sábado, 27 de fevereiro de 2010

ORAÇÃO A SÃO JORGE

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo,meu corpo não alcançará
Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge
Jorge é de Capadócia, salve Jorge

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

fotos da Pré Conferência de Cultura afro



Pré-conferência escolhe delegados para conferência nacional e traça estratégias para cultura afro-brasileira

Pré-conferência escolhe delegados para conferência nacional e traça estratégias para cultura afro-brasileira

A pré-Conferência Nacional de Cultura Afro-Brasileira terminou nesta quinta-feira, 25, em Brasília, com a definição de cinco estratégias do segmento para a 2ª Conferência Nacional de Cultura (CNC). Foram escolhidos também os 10 delegados e 10 suplentes que representarão o setor na plenária geral do encontro nacional, além de eleger a lista tríplice que vai representar o segmento no âmbito do Conselho Nacional de Política Cultural para o exercício 2010-2011. A conferência nacional acontecerá entre os dias 11 e 14 de março, também na capital federal.


Créditos: Estúdio Foto´ Art
As estratégias foram elaboradas após debate de cinco eixos temáticos, os mesmos que serão debatidos na conferência nacional: produção simbólica e diversidade da cultura afro-brasileira; cultura, cidade e cidadania afro-brasileira; cultura afro-brasileira e economia criativa, e gestão e institucionalidade da cultura afro-brasileira.


Créditos: Estúdio Foto´ Art
Durante dois dias, delegados, convidados e observadores discutiram o espaço da cultura negra dentro da sociedade brasileira e racismo institucional, apropriação de conhecimento, intolerância e muitos outros temas ligados à condição do negro no Brasil hoje. "Parece que é pouco, mas antes nem esse debate era travado, este espaço é uma grande conquista", comemora Dora Bertúlio, procuradora chefe da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, que organiza o evento.

Ao final, os participantes entregaram três moções, uma encaminhada ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, e duas encaminhadas ao presidente da Palmares, Zulu Araújo. A moção encaminhada ao ministro sugere que sejam considerados os membros da lista tríplice elaborada pela pré-Conferência para conselheiro do Conselho Nacional de Política Cultural. Zulu Araújo já confirmou o compromisso do ministro em garantir a inclusão desses nomes. Dos três, dois serão escolhidos pelo ministro como conselheiros. A lista foi composta por Lamartine Silva, Antonio José Amaral Ferreira e Luciana Conceição da Silveira.


Créditos: Estúdio Foto´ Art

Das moções encaminhadas ao presidente da Palmares uma pede apoio técnico e institucional para a criação do Fórum Nacional de Culturas Afro-Brasileiras, para a qual Zulu colocou a Fundação que dirige à disposição. A outra traz o repúdio da delegação do Acre -- e pede o apoio da Palmares -- que transformou a frente da casa e templo religioso do pai Daniel de Oscassio em depósito de lixo em represália a denúncias de intolerância religiosa.

Zulu encerrou as discussões falando da importância deste momento para a comunidade negra e disse que os critérios escolhidos para a condução da pré-Conferência foram elaborados em conjunto com todos os dirigentes da Palmares, de forma democrática. "O processo foi transparente do início ao fim. E isso tudo é uma grande vitória, não só para o movimento, por vocês estarem aqui, mas pelas decisões que foram tomadas. Estamos prontos para discutir a conferência nacional de igual para igual".

Ele alerta que a discussão que será travada no encontro nacional será política e que os delegados terão que fazer política também na área de cultura. "Teremos que fazer nossas reivindicações pelo convencimento e espero que os representantes escolhidos defendam as estratégias aprovadas de maneira coletiva, respeitando este fórum".


Créditos: Estúdio Foto´ Art

O encontro foi encerrado ao som do Chorinho à Bessa, que fez o público dançar e relaxar no último momento do encontro.

* Delegados que representarão a cultura negra na CNC

* Confira as propostas elaboradas e as aprovadas

* Confira as moções aprovadas


Veja as matérias relacionadas:

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Em discurso, presidente da Palmares fala das conquistas da cultura negra

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Pré-conferência debate hoje propostas de políticas públicas para cultura afro-brasileira

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Professor cobra do Estado efetivação de políticas de diversidade cultural

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Pré-Conferência afro-brasileira terá votação eletrônica

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Aviso de Pauta
Ministro participa de evento sobre políticas para cultura afro-brasileira

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Evento debate políticas públicas para cultura afro-brasileira

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Estados escolhem delegados para pré-conferência em Brasília

PRÉ CONFERÂNCIA DE CULTURA AFRO BRASILEIRA

O Pará está pleiteando uma vaga na listra tríplice que o Ministro da Cultura vai indicar uma pessoa da Cultura Afro Brasileira para o Colegiado do Conselho Nacional de Políticas Culturais ( CNPC) através do Bábalorixá Antonio Ferreira - Bába Kytalamy que esteve presente na Pré Conferência de Cultura Afro Brasileira em conjunto com Mãe Vanda e Professora Janete. Estamos concorrendo com o Maranhão e o Rio Grande do Sul.
Participamos também, do GT de construção do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa e Promoção de Políticas Públicas para as Comunidades Tradicionais de Terreiro, em conjunto com representantes de outros estados. Estamos no aguardo da SEPPIR, em elaborar uma agenda com o Ministro aqui na Região.
VIVA O PARÁ
Que oxóssy dê muito ashé a tod@s
Bába Kytalamy

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

TEM ALGO DE NOVO NO REINO DOS MANDINGAS E MAROTOS.

Existe uma onda se delineando no cenário político baiano: o aparecimento de candidaturas negras com forte densidade política e com grandes chances eleitorais. De logo, vou logo explicando que o que entendo por chance eleitoral não se resume necessariamente á vitória eleitoral, mas, sobretudo, a uma boa presença na vida política do Estado nos próximos anos.

Fui formado sob um discurso político de que apresentar muitas opções representativas de segmentos vulneráveis - leia-se, negros, indígenas, mulheres, homossexuais, pessoas com deficiência etc. - aos espaços de poder político, era sinal de burrice estratégica. Não se podia imaginar que tivéssemos capacidade de eleger mais do que um candidato por segmento. Esta era uma atitude sempre tratada como secundária ou tática na luta política pela mudança ou pela preservação da ordem política. Racismo, sexismo, homofobia, extermínio de jovens negros, desenvolvimento do Estado versus igualdade política e econômica sempre foram temas táticos para muitas candidaturas negras.

Não se podia imaginar, segundo o receituário clássico em que muitos de nós vimos sendo formados(as) , que dentro do movimento negro, ou melhor, dos movimentos negros, tivéssemos não um candidato, mas, muitos candidatos e candidatas com toda a pluralidade de pensamentos e representações que pode contemplar a maioria da população, em outras palavras, apostávamos que não era possível “dividir a base”, que era "equívoco estratégico", tudo na velha gramática da política tradicional.

A questão é que estas pessoas tem se revelado como excelentes militantes da causa negra e excelentes profissionais nas suas respectivas áreas de intervenção profissional e social. Então, sua condição social de homens e mulheres negras, não se revela apenas como um atributo de sua existência planetária, mas, aparece como um lugar de fala onde estes novos protomutantes de uma política que se renova para todos os pólos estão apenas confirmando uma velha tese: em política não existe espaço vazio.

Nilo Rosa, Leo Kret, Luiz Alberto, Valmir Assunção, pré-candidatos a Deputado Federal. Ivan Carvalho, João Jorge, Edvaldo Brito, Pré-candidatos ás vagas do Senado Federal e Sérgio São Bernardo, Bira Coroa, Gilmar Santiago e Olivia Santana, pré-candidatos a Deputado Estadual, possuem uma característica em comum: todos irão testar suas capacidades eleitorais e falar a um público cada vez mais complexo e multifacetado em linguagens e exigências.

O desafio colocado é termos uma prática política que se assemelhe a um discurso inovador e uma ação política pautada na transparência, altivez, conteúdo político, visão histórica e vontade de mudar a velha Bahia.

Estas candidaturas são polêmicas e possuem especificidades distintas, mas podem ser singularizadas num contexto de quebra de grilhões dos grupos tradicionais que falam e ditam o DNA do próximo líder negro que irá nos representar no parlamento. Muitos, no passado, foram trucidados no primeiro ringue. Agora o sintoma é de quantidade como reflexo de qualidade. Enquanto uma casta baiana prefere fazer fuxico em mesa de bar, pensamos que o debate público sobre o futuro da Bahia vem bem. O jeito é arregaçar as mangas, entender o cenário e abrir o bom debate sobre o futuro da Bahia, certos(as) de que estamos por nossa própria conta... É bom que sejamos muitos e muitas...

Dia Internacional da Língua Materna tem como objetivo principal a Promoção da Diversidade Cultural

O último dia 21 de fevereiro foi comemorado em todo o mundo como o Dia Internacional da Língua Materna. A data foi instituída em 1999, pela 30ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO, com o objetivo de promover a diversidade e desenvolver uma consciência maior das tradições linguísticas e culturais baseadas na compreensão e no diálogo.

Dentro das comemorações previstas para o 11ª Jornada da Língua Materna, será realizado, na sede da UNESCO, em Paris, nos dias 22 e 23, o Simpósio Internacional sobre Tradução e Mediação Cultural.

A língua materna, aquela das primeiras palavras e da expressão do pensamento individual, é a base da história e da cultura de cada indivíduo. As línguas, com suas implicações complexas em termos de identidade, de comunicação, de integração social, de educação e de desenvolvimento, têm uma importância estratégica para os povos e para o planeta.

Devido aos processos de globalização, elas se encontram cada vez mais ameaçadas. Quando as línguas se extinguem, a diversidade cultural é reduzida, pois, com elas, perdem-se também perspectivas, tradições, memórias coletivas e modos únicos de pensamento e de expressão. Enfim, recursos preciosos para garantir um futuro melhor.

As línguas maternas e a coexistência pacífica
Para a diretora geral da UNESCO, Irina Bokova, nesse contexto, é preciso que os governos de todos os países estimulem o multilinguismo. “É fundamental o encorajamento de políticas linguísticas regionais e nacionais coerentes, que contribuam para uma utilização apropriada e harmoniosa das línguas no seio de uma comunidade e de um determinado país”, alerta Bokova. Segundo a diretora da UNESCO, tais políticas favorecem a adoção de medidas que permitam a cada comunidade de locutores utilizar sua língua materna no espaço público e no privado, dando aos locutores a possibilidade de aprender e de utilizar outras línguas locais, nacionais e internacionais.

“Essa 11a edição da Jornada se coloca no âmbito do Ano Internacional para a Aproximação das Culturas. As línguas são, por excelência, vetores de compreensão do outro e de tolerância. O respeito por todas as línguas é um fator chave para assegurar a coexistência pacífica, sem exclusão, das sociedades e, em seu seio, de todos os seus membros”, observa Bokova.

http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2010/02/latim2.jpgEla lembra ainda que, paralelamente, a aprendizagem das línguas estrangeiras e, por meio delas, a faculdade individual de utilizar várias línguas, constitui um fator de abertura para a diversidade, e de compreensão de outras culturas. Assim, ela deve ser promovida como um elemento constitutivo e estrutural da educação moderna.

“O multilinguismo, a aprendizagem das línguas estrangeiras e a tradução constituem três eixos estratégicos das políticas linguísticas de amanhã. Por ocasião desta 11ª edição da Jornada da língua materna, eu lanço um apelo à comunidade internacional para que a língua materna receba, em cada um desses três eixos, o lugar fundamental que lhe cabe, num espírito de respeito e de tolerância que abre caminho para a paz”, desafia a diretora geral da UNESCO.

No Brasil, a língua materna dos Indígenas
Embora o português seja a língua oficial no Brasil, há cerca de 180 outras línguas maternas faladas regularmente por povos indígenas brasileiros. O línguista e professor da Universidade de Brasília, Aryon Dall’Igna Rodrigues, que estabeleceu uma classificação das línguas indígenas faladas no Brasil, alerta, no entanto, que 87% das línguas indígenas estão ameaçadas de “morte” e encaixam-se na categoria de línguas com dez mil falantes ou menos. De acordo com os estudos realizados por ele, cerca de 1.300 línguas indígenas diferentes eram faladas no Brasil há 500 anos.

Segundo o professor da UnB, uma das alternativas para a sobrevivência das línguas maternas indígenas é incentivar o aprendizado das novas gerações. “Esse tem sido um esforço dos linguistas e professores por todo o Brasil. Hoje, existem mais de duas mil escolas que oferecem alfabetização bilíngue para as crianças índias”.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Deixa Falar: folia em prol da cultura popular


Os Pássaros Juninos são uma expressão cultural genuinamente popular, que consome um ano inteiro de trabalho para levar às ruas adereços coloridos e histórias melodramáticas carregadas de imaginação. Essa opereta paraense envolve várias linguagens artísticas, como música, teatro, dança e literatura. Com tantas similaridades com o carnaval, nada mais perfeito para um tema de escola de samba.

Foi o que achou o Grêmio Recreativo Cultural e Carnavalesco Deixa Falar, do bairro da Cidade Velha, que escolheu os Pássaros Juninos como enredo para este ano. O ponto de partida foi a campanha para a reconstrução e o tombamento do Teatro São Cristóvão. Assim nasceu o samba “Ópera de São João, Pássaros de Cordão”.

“Foi um tema difícil”, conta Bosco Guimarães, um dos co-autores do samba-enredo. “Como é uma história rica em detalhes, que começa há mais de 200 anos, foi um desafio resumir tudo isso em apenas algumas linhas. Além disso, é um assunto imerso em polêmica, porque tanto o Teatro [São Cristóvão] quanto os Pássaros Juninos sofrem com o descaso das autoridades”, diz ele.

Fruto da época da Belle Époque, o Pássaro Junino nasceu como uma reinterpretação popular das grandes óperas apresentadas pelas companhias europeias no Theatro da Paz. Sua história também está ligada ao Teatro São Cristóvão, que hoje encontra-se abandonado. Erguido nos anos 1930 e fechado há mais de uma década, o antigo casarão, localizado em frente ao Parque da Residência, ficou conhecido como “Teatro de Pássaros”, por ter servido durante muito tempo como palco para a apresentação dos Pássaros Juninos.

“O enredo vem saudando esses dois ícones do patrimônio cultural paraense”, diz Antônio Ferreira, diretor de Comunicação da Deixa Falar e mestre de cultura do Pássaro Tem-Tem. Ele explica que existe um movimento para que o Pássaro Junino seja considerado patrimônio imaterial não só do Estado, mas do Brasil.

A agremiação vai abrir o desfile mostrando as origens dos Cordões de Pássaro, a partir do ponto de vista dos empregados do Theatro da Paz que assistiam às apresentações. Em seguida, virão as primeiras reencenações desses espetáculos pela cultura popular, quando foram incorporados pelas quadras juninas. O desfile será encerrado mostrando a luta dos Cordões de Pássaro para preservar esse patrimônio

imaterial.

ENGAJAMENTO

Graças ao enredo, a agremiação soma forças ao Movimento em Prol do Teatro São Cristóvão, que chama a atenção da sociedade civil e do poder público para a importância dos Pássaros Juninos.

“O descaso das autoridades está deixando as tradições culturais se acabarem aos poucos, seja o Pássaro Junino, seja o carnaval de rua”, diz Antônio, mostrando assim que as similaridades entre os Pássaros e o carnaval são maiores do que se imagina.

Recentemente, o Governo do Estado sancionou uma lei que torna o Pássaro Junino um patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado, considerando que esta é uma das mais tradicionais e criativas manifestações da cultura popular paraense. Num recente levantamento realizado pelo Instituto de Artes do Pará (IAP), foram identificados 18 grupos em atividade na Região Metropolitana de Belém, além de grupos presentes em Itaituba, Santarém e na Ilha do Marajó. Já o Teatro São Cristóvão espera pelo processo de tombamento pelo Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).

EM NÚMEROS

A Deixa Falar vai para a Aldeia Amazônica com 1.800

brincantes divididos em nove alas, seguidos por dois carros alegóricos, além de três casais de mestre-sala e porta-bandeira e a bateria composta por 140 ritmistas.