamente guiado pelo seu Opaxorò (cajado sagrado de Oxalufã) e a cada passo era ajudado pelos seus filhos, todos protegidos por um grande manto branco sagrado, chamado de alá, que cobria as suas cabeças. Após a procissão, todos retornaram para o Palácio de Xangô, que ficava numa floresta sagrada onde foi oferecido um banquete e todos tiveram que comer uma massa feita de inhame bem passada, como prova da continua comunhão que devemos ter com o divino, com a criação.

E O reino de Xangô voltou a prosperar, as terras ficaram férteis, as mulheres germinaram e as guerras cessaram. A Paz, a justiça, o amor e a verdade voltaram a se abraçar para o bem do universo.

Esta viagem de Oxalá é relembrada quando fazemos o ritual das “Água de Oxalá”. É uma tradição das principais casas da chamada Nação “Ketu” no Brasil.

Fases:

I – Construção da casa onde Oxalá irá ficar durante as obrigações. Chamada de Boloti.
II - Todos dormem na casa de axé e preparam os seus quartilhões (jarros grandes, brancos, de louça ou barro) para carregar água para Oxalá.
III – De madrugada, por volta de quatro horas da manhã, todos se acordam em silêncio, pegam os seus quartilhões e se posicionam enfileirados respeitando a hierarquia do axé.
IV – Começa a procissão, e todos, em silêncio, vão para próximo da fonte de Oxalá, onde mora uma Iyaba, para alguns chamada de Oloxá (Senhora dos lagos, das fontes) que tem fundamento com Oxum e Nanã.
V – Cantam-se alguns fundamentos do axé relacionados com as oferendas e em silencio todos os quartilhões são preenchidos com água da fonte.
VI – Cada um carregado o seu quartilhão cheio de água se dirigem em procissão em direção ao Bolonti armado na área livre do templo.
VII – Entra um por um no Bolonti e suas cabeças são lavadas com a água de seus quartilhões.
VIII – Cada um tem que completar três viagens para encher novamente os quartilhões.
IX – Toda água recolhida, com exceção, da utilizada para purificar as cabeças vão primeiramente para o espaço onde mora o Oxalá da casa de axé e depois para os outros espaços onde moram os outros Orixás. Será utilizada para fazer o Osé (limpeza e purificação dos assentamentos dos Orixás e enchimento de todos os vasilhames que comportam água).

Cerimônias:
1º Domingo - Candomble
Homenagem a Oxoguiã / Oferendas do Pilão/ Simulação de Guerra com os Atoris/ Distribuição da Massa de Inhame para todos.
2º Domingo - Candomblé
Homenagem a Oxalufã. Toque de Ibin para Oxalá, que sai com o seu Opaxorò abençoando a todos. Depois todos carregam o Alá com Oxalá embaixo conduzido pelos seus filhos.

Esta simbologia se eterniza nos princípios fundamentais que são inerentes de todos os seres, animados e inanimados. Princípios estes, que sustentam e fundamentam a necessidade da convivência com: a diversidade, a respeitabilidade, a perseverança, o amor, a paz, a harmonia, a verdade e a justiça.

sábado, 10 de julho de 2010

Kabengele apoia sanção do Estatuto da Igualdade Racial

Kabengele Munanga, antropólogo, professor da Universidade de São Paulo e um dos mais respeitados intelectuais contemporâneos no estudo das relações raciais, manifestou-se nesta quarta-feira (30/06) em favor do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado pelo Congresso e, atualmente, aguardando a sanção presidencial.

Em carta aberta, ele faz uma análise da discussão atualmente travada no Brasil sobre a nova lei que institui direitos para os afro-brasileiros, destacando o espaço desproporcional dedicado pelos meios de comunicação, às posições contrárias e favoráveis ao documento.

“Os espaços da grande mídia para debater cotas e Estatuto da Igualdade Racial foram abertos principalmente para os detratores dos dois projetos de grande mudança, que beneficiariam a população negra e afrodescendente, e fechados para os defensores das mudanças. Como se não bastasse, o relator do processo, senador Demóstenes (Demóstenes Torres – DEM/GO), declarou abertamente - diante das câmeras e do mundo inteiro - que no regime escravocrata não houve verdadeiramente estupro da escravizada negra, pois se algo ocorreu nesse sentido foi com consentimento das próprias estupradas. Declarou também que o tráfico negreiro não foi uma violência exterior, pois contou com a cumplicidade dos próprios africanos que comercializavam seus irmãos. Vocês imaginam o que aconteceria hoje com um senador da república nos Estados Unidos ou em qualquer outro país ocidental que se permitisse dizer tantas insanidades políticas?”.

Na opinião do antropólogo congolês, considerando todas essas dificuldades, “o resultado obtido com a aprovação deste Estatuto, que passou por numerosas negociações, acompanhadas de modificações, é muito significativo para uma luta feita com armas tão desiguais”. Dirigindo-se aos integrantes do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), órgão colegiado do qual faz parte, indicado por notório saber, ele afirma: “Nada posso lhes ensinar, pois peguei o bonde andando quando vocês já estavam dentro. Vocês muito me ensinaram e continuarão a me ensinar, pois os fragmentos de reflexão desenvolvidos na academia, em grande parte com a ajuda de vocês, não se comparam aos anos de luta e de militância herdadas de Zumbi dos Palmares que vocês acumulam”.

Finalizando a carta, o acadêmico resgata o exemplo de caçadores Mbuti, da África Central, pejorativamente conhecidos como pigmeus, para provocar uma reflexão: “São meses e meses que os caçadores estão na floresta para caçar um elefante, cuja carne alimentaria a população durante alguns meses. Infelizmente não tiveram o sucesso esperado e voltam para aldeia trazendo apenas três antílopes. Decepcionados e frustrados, as mulheres e os filhos se contentam com esses pequenos animais, cuja carne cobriria necessidades de poucos dias. Mas eles não culpam os caçadores, mas sim o Mulimo, Deus da caça, o único Deus que esse povo monoteísta conhece e cuja aproximação da esfera dos humanos afasta a caça e prejudica as atividades de sobrevivência. Daí a necessidade de lhe oferecer uma galinha preta para afastá-lo da esfera humana. Moral da história: creio que nossos negociadores, parlamentares e políticos, fizeram o melhor possível para trazer o elefante. Independentemente de sua vontade, só conseguiram os antílopes. Agora, vamos jogá-los fora em vez de aceitá-los e encorajar nossos caçadores a continuar a luta?”.

Centrais desmentem Serra sobre sua atuação como constituinte

Os presidentes das centrais demonstram, em nota, como foram as ações do tucano

As centrais sindicais CUT, Força, CGTB, CTB e NCST lançaram manifesto conjunto na última quarta-feira (7) onde alertam a população para que não se deixe enganar pelas mentiras veiculadas na rádio e na televisão por José Serra, candidato de Fernando Henrique e do PSDB à Presidência da República, a respeito de pretensas medidas que teria proposto em prol da classe trabalhadora.

Sob o título “Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores”, as cinco centrais denunciam que “o candidato José Serra (PSDB) tem se apresentado como um benemérito dos trabalhadores, divulgando inclusive que é o responsável pela criação do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e por tirar do papel o Seguro-Desemprego. Não fez nenhuma coisa, nem outra. Aliás, tanto no Congresso Nacional quanto no governo, sua marca registrada foi atuar contra os trabalhadores”. De acordo com as centrais, “a mentira tem perna curta e os fatos desmascaram o tucano”.

Na avaliação dos presidentes Artur Henrique, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Miguel Torres (em exercício), da Força Sindical; Antonio Neto, da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB); Wagner Gomes, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e José Calixto Ramos, da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), o fundamental é que a população seja informada, para que dimensione o tamanho da falsidade que vem sendo divulgada pelo PSDB.

“A verdade”, esclareceram, é que “o seguro-desemprego foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. Sua regulamentação ocorreu em 30 de abril daquele ano, através do decreto nº 92.608, passando a ser concedido imediatamente aos trabalhadores”. Da mesma forma, “o FAT foi criado pelo Projeto de Lei nº 991, de 1988, de autoria do deputado Jorge Uequed (PMDB-RS). Um ano depois Serra apresentou um projeto sobre o FAT (nº 2.250/1989), que foi considerado prejudicado pelo plenário da Câmara dos Deputados, na sessão de 13 de dezembro de 1989, uma vez que o projeto de Jorge Uequed já havia sido aprovado”.

Na Assembleia Nacional Constituinte (1987/1988), o candidato tucano votou reiteradamente contra os trabalhadores, assinala o manifesto: “Serra não votou pela redução da jornada de trabalho para 40 horas; não votou pela garantia de aumento real do salário mínimo; não votou pelo abono de férias de 1/3 do salário; não votou para garantir 30 dias de aviso prévio; não votou pelo aviso prévio proporcional; não votou pela estabilidade do dirigente sindical; não votou pelo direito de greve; não votou pela licença paternidade; não votou pela nacionalização das reservas minerais”.

Por isso, recordam os sindicalistas, “o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), órgão de assessoria dos trabalhadores, deu nota 3,75 para o desempenho de Serra na Constituinte”. Vale lembrar que no primeiro turno da Constituinte, o atual candidato tucano tirou nota 2,50 e, no segundo turno, por se ausentar em várias votações em que havia votado contra, levou nota 5,0 – o que lhe elevou a média para 3,75.

Já em 1994, diante da proposta de Revisão Constitucional, lembram as centrais, “Serra apresentou a proposta nº 16.643, para permitir a proliferação de vários sindicatos por empresa, cabendo ao patrão decidir com qual sindicato pretendia negociar. Ainda por essa proposta, os sindicatos deixariam de ser das categorias, mas apenas dos seus representados. O objetivo era óbvio: dividir e enfraquecer os trabalhadores e propiciar o lucro fácil das empresas. Os trabalhadores enfrentaram e derrotaram os ataques de Serra contra a sua organização, garantindo a manutenção de seus direitos previstos no artigo 8º da Constituição”.

Conforme o manifesto, “é por essas e outras que Serra, enquanto governador de São Paulo, reprimiu a borrachadas e gás lacrimogêneo os professores que estavam reivindicando melhores salários; jogou a tropa de choque contra a manifestação de policiais civis que reivindicavam aumento de salário, o menor salário do Brasil na categoria; arrochou o salário de todos os servidores públicos do Estado de São Paulo”.

“As Centrais Sindicais brasileiras estão unidas em torno de programa de desenvolvimento nacional aprovado na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em 1º de junho, com mais de 25 mil lideranças sindicais, contra o retrocesso e para garantir a continuidade do projeto que possibilitou o aumento real de 54% do salário mínimo nos últimos sete anos, a geração de 12 milhões de novos empregos com carteira assinada, que acabou com as privatizações, que descobriu o pré-sal e tirou mais de 30 milhões de brasileiros da rua da amargura”, conclui o documento.